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terça-feira, 28 de novembro de 2023

Franca-SP, nas portas do bicentenário

  Você já se atentou para o que vai ocorrer no fim do ano que vem? Franca fará 200 anos! 

1956 - Público entre a fonte e a Praça Barão, comemorações centenário de Franca.


Gosto da nossa e história e digo que já fomos mais festeiros, basta prestar atenção na quantidade de pessoas na foto de comemoração do 1.o Centenário, em 1956, nesta página, eu estava presente! 

Hoje, para reunir um público desses nas duas praças centrais, só mesmo com um bom show sertanejo, e olha lá; certamente, na comemoração do bicentenário, não será possível.

Realmente, a foto é significativa. O imóvel em destaque, na esquina, era chamado de ‘Sobrado Verde’, o qual viria a ser demolido para dar lugar à construção do primeiro arranha-céu da cidade, o Edifício Franca do Imperador, entregue em 1958, dois anos depois.

Mas como Franca comemorou 100 anos em 1956 e comemorará 200 em 2024? Não seria mais apropriado que a celebração dos 200 anos ocorresse em 2056?

Este assunto é recorrente; já o abordei aqui no Verdade. No entanto, com a proximidade do bicentenário, torna-se ainda mais relevante para aqueles que apreciam a história de Franca

Observamos que não há uma regra constitucional que defina a partir de quando deve ser comemorado o aniversário de uma cidade. Os municípios tornaram-se autônomos no sistema federativo em 1988, permitindo que cada um celebre da maneira que preferir


O prefeito Onofre Gosuen não cometeu nenhum erro ao celebrar o 1º centenário em 1956; ele simplesmente seguiu a prática da época de comemorar o aniversário de Franca a partir de sua elevação à categoria de município em 24 de abril de 1856.

Só que não! Alguém chamou a atenção do prefeito Sidnei Rocha, explicando que, desde 28 de novembro de 1824, a Vila Franca do Imperador já havia oficialmente nascido. Este é, de fato, o grande marco: a emancipação político-administrativa.

Assim, Franca passa a comemorar seu aniversário a partir dessa data, retrocedendo sua idade em 32 anos. Por isso, celebra hoje seus 199 anos, e completará 200 no próximo ano.

Nessa linha de autonomia municipal, Piracicaba tem 256 anos. Seu povoado foi fundado em 1º de agosto de 1767, tornou-se Freguesia em 1768 e, em 1821, foi elevado à condição de Vila, recebendo o nome de Vila Nova da Constituição.

Se seguíssemos esse mesmo formato, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca e do Rio Pardo foi fundada em 29 de agosto de 1805, sendo 'simplificada para Franca em homenagem ao Governador da Capitania, Antônio José da Franca e Horta' (fonte: site da PMF). Como já mencionado, somente em 1824 foi elevada à condição de Vila, recebendo o nome de Vila Franca do Imperador. Em 1856, alcançou o status de cidade.

Nada absurdo se, como Piracicaba, comemorássemos o aniversário de Franca a partir da criação da Freguesia, ou seja, a partir de 1805. Nesse caso, Franca teria completado 218 anos em 28 de agosto, e teríamos deixado de celebrar o bicentenário em 2005!

Deixemos a linha do tempo de lado; o que importa mesmo é que Franca é uma cidade pujante, com um povo hospitaleiro e um clima privilegiado. Além de ser reconhecida pela tecnologia de comunicação, sendo a primeira a instalar o 5G, Franca mantém-se como um parque forte na fabricação de calçados e outros produtos. Abriga também duas das maiores empresas do país: a Cocapec, no setor de café, e o Magazine Luíza, no varejo. No âmbito esportivo, destaca-se como o principal centro de basquete masculino do país, e sua culinária é de primeiríssima qualidade. Parabéns, Franca, parabéns francanos!


Matéria publicada no jornal Verdade, dia 28/11/2023 - baixe o jornal todo abaixo:






domingo, 28 de novembro de 2021

A Franca surpreendente e seu basquete centenário

  A primeira coisa que precisamos dizer é que este não é um trabalho científico, ou seja, é apenas ilustrativo, portanto não carece de comprovações, mas acho que vai ficar bom. Sempre que escrevemos sobre Franca nos referimos a ela como uma cidade ‘surpreendente’, e em muitos aspectos. 

No café, lutou e luta com essa nobre agricultura, planta que pode dar bons lucros ou péssimas surpresas, dependendo da sensibilidade climática. Tenha uma conversa com qualquer produtor e terá histórias de alegrias e tristezas, certamente com muito mais alegrias.

Mas, como medir a importância desse grão para Franca? É só buscar no site da COCAPEC, que tem matriz na cidade, conta com mais de 2.000 cooperados, exporta para o mundo todo e teve em 2020 mais de R$ 1 bilhão de faturamento. No ranking do Jornal Valor Econômico (SERASA/FGV), subiu mais de 100 posições em um ano, e é hoje a 589a empresa brasileira. 

Pelo calçado, o último levantamento tido como oficial é de 2011, ou seja, tem mais de 10 anos, em outra busca, vimos que a cidade tinha em 2019, 14,4 mil empresas, com 24 milhões de pares produzidos. Não é pouco, mas não dá para comparar com anos históricos. 

Sabemos que sofre com a concorrência mundial, principalmente a chinesa, além de outros países orientais, mas também foi notória a expansão da indústria em outros setores de vestuários.

Por outro lado, a ABICALÇADOS informou que, na indústria calçadista em São Paulo, apesar de ainda estar 12,9% inferior ao ano passado, foram gerados até outubro 27,8% mais empregos este ano, comparando com o mesmo período em 2020. As exportações também reagiram uma média de 30% no mesmo período.

Um ramo que explodiu nos últimos 10 anos é o imobiliário, difícil encontrar um estudo sobre esse boom, mas é notório o avanço. Primeiro vendo os condomínios, loteamentos e edifícios lançados, depois pelas notícias do que vem por aí.

Historicamente Franca ‘escolheu’ a expansão horizontal em detrimento da vertical (edifícios), houve um período em que a legislação inibiu muito essa verticalização, por outro lado nota-se que há um esforço da própria administração municipal para regular e motivar essas expansões.

De qualquer forma, a cidade está entre as que dão impressão que ‘não terminam’, é grande e está crescendo, principalmente modernizando seus bairros.

Na educação, além de ótimas escolas de iniciativa privada, temos dois ícones municipais, as Faculdades de Direito (FDF) e a UNI-FACEF, Centro Universitário Municipal de Franca. Ambas são autarquias, ou seja, ligadas à Prefeitura, mas com referências nacionais. 

Sabemos que a UNESP tem também um bom curso de Direito, área muito escolhida por estudantes vindos de fora, principalmente com opção pela FDF, e a UNIFRAN o seu curso de medicina

Já pelo comércio, temos que levar em conta que, por não ter muita opção em shoppings, há uma especialização das lojas genuinamente francanas esparramadas pela cidade, este é um comércio pujante. O Magazine Luíza, orgulho francano, está fora do concurso, não só pelo seu tamanho, mas também por seu forte destaque nacional.

Essa pujança vale para a culinária, restaurantes, sejam por quilo, ou não, com muitos destaques, gostamos do La Finestra, pela qualidade e variedade, mas o restaurante Feijão com Arroz acaba de conquistar um prêmio, esse Filé de Pescada com Vatapá entra na nossa linha de preferência!

Em termos de qualidade de vida e desenvolvimento, há um estudo que coloca Franca em 6.o lugar no Índice de Desenvolvimento da Gestão Municipal (IDGM), entre os 100 maiores municípios brasileiros. O estudo, que foi feito pela MacroPlan, coloca a cidade em 9.o lugar do país em educação, 14.o em segurança e 2.a em saneamento, não são números para serem ignorados.

No recém publicado Ranking de Competitividade dos Municípios, trabalho que tem o apoio da Frente Nacional de Prefeitos, Franca detém um curioso e honroso 1.o lugar em telecomunicações e está em 4.o lugar em saneamento, sempre no topo, independente da forma de análise. No geral subiu 20 pontos, para ser a 46a cidade do país.


Basquete centenário


No esporte a Francana está muito certa, não adianta se endividar, não tem campeonatos que motivem uma equipe montada, o compromisso com folha sempre é caro, sem público não há rendas e menos ainda interesse de patrocínio pelas grandes redes. Vejo que há um grupo se movimentando no clube e essas pessoas estão de parabéns.

Agora o basquete, que não deve sofrer menos com sua folha, é outra história, por sua visibilidade há interesse pelo marketing, e a interação com o SESI é uma benção. No Brasil não tem nenhum clube na história desse esporte que esteve tantas vezes nas finais de campeonatos, combinando o estadual, o nacional e até o internacional, como o Franca. 

E isso não é bem de agora, eu tinha dúvida, agora não tenho mais nenhuma, o nosso basquete já fez mais de 100 anos de glória, Davi Carneiro Ewbank, um aficionado dos esportes na cidade, é comemorado como ‘o primeiro técnico do basquete francano' em 1917, depois vêm Demétrio Soares e Cirino Goulart, na década de 1930, e o querido Pedroca a partir de 1960, que ninguém esquece.

Em 1930, Demétrio Soares, comandava um time da Associação Atlética Escola Profissional, que era considerado “um dos melhores esquadrões de todo o interior do Estado”.

Em outra versão, desta mesma história, há um registro de que, entre 1928 e 1930, a Escola Francana de Cultura Física - EFCF, um time  masculino formado, nasceu e encerrou suas atividades invicto. "Elevou extraordinariamente o nome esportivo da Franca, sendo citado em inúmeros órgãos da imprensa desportiva do País”, diz uma reportagem da época. 

Entre os nomes mencionados estão Cirino Goulart, Fisico, Alfredo Costa e... Chico Cachoeira, claro, pai do nosso trio de ferro, os 3 metralhas, Hélio Rubens, Totô e Fransérgio. 

Temos também o registro, nessa mesma linha de tempo, do time de basquete feminino da mencionada EFCF - que lutou, inicialmente, “com a falta de adversários”, aí fizeram algo inédito, formaram duas equipes e estabeleceram uma rivalidade com “acirradas disputas", algo como criar dois “Clube dos Bagres”, pode? 

O francano, que gosta tanto que seu basquete faça 100 pontos, já viu seu time fazer 100 anos, precisamos colocar esse selo na camisa do clube.

Parabéns pelos seus 197 anos Franca, faltam três para o seu bicentenário, vamos comemorar e muito!


sábado, 28 de novembro de 2020

Franca rumo ao bicentenário.

Os francanos não são bairristas,
amam realmente a sua cidade e sua história,
é diferente, não é um falso orgulho, é um amor real,
puro, simples e natural, o que faz dele muito grande. (FSN)

  Desejando à Franca muito progresso, saúde e paz para sua população, nos 196 anos comemorados hoje, encerramos a série de seis artigos sobre sua história que fizemos aqui para o Verdade, um agradável exército ao longo dessa semana.

Foto Wender Henrique (Wikipedia)

Reiteramos a proximidade da comemoração dos seus 200 anos, e só faltam 4. Quem estiver dirigindo a cidade a partir do ano que vem ficará marcado (a) para sempre: será o prefeito ou prefeita do bicentenário.


Temos esses 4 anos para nos preparar, supõe-se que a equipe do Museu José Chiachiri, com seu acervo espetacular, busque também apoio de outras entidades e pesquisadores avulsos, muitos falecidos, mas aí é bom entrar em contato com suas famílias. Não vamos correr o risco de sugerir nomes, mas basta uma leve pesquisa para ver que muitos são mencionados em documentos recentes.


Quem sabe a partir de janeiro já se forme um grupo para esse preparo. Não vai ser difícil, além do Museu tem também os estudiosos da UNESP com suas inúmeras teses e artigos publicados sobre a história de Franca e o envolvimento de sua região. Fazer este estudo é um exercício imperdível.


É uma questão de vocação, e isso temos por aqui, os francanos não são bairristas, amam realmente a sua cidade e sua história, é diferente, não é um falso orgulho, é um amor real, puro, simples e natural, o que faz dele muito grande.


Denominações


Franca já foi de um rei, de um imperador, teve exaltado o seu capim, tem como referência as 3 colinas. Seu fundador, o capitão mineiro Hipólito Antônio Pinheiro, encantado pela região refere-se ao local como "Belo Sertão da Estrada de Goiás” em um documento feito para o Governador da Província (Estado de SP) em 6 de agosto de 1805. 


Ele reclamava na sua representação do expansionismo mineiro patrocinado pelos por moradores e autoridades da Vila de São Carlos de Jacuí (São Sebastião do Paraíso e proximidades), brinquei com esse fato para fazer desse dia o Dia do Francano, já que ocorreu antes de ser fundado o povoado. Por causa dessa forte defesa de seu território Franca foi considerada pelo Prof. Carmelino Corrêa Júnior a “Sentinela do Nordeste Paulista”.


A região, que tinha nossa cidade como centro, também era conhecida como "Belo Sertão do Rio Pardo", entendendo esse território como uma expansão desse rio até ao Rio Grande. Depois passa ser tratada como “Belo Sertão da Estrada dos Goiazes”. Na fundação, em 1805, é denominada de “Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca e do Rio Pardo"


Em 31 de outubro de 1821 é assinada, pelo Governo Provisório, a criação da Vila que viria a se chamar "Vila Franca D'el Rey”, o que não se concretiza uma vez que, proclamada a Independência do Brasil em 1822, e pelo fato de isso se oficializar só em 28 de novembro de 1824, o nome oficial passa a ser  "Vila Franca do Imperador".


Por tempos imaginou-se que o Imperador Dom Pedro I poderia ter vindo para cá, nada disso, era prática à época homenagear a autoridade que assinava essas ascensões e autonomias.


Nos artigos anteriores não me referi, mas estudos dos professores José Chiachiri, pai e filho, atribuem também à esta região o nome de “Estrada do Sal”, antes de ser “dos Goiases”, no início dos anos 1700 "levava o sal marinho e outros produtos às povoações do interior de São Paulo e Minas Gerais, onde se criava gado vacum. O sal proviria do porto de São Vicente, para onde era destinada a produção salineira do País, situada, principalmente, no Nordeste”, diz o estudo.


Na mesma esteira aparece a referência sugestiva de "Arraial Bonito do Capim Mimoso” por volta de 1750, nem é necessário dar asas à imaginação para vislumbrar as belas pastagens que havia por aqui, partes descampadas, muita água, foi uma combinação natural muito atrativa. Tivemos que ir aos dicionários: o capim mimoso, oficialmente é “… da família das gramíneas, de folhagem fina e inflorescências delicadas”.


O povoado começa a ser notado


Nos seus primórdios a cidade vai se modelando, em forma de um tabuleiro, a partir da Catedral e das praças centrais, mas era muito rural, os proprietários só vinham para o chamado centro nos fins de semana, o modelo era todo rural, prevalecendo o gado e as plantações. 


Tirado do site de história da Prefeitura consta que, em 1818 o viajante Luiz de D'Alincourt, observou que o arraial estava bem arruado, com ruas pouco povoadas, a exceção do Largo da Matriz que estava "mais guarnecido de casas, que são construídas de pau a prumo, com travessões e ripas, cheios de vãos de barro e as paredes rebocadas com areia fina", geralmente pequenas e cobertas de palha.


Outro viajante Auguste de Saint Hilaire em 1819 lembra que: "O arraial de Franca, onde parei, fica situado num aprazível descampado, em meio a extensas pastagens alpicadas de tufos de árvores e cortadas por vales pouco profundos. O arraial ocupa o centro de um largo e arredondado, sendo banhado dos dois lados por um córrego. Não havia ali, à época de minha viagem, mais do que umas cinqüenta casas, mas já tinha sido demarcado o local para a construção de várias outras. Era fácil ver que Franca não tardaria a adquirir grande importância”.


E hoje?


Temos no Brasil a síndrome da cidade grande, então vamos comparar: Franca seria a 17.a cidade da Alemanha, maior que Bonn e estaria nas estatísticas daquele país por ser uma das 20 maiores; seria a 5.a cidade da França, maior que Lille e Dijon, certamente estaria no centro das decisões administrativas dos bleus; seria a 9.a cidade da Itália, maior que Verona e Veneza, paro por aqui, mas é uma diversão legal para você fazer, qual é o tamanho de Franca?


A posição geográfica estratégica, como uma das últimas paradas antes de deixar o Estado de São Paulo, o clima ameno, a formação com muita água e vegetação de primeira, somados os entrantes mineiros que acabam por dar os primeiros cunhos familiares e políticos para o lugarejo, afastando a influência negativa de aventureiros que aqui estavam, traçam o perfil de Franca para sempre.


Perfil este de um povo muito trabalhador, uma cidade independente, com boa culinária, coleciona indicações com local perfeito para morar, saneamento básico exemplo nacional, o esporte coleciona títulos, inclusive mundiais, se não a veterana, que tanto amamos, temos uma outra ótima denominação: A Cidade do Basquete. 


É isto, Franca já foi capital de muitas coisas, do calçado e do basquete não tem discussão, mas a série de nossos artigos provou que reúne outras tantas qualidades, somos sim um exemplo de brasileiros, mais ainda de paulistas, mas nos esforçamos muito para sermos também bons exemplos de seres humanos. 


Nós amamos muito essa cidade, parabéns Franca, que Deus continue te protegendo. E a todos que você abriga ou abrigou.


Artigo publicado no Jornal Verdade, de Franca-SP, em 28/11/2020, quando a cidade comemorou 196 anos.


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Pedroca, um idealista olímpico (DV-15)

Pedroca, entrevista FSP 10-4-1983
    Tem certas pessoas que guardamos no fundo do coração por as ter conhecido, certamente uma dessas, para mim, é o Pedro Morilla Fuentes, o Pedroca, hoje nome do estádio do basquete francano, o templo Pedrocão.
    Mais que ser apenas um conhecido, valeu muito ter convivido com ele, e já posso adiantar o objetivo deste artigo, nunca convivi com uma pessoa tão idealista como ele, todas as vezes que tinha o direito da palavra defendia uma tese de massificação e excelência do esporte, muito mais pelo basquete, é claro.
    Um currículo de dar inveja, entre os feitos ter sido 7 vezes campeão brasileiro e 2 vice-campeão mundial, sei que isso vai além, mas, confesso que, em sistema de busca comum, não há nada do Pedroca na Internet, pensei que ia tirar essa de letra - a consulta das estatística, mas nada, de 3 páginas encontradas uma tinha um parágrafo - Wikipédia, as outras já foram tiradas do ar.
    O primeiro contato com Pedroca foi no ginásio, no IEETC, onde ele era professor de educação física, começo dos anos 1960, quando os professores ainda tinham “cadeira”, ganhavam relativamente bem e eram muito reconhecidos, os alunos dessa época recitam a seleção de seus professores, como os entendidos sempre sabem a escalação de época dos grandes times de futebol.
    Com ele fazíamos sempre demonstração de ginástica de solo, um modelo jurássico da ginástica olímpica, quantas vezes nos apresentamos no Clube dos Bagres, para os alunos mais treinados ele acrescentava aparelhos que tínhamos que saltar e fazer rolamento ao cair. Nessa modalidade fui como reserva da equipe francana nos jogos estudantis (não lembro se eram os jogos abertos do interior). Da equipe me lembro do Ivan Gato (por ser ótimo goleiro de futsal) e dos irmãos Moge, o mais novo se machucou e eu fui escalado, viemos vice-campeões do estado.
Em 1983 estivemos com ele no Sul-americano (Guerra das Malvinas)
- Última vez que o Hélio Rubens jogou internacionalmente - Pela FSP
    Mas aí tem uma confissão, acho que ele me convocou por ter utilizado um dos aparelhos, chamado Plinto, e dado um salto mortal, girando o corpo todo uma vez no ar, levei uma baita bronca dele (isso era fácil, nunca negava). Detalhe, na verdade errei o salto, tinha que pular o aparelho e cair rolando do outro lado, não medi corretamente a distância e improvisei, valeu, depois da bronca uma medalha no futuro.
Clique na figura e leia a entrevista na íntegra
    Com a morte do Frias, da Folha de S. Paulo, me lembrei que havia entrevistado Pedroca como correspondente em Franca daquele jornal, a entrevista ocupou dois terços da página de esportes, em edição nacional. Ela foi publicada em 10 de abril de 1983, ele tinha acabado de deixar de treinar o time francano, aparentemente cansado, um pouco desiludido com a condução do esporte no país, disse que devia ter saído antes, principalmente para dar ao Hélio Rubens a chance da continuidade. Segundo Pedroca, Hélio já estava pronto há tempos.
     Dentro de seu ideal olímpico, queria ocupar todas as praças, fossem ou não esportivas, elogiava Cuba pelo seu desempenho, à época, nesse sentido, achava que, sem isso, jamais teríamos um basquete no nível do americano, isso realmente o entristecia. Na entrevista criticou a elitização dos esportes, principalmente a CBB, que investia todos seus recursos nos melhores jogadores, sem formar as bases.
    Foi diretor de esportes da Prefeitura, ao encerrar a carreira de treinador, e sempre me ligava, ele foi casado com uma prima, isso o levou a um grau de amizade que me orgulho muito!

Referência: 15.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 28/8/2018 - (DV-15)

sábado, 27 de outubro de 2018

Centenário do basquete francano (DV-07)

Estou curioso para saber quando o nosso basquete completará 100 anos de atividades, praticamente ininterruptas.
Não tenho a chance de pesquisar nos acervos de nossos jornais, mas tenho alguns recortes preciosos nos álbuns de meu pai e pretendo visitar o nosso museu.
Um deles trás uma reunião em 1956, durante os II Jogos Abertos da Mogiana, realizado em Franca, onde Cyrino Goulart - apelidado de “Sinhô”, está entre eles, o técnico, pasmem, Alfredo Henrique Costa, o Portuga, está também Francisco Garcia Nascimento, o Chico Cachoeira, pai de nosso maior trio ao longo de todos os anos: Helio Rubens, Totô e Fransérgio. 
Na relação dos nossos jogadores à época consta ainda: Leonel Facioli, o Molecão, Gino Balerini, 
que era o Galego, Serafim Borges do Val, o Fisico, este responsável por empresa que tanto asfalto fez na cidade, Raul Batista, o Peru, este último a notícia consagra: “…foi considerado o mais completo cestobolista daquela época”. 
Se tratava de um grupo campeão, invicto, por sinal, segundo a notícia, “nunca foi derrotado até encerrar suas atividades”, era a Escola Francana de Cultura Física - EFCF , a quadra ficava onde também foi A Colegial, e teve seu forte entre 1928 e 1930, o registro informa que a equipe foi reconhecida por diversos órgãos de imprensa do país.
Alguns desses nomes, como o Cyrino Goulart, Alfredo Costa, o Físico, e o Chico Cachoeira, pela herança paterna que deixou, praticamente segurando sozinho a tese dos 100 anos de nosso basquete, são muito representativos. Merecem mais que uma simples coluna.
Me lembro de ter visto a carteira profissional de n.o 001 de Franca, sabe de quem? Cyrino Goulart, deve estar no museu, creio.
Esse grupo formou também um dos primeiros times femininos de basquete do Brasil, voltarei ao assunto, tem muita coisa, entre elas ver nascer o Clube dos Bagres, praticamente com colegas do IEETC.

Resumo, se não se encontrar nada mais antigo que isso, e creio ser bom procurar, daqui 10 anos nosso basquete completa 100 anos.

Referência: 7.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 27/6/2018 - (DV-07)

Curiosidade, em 1976, com menos de 1 ano, Helinho já era esperança.


Cyrino Goulart, Alfredo Costa e Chico Cachoeira baluartes do basquete, faltou o Fisico 



Desse time conheci Demétrio Soares.