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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Maurício, o prefeito 100% (DV-16)

Não é bem assim…  Não existe administração com uma unanimidade dessas, impossível. Nem na Escandinávia a satisfação é plena, relacionaram uma série de carências por lá, e não é para menos, é o normal.
Na primeira gestão de Maurício Sandoval Ribeiro (1977-1982), que faleceu com 77 anos, em 18/6/2017, ele colecionou um bocado de cifras altas, algumas superiores a 100%. Fiz a assessoria de imprensa dele à época, quando Realindo Jr. assumiu a chefia de gabinete, Higinote me indicou.
Mas não pelos números, que deixo para fechar essa coluna, gosto de lembrar dele como pessoa, aliás, uma simpatia encarnada. Tinha uma técnica que sempre difundi, quando ia visitar uma obra, ou inaugurá-la, convidava sempre um assessor diferente, daí aproveitava para trocar ideias e, ao mesmo tempo, fazer com que todos falassem a mesma língua, além de constatar in loco o que sua administração fazia.
Além de uma frase que nunca mais esqueci, fechava sempre a janela da sala de reunião, e não faltava: “prefiro um exército pela frente, que um vento pelas costas”, rsss. Mas lembro dele todo início de setembro, todos. "Se tem brochove?” (sic) - Hem?!? Ele saiu-se com essa, hoje fica fácil de decifrar, sim… em setembro chove, ao menos esperamos. E dava suas risadas, ficava triste, quando tinha que ficar triste, espero que entenda… ele não gostava de ficar triste.
Adorava sua equipe - uma hora me dedico aos personagens dessa época (Chiachiri, Weber, Álvaro Azzuz), foi fruto de uma renovação política francana, e quase conseguiu, já que a ele foi instado a intermediar a pauta na região, mudar a capital do Estado de São Paulo para Bauru, o ex-governador Paulo Maluf mudou seu gabinete para Franca para tentar esse apoio. Não sei teria sido bom, mas se tivesse dado certo, a batida do martelo teria sido dada em nossa cidade.
Quando o mencionei em entrevista, confessando que ele foi uma das maiores personalidades que convivi, se surpreendeu, fez uma longa carta, com detalhes que só um amigo guarda, como, por exemplo, ele deixar tudo para ir a uma escolinha de pré, no Jardim do Éden, para abraçar meu filho no dia do seu aniversário, ele se perdia nessas pequenas coisas. Tem como esquecer?
E a porcentagem que eu me referi, não cabe aqui, mas vamos lá, Franca tinha 44% de água encanada, saltou para 98%, colocou 72 km de galeria pluviais, falavam que era louco, “enterrando dinheiro", que isso “não aparecia”. Dobrou a metragem de ruas asfaltas, pavimentando mais um milhão de metros quadrados, elevou a reserva de água de 6 para 25 milhões de litros.
As casas do Leporace foram entregues no seu mandato e terminou com a glória de seu pai Jeová, a quem tanto dedicava sua fé, de ter asfaltado uma estrada interestadual, a Franca a Ibiraci, um grande troféu. 

Referência: 16.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 01/9/2018 - (DV-16)

Pedroca, um idealista olímpico (DV-15)

Pedroca, entrevista FSP 10-4-1983
    Tem certas pessoas que guardamos no fundo do coração por as ter conhecido, certamente uma dessas, para mim, é o Pedro Morilla Fuentes, o Pedroca, hoje nome do estádio do basquete francano, o templo Pedrocão.
    Mais que ser apenas um conhecido, valeu muito ter convivido com ele, e já posso adiantar o objetivo deste artigo, nunca convivi com uma pessoa tão idealista como ele, todas as vezes que tinha o direito da palavra defendia uma tese de massificação e excelência do esporte, muito mais pelo basquete, é claro.
    Um currículo de dar inveja, entre os feitos ter sido 7 vezes campeão brasileiro e 2 vice-campeão mundial, sei que isso vai além, mas, confesso que, em sistema de busca comum, não há nada do Pedroca na Internet, pensei que ia tirar essa de letra - a consulta das estatística, mas nada, de 3 páginas encontradas uma tinha um parágrafo - Wikipédia, as outras já foram tiradas do ar.
    O primeiro contato com Pedroca foi no ginásio, no IEETC, onde ele era professor de educação física, começo dos anos 1960, quando os professores ainda tinham “cadeira”, ganhavam relativamente bem e eram muito reconhecidos, os alunos dessa época recitam a seleção de seus professores, como os entendidos sempre sabem a escalação de época dos grandes times de futebol.
    Com ele fazíamos sempre demonstração de ginástica de solo, um modelo jurássico da ginástica olímpica, quantas vezes nos apresentamos no Clube dos Bagres, para os alunos mais treinados ele acrescentava aparelhos que tínhamos que saltar e fazer rolamento ao cair. Nessa modalidade fui como reserva da equipe francana nos jogos estudantis (não lembro se eram os jogos abertos do interior). Da equipe me lembro do Ivan Gato (por ser ótimo goleiro de futsal) e dos irmãos Moge, o mais novo se machucou e eu fui escalado, viemos vice-campeões do estado.
Em 1983 estivemos com ele no Sul-americano (Guerra das Malvinas)
- Última vez que o Hélio Rubens jogou internacionalmente - Pela FSP
    Mas aí tem uma confissão, acho que ele me convocou por ter utilizado um dos aparelhos, chamado Plinto, e dado um salto mortal, girando o corpo todo uma vez no ar, levei uma baita bronca dele (isso era fácil, nunca negava). Detalhe, na verdade errei o salto, tinha que pular o aparelho e cair rolando do outro lado, não medi corretamente a distância e improvisei, valeu, depois da bronca uma medalha no futuro.
Clique na figura e leia a entrevista na íntegra
    Com a morte do Frias, da Folha de S. Paulo, me lembrei que havia entrevistado Pedroca como correspondente em Franca daquele jornal, a entrevista ocupou dois terços da página de esportes, em edição nacional. Ela foi publicada em 10 de abril de 1983, ele tinha acabado de deixar de treinar o time francano, aparentemente cansado, um pouco desiludido com a condução do esporte no país, disse que devia ter saído antes, principalmente para dar ao Hélio Rubens a chance da continuidade. Segundo Pedroca, Hélio já estava pronto há tempos.
     Dentro de seu ideal olímpico, queria ocupar todas as praças, fossem ou não esportivas, elogiava Cuba pelo seu desempenho, à época, nesse sentido, achava que, sem isso, jamais teríamos um basquete no nível do americano, isso realmente o entristecia. Na entrevista criticou a elitização dos esportes, principalmente a CBB, que investia todos seus recursos nos melhores jogadores, sem formar as bases.
    Foi diretor de esportes da Prefeitura, ao encerrar a carreira de treinador, e sempre me ligava, ele foi casado com uma prima, isso o levou a um grau de amizade que me orgulho muito!

Referência: 15.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 28/8/2018 - (DV-15)

Qual é o tamanho de Franca? (DV-14)

        Depois que passei um longo período fora de Franca, ao retornar, sempre achava curiosa a forma que alguns amigos reclamavam dela, da Terra das 3 Colinas. Normalmente é por comparação, é compreensível.
         São Paulo é melhor que Nova Iorque? Minha opinião? Em muitas coisas, culinária, vida noturna eclética, por demais eclética. Cada uma tem suas vantagens e… seus defeitos, esse não é o sentido da coluna.
reprodução 


        Essa síndrome do ser grande, querer ser maior, principalmente comparando com a cidade vizinha, é coisa nossa. Mais ou menos como o fast americano e slow europeu. Dizem que herdamos mais dos americanos do que deveríamos herdar dos europeus, dos quais descendemos muito mais do que da América.
O americano por mais que corra, e tenha posses, mais corre e mais quer, regra geral o europeu, principalmente na Escandinávia, tem a vida simples como cultura, mora em uma casa, que deve ter sauna, e tem um carro, o outro veículo é uma bicicleta, veículo para todos os gostos, cabe a família, bebê, cachorro, até cobertura para chuva, e só. Região do mundo com maior qualidade de vida, em qualquer estatística.
        Com isso, sem correrias e com simplicidade, é mais fácil humanizar as coisas, é como com seu veículo, sempre terá alguém que terá um com mais potência que o seu, ou os que, com menos potência, terá mais habilidade para dirigir - e correr - mais que você, relaxa, os minutos que perder serão piores que os minutos que perde com estresse. 
        E o que tamanho de Franca tem a ver com tudo isso?
         Pois é, aí que está o segredo: Franca é uma cidade com povo bom, simples e humano?
        Se conseguir responder que sim, pode até pensar um pouco, mas um grande passo já foi dado. 
        Nem por isso Franca é uma cidade ‘pequena’, pesquisa não oficial a coloca com uma projeção de 347.327 habitantes (*), sabe o que isso quer dizer?
             Ela seria a 17.a cidade da Alemanha, maior que Bonn e estaria nas estatísticas daquele país por ser uma das 20 maiores. 

Seria a 5.a cidade da França, maior que Lille e Dijon, certamente estaria no centro das decisões administrativas dos bleus; 

Seria a 9.a cidade da Itália, maior que Verona e Veneza, paro por aqui, mas é uma diversão legal para você fazer, qual é o tamanho de Franca?
         Bom, agora vem a turma do - mas falta um shopping grande, talvez seja esse um dos argumentos que mais me derrubam, a falta de mais representatividade em marcas famosas, mas caímos na mesma armadilha, que também vale para os espetáculos culturais, Nova Iorque tem mais que São Paulo, que tem mais que Campinas, que tem mais que Ribeirão Preto, e assim vai.
        Sem contar que, sem grandes marcar em um grande shopping fortalece o comércio da cidade, de propriedade dos francanos.
         Voltamos à estaca zero, ser muito grande ou viver bem? 
        Parece que isso está resolvido a milênios na Europa, com suas centenas de milhares de condados, ou vilas, como se quiser denominar. O que será pensam disso os moradores das pequenas cidadezinhas dos Alpes Franceses?
         Eu sei que a Terra do Imperador, que se não foi dele, ele perdeu muito, tem uma culinária invejável, músicos de ponta em todos os ritmos, desviando de falar de duplas sertanejas muito famosas, ainda que mereçam elogios, e uma exuberante natureza cercada de lagos e fazendas centenárias.
        Sem contar estar no topo de todas as estatísticas de qualidade de vida do país. Seja no saneamento básico, telecomunicações, emprego e renda per capta. 
        Vale ressaltar que as cidades realmente grandes tem poluição, ocupação ilegal de imóveis e aumento de criminalidade.
        Então, como se sente morando em uma das maiores cidades do mundo?  

(*) População estimada IBGE em 2021 - 358.539 habitantes 

Referência: 14.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 23/8/2018 - (DV-14)

sábado, 27 de outubro de 2018

Francal cinquentona (DV-10)

Normalmente cada um conta sua história de um evento, vou contar a minha da Francal.
Não me lembro bem como ela era a sua primeira edição, realizada no prédio que é o da Prefeitura hoje, em 1969. Primeiro uma curiosidade, se ela começou em 1969, como está completando 50 anos? Não é o ano que vem?
Mas me lembro muito da 2.a que se efetivou no Palmeirinhas, quem se esquece de 1970, ano que ganhamos a 3.a Copa do Mundo, a Jules Rimet veio definitivamente para o Brasil, e por aqui ficou, até ser furtada e provavelmente derretida!
Quando ela foi para São Paulo, em 1983, então na sua 14.a versão no Hotel Hilton, eu era seu assessor de imprensa, Miguel Heitor Bettarello, presidente corajoso que inverteu a linha de declínio levando-a para um dos maiores centro de negócios da América Latina.
João Batista, meu chefe, Patrícia relações públicas, aliás comemorando 50 anos nessa atividade, seu Américo Pizzo secretário e equipe muito amiga.
Três coisas são inesquecíveis, além da ótima amizade usufruída pela equipe daquele ano, uma foi o fato de ter acompanhado, por quase um dia inteiro, o repórter Ernesto Paglia para uma longa reportagem sobre a feira, se minha memória não falha acabou editando um Globo Repórter.
Certamente atendemos toda a mídia paulistana, mas ficou difícil escapar da gozação orquestrada pelo Miguelito no rádio transmissor que tínhamos… “Nalini, a Globo chegou”, pela atenção dada ao Ernesto.
A outra foi ter acompanhado, em parte da visita, o então governador Franco Montoro (1916-1999) recém empossado, a visita à Francal foi uma das primeiras aparições públicas do político no seu primeiro mandato.
Mas, o que não dá para esquecer, como disse a feira estava sendo realizada pela primeira e única vez na forma vertical, em um hotel, nossa secretaria era em uma sala no subsolo do Hilton, por ali eu e o seu Américo - saudoso marido da Patrícia, ficávamos por horas, ele secretariando e eu produzindo notícias, muitas, afinal estávamos em São Paulo.
Numa dessas noites a Patrícia chega na sala, esbaforida, de hobby, sem perder a elegância, é claro… e lança a seguinte frase: -  “O que vocês estão fazendo aqui? O hotel está PEGANDO FOGO!!!”.
Não lembro bem como chegamos à porta do hotel, mas me lembro que, ao chegar lá, tinha uma moça muito capaz, relações públicas do hotel, cortando a notícia na raiz, que já espalhava pela capital:
- Acalmem-se um exaustor da cozinha entrou em combustão, que foi rapidamente apagado, mas a fumaça se alastrou por todo prédio e deu impressão de fogo em todo prédio. Nem uma linha sequer saiu no dia seguinte.
Aí a estória se divide em duas, se fosse fogo mesmo e seu Américo não tivesse lá, estaria eu hoje realmente nessa triste história? A real é que não era nada e tive a vida salva pela Patrícia. Só rindo. 

Referência: 10.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 21/7/2018 - (DV-10)