sábado, 5 de fevereiro de 2022

João Penha, o professor!

Escrever sobre quem foi o professor João Alves Pereira Penha é um desafio, mas antes uma grande emoção. 


 

        Um gigante na pele de menino, assim o definiu a Doutora Maria Flávia, uma das 9 Marias da vida do professor João Penha, a esposa e 8 filhas com o nome de Maria. Ele era muito religioso, Mariano, deu o nome às Filhas também por conta do nome da esposa Maria Aparecida Figueiredo Pereira, titular da Unesp de Franca.             Suas paixões na vida foram o Direito e a Língua Portuguesa. Mas antes de relatar estes nobres detalhes, é preciso dizer algo a respeito das 8 Marias, todas graduadas. Maria Virginia de Figueiredo Pereira do Couto Rosa, Procuradora Institucional das Faculdades Campos Elíseos: Maria Beatriz de Figueiredo Pereira Alves Taveira, Sócia proprietária da Wizard ; Maria Helena de Figueiredo Pereira Prado. musicista e proprietária do Quintal do Poeta ; Maria Cristina de Figueiredo Pereira Rodrigues Alves, Funcionária da CEF ; Maria Ângela de Figueiredo Pereira, comerciante aposentada ; Maria Amália de Figueiredo Pereira Alvarenga, Advogada e Docente da Unesp de Franca ; Maria Paula de Figueiredo Pereira Nascimento, Odontóloga e proprietária da Clínica Função e Arte e dra. Maria Flávia de Figueiredo Pereira, Docente do programa de Pós-Graduação em Linguística da Unifran, todas elas na foto ao lado da Mãe.

Pois o Professor João Penha veio de Minas Gerais e escolheu a Franca como sua cidade. Foi sempre uma referência nas Faculdades, orientou doutorados, escreveu tese a partir de 1.970, mostrou e deixou marcas no português antigo, desde Camões, fatos que até hoje são novidades. A Língua Portuguesa, o português popular, ele era da zona rural, em Minas, nunca esqueceu as raízes, publicou livros e isso o tornou conhecido e conceituado, até na América e Europa
era, enfim, um homem movido pelo grande amor à Língua Portuguesa. Surpreendia em todas ocasiões. Suas falas até hoje são lembradas, era um homem de vanguarda. Político, homem de direita, tinha amigos e colegas na esquerda, mas sempre os respeitou e, um deles, o professor Luiz Cruz, foi alguém que considerou com grande respeito. Hoje o dia amanheceu cinza, conversavam Cruz e João Penha, eram diferentes na política. As filhas fizeram o curso na Escola do professor Luiz Cruz . 
Assim era João Alves Pereira Penha, na recordação das filhas e dos Amigos, homem simples, de uma delicadeza rara, que manteve vida toda o olhar de menino, sentava-se para dialogar ou tomar um café com o jardineiro, com o leiteiro ou o Professor da USP. Era um apaixonado pelas pessoas. Suas palavras jamais serão esquecidas, seu semblante era a própria simplicidade e humildade. Este simples destaque no Verdade é uma forma de reconhecimento a sua pessoa, sua obra, pois foi ele uma referência no setor Educacional da cidade. Este o objetivo, realçar e lembrar paras os amigos e indicar aos mais jovens os exemplos dignos de personalidades da Franca. 

Crônica Publicada em 27 de novembro de 2021

Foto extra

Professores do CEDE
Foto original de Regnério Terra, colonizada por Marcelo Fradin



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Laércio de Franca, da orquestra, um dos maiores Embaixadores de Franca!



A história de Laércio de Franca é muito singela. Antes, é extraordinária, e merece ser aqui lembrada . Sua Orquestra foi classificada como uma das maiores do Estado de São Paulo, reconhecida e admirada por músicos e pelos fãs por onde passava. E digo Embaixador porque o nome da cidade que ele adotou era levado por onde passava. Bailes de formatura, comemorações e eventos importantes, Laércio Piovesan era sempre requisitado. 

E o nome Laércio de Franca o acompanhava, em todas ocasiões. Ele faleceu há quase 4 anos, depois de receber do SESC uma homenagem no teatro municipal. 

Franca sempre foi lembrada como a terra do Relógio do sol, da antiga Mogiana, dos calçados e do basquete, mas a expressão  maior sempre foi Laércio de Franca. 

Por ser ele uma figura individual, que venceu incontáveis barreiras até formar sua Orquestra.Marco Antônio Russi foi talvez o maior pesquisador sobre a figura ímpar de Laércio. Em seus relatos, Russi lembra que já em 1.939, ao lado do pai Manoel Piovesan, com apenas 7 anos, Laércio tocava na Banda de Caconde.

Pouco depois já estava no Rio de Janeiro, na rádio Nacional, até que veio para Franca, onde logo foi integrar a Orquestra dos músicos Adalberto Lucas, Raul de Barros e Godofredo e Barros, o maestro Godinho. 

Voltou para o Rio de Janeiro, tinha sonhos, tocou na orquestra do Maestro Chiquinho e pouco após na orquestra de Ary Barroso. Era uma realização pessoal. 

Até que resolveu voltar em definitivo para Franca, a convite do maestro Emilio Sichierolli. Tudo isso até fins de 1.958, quando nasceu a orquestra Laércio de Franca. 
A AEC era o palco perfeito para as brilhantes e concorridas apresentações. Em Franca e por todo o interior e em outros Estados, foram mais de 2.500 bailes, com aproximadamente 200 músicos participando da Orquestra ao longo do tempo. Em 1.962 surgiu a oportunidade de gravar um Long Play, o LP da época.

A última apresentação de Laércio de Franca aconteceu no ano de 1.980, na cidade de Guaxupé, MG. Laércio, sua imagem, suas belas músicas podem ser vista e ouvidas em algum registro, como Moonlight Serenade, no youtube há 7 anos.

Teclado e Trompete eram suas especialidades. Dezenas de colaboradores participaram de muitas iniciativas ao lado de Laércio, como Luiz Justino, baterista que além de ter vivido a experiência de tocar em alguns carnavais, lembra que teve a oportunidade de levar ao maestro vários músicos que tiveram presença marcante a cada tempo. A lembrança do nome de Laércio de Franca pelo jornal Verdade de hoje, é um reconhecimento a tão brilhante personalidade.

Crônica Publicada em 30 de outubro de 2021


domingo, 23 de janeiro de 2022

JOSÉ MARQUES GARCIA, um sonho, há 99 anos

José Marques Garcia, fundador do Allan Kardec,  
do Centro Espírita Esperança e Fé e do jornal A Nova Era

 

Uma grande preocupação com os doentes mentais, que perambulavam pela cidade e quase sempre eram maltratados ou ignorados pela população. Foi este motivo que levou José Marques Garcia a acalentar um sonho que viria a ser realidade em 19 de novembro, 99 anos atrás. Naquele dia nascia o asilo, posteriormente Casa de Saúde e atualmente Hospital Allan Kardec, que tantos serviços prestou e continua prestando nestas décadas, a Franca e toda região. 

Hoje imagina-se como seria a cidade de 360 mil habitantes e a região 750 mil, sem o atendimento do Hospital Allan Kardec. 
Homens simples e valorosos daquele tempo colaboravam com José Marques. Entre eles, Francisco Latorraca, Diocésio de Paula, José Matias, Joaquim Bernardes, Thomaz Novelino, Diomar Branco e José Russo. 

E a espiritualidade indicou os rumos a serem seguidos, segundo relatos preciosos de Antonieta Barini e Agnelo Morato. Uma bela madrugada José Marques teve uma revelação em sonho. Um foco de luz indicava a direção norte da cidade de Franca. O local era a chácara do sr. José Claro. Aquela estrela ou bola de luz representava a caridade. José Marques Garcia, tentando interpretar o sonho, foi até o local indicado. Pouco depois surgiu o dono do sítio, que disse logo ao idealista José Marques: eu sei o que o Senhor veio fazer aqui, vou doar-lhe uma área para que possa construir sua obra de caridade.

As primeiras casinhas de taipa foram então construídas. Os primeiros doentes mentais foram acolhidos e atendidos no abrigo. José Marques Garcia teve uma vida de desprendimento, era a simplicidade em pessoa, a amizade e a justiça o acompanharam sempre. Ele nasceu em Ipuã, distrito de Barretos, aos 12 de maio de 1.862. E faleceu em 21 de junho de 1.942, aos 80 anos.

Sua vida foi marcada pelo trabalho e a lida com gado em Morro Agudo, Guaira, Viradouro e Batatais, antes de chegar a Franca. Aqui em Franca, na época conhecida como a cidade do sal, que era levado para Minas e Goiás, José Marques fixou residência e realizou seus sonhos. Fundou o Centro Espírita Esperança e Fé, o jornal A Nova Era, casou-se com Maria Marques Garcia, com quem teve um filho, que faleceu muito jovem. 

Franca prestou-lhe uma homenagem, dando seu nome à rua onde foi construído o asilo, hoje Hospital de primeira classe. Na rua José Marques Garcia também ficam o Educandário Pestalozzi, o Teatro Judas Iscariotes e o Lar de dona Leonor. E neste domingo um evento será promovido pela Diretoria, para lembrar o aniversário de 99 anos do Hospital. Ás 9 hs da manhã o evento terá música e arte, no Bosque do Beija Flor, localizado no recinto da instituição. Nesta coluna lembramos o nome de um valoroso cidadão, que prestou à comunidade os melhores serviços e participou da construção da cidade. 

Crônica Publicada em 20 de novembro de 2021



Paula Lima, o político mais bem sucedido de Franca

DR. VICENTE DE PAULA LIMA Deputado por 3 legislaturas, 
Presidente da Assembleia Legislativa, 
Secretário de Estado da Educação, Ministro do Tribunal de Contas

 

Dr. Vicente de Paula Lima certamente foi o político mais bem sucedido, na história de Franca. Dificilmente será superado. Com toda simplicidade, mas sobretudo muita inteligência, ele projetou Franca e por isso será sempre lembrado.

Foi nos tempos que as autoridades diziam "sobe-se a Franca". Uma referência à liderança desta cidade, certamente com base na atuação brilhante de políticos. Com dr. Vicente a Franca alcançou grande projeção.  Foram muitos anos dedicados à vida pública. Homem honrado, nasceu em julho de 1.910, filho de Luís de Lima e de d. Emília Pinheiro Lima, fez o primário em Franca, ginasial e colegial em Jaboticabal , no Colégio São Luís, dirigido pelo professor Anhaia Melo. Em 1.932 foi diplomado em Direito, pela Faculdade do largo São Francisco, montou banca de Advogados em Franca e em seguida foi nomeado Inspetor Federal pelo Presidente Getúlio Vargas, para a tradicional escola IEETC, de Franca. Nessa ocasião conheceu Alba Pucci, filha de Ricardo Pucci, com quem se casou e conviveu durante 57 anos. Ali também começou sua brilhante carreira de homem público. 

Incentivado por Amigos, concorreu e foi eleito Deputado Estadual em 1.946. Foram três mandatos e eleição para Presidente da Assembleia Legislativa do Estado e São Paulo, em 1.954, ano do quarto centenário.  Nessa ocasião, uma grande solenidade aconteceu em Franca, no salão Azul do Hotel Francano. Conforme mostra a foto, autoridades de São Paulo vieram a esta cidade para homenagear o Deputado francano eleito para o honroso cargo.
Em seguida dr. Vicente de Paula Lima foi nomeado Secretário de Estado da Educação, pelo então Governador Jânio Quadros. Posteriormente foi Ministro do Tribunal de Contas, por dois mandatos, após designado pelo Governador Roberto de Abreu Sodré, foi presidente da CESP e vice Presidente da Sabesp, tendo colaboração decisiva para que essa estatal firmasse convênio com o Município de Franca.
Faleceu em novembro de 1.995, deixando para a cidade e a região uma ampla folha de serviços públicos e tendo o reconhecimento de toda a população. Seu filho, Heitor de Lima, foi eleito vereador na legislatura de 1.968. Vicente de Paula Lima é reconhecidamente um dos mais brilhantes políticos da cidade em todos os tempos. E Franca lhe deve uma homenagem. Não há na cidade que completa 200 anos, uma rua sequer, uma avenida ou praça, que tenha seu nome. Nem mesmo uma Escola para lembrar, ele que foi inclusive Secretário de Estado da Educação, aprovou muitas delas para Franca. Mas sempre é tempo...


Crônica Publicada em 22 de janeiro de 2022






domingo, 28 de novembro de 2021

A Franca surpreendente e seu basquete centenário

  A primeira coisa que precisamos dizer é que este não é um trabalho científico, ou seja, é apenas ilustrativo, portanto não carece de comprovações, mas acho que vai ficar bom. Sempre que escrevemos sobre Franca nos referimos a ela como uma cidade ‘surpreendente’, e em muitos aspectos. 

No café, lutou e luta com essa nobre agricultura, planta que pode dar bons lucros ou péssimas surpresas, dependendo da sensibilidade climática. Tenha uma conversa com qualquer produtor e terá histórias de alegrias e tristezas, certamente com muito mais alegrias.

Mas, como medir a importância desse grão para Franca? É só buscar no site da COCAPEC, que tem matriz na cidade, conta com mais de 2.000 cooperados, exporta para o mundo todo e teve em 2020 mais de R$ 1 bilhão de faturamento. No ranking do Jornal Valor Econômico (SERASA/FGV), subiu mais de 100 posições em um ano, e é hoje a 589a empresa brasileira. 

Pelo calçado, o último levantamento tido como oficial é de 2011, ou seja, tem mais de 10 anos, em outra busca, vimos que a cidade tinha em 2019, 14,4 mil empresas, com 24 milhões de pares produzidos. Não é pouco, mas não dá para comparar com anos históricos. 

Sabemos que sofre com a concorrência mundial, principalmente a chinesa, além de outros países orientais, mas também foi notória a expansão da indústria em outros setores de vestuários.

Por outro lado, a ABICALÇADOS informou que, na indústria calçadista em São Paulo, apesar de ainda estar 12,9% inferior ao ano passado, foram gerados até outubro 27,8% mais empregos este ano, comparando com o mesmo período em 2020. As exportações também reagiram uma média de 30% no mesmo período.

Um ramo que explodiu nos últimos 10 anos é o imobiliário, difícil encontrar um estudo sobre esse boom, mas é notório o avanço. Primeiro vendo os condomínios, loteamentos e edifícios lançados, depois pelas notícias do que vem por aí.

Historicamente Franca ‘escolheu’ a expansão horizontal em detrimento da vertical (edifícios), houve um período em que a legislação inibiu muito essa verticalização, por outro lado nota-se que há um esforço da própria administração municipal para regular e motivar essas expansões.

De qualquer forma, a cidade está entre as que dão impressão que ‘não terminam’, é grande e está crescendo, principalmente modernizando seus bairros.

Na educação, além de ótimas escolas de iniciativa privada, temos dois ícones municipais, as Faculdades de Direito (FDF) e a UNI-FACEF, Centro Universitário Municipal de Franca. Ambas são autarquias, ou seja, ligadas à Prefeitura, mas com referências nacionais. 

Sabemos que a UNESP tem também um bom curso de Direito, área muito escolhida por estudantes vindos de fora, principalmente com opção pela FDF, e a UNIFRAN o seu curso de medicina

Já pelo comércio, temos que levar em conta que, por não ter muita opção em shoppings, há uma especialização das lojas genuinamente francanas esparramadas pela cidade, este é um comércio pujante. O Magazine Luíza, orgulho francano, está fora do concurso, não só pelo seu tamanho, mas também por seu forte destaque nacional.

Essa pujança vale para a culinária, restaurantes, sejam por quilo, ou não, com muitos destaques, gostamos do La Finestra, pela qualidade e variedade, mas o restaurante Feijão com Arroz acaba de conquistar um prêmio, esse Filé de Pescada com Vatapá entra na nossa linha de preferência!

Em termos de qualidade de vida e desenvolvimento, há um estudo que coloca Franca em 6.o lugar no Índice de Desenvolvimento da Gestão Municipal (IDGM), entre os 100 maiores municípios brasileiros. O estudo, que foi feito pela MacroPlan, coloca a cidade em 9.o lugar do país em educação, 14.o em segurança e 2.a em saneamento, não são números para serem ignorados.

No recém publicado Ranking de Competitividade dos Municípios, trabalho que tem o apoio da Frente Nacional de Prefeitos, Franca detém um curioso e honroso 1.o lugar em telecomunicações e está em 4.o lugar em saneamento, sempre no topo, independente da forma de análise. No geral subiu 20 pontos, para ser a 46a cidade do país.


Basquete centenário


No esporte a Francana está muito certa, não adianta se endividar, não tem campeonatos que motivem uma equipe montada, o compromisso com folha sempre é caro, sem público não há rendas e menos ainda interesse de patrocínio pelas grandes redes. Vejo que há um grupo se movimentando no clube e essas pessoas estão de parabéns.

Agora o basquete, que não deve sofrer menos com sua folha, é outra história, por sua visibilidade há interesse pelo marketing, e a interação com o SESI é uma benção. No Brasil não tem nenhum clube na história desse esporte que esteve tantas vezes nas finais de campeonatos, combinando o estadual, o nacional e até o internacional, como o Franca. 

E isso não é bem de agora, eu tinha dúvida, agora não tenho mais nenhuma, o nosso basquete já fez mais de 100 anos de glória, Davi Carneiro Ewbank, um aficionado dos esportes na cidade, é comemorado como ‘o primeiro técnico do basquete francano' em 1917, depois vêm Demétrio Soares e Cirino Goulart, na década de 1930, e o querido Pedroca a partir de 1960, que ninguém esquece.

Em 1930, Demétrio Soares, comandava um time da Associação Atlética Escola Profissional, que era considerado “um dos melhores esquadrões de todo o interior do Estado”.

Em outra versão, desta mesma história, há um registro de que, entre 1928 e 1930, a Escola Francana de Cultura Física - EFCF, um time  masculino formado, nasceu e encerrou suas atividades invicto. "Elevou extraordinariamente o nome esportivo da Franca, sendo citado em inúmeros órgãos da imprensa desportiva do País”, diz uma reportagem da época. 

Entre os nomes mencionados estão Cirino Goulart, Fisico, Alfredo Costa e... Chico Cachoeira, claro, pai do nosso trio de ferro, os 3 metralhas, Hélio Rubens, Totô e Fransérgio. 

Temos também o registro, nessa mesma linha de tempo, do time de basquete feminino da mencionada EFCF - que lutou, inicialmente, “com a falta de adversários”, aí fizeram algo inédito, formaram duas equipes e estabeleceram uma rivalidade com “acirradas disputas", algo como criar dois “Clube dos Bagres”, pode? 

O francano, que gosta tanto que seu basquete faça 100 pontos, já viu seu time fazer 100 anos, precisamos colocar esse selo na camisa do clube.

Parabéns pelos seus 197 anos Franca, faltam três para o seu bicentenário, vamos comemorar e muito!


Dia da Consciência Cristã

Sempre que o Verdade me convoca para um artigo, se não for para falar sobre a história de Franca, é certo que vem um desafio por aí. O último foi sobre o Dia das Mulheres, quando abordei que, para escrever sobre elas não podia ficar no trivial ‘amor e flor’, dei o exemplo de muitas que têm até três turnos e de algumas avós, que além dos três turnos, cuidam também da estabilidade da família. Parece que conseguimos, já demos umas voltas pela praça Barão, em Franca, e aparentemente ficou tudo bem. Rsss.

Agora é sobre o Dia da Consciência Negra, a princípio pensei ser impossível, principalmente porque as abordagens de conceitos e preconceitos estão em ebulição e transformação pelo mundo. Acabei aceitando o desafio, e aqui estamos.

O primeiro pensamento, e quase cai nessa armadilha, seria mencionar o enorme número de amigos de todas raças, inclusive negros, que temos e sempre tivemos ao longo da vida. 

Nossa… se eu tivesse feito isso, estaria estabelecendo uma diferença, primeiro que não há, segundo que eu me colocaria de um lado e pessoas maravilhosas, com qualidades espetaculares,  do outro. Nem pensar.

Mas, mesmo assim, não ia deixar de contar um causo, como diriam nossos queridos amigos mineiros, que tive com um negro maravilhoso, um ícone de minha infância, nos idos anos de 1960. Nesta época eu fazia incursões pela Fundação Allan Kardec, na rua José Marques Garcia, onde morávamos, a cerca que separava de minha casa, bem ao lado, era de bambu bem velhinho, fácil para uma criança passar.

Daí era só atravessar pela horta e chegar ao lugar que mais gostava de estar nesta casa, depois do cinema do Sr. Chico Cintra, claro, na oficina do senhor Francisco, conta a lenda que ele era filho de ex-escravizados e teria ficado no Allan Kardec por não ter para onde ir. Naquela época era muito comum isso ocorrer, com os pacientes que estavam de alta, não se encontrava ninguém da família para buscá-los.

Olha, nunca me interessou a sua origem, sei que era uma pessoa simples, sem sobrenome, que fazia alças para canecas em latas de óleo, entre outros objetos, e me encantava com sua filosofia singela, suas estórias e um ótimo humor. Ele teve que ter paciência comigo, não saia de lá!

O que isso tem a ver? Nada, não é a primeira vez que eu homenageio o senhor Francisco, porque ele era Sô Chico, um poço de sabedoria.

Quando somos crianças não estabelecemos diferenças, elas, muitas vezes, são moldadas por nossa própria família, em casa mesmo, no que chamo de cultura inversa, aí entra de tudo, política, tem que pensar igual ao pai, ainda bem que isso está acabando, e todas as demais preferências, onde começam a serem montados os conceitos e os preconceitos. 

Acredito, sinceramente, que o mundo está evoluindo, mas é só assistir algumas séries e filmes históricos para entender que isso é universal, e em alguns casos muito graves. Infelizmente as notícias que envolvem preconceitos ainda permeiam os noticiários. 

Na verdade, no Brasil, nós convivemos bem com ‘todo mundo’, mas nunca perdemos a chance de falar dos baianos (preguiça), dos cariocas (folgado), daí você vai viver em um desses estados e vê que não é nada disso, são provocações e jocosidades por culpa de algumas características desses locais, isso também é globalizado.

Já sei, estou fugindo do assunto, mas vamos lá

Tudo que tenho visto sobre desigualdades e racismos atualmente são estruturais, não é a questão do feio ou do bonito, até porque a beleza transita, e bem, por todas as raças. Chamamos de estrutural a que foi e é imposta pelas oportunidades, é isso que vem sendo discutido, aquela que privilegia ao longo do tempo. 

As quotas tentam resolver isso e ajudam, claro, mas não resolvem todas as diferenças sociais. Quem notou isso claramente foi o Magazine Luíza. Teve crítica? Qual atitude dessa área não tem? Eles viram que a sua estrutura de ascensão aos cargos de chefia bloqueava os negros,  e ousaram, fizeram um programa de trainee só para eles - foram 22 mil inscritos e 19 escolhidos, o dobro de contratação que se imaginava. 

O programa foi recentemente relançado, o número de inscritos quer dizer algo? A par das críticas, valeu pela coragem e mais ainda pelo resultado, o ML foi lá e contratou, é diferente das campanhas de marketing, que fazem isso com modelos ou colocam casais bonitos para vender. 

Na entrevista das páginas amarelas da Veja, desta semana, o economista canadense David Card, um dos três ganhadores do Nobel deste ano, fala sobre um estudo racial que fez em empresas no Brasil em 2018, determinante nos salários dos não brancos, como ele denomina. 

O resultado que ele chegou não foi muito diferente do estudo que fez o Magazine Luíza, entendendo que a estrutura social de base é determinante. Faltam mais oportunidades para os negros, como também faltam para as camadas mais simples da população.

O economista se mostra um pouco desanimado com ‘estudos’, diz que só mapear não resolve, e conclui, que tem que se investir nessa base, sugerindo que as mudanças, principalmente as comportamentais,  devem ser motivadas com os mais jovens, para que o resultado seja maior no futuro.

Ou seja, para mexer com a nossa consciência, em um assunto tão importante, não basta só acreditar em oportunidades pontuais, a desigualdade é péssima e faz separações inaceitáveis. Pelo lado otimista vemos que hoje se estuda e se discute muito mais sobre isso.

Pelo lado humano, cristão, tivemos um grande exemplo, teve algum líder mais inclusivo que Jesus? Ele combateu e deixou mensagens contra as segregações. É só ler o recado que enviou aos fariseus, no Sermão dos Ais, e quem, para ele, era o próximo, na parábola do Bom Samaritano. Sempre defendeu as crianças, as mulheres e os mais simples. Todo seu discurso sempre permeou pela fraternidade e pela igualdade.

E perante Deus? A imortalidade da alma e o julgamento divino são quase unanimidade nas religiões. E o que estará em análise no nosso pós morte? O corpo, suas composições e o que juntamos certamente ficam por aqui.

Concluímos então que, o que sobrevive no fluído universal é a nossa consciência, certamente seremos julgados pelo nosso comportamento como seres humanos, daí pouco valerá se era brasileiro, árabe, judeu chinês, branco, negro ou amarelo.

Daí o nome deste artigo, vamos ter uma consciência cristã, só assim poderemos ter realmente uma igualdade de oportunidades, sejamos brancos ou negros. 

 


sábado, 28 de novembro de 2020

Franca rumo ao bicentenário.

Os francanos não são bairristas,
amam realmente a sua cidade e sua história,
é diferente, não é um falso orgulho, é um amor real,
puro, simples e natural, o que faz dele muito grande. (FSN)

  Desejando à Franca muito progresso, saúde e paz para sua população, nos 196 anos comemorados hoje, encerramos a série de seis artigos sobre sua história que fizemos aqui para o Verdade, um agradável exército ao longo dessa semana.

Foto Wender Henrique (Wikipedia)

Reiteramos a proximidade da comemoração dos seus 200 anos, e só faltam 4. Quem estiver dirigindo a cidade a partir do ano que vem ficará marcado (a) para sempre: será o prefeito ou prefeita do bicentenário.


Temos esses 4 anos para nos preparar, supõe-se que a equipe do Museu José Chiachiri, com seu acervo espetacular, busque também apoio de outras entidades e pesquisadores avulsos, muitos falecidos, mas aí é bom entrar em contato com suas famílias. Não vamos correr o risco de sugerir nomes, mas basta uma leve pesquisa para ver que muitos são mencionados em documentos recentes.


Quem sabe a partir de janeiro já se forme um grupo para esse preparo. Não vai ser difícil, além do Museu tem também os estudiosos da UNESP com suas inúmeras teses e artigos publicados sobre a história de Franca e o envolvimento de sua região. Fazer este estudo é um exercício imperdível.


É uma questão de vocação, e isso temos por aqui, os francanos não são bairristas, amam realmente a sua cidade e sua história, é diferente, não é um falso orgulho, é um amor real, puro, simples e natural, o que faz dele muito grande.


Denominações


Franca já foi de um rei, de um imperador, teve exaltado o seu capim, tem como referência as 3 colinas. Seu fundador, o capitão mineiro Hipólito Antônio Pinheiro, encantado pela região refere-se ao local como "Belo Sertão da Estrada de Goiás” em um documento feito para o Governador da Província (Estado de SP) em 6 de agosto de 1805. 


Ele reclamava na sua representação do expansionismo mineiro patrocinado pelos por moradores e autoridades da Vila de São Carlos de Jacuí (São Sebastião do Paraíso e proximidades), brinquei com esse fato para fazer desse dia o Dia do Francano, já que ocorreu antes de ser fundado o povoado. Por causa dessa forte defesa de seu território Franca foi considerada pelo Prof. Carmelino Corrêa Júnior a “Sentinela do Nordeste Paulista”.


A região, que tinha nossa cidade como centro, também era conhecida como "Belo Sertão do Rio Pardo", entendendo esse território como uma expansão desse rio até ao Rio Grande. Depois passa ser tratada como “Belo Sertão da Estrada dos Goiazes”. Na fundação, em 1805, é denominada de “Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca e do Rio Pardo"


Em 31 de outubro de 1821 é assinada, pelo Governo Provisório, a criação da Vila que viria a se chamar "Vila Franca D'el Rey”, o que não se concretiza uma vez que, proclamada a Independência do Brasil em 1822, e pelo fato de isso se oficializar só em 28 de novembro de 1824, o nome oficial passa a ser  "Vila Franca do Imperador".


Por tempos imaginou-se que o Imperador Dom Pedro I poderia ter vindo para cá, nada disso, era prática à época homenagear a autoridade que assinava essas ascensões e autonomias.


Nos artigos anteriores não me referi, mas estudos dos professores José Chiachiri, pai e filho, atribuem também à esta região o nome de “Estrada do Sal”, antes de ser “dos Goiases”, no início dos anos 1700 "levava o sal marinho e outros produtos às povoações do interior de São Paulo e Minas Gerais, onde se criava gado vacum. O sal proviria do porto de São Vicente, para onde era destinada a produção salineira do País, situada, principalmente, no Nordeste”, diz o estudo.


Na mesma esteira aparece a referência sugestiva de "Arraial Bonito do Capim Mimoso” por volta de 1750, nem é necessário dar asas à imaginação para vislumbrar as belas pastagens que havia por aqui, partes descampadas, muita água, foi uma combinação natural muito atrativa. Tivemos que ir aos dicionários: o capim mimoso, oficialmente é “… da família das gramíneas, de folhagem fina e inflorescências delicadas”.


O povoado começa a ser notado


Nos seus primórdios a cidade vai se modelando, em forma de um tabuleiro, a partir da Catedral e das praças centrais, mas era muito rural, os proprietários só vinham para o chamado centro nos fins de semana, o modelo era todo rural, prevalecendo o gado e as plantações. 


Tirado do site de história da Prefeitura consta que, em 1818 o viajante Luiz de D'Alincourt, observou que o arraial estava bem arruado, com ruas pouco povoadas, a exceção do Largo da Matriz que estava "mais guarnecido de casas, que são construídas de pau a prumo, com travessões e ripas, cheios de vãos de barro e as paredes rebocadas com areia fina", geralmente pequenas e cobertas de palha.


Outro viajante Auguste de Saint Hilaire em 1819 lembra que: "O arraial de Franca, onde parei, fica situado num aprazível descampado, em meio a extensas pastagens alpicadas de tufos de árvores e cortadas por vales pouco profundos. O arraial ocupa o centro de um largo e arredondado, sendo banhado dos dois lados por um córrego. Não havia ali, à época de minha viagem, mais do que umas cinqüenta casas, mas já tinha sido demarcado o local para a construção de várias outras. Era fácil ver que Franca não tardaria a adquirir grande importância”.


E hoje?


Temos no Brasil a síndrome da cidade grande, então vamos comparar: Franca seria a 17.a cidade da Alemanha, maior que Bonn e estaria nas estatísticas daquele país por ser uma das 20 maiores; seria a 5.a cidade da França, maior que Lille e Dijon, certamente estaria no centro das decisões administrativas dos bleus; seria a 9.a cidade da Itália, maior que Verona e Veneza, paro por aqui, mas é uma diversão legal para você fazer, qual é o tamanho de Franca?


A posição geográfica estratégica, como uma das últimas paradas antes de deixar o Estado de São Paulo, o clima ameno, a formação com muita água e vegetação de primeira, somados os entrantes mineiros que acabam por dar os primeiros cunhos familiares e políticos para o lugarejo, afastando a influência negativa de aventureiros que aqui estavam, traçam o perfil de Franca para sempre.


Perfil este de um povo muito trabalhador, uma cidade independente, com boa culinária, coleciona indicações com local perfeito para morar, saneamento básico exemplo nacional, o esporte coleciona títulos, inclusive mundiais, se não a veterana, que tanto amamos, temos uma outra ótima denominação: A Cidade do Basquete. 


É isto, Franca já foi capital de muitas coisas, do calçado e do basquete não tem discussão, mas a série de nossos artigos provou que reúne outras tantas qualidades, somos sim um exemplo de brasileiros, mais ainda de paulistas, mas nos esforçamos muito para sermos também bons exemplos de seres humanos. 


Nós amamos muito essa cidade, parabéns Franca, que Deus continue te protegendo. E a todos que você abriga ou abrigou.


Artigo publicado no Jornal Verdade, de Franca-SP, em 28/11/2020, quando a cidade comemorou 196 anos.


Um relógio que viu as horas passarem, e a história também

Não iria concluir meus artigos sobre o aniversário de Franca, antes de fazer o especial de amanhã, sem falar dele, com muito carinho, o Relógio do Sol.

Olha ele aí.... acompanhando a construção da futura Catedral


Segundo o IBGE o Relógio do Sol é a maior expressão da história francana, como edificação, é claro. Ele tem tudo que se espera de um monumento histórico, é único no seu modelo do mundo, assistiu uma grande parte da história da cidade e tem o reconhecimento da população. Com exceção da matriz, que já é um outro tipo de monumento, ele o símbolo mais fotografado em todo município, por sinal é mais velho que ela.



Começou a ser construído em 1886, apenas 30 depois de Franca ganhar o status de cidade, mas foi inaugurado em 11 de abril de 1887, é tombado pelo Condephaat, e foi edificado pelo francês Germano de Annecy. Segundo o próprio IBGE, só na cidade que o padre nasceu, claro Annecy, na França teria um, semelhante… Igual não é. O instituto ressalta que o monumento sempre motivou trabalhos e teses escolares e que é um destaque não só para Franca, mas também para toda região, "proporcionando um aprofundamento mais detalhado sobre a cultura e história de Franca”.

Postal, Cariolato

Com seus 133 anos, na praça Nossa Senhora da Conceição, ficou observando a cidade crescer e se modernizar, assistiu como disse, por exemplo, a construção da igreja Matriz, que dá nome à praça, a catedral. Ficou só admirando a cidade crescer em sua volta, de onde está dava para dar uma espiada no calçadão, tem saudades quando ele era trajeto para os cinemas São Luiz e Odeon e também para o hotel Francano. 


Um observador secular

Testemunhou desfiles, fatos históricos importantes, certamente deve saber quem foi o primeiro a desfilar no centro com seu carro moderno, antes só arremedos ou semoventes (burro, cavalo). Assistiu curioso as enormes festividades de comemoração do 1.o Centenário de Franca, em 1956, que acabou não sendo.


Acompanhou atento as fofocas regadas de ótimo café da praça Barão, viu alguns tiroteios, conheceu o incrível Pelotão e outros ótimos personagens, nunca entendendo o humor negro que cercava o Geraldo. Só soube mais tarde que os milhões negociados, em forma de diamantes, financiaram muito do progresso francano. Também na área da economia, nem sabe quantos foram os assuntos ligados aos calçados e ao café. Ambos produtos de exportação, mas que nunca deixam de oferecer muito luta e esforço, com o clima e com a concorrência.


     Viu a movimentação da construção do vizinho Hotel Francano, que veio com a euforia do café, mas que, ao se esvair, levou também este outro monumento. Riu muito com a juventude francana, dos anos 1960, girar em filas na sua frente, os moços indo, as moças vindo, paquera em círculo sem precedentes que promoveu muitos casamentos. Viu todas manifestações e comemorações da cidade, mas escapou do tiroteio provocado pelo capitão Anselmo e nem viu a casa fortificada que seria montada bem ao lado dele, isso o antecedeu. Deve ter torcido pelo movimento das Diretas Já, pedindo a volta das eleições democráticas.


Espantado mesmo ficou com a construção do primeiro arranha-céu da cidade, o Edifício Franca do Imperador, não tinha visto nada daquele tamanho, depois com um moço que vendia amendoim, torradim, salgadim… que conseguia fazer a sua réplica, como veremos em seguida.


Produto de estudos científicos


Fruto de inúmeros trabalhos científicos, é necessário estudar muito para entendê-lo na íntegra.

Foto de um recorte dos álbuns de meu pai datado de 1956, 
não se tem como precisar quando esta arte gráfica foi feita, 
mas vemos que o autor foi Alcebíades.

Traçando uma linha do tempo, que adoro fazer, vemos que, quando foi inaugurado em 11 de abril de 1887, ainda não havia sido proclamada a república, o resto da história você conhece. A população francana era de aproximadas 9.000 pessoas, menos que as transitam pelo complexo central da cidade hoje, e, felizmente, um ano depois, em maio de 1888, seria abolida a escravidão para 1400 dessas almas da cidade.


A igreja matriz começou a ser construída em 1809, uma casinha, o templo atual começa a ser erigido em 1898, doze anos depois do Relógio. Ainda em obras teve a primeira missa em 1913, mas só iria ser inaugurada em 1926. É comum publicarem fotos com as obras da atual matriz e o Relógio ali firme, só prestando atenção no seu crescimento.


Foi o monsenhor Rosa que trouxe para Franca o padre Germano de Annecy - um cientista francês radicado no Brasil. De forma curiosa ele une César Augusto Ribeiro, maçom português, um dos que editavam o jornal O Nono Distrito, e o padre Cândido Rosa, para que ele viesse a ser construído, foi um pacificador na rixa que reinava entre ambos. Também teve papel importante na vinda das irmãs que fundariam o Colégio de Lourdes, depois o Colégio Champagnat, que não chegou a ver.


Frei Germano tem uma biografia vastíssima, tentou voltar para a Europa, passando pelo Vaticano, mas faleceu antes de sair do país, só com a roupa do corpo, mas até experiências pioneiras com a energia elétrica ele fez, há relatos de exibições importantes em São Paulo.


O Relógio do Sol não é monumento qualquer, ele é testemunha da história francana e do país, precisa ser preservado, estar em um roteiro oficial do turismo francano, quiçá com guias oficialmente formados. Sempre fica ali esperando que o Sol passe por todos os  seus quadrantes, desafiando cada transeunte a saber que horas são, poucos acertaram. Ele não fornece só as horas, mas também outras informações, entre elas as estações do ano.


Jubileu do Amendoim

foto Museu da Pessoa


Jubileu dando aulas sobre o relógio.

Você se lembra que o Jubileu do Amendoim (1937-2014)? Seu filho, como ele fez, vende amendoim salgadim, torradim até hoje, principalmente nos jogos de basquete. Pois é, poucos sabem que ele fazia, com perfeição, réplicas do Relógio do Sol, com sua origem humilde e simplicidade dava aulas de como olhar as horas e minutos no original e nas suas réplicas. Parece que tem uma réplica dele feita no parque da antiga Francal, contam que não está em bom estado.


Annecy


Em qualquer pesquisa que se faça sobre o Relógio do Sol chegaremos ao seu criador, padre francês Germano, do que? De Annecy. Como a maioria dos povos naquela época, carrega como sobrenome a cidade onde nasceu.


Sempre ouvi dizer que em Annecy haveria um irmão único do relógio francano no mundo, pelo menos é que o dizem algumas fontes pesquisadas. E, surpresa!!! São parentes, primos, mas nunca irmãos, é só comparar com a fotos que publicamos. A irmandade é atribuída ao fato de ambos terem pedestais que os tornam verticais. E, talvez, na forma de enxergar as horas, estações, etc.


Os franceses o chamam de "único", olhando bem é sim, o que faz do nosso muito mais único ainda, convenhamos, o de Franca é muito mais charmoso, não é? A fria e montanhosa Annecy, se situa próximo ao Mont Blanc, região dos Alpes, tríplice fronteira entre Itália, Suíça e, claro, a França.


Histórico da pesquisa

Vila Franca:


Jubileu do Amendoim e os seus Relógio do Sol:
http://gcn.net.br/noticias/338216/franca/2016/11/franca-shopping-retira-relogio-do-sol-feito-por-jubileu-do-amendoim


Excelente biografia do Jubileo feito pelo Museu da Pessoa:
http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/historia/-45870

Dados importantes e científicos do relógio:
https://gcncomunica.wordpress.com/2010/03/23/e-nosso-o-1%C2%BA-relogio-do-sol-do-brasil/ 

Postagem que menciono o relógio de Annecy:
http://michel.lalos.free.fr/cadrans_solaires/autres_depts/haute_savoie/cs_74_annecy_unique.html

Visita de Corrêa Neves Jr. a Annecy:
http://gcn.net.br/noticias/230147/opiniao/2013/11/o-relogio-e-o-cadran

Veja a hora nos dois relógios (foto minha)