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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Tempo quente (DV-68)

Quem não tem assunto fala sobre o tempo? Principalmente em um elevador - “como está quente hoje, não é?”. Mas não é assim, damos muita importância às informações sobre a temperatura e sua influência sobre o nosso corpo.
As estações não funcionam com muita regularidade no Brasil, como explicar um inverno com 40 graus? Aff, pelo menos em Ribeirão Preto agosto e setembro costuma ser seco e muito, muito calor.
Já tivemos umas passagens engraçadas com a natureza.
Quando mudamos para Rio Grande, importante porto do Rio Grande do Sul, um desfile comemorou a chegada do verão, compreensível, o frio lá é rigoroso, prática comum em lugares muito frios, assim como há festivais de invernos também. 
Realmente o tempo esquentou, primeira folga pegamos as crianças e #praiadoCacino, tinha uma só senhora em 14 km de praia, de blusa, pescando seu sustento, e a água muito gelada!
Depois foi na Escandinávia, a temperatura lá estaria entre 14 e 16 graus, como nos dias mais frios aqui da região, é, mas esqueci da sensação térmica próxima de zero, quase viramos pinguim. Duro foi ouvir, “é, o frio daqui é quase igual o de Ribeirão”. Dizem que lá só têm duas temperaturas, frio e muito frio.
Para viajar adotamos uma técnica, chega de Natal Branco - viagens em fins de ano para lugares muito frios. Quer curtir neve? Patagônia em julho - Chile e seus lagos, e Argentina, com Bariloche,  Ushuaia e El Calafate, Europa é boa na primavera e no outono, verão é muito quente, inverno é frio demais.
Li em um trabalho de professores da USP que chamam de “histeria" e de “previsão apocalíptica” a fusão das calotas de gelo polar, inundação das cidades costeiras e desertificação de zonas produtoras de alimentos, e que isso não ajuda a entender os fatores climáticos reais. 
Também já lemos que fogo natural não afeta as matas, pois elas reciclam, da mesma forma que os produtores aprenderam a conviver com a neve, preparam a terra e até plantam antes, quando degela já têm o solo úmido, meio caminho andado para a produção.

Ficamos longe de polêmicas, mas com o respeito pela natureza, seus ciclos e habitats, enfim é a maior manifestação que temos de Deus sobre nós.

Referência: 68.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 21/9/2019 - (DV-68)

sábado, 26 de janeiro de 2019

Medo de avião (DV-35)

Um dos primeiros voos que fiz foi de Franca para Brasília,  durante o primeiro governo do amigo Maurício Sandoval Ribeiro (1977-1982), fui representá-lo em uma reunião de dirigentes calçadistas em Brasília. Lembro-me pouco da viagem, mas uma coisa não esqueci, a calma de Helil Palermo, presidente da ACIF (1977-1980). Estávamos ao fundo de num avião Cessna de… uns 12 lugares, aeronave cedida pelo Comandante Rolim, dono da Transportes Aéreo Marília, a TAM, muito amigo da Patrícia, personagem marcante, uma hora conto.
Avião pequeno voa baixo, mais suscetível à leve turbulência, o subir e descer com a pressão atmosférica, se nossa barriga esfria quando há uma descida repentina, ainda que pequena, é natural que possamos sentir isso voando em pequenos aviões. Perguntei ao Helil se não sentia medo -  ele disse, não, é normal, e me acalmou.
Em outra oportunidade, duas experiências bem menos estressantes: voar em 1975 em um Douglas DC-3, versão melhorada daquele utilizado no filme Casablanca, a parte dianteira, quando estacionado, fica bem mais alta, voa tranquilo, com estivéssemos num filme preto e branco, e em um ultraleve numa praia de Maceió, decola e pousa na água, o ar refrigerado é a chuvinha que a hélice produz e o vento de cara limpa, delícia. 
Mas a ansiedade de voar não passava, uma vez ao lado de uma senhora com um semblante sereno, navegando no enredo de um livro, eu esperando o próximo chocalho, mãos transpirando, cometi uma impropriedade, tirei-a da sua outra viagem e perguntei - Como a senhora pode ficar tão calma assim? Ela disse, virando-se levemente para mim - Ah, não se preocupe é o medo do desconhecido, aos poucos, quando você for dominando isso, vai ver que se acostuma, tinha razão, acabei me acostumando. Com o tempo passei voar nas cabines, com os pilotos, quando isso ainda era possível, foi proibido depois do episódio das Torres Gêmeas, ali dá mais segurança, você vê as nuvens pesadas antes, rss.
Mas a aventura mais significativa mesmo foi numa nevasca em Ushuaia, na Patagônia argentina, de lá na Antártida é um pulinho, os técnicos limpavam a pista, nem chegavam no meio e o início já estava branquinho, assistíamos tudo do primeiro andar envidraçado. Daí tomaram uma decisão radical, vai ser só meia pista, e foi, limparam-na bem, avião estava posicionado, mais ou menos como aqueles que queimavam cartuchos, era o último, hehehe. Os motores, turbinas, tudo a mil por hora, ronco do avião ensurdecedor, quando soltam o bichinho sentimos o solavanco, velocidade máxima na largada, e…  decolagem bem no meio, que espetáculo. Primeira vez que vejo bater palmas na decolagem, já tinha visto em aterrisagens, é história para contar o resto da vida.

Mas não dá para não lembrar de uma frase dita por Jô Soares: "existem os que tem medo de avião e os mentirosos".

Referência: 35.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 26/01/2019 - (DV-35)