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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Laércio de Franca, da orquestra, um dos maiores Embaixadores de Franca!



A história de Laércio de Franca é muito singela. Antes, é extraordinária, e merece ser aqui lembrada . Sua Orquestra foi classificada como uma das maiores do Estado de São Paulo, reconhecida e admirada por músicos e pelos fãs por onde passava. E digo Embaixador porque o nome da cidade que ele adotou era levado por onde passava. Bailes de formatura, comemorações e eventos importantes, Laércio Piovesan era sempre requisitado. 

E o nome Laércio de Franca o acompanhava, em todas ocasiões. Ele faleceu há quase 4 anos, depois de receber do SESC uma homenagem no teatro municipal. 

Franca sempre foi lembrada como a terra do Relógio do sol, da antiga Mogiana, dos calçados e do basquete, mas a expressão  maior sempre foi Laércio de Franca. 

Por ser ele uma figura individual, que venceu incontáveis barreiras até formar sua Orquestra.Marco Antônio Russi foi talvez o maior pesquisador sobre a figura ímpar de Laércio. Em seus relatos, Russi lembra que já em 1.939, ao lado do pai Manoel Piovesan, com apenas 7 anos, Laércio tocava na Banda de Caconde.

Pouco depois já estava no Rio de Janeiro, na rádio Nacional, até que veio para Franca, onde logo foi integrar a Orquestra dos músicos Adalberto Lucas, Raul de Barros e Godofredo e Barros, o maestro Godinho. 

Voltou para o Rio de Janeiro, tinha sonhos, tocou na orquestra do Maestro Chiquinho e pouco após na orquestra de Ary Barroso. Era uma realização pessoal. 

Até que resolveu voltar em definitivo para Franca, a convite do maestro Emilio Sichierolli. Tudo isso até fins de 1.958, quando nasceu a orquestra Laércio de Franca. 
A AEC era o palco perfeito para as brilhantes e concorridas apresentações. Em Franca e por todo o interior e em outros Estados, foram mais de 2.500 bailes, com aproximadamente 200 músicos participando da Orquestra ao longo do tempo. Em 1.962 surgiu a oportunidade de gravar um Long Play, o LP da época.

A última apresentação de Laércio de Franca aconteceu no ano de 1.980, na cidade de Guaxupé, MG. Laércio, sua imagem, suas belas músicas podem ser vista e ouvidas em algum registro, como Moonlight Serenade, no youtube há 7 anos.

Teclado e Trompete eram suas especialidades. Dezenas de colaboradores participaram de muitas iniciativas ao lado de Laércio, como Luiz Justino, baterista que além de ter vivido a experiência de tocar em alguns carnavais, lembra que teve a oportunidade de levar ao maestro vários músicos que tiveram presença marcante a cada tempo. A lembrança do nome de Laércio de Franca pelo jornal Verdade de hoje, é um reconhecimento a tão brilhante personalidade.

Crônica Publicada em 30 de outubro de 2021


sábado, 5 de janeiro de 2019

A costura do tempo (DV-32)

        Dizem que o francano genuíno é saudosista, espero que sim, a história perpetua fatos e sedimenta o futuro. Nessa esteira comecei refletir sobre fatos interessantes vistos ou vividos de 1950 para cá.

        Primeiro o crescimento do bairro Cidade Nova, o Aparecido, do Supermercado São Paulo, fala que viu a av. Presidente Vargas ser asfaltada em 1957, estava em dúvida, mas foi o Gosuen sim, mesma data que lembro de ter visto asfaltar a rua José Marques Garcia, período que começavam a se popularizar os aparelhos de televisão, da primeira só vi um brilho no teto pela janelinha de vidro de uma porta antiga. 
        Do período escolar tiramos, além do bom ensino público, o fato de ter, entre tantos professores maravilhosos do IETC, o de educação física, Pedroca, onde também estudavam os irmãos Garcia, que viriam formar o fabuloso time de basquete do Clube dos Bagres, o resto da história conhecemos. Dos ótimos docentes da área contábil da Pestalozzi, o destaque fica para Luis Puglia, e, na Economia, para Facury e Kaluf.
        Na juventude espírita tivemos o prazer de conviver com Thomaz Novelino, Antonieta Barini e Agnelo Morato, vendo a força de José Russo, Vicente Richinho e de meu pai Leonel, é claro.
        Na imprensa, de Reny Parzewski e Magno Dadonas, foi contundente acompanhar para a Folha o saturnismo, intoxicação por chumbo, não lavaram placas para fazer tachas que os montadores iriam colocar na boca, foi uma tragédia.
        No rádio tivemos o programa Horário Nobre, aos sábados à tarde, na Imperador do Augustinho e Penha, co-pilotado pelo Greguinho, com discos nacionais e importados pela Hedonê do querido Fábio Martins de Ribeirão. Lembro que uma freira em clausura queria de saber quem era o músico que acabava de tocar, era Paco de Lucia, espanhol flamenco que fez a trilha sonora do filme Carmen de Carlos Saura.
        Com o Clube da Esquina, nome de inspiração proposital, fizemos três Fearte, um mês de atividades culturais, nossa única receita foi o resultado de uns adesivos plásticos que vendemos à sombra do Hotel Francano, ali conheci Maurício Sandoval Ribeiro, que iríamos assessorar no futuro.

        Pelo teatro participamos de O Dia de Pierrot e Está Lá Fora o Inspetor, com Eurípedes Carvalho, Vanderlei Faleiros, Sidnei Rocha, José Paschoal e Reginaldo Emídio, navegando pela censura com Orlando Dompiéri. Por isso fui convidado pelo querido Marçal para ser Diretor Social da AEC, resgatamos a orquestra Laércio da Franca, estava encerrado suas atividades.

        Profissionalmente não dá para esquecer dos anos de docente no Coleginho e Alto Padrão, e da atividade nos Calçados Terra e Sândalo, enorme apoio dos Brigagão.
        Ter visto Pelé jogar, a queda do muro de Berlim, a soltura de Mandela e o fim da URSS, também marcaram. Pode ser pouco para os 69 anos que completamos hoje (5/1/2019), mas é assim mesmo, cada um escreve um pedacinho da história, nem que seja só da sua própria.


Referência: 32.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 05/01/2019 - (DV-32)