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quarta-feira, 30 de março de 2022

Dr. Lancha, Médico e Prefeito

Francal foi provavelmente seu maior feito. A idéia surgiu de um encontro com Ademarzinho Polo e Ivânio Particelli.


Ele foi eleito por diferença de apenas 21 votos, na última urna, depois de sair perdendo na cidade por 800 votos, conseguiu virada na Estação. Isso foi no ano de 1.968. 



E o dr. José Lancha Filho iniciou seu mandato na Prefeitura de Franca. Um belo dia, há 50 anos, em 1.971, recebeu a visita de Ademarzinho Polo e Ivânio Particelli que acabavam de retornar de São Paulo. Passando por Americana, cidade que promovia a Feira de tecidos, relataram a Lancha sobre este evento. Foi quando o prefeito perguntou "por que não fazemos em Franca a Feira do Calçado"? 

Estava surgindo a Francal, feira de calçados que aconteceu improvisada- mente no prédio da Ceagesp, depois no prédio até então inacabado da Prefeitura, em seguida no campo do Palmeiras, ano seguinte no parque Américo Pizzo. 

Anos depois a Francal foi transferida para São Paulo, maior centro comercial do País. Sempre bem administrada, com liderança de Miguel Bettarello, Carlos Brigagão e equipes de industriais, a Francal sempre deixou lastro de bons empreendimentos, impulsionando a indústria da capital dos calçados. 

E a história do médico e prefeito Lancha Filho foi marcante. Antes de ser eleito prefeito da cidade, foi Vereador, em período relevante da casa Legislativa. Os vereadores cumpriam mandato sem receber salários. Era um serviço comunitário. 

Eleito prefeito, naquela que foi talvez a eleição mais acirrada da cidade, em 83 dias construiu o estádio municipal para dar à A. A. Francana condições de disputar os campeonatos conforme exigências da Federação Paulista. O estádio passou a ser chamado de Lanchão, em sua homenagem.

Trouxe o Corpo de Bombeiros, depois de incêndio dramático em uma indústria de comércio de couro, que provocou a morte de um bombeiro. Foi outra grande realização. Importante para a cidade industrial que crescia a cada ano, dando empregos e registrando os primeiros passos para a exportação. 

Posteriormente elegeu-se Vereador e foi também Secretário da Saúde municipal. Como Médico, teve igualmente uma história expressiva. Quase sempre não cobrava pelas consultas. Angariou amizade, teve atuação sempre considerada relevante, reconhecida até hoje pela comunidade. 

Pessoa do bem, sempre com um sorriso nos lábios e pronto a atender todos que o procuravam. Um homem que será lembrado pelas ações boas que promoveu e incentivou. 



Crônica Publicada no jornal Verdade, em 18 de dezembro de 2021 

 


 

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Sérgio (DV-74)

Às vezes demoramos uma vida para considerar uma pessoa amiga, mas isso pode acontecer em apenas 4 meses, foi o que ocorreu com Sérgio Marques, editor do Verdade que nos deixou no último dia 28. Estava surpreso com o fato de não o ter conhecido antes, mas ele disse que me conhecia desde quando o velho Corrêa Neves ainda era vivo e eu era Delegado da Receita Federal. 
Nossa resenha começava toda quinta-feira, quando eu imaginava os assuntos para o sábado e trocava ideias com ele, adaptou os títulos para não ficarem em duas linhas e decretou - Você pode escrever sobre o que quiser, pura gentileza.
Só soube que escreveu o Francana - 100 Anos de Paixão agora, com seu falecimento, admirava muito Heraldo Pereira, do sistema Globo em Brasília, contei que, quando assessor de imprensa da prefeitura, Heraldo sempre nos procurava para fazer suas matérias em Franca para a EPTV.
Sérgio Marques foi uma amizade à primeira vista, estou triste, muito triste, mas vamos em frente, como fará a equipe do Verdade, vamos celebrar a chance de tê-lo conhecido e adotar os seus exemplos.
Adotava frases feitas, de efeito, para que eu descreve minha funções, em uma  matéria sobre finanças, veio com essa - “a presunção aumenta o risco sempre”. Seu amigo Barros Filho confirma esse pragmatismo e seu profissionalismo no cuidado com as matérias, sempre exaurindo as informações. Quando escrevi sobre Joanna D’Arc, a santa, ele  gostou e fez uma analogia muito engraçada com a homônima francana, nada demais, humor puro.
Brinquei que era único editor que lia e comentava meus artigos, achou engraçado, como não iria ler? Ele devolveu a provocação de xará, “escritor com nome bonito vale a pena”. Pinatti sempre leu e comentou, bem-vinda Kika.
Nosso último diálogo, talvez o maior, foi sobre o tema da coluna Relógios Que Salvam, disse que o filho tinha comprado um equivalente e que até chegou a pensar em voltar a usar relógios, depois de 10 anos, duvido.

Edmo Ferreira Junior, conta que, num momento de tristeza, ouviu dele - Edmo, você não é nenhum Ayrton Senna da profissão, mas está fazendo o que gosta, e ainda tem quem te paga por isso, sugerindo que agarrasse muito na oportunidade. 

Referência: 74.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 02/11/2019 - (DV-74)