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sábado, 8 de setembro de 2018

De volta para o passado (DV-04)

       Não tem nada que nos empolgue mais, no ramo da ficção, que projetar o futuro, motiva-nos também imaginar que a Criação já tem tudo programado e nós só seríamos protagonistas, esperando o futuro chegar. O volume de filmes que trata disso é a maior prova, não tem uma semana que um lançamento não trás algo que ainda não existe.

       E olha que, de tanto prever, muitos acabam acertando, meu pai dizia, nos anos 1950, “um dia teremos um telefone que mostrará a imagem de quem está falando conosco”, e olha que ele convivia com o telefone da Fundação Allan Kardec, onde girava-mos uma manivelinha e pedíamos para a telefonista ligar para algum lugar, isso quando não tínhamos que marcar hora com a pessoa do outro lado. Detalhe, o orelhão na rua ainda nem foi totalmente desativado.

       Ter alguém para te ajudar no equipamento com o comando de voz - veja a SIRI da Apple - foi algo bem marcante no filme 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), do Kubrick, aliás protagonista dos poucos diálogos do filme, a estação orbital também é antecipada, e o uso de tablet é coisa corriqueira no filme.

       Apesar de ainda não produzir humanos, o filme Mulher Nota 1000 (1985), de John Hughes, dá detalhes da impressão 3D tão utilizada, e olha que ainda de forma primária no que vai conquistar. Espetacular o uso de drones pelo Exterminador do Futuro (1984), de James Cameron. Que BBB que nada… O Show de Truman (1998), de Peter Weir, já antecipava como milhões de pessoas adoram bisbilhotar a vida alheia, ao vivo e a cores, pela televisão, foi um dos primeiros reality show.

       Recentemente a Apple divulgou um caso de que um rapaz que, de tanto o relógio avisar que seu batimento do coração estava alto, ligou para um amigo, que sugeriu uma passadinha no atendimento médico, que o levou à cirurgia imediatamente e salvou sua vida. O smart watch foi muito utilizado em Dick Tracy (1990), de Warren Beatty, coisa corriqueira para o personagem James Bond - 007, que se servia de muito mais acessórios futuristas desde 1962, no Satânico Doutor NO.

       O projeto de Cidade Limpa, consagrado em Ribeirão e em São Paulo, teria um colapso na previsão de enormes painéis de Blade Runner (1982), apesar do choque visual vamos colocar como exceção o encanto do Time Square, em Nova Iorque, e do Piccadilly Circus e em Londres. Do De Volta Para o Futuro 2 (1989), de Robert Zemeckis, os jovens estão aguardando os skates voadores, mas tem quem já está satisfeito com a jaqueta auto secante e muito mais com o combustível sustentável, já em utilização em larga escala.

       E o futuro? As profissões certamente se modificarão, serviços rotineiros e repetitivos já eram, os robôs farão, isso nem é novidade mais, mas isso se recrudescerá com o avanço da automação, eu me lembro do susto que foi quando o Magazine Luíza inaugurou seu CPD, ia causar “inúmeros desempregos”, o futuro está por conta do Faustão, no Show dos Famosos, veja o tamanho dessa empresa depois disso e quantos empregos foram gerados não só com a automação mas também pelo uso da Internet. Outra ficção é que loja eletrônica tira empregos.

Vamos voltar para o futuro, o assunto é intrigante demais.

Referência: 4.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 24/05/2018 - (DV-04)

Observação:

1. Posto esta coluna em 8 de setembro de 2018, com o anúncio que a Amazon, assim como a Apple, atinge o seu valor em mais de US$ 1 trilhão, 

2. A grande Maçã anuncia seu relógio sem bordas copiando a técnica do iPhone X, entre outros avanços de tecnologia.

Painéis do Piccadilly Circus em Londres, já vistos em Blade Renner




quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Privacidade de que jeito? (DV-03)

        Um assunto que vai ser eternamente discutido é o da privacidade na Internet, e, certamente, não estamos falando de nudes. O problema está no que pode, ou o que não pode, ser utilizado e repassado das informações pessoais que compartilhamos. E garanto que não são poucas.

        Dadas as proporções, o caso Facebook é a bola da vez. Enfim, estamos falando de uma empresa que faturou 12,6 bilhões de dólares no ano passado, crescendo 43,3%. Tem perdido milhões de jovens que não acham mais graça nessa rede, mas ainda tem cerca de 184 milhões de usuários só nos EUA e Canadá. 

        A rede dá sinais de cansaço, mas o número de usuários novos continua superando os desistentes. O jovem Mark não deve estar muito preocupado, ele também é dono do Instagram, com 2 milhões de anunciantes, e do… WhatsApp, com 1,5 bilhão de usuários no mundo. Fico imaginando a hora que ele quiser cobrar pelo uso desse último. Pronto para pagar ou para parar de utilizar?

        Quanto aos rastros que largamos no uso de aplicativos e redes sociais, não é de hoje que as grandes companhias se movimentam para capturá-los. Lembro-me de um concurso que a Amazon fez, dando um milhão de dólares, isso mesmo, para quem fizesse o melhor programa de fidelização de seus clientes (*). Algo como um sistema robô que ficasse nos vigiando em seu site. 

        Uma vez logado  - quando você coloca sua senha e diz quem é - o sistema fica bisbilhotando seus gostos, mesmo que sejam apimentados. O interesse está em conhecê-lo para melhorar suas ofertas de produtos, coisa como brinquedos e chocolates em gôndolas baixinhas para pegar nossas crianças no supermercado.

        Não podemos deixar de lembrar que, ao se cadastrar em qualquer site, tudo começa a ser capitalizado, sexo, idade, nunca virá uma oferta de LoL, ou do Patrulha Canina, mas…. experimente passar dias procurando essas coisas infantis, assista algumas, a partir daí, para o serviço você sempre será uma criança, até que mude o interesse e repita a operação.

        Na verdade isso trabalha a seu favor, vale para músicas e filmes - serviços de streaming, como Spotify e Netflix, que é impecável, tem três linhas distintas de ofertas, os lançamentos, para eles imperdíveis, o do seu perfil, por tudo que já assistiu, num mix com o que você mencionou como favorito para ver depois. 


        Estudiosos acham que esse compartilhamento do seu perfil, chamado de inofensivo, será impossível de evitar, deixamos rastros demais. Inofensivo porque não furta sua senha do banco, mas pode ser usado para que a mensagem do político chegue melhor em sua navegação. Mas isso é problema do Mark, que, pelo visto, não tem problema nenhum.



(*) No mês de setembro de 2018 a Amazon passou a valer US$ 1 trilhão, acompanhando a Apple que já tinha conquistado esse patamar, valeu pagar US$ 1 milhão para o melhor robô que acompanha seus clientes e faz ofertas oportunas?

(**) No assunto privacidade não incluo fotos nudes dos jovens que vazam por invasão, ou perda, de celulares, com notícias de suicídios de jovens que veem suas vidas e intimidades devassadas. Não era objetivo desse artigo.

(***) Especialistas no assunto dizem que o mesmo grupo que manipulou as eleições de Trump, que menciono no artigo, já tinha um plano milionário para intervir nas nossas próximas, de outubro de 2018, mas o plano foi desmantelado (?). Será que foi? No mesmo artigo apontam diversos robôs que estão nos dando impressão que certos candidatos não tem os milhões de seguidores e likes que apresentam, tem inteligência artificial atrás disso. Tem uma tal de Ana muito participativa, é a maior fã do candidato, com perguntas, indicações, até que um nome bonitinho para um robô.


Referência: 3.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 08/05/2018 (DV-03)

sábado, 1 de setembro de 2018

A Fábula da Circulação (DV-02)

Tem uma fábula que apareceu há tempos na Internet, que agora, com essa volúpia toda, deve estar circulando com muito mais força, a do turista que ia se hospedar em uma cidade do interior e depois se arrependeu e não ficou. Mais que contá-la pelo humor e curiosidade, gosto dela para refletir na alternância do enredo, e se o fim fosse outro?

Vamos fazer uma adaptação livre, mas é só procurar que tem a versão original em qualquer serviço de busca:

Em uma pequena cidade do interior alguns habitantes, endividados, estão vivendo às custas de crédito, até que chega um viajante no único hotel local para reservar um quarto, enquanto vai rodar pela região.

O hotel exige um depósito de R$ 100,00 para a reserva, ele faz, e segue seu curso. Com o dinheiro na mão o proprietário corre para pagar o açougue, que também se apressa para pagar o criador de suínos, que por sua vez paga o veterinário. Este último pede para a namorada ir pagar o hotel, onde tinham ficado!

O viajante volta antes que a reserva se consolide e pede o dinheiro de volta e vai embora.

Nessa estória temos dois fatos monetários importantes, uma aula de circulação de moeda, e a questão econômica do turismo, se o gringo tivesse ficado haveria uma injeção de dinheiro novo no município. 

Não teremos como discutir todas as teses envolvidas, mas a que demonstra a importância do turismo é flagrante, se o viajante não tivesse desistido os R$ 100,00 - que giraram e voltaram - teriam ficado com o dono do hotel, para novos pagamentos, ou para investimento. O dinheiro ficaria pelo menos na cidade.

Franca sempre discute alternativas econômicas para agregar à do calçado, e sempre soube que o turismo é uma delas. Depois do turismo a exportação, interna ou externa, também é um forte gerador de riquezas vindas de fora, através do lucro desse negócio, mas isso a cidade já faz há anos, está no seu DNA.

E o Brasil, cuida bem do seu turismo? Esses são outros quinhentos, como diziam os portugueses, desde a era medieval.

Referência: 2.o coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 26/04/2018 - (DV-01)


domingo, 17 de junho de 2018

Leonel Nalini - 70 anos depois (DV-01)

    Os primeiros artigos que encontrei  de meu pai, o saudoso Leonel Nalini (Nelo), foram de 1954, mas ela já assinava como “membro da API”, que era a Associação Paulista de Imprensa. Ele tinha uma prática que salvou quase 30 da nossa história com seus recortes.
    O apelido Nelo origina-se no sotaque italiano de meu avô, Francisco Nalini, que chamava meu pai de Leonelo, seguido de um “vieni qui”, para um reprimenda, é claro. Esse sotaque fez coisas… minha tia Alzira, que teria que ser registrada com esse nome em 30.09.1904, acabou por ser registrada como “Agira”, 
    É só ver que o coitado do cartorário não conseguia entender o Algira, que na verdade era Alzira, e  acabou por ser registrada como Agira, coisas da migração italiana para o Brasil. Ela viria ser a segunda esposa de Pedro Piola, que anteriormente havia se casado com Dolorida Nalini, uma outra irmã de meu pai que faleceu jovem. Ele a duas são responsáveis pela enorme família Piola, em Franca.
    Meu avô tem suas histórias, está até no livro de memórias do jornalista Paulo Duarte, tinha uma chácara perto dos Calçados Samello, foi um dos primeiros pintores da cidade e lanterninha do cine Santa Maria, na praça Barão.
    Mas porque essa volta toda?
    Para dizer que a saga de ser um colaborador de quase todos os jornais de Franca, desde antes da década de 1950 era do Nelo Nalini, nunca exerceu como profissão mas tem muitos registro, muitos mesmos.
    Os dois principais periódicos que constam seus artigos e crônicas próximo de 1950 são  O Francano e A Nova Era, o primeiro propriedade do jornalista Taufic Jorge, o ilustre Tuffy Jorge, francano de primeira grandeza, ficava em frente das bilheterias, na lateral da AEC.
    A Nova Era, que existe até hoje, é um órgão ligado à religião espírita e à Fundação Allan Kardec, por onde meu pai esteve trabalhando por décadas.
    Também colaborei muito com a imprensa francana, fui “foca" na rádio Difusora, ajudando nas transmissões de Verzola, Jovaci, Grego e Renato Valim, fazia muitos plantões. Tive o programa de lançamentos musicais na Difusora AM e depois Franca do Imperador FM, nesta última recebeu diversos prêmios. Mas também tive colunas fixas tanto no Diário como no Comércio.

    Enfim, 70 anos depois, sigamos com o ideal do velho Nelo Nalini, continuar registrando a história francana, desta vez com amenidades e números, aqui pelo Diário Verdade, que desejo longa vida e enorme sucesso.

Amenidades e Números (seria o nome da coluna, que não foi adotado)
Número zero - Publicado no Jornal Diário Verdade - Franca (SP)
Em 15 de abril de 2018

(*) Edição inaugural dos meus artigos para o jornal, que foi publicada com o título de Amenidades & Números (DV-01)

Aqui vamos ilustrar os artigos com algumas fotos.

Legendas das fotos abaixo:

1. Alfredo Costa convoca Leonel Nalini para ajudar a fazer estatutos da futura Associação Francana de Imprensa e Rádio

2. Reunião do Clube da Saudade - Da E p D: Euripedes Maseli, famoso fotógrafo que assina EUMAFE, Alfredo Costa - (não lembro), sr Paulo linotipista histórico dos jornais francanos, seu óculos sempre escuros,  e Leonel Nalini

3. Da E para a D: Minicucci, Leonel Nalini, maestro Godofredo (ao fundo) Maria Nalini, minha mãe, dona Maria Nalini, e Alfredo Costa, além de um dos mais consagrados jornalistas da história francana, foi dono do O Comércio da Franca.

4. Leonel Nalini à frente, com seu genro Edmar Storti, Tuffy Jorge e família , do jornal O Francano

5. Uma de muitas homenagens prestadas a jornalistas francanos.




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sábado, 24 de março de 2018

Rua José Marques Garcia



Dr. Agnelo (E), Leonel Nalini (D), com minha irmã Neiva e sobrinha Cristina
     Trazemos uma poesia do dr. Agnelo Morato que se chama História da Nossa Rua, e é nossa mesmo, foi na rua José Marques Garcia que me dei por gente, nasci nos fundos da fábrica de Calçados Mello, quase na ponte da rua Voluntários da Franca.




     Ele canta em versos a Casa de Saúde, o Lar da Velhice, o Pestalozzi, enfim, a vocação assistencial da rua que homenageia quem começou tudo isso.
Fundação Pestalozzi

Allan Kardec, a casinha foi onde morei anos, n. 411



     Mas foi na José Marques Garcia que brinquei, cresci, joguei bola na rua que ainda era de terra, até 1957, quando foi asfaltada.
     Quando sai dali a primeira vez o mundo perdeu um pouco do romantismo, afinal nossa casa foi um bom tempo de chão batido, banheiro no quintal, sem energia elétrica, tudo isso veio já quase adulto, mas é de lá que lembramos.

Leonel e Maria Nalini

     Dona Maria e seu Nelo eram muito queridos por todos, casa de preferência dos primos para buscar a "paz", como eles diziam, isso minha mãe nunca negou para ninguém, os bons fluídos que lhe sobravam.


sábado, 17 de março de 2018

Escola Normal Livre de Franca (dona Nenê Ewbank Baldijão)

   
     História pura, 1958 - Bodas de Prata dos professores formados na Escola Normal Livre de Franca. Para variar o ótimo orador do dia foi o dr. Baldijão Seixas (veja abaixo), entre os mencionados na importância da escola na fala do valoroso tribuno: Homero Alves e Torquato Caleiro, benção dada pelo frei José Pinto.
     Participaram do evento de comemoração: Fernando Faleiros de Lima, prof. Clóvis Ribeiro Vieira, dr. João Marciano de Almeida, dona Maria da Glória Marcondes Vieira, o então secretário sr. João Menezes de Lima e os funcionários João Maiotte e Henrique Gomes.
     Como o recorte está em duas faces do álbum (livro antigo de contabilidade), vamos reproduzir os nomes da foto de 1933 que podem estar ilegíveis, da esquerda para a direita:
Primeiro plano, sentadas no térreo: Maria de Lourdes Forster, Antonia Silva Gomes (Pequenina), Alaíde Maciel de Castro, Cearina Ribeiro Bueno e Hildeman Martins.
     Segundo plano, sentadas: Luiza Custódio da Silveira (falecida), Geni Guimarães, Ésperia Bulhões, Joana Diogo de Oliveira, Maria Eufrila Ewbank (Nenê )(*) e Gisela Faria de Oliveira.
     Terceiro plano, em pé: Corália Caleiro Lima (falecida), Maria Amélia Rosa Barbosa, Iracema de Freitas, Ana Valle (falecida), Alzy Fernandes, Anita Borges Fortes Moniz, Olívia Corrêa, Diana Alves e Orestina Oliveira.//Ao fundo em pé: Arthur Ewbank e João Andrade Sobrinho (Tenente).

Escola Normal de Franca


     A Escola Normal Livre de Franca foi instalada oficialmente em 02 de fevereiro de 1928. Atualmente no edifício encontra-se a Escola Estadual de 2º Grau Torquato Caleiro (IBGE). O homenageado com o nome da escola estava na festa.

     A menção "falecida" na legenda dos nomes, se refere ao fato das comemorações das bodas terem acontecido em 1958, quer dizer, formaram-se em 1933 e à época da solenidade tinham falecido, com 42 anos, mais ou menos (veja abaixo o cálculo das idades).

     É possível fazer facilmente as contas, mas não custa lembrar que a reportagem e as bodas foram no fim do ano de 1958, ou seja, há 59 anos, a formatura em 1933 foi há 84 anos, e se dona Nenê (veja abaixo) tinha 100 anos em 2016, esse grupo teria uma idade média de 17 anos na foto (1933 - 1916 = 17 anos).

Dona Nenê Ewbank Seixas

Foto da família publicada no Grupo Apaixonados Por Franca (acervo Patrícia)

    Dona Nenê Ewbank (esposa do dr. Baldijão Seixas), certamente foi um dos destaques entre os formandos, viveu até os 100 anos (junho de 2016), tivemos oportunidade de conhecê-la nos anos 1960 e depois conversamos com ela em uma promoção da Patrícia.

     As fotos abaixo foram publicadas no Jornal Comércio da Franca, cedidas pela família, na segunda abaixo um flagrante de seis gerações.

Foto realmente histórica



     Na foto do acervo dos álbuns de recortes de meu pai em 1973, Leonel Nalini, não tem como precisar a data do falecimento de dona Adélia, progenitora do dr. Baldijão, mas o flagrante é muito representativo, ela e algumas de suas bisnetas.


Mais história de dona Nenê


http://www.jornaldefranca.com.br/morre-dona-nene-ewbank-com-100-anos-de-idade-e-chefe-de-tradicional-familia

sexta-feira, 9 de março de 2018

Relógio do Sol, a maior expressão da história de Franca

Veja a hora nos dois relógios (foto minha)
Segundo o IBGE o Relógio do Sol é a maior expressão da história francana, tem outras representativas, vamos aborda-las futuramente neste blog, todas que tiverem registro.
Mas o relógio tem tudo que se espera de um monumento histórico, é raro, assistiu uma grande parte da história da cidade e tem o reconhecimento da população.
Com exceção da matriz, que já é um outro tipo de monumento, ele o símbolo mais fotografado em todo município.
Por sorte não teve mesmo destino da Água da Careta, é hoje - sem dúvida - o maior símbolo histórico da cidade. Dá um frio na barriga quando vemos que ele é protegido só com uma gradinha.

História do Relógio do Sol


Olha ele aí.... acompanhando a construção da futura Catedral

Começou a ser construído em 1886, mas foi inaugurado em 11 de abril de 1887, é tombado pelo Condephaat, e foi construído pelo francês Germano de Annecy (guarde este sobrenome). Segundo o próprio IBGE, só na cidade que o padre nasceu, claro Annecy, na França tem um igual.
O instituto ressalta que o monumento sempre motivou trabalhos e teses escolares e que é um destaque não só para Franca, mas também para toda região, "proporcionando um aprofundamento mais detalhado sobre a cultura e história de Franca".
         
        Com seus 135 anos, na praça Nossa Senhora da Conceição ficou observando a cidade crescer e se modernizar, assistiu, por exemplo, a construção da igreja Matriz, que dá nome à praça, a catedral. Ficou só observando tudo crescer em sua volta, de onde está dá para dar uma espiada no calçadão que levava aos cinemas e para o hotel Francano e até no marco da cidade, na praça Barão.
Testemunhos, desfiles, fatos históricos importantes, a inauguração do primeiro arranha-céu da cidade o edifício Franca do Imperador. Certamente deve saber quem foi o primeiro a desfilar no centro com seu carro moderno, antes só arremedos ou semoventes (burro, cavalo).
Sempre ficou ali esperando que o Sol passasse de todos os quadrantes, desafiando cada transeunte a saber que horas eram, poucos acertaram.
Até o saudoso primo José Piola (foto acima) não dispensou esse ângulo da foto acima.
Ele não fornece só as horas, mas também outras informações, entre elas as estações do ano.

Vila Franca


Foto de um recorte dos álbuns de meu pai datado de 1956,
não se tem como precisar quando esta arte gráfica foi feita,
mas vemos que o autor foi Alcebíades.

Em 1821, é criada por Dom João VI a "Vila Franca Del Rey", que só foi instalada em 28 de novembro de 1824, sendo o primeiro presidente da Câmara Municipal o Capitão José Justino Faleiros, empossado junto com os demais vereadores em 30 de novembro de 1824. Com a independência do Brasil, passa a se chamar Vila Franca do Imperador, uma homenagem a D. Pedro I. 

Postal, Cariolato


Curiosidades:




Quando o relógio foi inaugurado a cidade de Franca tinha só 53 anos, uma espécie de filho temporão, somados aos anos que ele existe temos uma Franca com seus garbosos 197 anos.
Estamos prontos para o bicentenário?
Isso não sei, sei que tenho bastante coisas do centenário e vamos postar aqui oportunamente.

Jubileu do Amendoim


foto Divaldo Moreira GCN
Jubileu dando aulas sobre o relógio.
foto Museu da Pessoa











Você se lembra que o Jubileu do Amendoim(1937-2014)?
Seu filho vende amendoim salgadim, torradim até hoje, principalmente nos jogos de basquete.
Pois é, poucos sabem que ele fazia, com perfeição, réplicas do Relógio do Sol, na sua origem humilde e simplicidade dava aulas de como olhar as horas e minutos no original e nas suas réplicas.
Tive a sorte de ter muitas aulas com ele. Nem vou dizer que o Jubileu era meu amigo, pois de quem que ele não era?
Reproduzo endereço para duas matérias, sobre isso e sobre ele (excelente, do Museu da Pessoa), no final dessa postagem.

Annecy

Em qualquer pesquisa que se faça chegaremos ao padre francês Germano, do que? De Annecy, ok my key.
Aí está, sempre foi comum em muitos povos dar o nome da cidade como sobrenome. Então o seu sobrenome era "de Annecy" porque Germano nasceu lá.
Vamos então para Annecy, buscar o irmão único no mundo do nosso relógio francano, pelo menos é que o dizem todas as fontes pesquisadas:
E, surpresa!!! São parentes, mas nunca irmãos, é só comparar nas fotos abaixo. A irmandade é atribuída ao fato de ambos terem pedestais que os tornam verticais. E, talvez, na forma de enxergar as horas, estações, etc., disse ao Jubileu que entendi, dá até para ver as horas, mas para por aí.
(Depois dessas afirmações fui informado que Corrêa Neves Jr. o visitou em Annecy, coloco a publicação que ele fez abaixo e fico feliz em ter acertado).

 


Jardin de l'Europe, Monument gnomonique, "L'UNIQUE", réalisé en 1874, par le capucin Frère Arsène (1808-1879) dont le nom est Jean-Marie Dumurgier, ensemble inauguré le 22 juillet 1876
Cet ensemble est formé de trois parties : - un socle  - un piédestal - un heptagone étoilé. 


Os franceses o chamam de "único", olhando bem é sim, o que faz do nosso muito mais único ainda, convenhamos, o de Franca é muito mais charmoso, não é?

Não vou traduzir a legenda acima feita lá, creio ser mais romântico entender como ela está.



A fria e montanhosa Annecy, se situa próximo ao Mont Blanc, região dos Alpes, tríplice fronteira entre Itália, Suíça e claro, a França. Lugar de muitas olimpíadas de inverno, principalmente nessa montanha, inspiradora de marca de relógio famoso. Ela é realmente muito antiga, em escavações encontrou-se vestígios de vilas do período da pedra polida (Neolítico). É uma Veneza dos Alpes toda cercada por lago.

Se quiser colaborar, no meu perfil tem o e-mail, para se cadastrar para receber informação das postagens, tem que passar por captcha, para ver se você não é robô. Depois de informar seu e-mail lá no topo do site, tem que ficar clicando em figuras, não funciona em alguns navegadores.

Locais de Pesquisa:


Vila Franca:

Jubileu do Amendoim e os seus Relógio do Sol:
http://gcn.net.br/noticias/338216/franca/2016/11/franca-shopping-retira-relogio-do-sol-feito-por-jubileu-do-amendoim


Excelente biografia do Jubileo feito pelo Museu da Pessoa:
http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/historia/-45870

Dados importantes e científicos do relógio:
https://gcncomunica.wordpress.com/2010/03/23/e-nosso-o-1%C2%BA-relogio-do-sol-do-brasil/ 

Postagem que menciono o relógio de Annecy:
http://michel.lalos.free.fr/cadrans_solaires/autres_depts/haute_savoie/cs_74_annecy_unique.html

Visita de Corrêa Neves Jr. a Annecy:
http://gcn.net.br/noticias/230147/opiniao/2013/11/o-relogio-e-o-cadran


quarta-feira, 7 de março de 2018

Água da Careta

Você conseguiu beber a água dessa fonte, a original? 
Hummmm... temos um problema hem? Ou não tem compromisso para voltar à Franca, ou.... falta um cadinho para ser francano de "boca cheia". Rsss.
Toda vez que vou me reportar para algo histórico, lembro-me de um menino fazendo xixi (estátua) que atrai milhões de pessoas em Bruxelas, na Bélgica. 
Qual a diferença? Eu não vou responder, fica no imaginário, só sei que é um menino que, sozinho e seguramente, faz frente para o turismo inteiro de nosso país, por estrangeiros.

Monumento histórico tem a sua representatividade - por fazer uma marca na linha do tempo do local, o ou ao que se reporta, alguns até por curiosidade, ou se cria a história em torno dele, e olha que nem vou falar nada (hoje) do Relógio do Sol.
A mini estátua belga, que vi com o camisa do Brasil (época de copa), hoje é apenas uma reprodução, já foi roubada e recuperada inúmeras vezes. Regra geral esse tipo de monumento está fechado a sete chaves, com redomas, etc. Aliás é o que sugerimos para a volta do nosso fatídico relógio, esse sim um momento de história sem precedentes.


A Água da Careta

Mas e a Água da Careta? Também envolta em inúmeras polêmicas, se foi. Mas vale afirmar que o registro aqui é de história e não de polêmicas.
Ah.... antes que esqueça, eu bebi dessa água, inúmeras vezes, aliás nasci a uns 100 metros dela, na Voluntários da Franca.



Curiosidades:
Estava escrito na placa de bronze uma quadra de José Ferreira de Linhares, ele ganhou um concurso realizado em 1956, maior razão deste post (veja na foto do MIS acima): 

"Esta é a água da careta, 
tão bela como nunca vi, 
quem beber desta fonte, 
nunca mais sairá daqui"

Isso promoveu uma lenda nesse sentido, em Franca, de quem fosse à cidade das três colinas tinha que beber da água de uma mina no local, que nem saia da "careta", saia de uma serpente um pouco acima, que era a verdadeira "torneira". Seria a Água da Serpente? rsss.
A placa de bronze, segundo uma das publicações que posto abaixo, informa que ela foi doada pelo ilustre dr. Agnelo Morato, pessoa que, certamente, será razão de uma postagem exclusiva neste blog. Grande personalidade. 



O concurso poético

Muitos poetas e escritores da época participaram desse concurso para ter sua quadrinha colocada na placa de bronze: Leonel Nalini, Agnelo Morato, Octávio Cilurso, o icônico Moisés Maia, grande amigo de meu pai, que nunca soube quem seria, José Ortivo Carloni (Gambeva), e até a aniversariante do mês Lucia Helena Garcetti, tem também um Jonas, que, quero crer, seria o dr. Jonas.

És de Franca, assim,  justo orgulho,
que vê, feliz, em seu borbulho,
raios de sol, brilho de Planeta;
beijando a tua "Água da Careta". (Leonel Nalini)



Sou a fonte da "Carêta",
Onde canta o bem-tevi,
Se beberes uma vêz,
Nunca mais sairá daqui. (Moisés Maia)


Curiosamente não tenho a publicação do vencedor José Linhares, sei que meu pai falou o resto da vida desse concurso, parece que não ficou muito feliz com o resultado não. Próprio de quem compete, mas acho que realmente venceu a melhor das que pude resgatar.

Pura corrente de águas cristalinas,
Fio de prata, vives a brilhar!
Tu prendes para sempre às Três Colinas
Todo viajante que a ti provar.  (Lúcia Helena Garcetti)



"Fonte da Careta"
Há feitiço em ti...
Ao beber desta água
Ninguém sai daqui...  (Toriba-Acã, que, na verdade, era Agnelo Morato)


Observo que podem haver outras poesias, essa são as que foram devidamente recortadas e colocadas nos álbuns pelo meu pai.




Lendas

Outra lenda diz que água não era muito potável, tinha gosto, então quem bebia fazia careta, por isso o nome. Nada comprovado, só para registro o ex-prefeito Sidnei Rocha mandou fazer um exame da água, em um de seus mandato e constatou que ela realmente não era potável.
O monumento, segundo consta, foi construído e inaugurado pelo então prefeito Onofre Gosuen, em 1957, e tudo bate, concurso para a quadrinha em 1956, ano seguinte ele seria inaugurado.
As tentativas ao longo dos anos não venceu aos vândalos que insistiram em roubar todas as fontes que se tentou colocar ali, ou em outro lugar.

Resumo: cada um conta a sua história.


Mais informações sobre a continuidade da história da Água da Careta:
http://gcn.net.br/…/ESPECIAL-CARETA,-A-F0NTE-QUE-SEC0U-1134…


Não há referência aos autores das fotos da fonte francana, a do menino estátua belga eu fiz.