quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A Globo e os Espíritos (DV-20)

Ao longo do tempo, principalmente nas novelas do horário das 18h30, a trama com tons espíritas dominam os enredos na Globo. A penúltima, a Além do Tempo deu um salto de 150 anos, morreu todo mundo, é claro, mas já sabemos que o enredo continuou com as respectivas reencarnações. Foi deixado para trás o estilo inglês modelo Downton Abbey, nobreza que, apesar dominada por preconceitos e criadagens, tanto encanta. Até batizado de filho de príncipe dá notícia.
Em um momento da trama um anjo disse para outro: "Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim", referência à uma frase de Chico Xavier, provavelmente inspirada por Emmanuel, o espírito que o acompanhou praticamente por toda vida.
Esta novela veio quase na continuação de Alto Astral que, além da referência à reencarnação de Caíque e Laura, estava recheada de espíritos, alguns engraçados e curiosamente interagindo com os vivos. Muito divertida.
Há uma recordista de audiência, A Viagem (1994), com a trama envolvendo espíritos do bem e do mal, além da reencarnação também. Anjo de Mim (1996) trata de regressão, onde se descobre fatos de vidas passadas. Alma Gêmea (2005) também se refere a outras vidas para justificar amores e reproduziu o Nosso Lar, que viria ser também tema de filme.
O Profeta com essa mesma temática teve até duas versões: 1977 e 2006, neste caso a presença forte de Ivani Ribeiro, praticamente a pioneira no assunto, que, parece, tinha nesse enredo uma de suas preferências. Também em 2010 o modelo esteve em pauta com Escrito nas Estrelas, revisando também a fertilização.
Isso sem falar das produções vinculadas à emissora com os filmes O Nosso Lar e Chico Xavier, este último inspirou, como veremos abaixo, um Globo Repórter com dezenas de depoimentos de cidadãos comuns que testemunharam a veracidade das cartas de entes queridos falecidos, recebidas pelo médium.
E agora a Espelho da Vida… fui dar uma olhada no que podemos esperar, volta a questão de vidas passadas, mas, pelo que pude ver a trama está mais para regressões do que para reencarnações, ou tudo junto misturado.
Uma coisa é certa - caminhando para nona novela com esse tema, tratando do mistério de nossas vidas, ou da vida de nossos espíritos, é seguro afirmar que provoca tramas incríveis, fortes enredos. Aí há de se perguntar: é ficção?
Não é o que pensa a família Muszkat, que recebeu 54 cartas do filho Roberto, prematuramente falecido em uma operação de desvio de septo, algumas com revelações muito pessoais e em hebraico, fora do conhecimento de Chico Xavier. Liderados pelo pai Dr. David, obviamente judeu, toda a família continuou suas atividades indo à sinagoga e respeitando suas tradições. É só conferir: goo.gl/RgTVxP e, no Globo Repórter: goo.gl/E3RAeL .
Referência: 20.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 10/10/2018 - (DV-20)

Faltou um Francisco (DV-19)

Na minha última coluna, a que me lembrei de alguns Franciscos representativos ao longo da minha vida, esqueci-me de um de forma incompreensível - Francisco Cândido Xavier, o Chico. Antes que eu me chateasse, pensei, foi bom, agora posso fazer uma coluna só para ele.
Cresci ouvindo coisas sobre ele, até que, já na Mocidade Espírita, fizemos uma excursão à Uberaba em um sábado à tarde e, claro, fui conhecê-lo, aquela singeleza que todo mundo sabe tão bem retratada até em filmes. Não sei bem onde ele estava (1968, mais ou menos), mas lembro-me que contei que tinha vindo de Franca e estava ali para conhecê-lo, certamente exultante por isso.
Ele me pede - você volta mais tarde para fazermos a caminhada? Não lembro do que se tratava, mas estava ligado à assistência social, acho que era dia de distribuição de sopas. Nesse momento cometo um erro singelo, digo que sim, quando, na verdade, não voltaria, tínhamos uma atividade com a Mocidade de lá.
O tempo passou, passou, e continuei ouvindo histórias do Chico, algumas acabei utilizando numa bem humorada palestra que fiz, só sobre causos desse ilustre personagem. Uma delas foi em um aniversário, muito concorrido, todos que foram levaram um presente para ele, sendo recebidos à porta, tanta gente que a hora que último chegou os primeiros já estavam indo embora, dizem que ele chegava a machucar a mão. E aí a surpresa, cada um que se despedia ele oferecia um dos presentes que tinha acabado de ganhar. Chamado à atenção, sai ele com esta: - Ah, irmãozinho, é muita coisa para mim, já tenho o que preciso… Esse era o Chico.
Num lançamento de livro, conseguiram levá-lo a contragosto para Belo Horizonte, o livreiro esperando um CHICO XAVIER, recebe um senhor franzino, de boina, ao ser apresentado o livreiro pensou que era brincadeira dos amigos e diz - Ah, como eu gostaria que o senhor fosse mesmo o Chico Xavier, e ele solta essa: eu também!
Tem a que ele, com medo de uma turbulência em um voo, é chamado a atenção por Emmanuel, Chico insiste que estava com muito medo, Emmanuel ralha: Então morra com educação! Adiantou nada, Chico continua gritando e desabafa:  eu queria saber como faz para morrer com educação.
E comigo? O que aconteceu depois da minha pequena e inocente mentira, não voltei para a caminhada com ele. Depois de muito tempo estava na antiga Livraria Martins, no hoje calçadão, em Franca, e quem eu vejo ao meu lado? Francisco Cândido Xavier fazendo o mesmo que eu, na enorme surpresa digo: Oi Chico, um sábado fui te conhecer em Uberaba, e ele - Eu sei, você não voltou para fazermos a caminhada… Meu Deus, para quem fui mentir. Ele perguntou se eu daria uma volta com ele, eu disse que sim, passou o seu braço por dentro do meu e fomos caminhar pela Praça Nossa Senhora da Conceição.

Referência: 19.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 29/9/2018 - (DV-19)

Francisco (DV-18)

Ganhei uma crônica do amigo Galeno Amorim por ser um Contador de Histórias, e é verdade, vejo que não sou muito bom para reuniões sérias e rápidas, gosto de contar histórias, e isso faz perder tempo. Mas o fundamento da crônica era sobre os meus Franciscos, lembrando que também sou Francisco.
Primeiro um descendente de escravos que morava na Fundação Allan Kardec, sô Chico estava curado de algum suposto problema psiquiátrico mas não tinha para onde ir, o então asilo, como bom espelho do espiritismo, o acolheu para sempre. Um maestro com as palavras Galeno o descreve: “O velho Francisco dominava algumas artes, uma era a de brincar com as palavras”, a outra o esmero por recuperar latas velhas transformando-as, colocava alças transformando-as em canecas. Apesar da forte oposição do sr. José Russo, eu adorava passar minhas tardes ouvindo suas histórias.
Um outro Francisco era o sr. Chico Cintra, também do Allan Kardec, pai da Shirlei e do Wanderlei, que também foi provedor da casa. Sô Chico foi responsável por uma das maiores fases de entretenimento da minha vida, e de muitos francanos, internados lá, ou não. Ele era responsável pelo cineminha, uma sala de projeção de filmes com uma máquina 16mm. Ali pude assistir cult movies imperdíveis, como O Fantasma da Ópera, no original, mas não faltavam as séries do Batman e Robin, Roy Rogers e o seu cavalo Trigger, o solitário Zorro e seu aiô Silver, Tarzan, Jane e o Tonto, e por aí vai.
Tem o Francisco, que também é Buarque de Holanda, no nosso programa radiofônico Horário Nobre, da década de 1970, nunca faltou. Dizem que ele e Caetano são os dois letristas que melhor reproduziram a alma feminina na música brasileira.
E o Francisco, o papa? Dois já tinham me chamado a atenção pela simpatia, os João Paulo I e o II, este último pude vê-lo de perto em Buenos Aires, sua obstinação para unir os povos foi contagiante.
Já o papa Francisco explode em simpatia, com algumas tiradas como, “não temos rivalidade, o papa é argentino, mas Deus é brasileiro”, se alguém falasse da mãe dele ele partiria para a briga e que não gosta do papa móvel por que não se vai a uma casa de amigos numa caixa de vidros. Espontâneo!
Em uma entrevista para Gerson Camaroti, quando esteve no Brasil, disse para os jovens: - Não fiquem vendo a vida passar, vão à luta, Jesus, com todas as dificuldades - e quantas, foi à luta para alcançar seus objetivos. Para notícias de escândalos - Faz mais ruído uma árvore que cai do que um bosque que cresce.
Disse algo emocionante, que serve para todas as doutrinas cristãs: A Igreja é mãe, não conhecemos mãe por correspondência, mãe toca, beija, ama, as pessoas buscam e sentem a falta do Evangelho, uma mãe cuida, acaricia e alimenta, mas não por correspondência.

Referência: 18.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 22/9/2018 - (DV-18)

Millecinquecento (DV-17)

Em um jogo de perguntas com a netinha, na qual se roda uma caneta, e quem fica na direção da ponta responde, perguntei - Quem descobriu a América, depois  o Brasil e por fim o nome das caravelas. Acabei me lembrando dos anos 1500 e tudo que aconteceu em volta deles.
Sou muito curioso com as explosões pontuais de fatos na linha do tempo da história, no aspecto religioso algumas me chamam a atenção, Moisés, com a libertação do povo israelita, recebendo as Tábuas da Lei de Deus, contendo os Dez Mandamentos, falo em minhas palestras que ali nasceu uma constituição e a maior das cláusulas pétreas: existe um só Deus, o criador de todas as coisas.
O segundo fenômeno dividiu até o calendário, foi anunciado com grande antecedência, acompanhado por santos e humanos, brinco que o nascimento de Jesus foi uma verdadeira conspiração dos céus, não podia ser diferente, com alguém de tanta importância. Sua mensagem foi tão forte que se multiplicou muito mais, proporcionalmente, do que as que viralizam em minutos hoje. 
E tem diferença, essas últimas somem, as que Jesus deixou até hoje propagam e ainda as estudamos, e olha que não tem nada difícil, tudo está em torno do amor, amar ao próximo como a ti mesmo, perdão indiscriminado, caridade, respeito à diversidade… revolução que ainda ecoa.
O espiritismo também teve uma enxurrada de fenômenos extra-materiais no mundo todo, até que Allan Kardec se convencesse que havia mais coisas no céu - e no universo, do que aviões de carreira.
E os anos próximos a 1500, razão desse artigo?  Esse período teve uma real explosão de fatos que modificaram a história, bastante creditados ao renascentismo, o movimento já existia, mas foram nesses anos que os resultados mais apareceram. 
Ainda no campo da religião, em outubro de 1517, o alemão Lutero lidera o início da Reforma Protestante, o movimento repercute na Suécia, Dinamarca e países baixos. Surgem na esteira o Calvinismo na Suíça e a Anglicanismo na Inglaterra.
Os descobrimentos na América são atribuídos à renascença pelo “surgimento de novas ideias”, segundo os historiadores. Errando caminho das Índias tanto Cristovão Colombo (1492), como Pedro Álvares Cabral (1500) ampliam em muito o mundo conhecido.
A navegação interligou  o mundo, globalizou o comércio e motivou a revolução industrial, tendo como pioneiros Portugal e Espanha, o maior destino eram as Índias, entre outros no oriente e Ásia. Em 1498 o português Vasco da Gama faz a navegação com mais resultados até então.
Voltaremos ao assunto, principalmente por causa da Mona Lisa - Leonardo da Vinci, 1503, está no Louvre; as esculturas A Criação de Adão e Juízo Final - 1511, parede e teto da Capela Sistina - Vaticano - de Michelangelo, e a minha grande paixão a Pietà - 1499, também no Vaticano, obras que ainda podem ser visitadas, aliás, está última tem réplica na Catedral de Brasília.

Referência: 17.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 19/9/2018 - (DV-17)

Maurício, o prefeito 100% (DV-16)

Não é bem assim…  Não existe administração com uma unanimidade dessas, impossível. Nem na Escandinávia a satisfação é plena, relacionaram uma série de carências por lá, e não é para menos, é o normal.
Na primeira gestão de Maurício Sandoval Ribeiro (1977-1982), que faleceu com 77 anos, em 18/6/2017, ele colecionou um bocado de cifras altas, algumas superiores a 100%. Fiz a assessoria de imprensa dele à época, quando Realindo Jr. assumiu a chefia de gabinete, Higinote me indicou.
Mas não pelos números, que deixo para fechar essa coluna, gosto de lembrar dele como pessoa, aliás, uma simpatia encarnada. Tinha uma técnica que sempre difundi, quando ia visitar uma obra, ou inaugurá-la, convidava sempre um assessor diferente, daí aproveitava para trocar ideias e, ao mesmo tempo, fazer com que todos falassem a mesma língua, além de constatar in loco o que sua administração fazia.
Além de uma frase que nunca mais esqueci, fechava sempre a janela da sala de reunião, e não faltava: “prefiro um exército pela frente, que um vento pelas costas”, rsss. Mas lembro dele todo início de setembro, todos. "Se tem brochove?” (sic) - Hem?!? Ele saiu-se com essa, hoje fica fácil de decifrar, sim… em setembro chove, ao menos esperamos. E dava suas risadas, ficava triste, quando tinha que ficar triste, espero que entenda… ele não gostava de ficar triste.
Adorava sua equipe - uma hora me dedico aos personagens dessa época (Chiachiri, Weber, Álvaro Azzuz), foi fruto de uma renovação política francana, e quase conseguiu, já que a ele foi instado a intermediar a pauta na região, mudar a capital do Estado de São Paulo para Bauru, o ex-governador Paulo Maluf mudou seu gabinete para Franca para tentar esse apoio. Não sei teria sido bom, mas se tivesse dado certo, a batida do martelo teria sido dada em nossa cidade.
Quando o mencionei em entrevista, confessando que ele foi uma das maiores personalidades que convivi, se surpreendeu, fez uma longa carta, com detalhes que só um amigo guarda, como, por exemplo, ele deixar tudo para ir a uma escolinha de pré, no Jardim do Éden, para abraçar meu filho no dia do seu aniversário, ele se perdia nessas pequenas coisas. Tem como esquecer?
E a porcentagem que eu me referi, não cabe aqui, mas vamos lá, Franca tinha 44% de água encanada, saltou para 98%, colocou 72 km de galeria pluviais, falavam que era louco, “enterrando dinheiro", que isso “não aparecia”. Dobrou a metragem de ruas asfaltas, pavimentando mais um milhão de metros quadrados, elevou a reserva de água de 6 para 25 milhões de litros.
As casas do Leporace foram entregues no seu mandato e terminou com a glória de seu pai Jeová, a quem tanto dedicava sua fé, de ter asfaltado uma estrada interestadual, a Franca a Ibiraci, um grande troféu. 

Referência: 16.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 01/9/2018 - (DV-16)

Pedroca, um idealista olímpico (DV-15)

Pedroca, entrevista FSP 10-4-1983
    Tem certas pessoas que guardamos no fundo do coração por as ter conhecido, certamente uma dessas, para mim, é o Pedro Morilla Fuentes, o Pedroca, hoje nome do estádio do basquete francano, o templo Pedrocão.
    Mais que ser apenas um conhecido, valeu muito ter convivido com ele, e já posso adiantar o objetivo deste artigo, nunca convivi com uma pessoa tão idealista como ele, todas as vezes que tinha o direito da palavra defendia uma tese de massificação e excelência do esporte, muito mais pelo basquete, é claro.
    Um currículo de dar inveja, entre os feitos ter sido 7 vezes campeão brasileiro e 2 vice-campeão mundial, sei que isso vai além, mas, confesso que, em sistema de busca comum, não há nada do Pedroca na Internet, pensei que ia tirar essa de letra - a consulta das estatística, mas nada, de 3 páginas encontradas uma tinha um parágrafo - Wikipédia, as outras já foram tiradas do ar.
    O primeiro contato com Pedroca foi no ginásio, no IEETC, onde ele era professor de educação física, começo dos anos 1960, quando os professores ainda tinham “cadeira”, ganhavam relativamente bem e eram muito reconhecidos, os alunos dessa época recitam a seleção de seus professores, como os entendidos sempre sabem a escalação de época dos grandes times de futebol.
    Com ele fazíamos sempre demonstração de ginástica de solo, um modelo jurássico da ginástica olímpica, quantas vezes nos apresentamos no Clube dos Bagres, para os alunos mais treinados ele acrescentava aparelhos que tínhamos que saltar e fazer rolamento ao cair. Nessa modalidade fui como reserva da equipe francana nos jogos estudantis (não lembro se eram os jogos abertos do interior). Da equipe me lembro do Ivan Gato (por ser ótimo goleiro de futsal) e dos irmãos Moge, o mais novo se machucou e eu fui escalado, viemos vice-campeões do estado.
Em 1983 estivemos com ele no Sul-americano (Guerra das Malvinas)
- Última vez que o Hélio Rubens jogou internacionalmente - Pela FSP
    Mas aí tem uma confissão, acho que ele me convocou por ter utilizado um dos aparelhos, chamado Plinto, e dado um salto mortal, girando o corpo todo uma vez no ar, levei uma baita bronca dele (isso era fácil, nunca negava). Detalhe, na verdade errei o salto, tinha que pular o aparelho e cair rolando do outro lado, não medi corretamente a distância e improvisei, valeu, depois da bronca uma medalha no futuro.
Clique na figura e leia a entrevista na íntegra
    Com a morte do Frias, da Folha de S. Paulo, me lembrei que havia entrevistado Pedroca como correspondente em Franca daquele jornal, a entrevista ocupou dois terços da página de esportes, em edição nacional. Ela foi publicada em 10 de abril de 1983, ele tinha acabado de deixar de treinar o time francano, aparentemente cansado, um pouco desiludido com a condução do esporte no país, disse que devia ter saído antes, principalmente para dar ao Hélio Rubens a chance da continuidade. Segundo Pedroca, Hélio já estava pronto há tempos.
     Dentro de seu ideal olímpico, queria ocupar todas as praças, fossem ou não esportivas, elogiava Cuba pelo seu desempenho, à época, nesse sentido, achava que, sem isso, jamais teríamos um basquete no nível do americano, isso realmente o entristecia. Na entrevista criticou a elitização dos esportes, principalmente a CBB, que investia todos seus recursos nos melhores jogadores, sem formar as bases.
    Foi diretor de esportes da Prefeitura, ao encerrar a carreira de treinador, e sempre me ligava, ele foi casado com uma prima, isso o levou a um grau de amizade que me orgulho muito!

Referência: 15.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 28/8/2018 - (DV-15)

Qual é o tamanho de Franca? (DV-14)

        Depois que passei um longo período fora de Franca, ao retornar, sempre achava curiosa a forma que alguns amigos reclamavam dela, da Terra das 3 Colinas. Normalmente é por comparação, é compreensível.
         São Paulo é melhor que Nova Iorque? Minha opinião? Em muitas coisas, culinária, vida noturna eclética, por demais eclética. Cada uma tem suas vantagens e… seus defeitos, esse não é o sentido da coluna.
reprodução 


        Essa síndrome do ser grande, querer ser maior, principalmente comparando com a cidade vizinha, é coisa nossa. Mais ou menos como o fast americano e slow europeu. Dizem que herdamos mais dos americanos do que deveríamos herdar dos europeus, dos quais descendemos muito mais do que da América.
O americano por mais que corra, e tenha posses, mais corre e mais quer, regra geral o europeu, principalmente na Escandinávia, tem a vida simples como cultura, mora em uma casa, que deve ter sauna, e tem um carro, o outro veículo é uma bicicleta, veículo para todos os gostos, cabe a família, bebê, cachorro, até cobertura para chuva, e só. Região do mundo com maior qualidade de vida, em qualquer estatística.
        Com isso, sem correrias e com simplicidade, é mais fácil humanizar as coisas, é como com seu veículo, sempre terá alguém que terá um com mais potência que o seu, ou os que, com menos potência, terá mais habilidade para dirigir - e correr - mais que você, relaxa, os minutos que perder serão piores que os minutos que perde com estresse. 
        E o que tamanho de Franca tem a ver com tudo isso?
         Pois é, aí que está o segredo: Franca é uma cidade com povo bom, simples e humano?
        Se conseguir responder que sim, pode até pensar um pouco, mas um grande passo já foi dado. 
        Nem por isso Franca é uma cidade ‘pequena’, pesquisa não oficial a coloca com uma projeção de 347.327 habitantes (*), sabe o que isso quer dizer?
             Ela seria a 17.a cidade da Alemanha, maior que Bonn e estaria nas estatísticas daquele país por ser uma das 20 maiores. 

Seria a 5.a cidade da França, maior que Lille e Dijon, certamente estaria no centro das decisões administrativas dos bleus

Seria a 9.a cidade da Itália, maior que Verona e Veneza, paro por aqui, mas é uma diversão legal para você fazer, qual é o tamanho de Franca?
         Bom, agora vem a turma do - mas falta um shopping grande, talvez seja esse um dos argumentos que mais me derrubam, a falta de mais representatividade em marcas famosas, mas caímos na mesma armadilha, que também vale para os espetáculos culturais, Nova Iorque tem mais que São Paulo, que tem mais que Campinas, que tem mais que Ribeirão Preto, e assim vai.
        Sem contar que, sem grandes marcar em um grande shopping fortalece o comércio da cidade, de propriedade dos francanos.
         Voltamos à estaca zero, ser muito grande ou viver bem? 
        Parece que isso está resolvido a milênios na Europa, com suas centenas de milhares de condados, ou vilas, como se quiser denominar. O que será pensam disso os moradores das pequenas cidadezinhas dos Alpes Franceses?
         Eu sei que a Terra do Imperador, que se não foi dele, ele perdeu muito, tem uma culinária invejável, músicos de ponta em todos os ritmos, desviando de falar de duplas sertanejas muito famosas, ainda que mereçam elogios, e uma exuberante natureza cercada de lagos e fazendas centenárias.
        Sem contar estar no topo de todas as estatísticas de qualidade de vida do país. Seja no saneamento básico, telecomunicações, emprego e renda per capta. 
        Vale ressaltar que as cidades realmente grandes tem poluição, ocupação ilegal de imóveis e aumento de criminalidade.
        Então, como se sente morando em uma das maiores cidades do mundo?  

(*) População estimada IBGE em 2021 - 358.539 habitantes 

Referência: 14.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 23/8/2018 - (DV-14)

O jogo e o trono (DV-13)

A série televisiva que mais causou impacto nos últimos tempos, sem dúvida nenhuma, foi a Game of Thrones, no ar desde 2011, com dez episódios por ano, só a temporada do ano passado teve produzidos apenas 7 episódios. A última temporada, prevista para o ano que vem (2019), tem apenas 6 capítulos previstos, os fãs já choram seu fim.
Acompanhar séries tem também suas pegadinhas, uma outra super produção, a Marco Polo, com duas temporadas de 10 episódios cada uma, foi cancelada no seu desfecho, com US$ 200 milhões de prejuízo. Maior prejuízo tiveram os assinantes da Netflix, foi uma produção e tanto, se tivesse fim, seria imperdível. Mas quantos filmes ‘sem fim’ já assistimos? Rsss.
Hoje tem série para tudo quanto é gosto, com qualidade fantástica, algumas já em 4K, troca de corpos, canibalismo… nessa a Santa Clarita Diet é ousada, indo para sua terceira temporada, parece que agradou, não assisti.
Também ousada e com um enredo de primeiríssima qualidade, situando-se na medieval alta Escócia - Celta, Outlander é densa e envolvente, daquelas produções que reúnem um pouco de tudo, bruxaria, romance, guerra, intrigas, belas locações e boa trilha sonora, aliás a magnífica música de abertura da novela Que Rei Sou Eu, lembra muito a música de abertura dessa série, assim como se supõe que a novela teve também uma certa inspiração na Game of Thrones, pelo formato e a quantidade de reinos.
Ainda na linha de histórias no reino unido, quem gosta de acompanhar a vida de príncipes e princesas pode se surpreender com a The Crown, coleciona prêmios Globo de Ouro e elogios pela interpretação de Claire Foy, no papel de Elizabeth II, aliás a série é exatamente sobre ela. Chamou a atenção também o Winston Churchill vivido por John Lithgow. Além dos critérios normais de análise dos críticos, como direção, roteiro e fotografia, destaca-se a precisão histórica.
Antes íamos no cinema para viajar no tempo através da imaginação, hoje isso pode ser feito em casa, com a chance de poder assistir os seriados de uma vez só, capítulos e temporadas.
Nessa viagem temos a mediana (*) Star Trek e a previsível Perdidos no Espaço, ambas aventuras juvenis, mas com a costumeira qualidade. A última revive a família Robinson do seriado dos anos 1960, Lost in Space, ambas de ótima diversão.
Muito vem cotada, recentemente, temos La Casa de Papel, que ainda estamos assistindo, mas é possível também destacar mais duas séries muito interessantes, Black Mirror, que tem a vantagem de ter histórias completamente independentes em cada capítulo, ficção impactante com os modismos - e vícios atuais, como as redes sociais, por exemplo, e a 3%, que é brasileira, essa vale pela curiosidade.

Concluindo duas séries bem distintas, a Designated Survivor, da linha das conspirações americanas, principalmente com integrantes da Casa Branca e seus presidentes, que tem a tarefa difícil de manter o pique - muito bom, da primeira temporada, parece que não vai ser possível, e a canadense Anne com E, essa uma água com acúcar, seção da tarde consagrada, hehehe, mas imperdível para quem gosta do gênero, principalmente pela brilhante jovem atriz principal, Amybeth McNulty e o tamanho do roteiro que colocaram em sua mão.

Referência: 13.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 15/8/2018 - (DV-13)

(*) No artigo original atribui o adjetivo de 'mediana' para Star Trek, vou manter, o correto aqui é manter a opinião do dia que escrevi, mas é impactante, um roteiro que deve ser muito difícil de escrever, com línguas alienígenas, que nem sei de onde tiram com essa qualidade, e muuuitos efeitos especias. Vale. (25.4.2019)




sábado, 27 de outubro de 2018

A flor de papel, cor de sangue! (DV-12)

Uma das icônicas cidades próximas à Franca, com sítios e fazendas centenárias, descobriu uma flor em forma de coração, inédita na espécie pela simulação de sangue, por culpa de sua veias com cores avermelhadas, coisa como se tivesse sido alvejada pela flecha de Cupido com a força de Eros, deus do amor, filho de Vênus e Marte.
A notícia se espalhou rapidamente, a praça Barão pegou fogo, “tem uma flor na região que está chamando muito a atenção, pela raridade, ela parece que tem sangue nas veias”, bradavam os exagerados, entre ouvidos, é claro. Não demorou a notícia chegou a Holambra e aos grandes centros do país, rapidamente todo o estoque existente da planta foi vendido. 
Imediatamente começou o replante, misteriosamente mudas se espalharam para outros sítios que, logo, teriam a incrível planta para oferta em larga escala. Os investidores viram que ela era mais rentável que comprar terras, dada a velocidade do retorno, passaram a adquiri-las quase ao florescer, ainda em botão.
Na verdade elaboravam um contrato do investimento e recebiam papéis que representavam o total de plantas compradas, na hora da venda nem viam a raridade, só processavam os lucros daqueles títulos. Como dinheiro chama dinheiro, quem tinha mais capital passou a comprar as flores no plantio, ou até antes dele.
O primeiro fato inusitado estava por vir, o avermelhado cor de sangue das ranhuras, que dava tanta beleza para essas plantas, era um vírus, ninguém tinha dado conta, afinal, isso provocava uma formosura nunca vista em uma flor.
Logo apareceram mais investidores, uma organização para intermediar essas vendas, com poucas ou nenhuma regra, os títulos ganharam preço por unidade adquirida, uma fortuna nas transações financeiras desses papeis. Mas também era possível comprar a produção diretamente, estava muito fácil revender esses contratos, o frenesi era tanto que um título que nasceu com o valor de um mil já valia três vezes mais e a muda nem tinha ido para o chão.
A especulação se acelerou e muitos começaram a pegar dinheiro com bancos e agiotas para comprar e revender esses contratos, já que dava tempo de passar para frente e embolsar o lucro antes do vencimento do empréstimo. Maravilha, lucro garantido para todo mundo.
Mas, como toda especulação tem suas armadilhas, um conjunto de fatos estava na encruzilhada do negócio, vasa o laudo que confirma que a beleza da planta era culpa de um vírus, o mercado foi abastecido demais, o preço começou cair, começaram a sumir os compradores, sem contar que associação protetoras das plantas fez uma forte campanha nas redes sociais, não era justo comprar uma plantinha doente.

Pior, descobriram que tinha mais planta no papel que a verdadeira produção, hum, eram títulos podres por falta de lastro, os que pegaram dinheiro não realizaram os lucros, acabaram falindo com a cobrança dos empréstimos, o estoque encalhou, os sitiantes tiveram que ser subsidiados para sair da falência.
Assim termina a nossa fábula, a de um planta de papel, cor de sangue! Qualquer semelhança com a bolsa de valores, com os títulos de mercado futuro e com a real história das tulipas holandesas dos anos 1600, não é mera coincidência, é só conferir no excelente livro CRASH, do amigo Alexandre Versignassi (editor da revista Superinteressante). 

Referência: 12.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 10/8/2018 - (DV-12)
O livro que mencionamos no texto


Foto que fizemos em Dublin - 2014 - Saint Patrick's Park

Visão ampla das tulipas no Saint Patrick's Park em Dublin - 2014

Semper Augustus, o bulbo mais famoso de tulipa,
que foi vendido por preço recorde, aquarela de pintor anônimo (WKP)
Aquarela de uma tulipa, publicada na revista Harper's New Monthly Magazine, em 1876. Pintura de Pierre-Joseph Redouté (WKP).






Leia mais em
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mania_das_tulipas


Juíz de Uberaba (DV-11)

Não sei bem o que um cidadão uberabense fez para a nossa gloriosa veterana, a Francana, só sei que desde os idos de 1950, toda vez que um árbitro de futebol não atuava bem, seja no Nhô Chico ou depois no Lanchão, imediatamente ele se tornava um "Juiz de Uberaba". Assim como os jogadores que saíam daqui e iam para outras equipes, ao vir jogar em Franca, ao entrar em campo ouviam: ou, vai pagar A Cinderela!
E nosso maior rival? Batatais estava para a Francana como a Argentina para o Brasil, ou o Botafogo para o Comercial, Corinthians para Palmeiras, não necessariamente nessa ordem.
Em 1958 o pau comeu, depois de um jogo em Batatais, um zero a zero chato e violento, "cidadãos foram agredidos e carros apedrejados", dizia um telegrama do presidente da veterana, Jorge Cheade, para um delegado de Ribeirão Preto, houve também um protesto contra o juiz,  o árbitro, Mário Nogueira à época. Um artigo de Luiz Carlos Facury no Diário da Tarde descreveu os acontecimentos como “selvageria”, enumerando também um sem número de entradas violentas dos vermelhinhos batataenses. 
Dr. Cyrilo Barcelos era o médico da Francana e socorreu os contundidos…
Artigo que não ficou sem réplica, O Jornal da vizinha cidade, em editorial de 11 de maio de 1958, estranha que um órgão de imprensa francano de prestígio, com um jornalista não menos importante, incite a violência, descreve que também a torcida da veterana levou britas daqui para lá para serem jogadas. Credo!
Mas o que me chama a atenção é que, mesmo concordando que tenha ocorrido agressões de ambos os lados, o editorial não se conforma com o risco disso contaminar a boa convivência  dos cidadãos de Franca e Batatais, concordo. Ainda bem que essa rivalidade ficou lá para trás.
Entre muitas, duas coisas realmente tiram os seres humanos do seu normal, campo de futebol - jogando ou assistindo, e o volante de um carro, alguns amigos, pessoas doces, colocam o uniforme como o personagem Maskara coloca sua máscara, se transformam sabe lá no que.
Uma outra ficção é o julgamento dos argentinos por causa do futebol, eles são chatos sim, como torcedores, mas nós não convivemos tão bem com o bando de loucos, os corinthianos? Teríamos que conviver bem como eles também, rsss. 
Cantarão para sempre as musiquinhas provocativas, principalmente a que diz que Maradona foi melhor do que Pelé, fizeram isso na porta do Maracanã e acham isso super normal, acham que essa provocação é sadia.
Todas as vezes que tive na Argentina fui muito bem tratado, tanto, que acabei por fazer algumas amizades por lá, um dos amigos me confessou que não entendeu porque nós torcemos para a Alemanha e não para a Argentina na final da copa aqui no Brasil. Confesso que essa lógica é muito forte para mim, nem tentei explicar… acho que não conseguiria, enfim, torci para a Alemanha.
Agora fala sério, aquele árbitro que não deu o empurrão de Zuber no Miranda, no gol da Suíça, o tal Cesar Ramos, mexicano, é ou não é um “Juiz de Uberaba”?   

Referência: 11.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 21/7/2018 - (DV-11)
Formação de 1948: Marreco; Antero e Amauri; Tutti, Gonçalves e Eca; Tim, Tidão, Tonho Rosa, Luisinho e Canhotinho


1958 - Futebol entre Francana e Batatais termina em pancadia


1958 - Futebol entre Francana e Batatais empate chato, com briga



1958 - Futebol entre Francana e Batatais mídia batataense reage.

Francal cinquentona (DV-10)

Normalmente cada um conta sua história de um evento, vou contar a minha da Francal.
Não me lembro bem como ela era a sua primeira edição, realizada no prédio que é o da Prefeitura hoje, em 1969. Primeiro uma curiosidade, se ela começou em 1969, como está completando 50 anos? Não é o ano que vem?
Mas me lembro muito da 2.a que se efetivou no Palmeirinhas, quem se esquece de 1970, ano que ganhamos a 3.a Copa do Mundo, a Jules Rimet veio definitivamente para o Brasil, e por aqui ficou, até ser furtada e provavelmente derretida!
Quando ela foi para São Paulo, em 1983, então na sua 14.a versão no Hotel Hilton, eu era seu assessor de imprensa, Miguel Heitor Bettarello, presidente corajoso que inverteu a linha de declínio levando-a para um dos maiores centro de negócios da América Latina.
João Batista, meu chefe, Patrícia relações públicas, aliás comemorando 50 anos nessa atividade, seu Américo Pizzo secretário e equipe muito amiga.
Três coisas são inesquecíveis, além da ótima amizade usufruída pela equipe daquele ano, uma foi o fato de ter acompanhado, por quase um dia inteiro, o repórter Ernesto Paglia para uma longa reportagem sobre a feira, se minha memória não falha acabou editando um Globo Repórter.
Certamente atendemos toda a mídia paulistana, mas ficou difícil escapar da gozação orquestrada pelo Miguelito no rádio transmissor que tínhamos… “Nalini, a Globo chegou”, pela atenção dada ao Ernesto.
A outra foi ter acompanhado, em parte da visita, o então governador Franco Montoro (1916-1999) recém empossado, a visita à Francal foi uma das primeiras aparições públicas do político no seu primeiro mandato.
Mas, o que não dá para esquecer, como disse a feira estava sendo realizada pela primeira e única vez na forma vertical, em um hotel, nossa secretaria era em uma sala no subsolo do Hilton, por ali eu e o seu Américo - saudoso marido da Patrícia, ficávamos por horas, ele secretariando e eu produzindo notícias, muitas, afinal estávamos em São Paulo.
Numa dessas noites a Patrícia chega na sala, esbaforida, de hobby, sem perder a elegância, é claro… e lança a seguinte frase: -  “O que vocês estão fazendo aqui? O hotel está PEGANDO FOGO!!!”.
Não lembro bem como chegamos à porta do hotel, mas me lembro que, ao chegar lá, tinha uma moça muito capaz, relações públicas do hotel, cortando a notícia na raiz, que já espalhava pela capital:
- Acalmem-se um exaustor da cozinha entrou em combustão, que foi rapidamente apagado, mas a fumaça se alastrou por todo prédio e deu impressão de fogo em todo prédio. Nem uma linha sequer saiu no dia seguinte.
Aí a estória se divide em duas, se fosse fogo mesmo e seu Américo não tivesse lá, estaria eu hoje realmente nessa triste história? A real é que não era nada e tive a vida salva pela Patrícia. Só rindo. 

Referência: 10.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 21/7/2018 - (DV-10)




Centenário do basquete francano (DV-07)

Estou curioso para saber quando o nosso basquete completará 100 anos de atividades, praticamente ininterruptas.
Não tenho a chance de pesquisar nos acervos de nossos jornais, mas tenho alguns recortes preciosos nos álbuns de meu pai e pretendo visitar o nosso museu.
Um deles trás uma reunião em 1956, durante os II Jogos Abertos da Mogiana, realizado em Franca, onde Cyrino Goulart - apelidado de “Sinhô”, está entre eles, o técnico, pasmem, Alfredo Henrique Costa, o Portuga, está também Francisco Garcia Nascimento, o Chico Cachoeira, pai de nosso maior trio ao longo de todos os anos: Helio Rubens, Totô e Fransérgio. 
Na relação dos nossos jogadores à época consta ainda: Leonel Facioli, o Molecão, Gino Balerini, 
que era o Galego, Serafim Borges do Val, o Fisico, este responsável por empresa que tanto asfalto fez na cidade, Raul Batista, o Peru, este último a notícia consagra: “…foi considerado o mais completo cestobolista daquela época”. 
Se tratava de um grupo campeão, invicto, por sinal, segundo a notícia, “nunca foi derrotado até encerrar suas atividades”, era a Escola Francana de Cultura Física - EFCF , a quadra ficava onde também foi A Colegial, e teve seu forte entre 1928 e 1930, o registro informa que a equipe foi reconhecida por diversos órgãos de imprensa do país.
Alguns desses nomes, como o Cyrino Goulart, Alfredo Costa, o Físico, e o Chico Cachoeira, pela herança paterna que deixou, praticamente segurando sozinho a tese dos 100 anos de nosso basquete, são muito representativos. Merecem mais que uma simples coluna.
Me lembro de ter visto a carteira profissional de n.o 001 de Franca, sabe de quem? Cyrino Goulart, deve estar no museu, creio.
Esse grupo formou também um dos primeiros times femininos de basquete do Brasil, voltarei ao assunto, tem muita coisa, entre elas ver nascer o Clube dos Bagres, praticamente com colegas do IEETC.

Resumo, se não se encontrar nada mais antigo que isso, e creio ser bom procurar, daqui 10 anos nosso basquete completa 100 anos.

Referência: 7.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 27/6/2018 - (DV-07)

Curiosidade, em 1976, com menos de 1 ano, Helinho já era esperança.


Cyrino Goulart, Alfredo Costa e Chico Cachoeira baluartes do basquete, faltou o Fisico 



Desse time conheci Demétrio Soares.