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domingo, 23 de janeiro de 2022

JOSÉ MARQUES GARCIA, um sonho, há 99 anos

José Marques Garcia, fundador do Allan Kardec,  
do Centro Espírita Esperança e Fé e do jornal A Nova Era

 

Uma grande preocupação com os doentes mentais, que perambulavam pela cidade e quase sempre eram maltratados ou ignorados pela população. Foi este motivo que levou José Marques Garcia a acalentar um sonho que viria a ser realidade em 19 de novembro, 99 anos atrás. Naquele dia nascia o asilo, posteriormente Casa de Saúde e atualmente Hospital Allan Kardec, que tantos serviços prestou e continua prestando nestas décadas, a Franca e toda região. 

Hoje imagina-se como seria a cidade de 360 mil habitantes e a região 750 mil, sem o atendimento do Hospital Allan Kardec. 
Homens simples e valorosos daquele tempo colaboravam com José Marques. Entre eles, Francisco Latorraca, Diocésio de Paula, José Matias, Joaquim Bernardes, Thomaz Novelino, Diomar Branco e José Russo. 

E a espiritualidade indicou os rumos a serem seguidos, segundo relatos preciosos de Antonieta Barini e Agnelo Morato. Uma bela madrugada José Marques teve uma revelação em sonho. Um foco de luz indicava a direção norte da cidade de Franca. O local era a chácara do sr. José Claro. Aquela estrela ou bola de luz representava a caridade. José Marques Garcia, tentando interpretar o sonho, foi até o local indicado. Pouco depois surgiu o dono do sítio, que disse logo ao idealista José Marques: eu sei o que o Senhor veio fazer aqui, vou doar-lhe uma área para que possa construir sua obra de caridade.

As primeiras casinhas de taipa foram então construídas. Os primeiros doentes mentais foram acolhidos e atendidos no abrigo. José Marques Garcia teve uma vida de desprendimento, era a simplicidade em pessoa, a amizade e a justiça o acompanharam sempre. Ele nasceu em Ipuã, distrito de Barretos, aos 12 de maio de 1.862. E faleceu em 21 de junho de 1.942, aos 80 anos.

Sua vida foi marcada pelo trabalho e a lida com gado em Morro Agudo, Guaira, Viradouro e Batatais, antes de chegar a Franca. Aqui em Franca, na época conhecida como a cidade do sal, que era levado para Minas e Goiás, José Marques fixou residência e realizou seus sonhos. Fundou o Centro Espírita Esperança e Fé, o jornal A Nova Era, casou-se com Maria Marques Garcia, com quem teve um filho, que faleceu muito jovem. 

Franca prestou-lhe uma homenagem, dando seu nome à rua onde foi construído o asilo, hoje Hospital de primeira classe. Na rua José Marques Garcia também ficam o Educandário Pestalozzi, o Teatro Judas Iscariotes e o Lar de dona Leonor. E neste domingo um evento será promovido pela Diretoria, para lembrar o aniversário de 99 anos do Hospital. Ás 9 hs da manhã o evento terá música e arte, no Bosque do Beija Flor, localizado no recinto da instituição. Nesta coluna lembramos o nome de um valoroso cidadão, que prestou à comunidade os melhores serviços e participou da construção da cidade. 

Crônica Publicada em 20 de novembro de 2021



sábado, 30 de março de 2019

A fanfarra do Pestalozzi (DV-43)

Para falar da fanfarra do Pestalozzi precisamos elogiar uma outra, a do Champagnat, também é preciso avisar que nosso artigo de hoje é proibido para menores, já que estamos falando de 1967, mais ou menos. Ter convivido com o dr. Novelino foi muito prazeroso, tanto por seu enorme coração de amigo e filantropo, como por sua inteligência.


Sempre teve uma preocupação com os jovens e com o futuro de cada um. A dona Aparecida, sua esposa, foi um dos baluartes nesse processo todo, séria, muito séria, mas não menos comprometida com essa causa. 
O nome Pestalozzi é uma homenagem ao educador suíço que mantinha um instituto em Verdun, por onde Allan Kardec passou e recebeu boa parte de sua ótima educação. O modelo que inspirou o Colégio Allan Kardec, em Sacramento-MG, era o de formar pessoas e não só “alunos”, professores do Brasil todo vinham à cidade mineira para conhecer o método liderado por Eurípedes Barsanulfo.
Não tenho os detalhes, mas o dr. Thomas Novelino vem de Sacramento e funda em Franca o colégio  Pestalozzi, sendo impossível replicar totalmente o modelo suíço, o médico faz outras coisas maravilhosas, como recuperar jovens em forma de internato, dar profissão para eles com uma fábrica de calçados infantis, Mário Nalini Jr. era o seu gerente. A indústria vira uma potência, mas, infelizmente, tem o mesmo destino das maiores fábricas de calçados da cidade. 
Na área da educação, que sei que é modelo até hoje, peço licença para destacar uma área, a de contabilidade, profissão em especial, já que uma enorme gama de ótimos contadores e profissionais  afins saíram de suas salas de aula, com um detalhe, boa parte dos professores era formada de voluntários, não cobravam por isso. A minha alavancagem profissional saiu do curso de contabilidade da escola. 
E a fanfarra? Não sei exatamente o que motivava dr. Novelino a gostar de uma banda, nesse caso de uma fanfarra. Mas sei que tive a oportunidade de participar desse processo, também meu cunhado Edmar Storti, que tocava de maneira elegante uma corneta fá.
Dos personagens, minha esposa Palmira lembra que o nosso instrutor sempre foi o Topete, que também tocou no Laércio da Franca , lembro dos colegas de repique, os inseparáveis Faustinho, seu irmão Miel e o João Moisés. Sinto não me lembrar e nem ter espaço para todos os outros que acabaram por dar uma grande alegria ao querido médico. 
Em 1967 Novelino contrata um instrutor militar, como reforço, duplica os dias de ensaio, e, com um esforço acima do normal, aliando a técnica à disciplina, nós - por uma única vez, vencemos o concurso de fanfarras e bandas da cidade. Davi vence Golias.
Que saudades do dr. Novelino, da minha turma de contabilidade e da fanfarra do Pestalozzi, com meus enormes respeitos à campeoníssima fanfarra do Champagnat. 

Em tempo - se você tiver alguma foto da fanfarra do Pestalozzi e puder nos enviar, agradeceríamos muito: nalinisecretario@gmail.com 
  
Referência: 43.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 23/03/2019 - (DV-43)