segunda-feira, 1 de abril de 2019

Gol de Placa (DV-44)

O gol da semana certamente não é nem do Gustagol, nem do Gabigol, é de Franca que há décadas reivindica voos diretos a partir de seu aeroporto. 
Como passado é minha praia, já vou lembrando o embate que o saudoso prefeito Maurício Sandoval Ribeiro teve com o aeroclube francano, que não queria desocupar o velho aeroporto para que fosse viabilizado o Distrito Industrial. Muitas reuniões, muitas mesmo, nada de acordo. Foi preciso a intervenção da Aeronáutica brasileira para que, por fim, os diretores aceitassem um imóvel no centro da cidade, uma casa onde funcionava o SANDU,  e o direito de uso do novo aeroporto, o atual. A encrenca no fato de a entidade ter um imóvel no aeroporto velho, contra um direito de uso, no novo, o imóvel no centro da cidade resolveu o problema.
A previsão da GOL é que os voos se iniciem no segundo semestre, está em um acordo do governo paulista com as aéreas, no qual há uma redução no ICMS da querosene com a contrapartida na ampliação da grade dos pontos não atendidos com trechos diretos, principalmente para a capital. Além de Franca, que os releases oficiais apontam como “importante polo industrial calçadista”, atenderá também Barretos, tanto pela Festa do Peão, como pelo Hospital do Amor, uma referência nacional no tratamento do câncer.
Certa feita voei com um diretor da Passaredo, ele me explicava que o caro na aviação é o pouso e a decolagem, gasta muito combustível e pesa fortemente na planilha de custos, de onde vem o lucro ou prejuízo. Contou que o fato daquela companhia ter comprado jatos da EMBRAER para os voos regionais foi um erro, esses pequenos aviões gastam como gente grande e se não tiver uma frequência de, no mínimo, 40 pessoas no fluxo - entrando e saindo da aeronave, é contabilizado um prejuízo. Desfizeram do leasing dessas aeronaves, voltaram para os turboélice e amargam com tais prejuízos até hoje. Devemos torcer muito para que a Passaredo se torne uma grande empresa, ela garante voos importantíssimos para Guarulhos (internacionais) e Brasília, onde tudo acontece.
O secretário estadual de Turismo, Vinicius Lummertz deixa um recado, "Agora, precisamos trabalhar juntos para criar o hábito do transporte aéreo nas comunidades desses municípios, bem como em seus entornos”. O  que realmente segurará o voo direto de Franca para São Paulo será o número de passageiros, se isso for um número vermelho numa planilha certamente acontecerá como com outras tantas linhas que desaparecem do nada.

O custo, terá papel determinante, sendo um voo regional  o preço da passagem também precisa ser convidativo. Outra coisa a se analisar serão os trajetos para voos internacionais, se o francano preferirá ir a Ribeirão Preto para pegar voo direto para Guarulhos, ou se, indo para Congonhas, terá um rápido translado para lá, quase impossível pelo trânsito e distância.

Referência: 44.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 30/03/2019 - (DV-44)

sábado, 30 de março de 2019

A fanfarra do Pestalozzi (DV-43)

Para falar da fanfarra do Pestalozzi precisamos elogiar uma outra, a do Champagnat, também é preciso avisar que nosso artigo de hoje é proibido para menores, já que estamos falando de 1967, mais ou menos. Ter convivido com o dr. Novelino foi muito prazeroso, tanto por seu enorme coração de amigo e filantropo, como por sua inteligência.


Sempre teve uma preocupação com os jovens e com o futuro de cada um. A dona Aparecida, sua esposa, foi um dos baluartes nesse processo todo, séria, muito séria, mas não menos comprometida com essa causa. 
O nome Pestalozzi é uma homenagem ao educador suíço que mantinha um instituto em Verdun, por onde Allan Kardec passou e recebeu boa parte de sua ótima educação. O modelo que inspirou o Colégio Allan Kardec, em Sacramento-MG, era o de formar pessoas e não só “alunos”, professores do Brasil todo vinham à cidade mineira para conhecer o método liderado por Eurípedes Barsanulfo.
Não tenho os detalhes, mas o dr. Thomas Novelino vem de Sacramento e funda em Franca o colégio  Pestalozzi, sendo impossível replicar totalmente o modelo suíço, o médico faz outras coisas maravilhosas, como recuperar jovens em forma de internato, dar profissão para eles com uma fábrica de calçados infantis, Mário Nalini Jr. era o seu gerente. A indústria vira uma potência, mas, infelizmente, tem o mesmo destino das maiores fábricas de calçados da cidade. 
Na área da educação, que sei que é modelo até hoje, peço licença para destacar uma área, a de contabilidade, profissão em especial, já que uma enorme gama de ótimos contadores e profissionais  afins saíram de suas salas de aula, com um detalhe, boa parte dos professores era formada de voluntários, não cobravam por isso. A minha alavancagem profissional saiu do curso de contabilidade da escola. 
E a fanfarra? Não sei exatamente o que motivava dr. Novelino a gostar de uma banda, nesse caso de uma fanfarra. Mas sei que tive a oportunidade de participar desse processo, também meu cunhado Edmar Storti, que tocava de maneira elegante uma corneta fá.
Dos personagens, minha esposa Palmira lembra que o nosso instrutor sempre foi o Topete, que também tocou no Laércio da Franca , lembro dos colegas de repique, os inseparáveis Faustinho, seu irmão Miel e o João Moisés. Sinto não me lembrar e nem ter espaço para todos os outros que acabaram por dar uma grande alegria ao querido médico. 
Em 1967 Novelino contrata um instrutor militar, como reforço, duplica os dias de ensaio, e, com um esforço acima do normal, aliando a técnica à disciplina, nós - por uma única vez, vencemos o concurso de fanfarras e bandas da cidade. Davi vence Golias.
Que saudades do dr. Novelino, da minha turma de contabilidade e da fanfarra do Pestalozzi, com meus enormes respeitos à campeoníssima fanfarra do Champagnat. 

Em tempo - se você tiver alguma foto da fanfarra do Pestalozzi e puder nos enviar, agradeceríamos muito: nalinisecretario@gmail.com 
  
Referência: 43.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 23/03/2019 - (DV-43)

sábado, 16 de março de 2019

Apocalypse Now (DV-42)

Esse filme, Apocalypse Now, foi a primeira coisa que me veio à cabeça com mais uma tragédia que colecionamos nos últimos tempos, estão se emendando tanto, que, se as reportagens se dedicassem a fundo em cada uma delas, certamente não teriam tempo para todas. Daí uma vai se sobrepondo às outras, retirando umas de pauta à medida que vão repercutindo menos.
Mas não deixa de ser tragédia, e, invariavelmente, estamos com famílias sofrendo muito, de forma muito dolorosa, esse caso de Suzano, pior, nem é muito novidade, mas não importa, cada vez que acontece é muito chocante, desta vez não estamos na rota da natureza, em deslizamentos, enchentes ou tsunamis, nem há erro de engenharia de uma boate sem portas ou para criar um mar de lama, são jovens, brasileiros, também filhos de famílias provavelmente “normais”, fazendo uma ocorrência que nunca há de ser digerida, não há explicação para isso.
Fazem um paralelo com as questões do bullying, infelizmente muito comuns nos EUA, mas pesquisas também alertam sobre as influências de jogos virtuais violentos. Uma das primeiras preocupações foi com os desafios macabros que rondam as redes sociais, onde os jovens são incitados a se mutilarem levando alguns ao suicídio, diversos casos reais.
Estudiosos dizem que, nesses casos, o melhor é um amplo diálogo, ouvíamos antigamente que devemos aproximar e não empurrar os filhos para a rua, não há a menor segurança com o que vão encontrar como parceiros. E agora? O inimigo é convidado a entrar nos lares, de forma virtual.
Ainda que seja complicado, a regra é a mesma, não desistir nunca da educação deles, os professores andam muito assustados, têm a tese que o primário, o básico, é aprendido em casa.
O filme que refiro, Apocalypse Now, é um cult movie, ou épico como dizem, tem três versões enormes, e foi dirigido por Copolla, tinha entre grandes artistas, como Robert Duvall e Martin Sheen, e Marlon Brando em uma de suas últimas aparições. Talvez tenha me lembrado dele, neste momento, pelos conflitos que a violência causa nas personalidades,  com o requinte de crueldade do ataque a uma escola com os sons de metralhadoras e mísseis atirados,  misturados com a música Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner. Assistam depois me contem.
O crítico Roger Ebert analisa que o filme não é só sobre a famigerada guerra dos EUA com o Vietnã, mas como às vezes se chega ao "lado mais escuro da alma, com verdades que nunca gostaríamos de descobrir”. 
Em Suzano, os dois causadores dessa inominável tragédia não serão julgados na Terra, já a população - aqui ou onde sempre acontece, busca explicações do "onde será que erramos" e do "porque isso não pode ser evitado". 

Estar nesse roteiro tira o Brasil, de novo, da comodidade do aqui nunca acontece. 
Que pena, que medo.

Referência: 42.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 16/03/2019 - (DV-42)

sábado, 9 de março de 2019

Deus e as mulheres (DV-41)

Muito bem, ainda estamos em comemoração do Dia das Mulheres, não para reclamar, mas para ratificar, todas as comemorações que as envolvem tem mais importância do que para os homens. Tínhamos um site de envio de cartões comemorativos, o Dia das Mães ganhava dos pais numa proporção de 6 por 1, se eram mil cartões em agosto, maio chegava a uns 6 mil, mais ou menos. Isso vale para as secretarias também. Ou seja, o dia dos secretários com certeza nem existe e, todas as vezes que vamos falar em Dia dos Homens caímos num vácuo, cada um fala uma data.
Para me contestar - você já viu alguma publicidade na tevê, comercial ou institucional dizendo: - No dia dos homens presenteie-o com um terno de marca? Para as mulheres são centenas de opções. Vou abrir um parênteses, são homens que não merecem ou as mulheres que merecem mais? Rss. Enfim, homem não gosta de presente!
Mas, como o artigo não é para polemizar e sim para comemorar tudo começa na criação, veja que no mundo animal, os bichinhos ficam ao longo de milhares de anos aprendendo a piar mais bonito, rugir melhor, dançar de forma piramidal, fazer ninhos maravilhosos de amor, para agradar as fêmeas, com pouquíssimas exceções elas escolhem seus pares.
E olha que às vezes isso termina numa pancadaria danada, os machos quebram seus chifres, se mordem e se arranham todo, quando não sucumbem na luta, isso considerando que normalmente ainda tem, no grupo, mais fêmeas do que machos. O desenho é o da natureza.
O problema para falar das mulheres, nessas comemorações, é que, de forma justa, passamos a endeusa-las sem a análise do dia a dia, lembrar do sem número de mulheres com jornadas triplas, afeitas a relacionamentos com pares muito complicados, quando não herda tudo isso, mais os filhos,  e ainda fica sozinha. Aí aparece um outro ser maravilhoso, não menos mulher, a avó. Ela acaba por criar duas levas de filhos, também com jornada tripla (?), para garantir a estabilidade da família.
Então quero sim falar de flores para as mulheres, mas, mais que isso, reconhecer que não raro são elas a base de toda a família. Com a sociedade atual em transformação, que chamam de moderna, muitas coisas têm mudado, a forma de união, os gêneros, mas nada mudará a responsabilidade da nossa continuidade e qualidade como seres humanos, e isto está delegado a elas, mães e avós, porque não?
Cabe a nós, os homens, num relacionamento de igualdade, entender que Deus, apesar de tantas análises bíblicas, concebeu no par um ser com mais importância, dando a elas sentidos que são mais aguçados, muito mais potencializados, os do cuidado, da proteção, do amor pelos seus e pela humanidade, sentidos que, bem cuidados, podem ser a grande pista para a boa evolução do ser humano.

Referência: 41.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 09/03/2019 - (DV-41)

sábado, 2 de março de 2019

Carnaval, não é não? DV-40

Seguindo a linha da oportunidade, sem perder o compasso da folia, falamos hoje do Carnaval, festa que feita com inteligência pode ser prazerosa, é como o futebol, no fundo no fundo todo mundo gosta. O período é mesmo um feriadão, utilizado como tal… feriadão! Pode até dar uma passadinha pela tevê, uma olhada nos desfiles, mas fica só por aí.
O evento voltou a se popularizar de forma sadia há tempos, com os gritos de carnaval nas praças, antigamente já teve desfiles nas ruas das cidades, em carros abertos, com blocos disputando a simpatia, com confete e serpentina, quiçá lança-perfume. Hoje, com o enorme volume de famílias com crianças nas praças, vê-se que é um momento muito saudável, a nota ruim fica por conta dos celulares que trocam de mãos e a falta de banheiros para tanta gente.
O lança-perfume ficou para trás, não sei bem de onde surgiu a ideia de jogar éter nas pessoas, o cheirinho saiu das roupas e foi parar nos lenços, com óbitos registrados. Mas também lançavam espumas e outros ingredientes, nada recomendáveis, os produtos não sobreviveram a nenhum exame químico, daí passaram a jogar água, com humor de hoje o certo mesmo é não jogar nada em ninguém, para quem gosta é só dançar mesmo.
E o namoro no Carnaval “não, é não”? Uai, e quando não já foi sim? A Festa do Peão em Barretos já viveu isso, o não lá foi retirado de todos os dicionários, poucas moças sobreviviam aos ataques. Tirando o exagero a polícia da cidade acabou com o “não é sim”.
Vejo por postagens que, a partir de 1920, Franca levava os desfiles de blocos e carros muito a "sério", mais recente convivemos com disputa dos grupos, entre outros, do UAI e Ponto Final, uma festa de rivalidade na AEC. Os dois grupos se eternizaram, mas outros sempre primaram pela criatividade e muita elegância.
A praça Barão já teve um teatro, o Santa Clara, onde foi a loja de ferragens da Casa Barbosa, 
local de  “bailes carnavalescos memoráveis”, isso até o ano de 1920. Mais de 100 anos… chegavam de carruagens? Rsss.
Vejo que o veículo top desses desfiles era o barata da Ford, em uma delas, em 1928, os “galãs” Arlindo Haddad, Gino Balerini, Wadi Pedro, Fuad Abdala e Juca Ramos, estavam vestidos de “simpáticos toureiros, arranjaram muitas namoradas e conquistaram os aplausos da população”, alardeava uma notícia da imprensa francana em 1976.
Em 1941, na enorme propriedade da família Presotto, rua General Carneiro esquina com Monsenhor Rosa, tinha um clube chamado Amor à Mocidade, segundo a imprensa da época “o mais democrático de todos”, ali foi coroado o primeiro rei momo francano, Mário Tedesco com sua rainha Nair Capretti, presentes na coroação Baldijão Seixas e Orlando Dompieri. 


Referência: 40.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 02/03/2019 - (DV-40)



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O Dilúvio (DV-39)

Deus criou o universo e as leis da natureza (Gênesis 1:1)

Sábado passado me reportei aos vitais 4 Elementos, que incluem, claro, a Água, também transitei meu estudo pela Bíblia onde li sobre as grandes tragédias, mas deixei-as de lado, tanto pelo encaixe, como pelo espaço. Naquele momento entre inúmeros fenômenos deparei-me com dois que envolvem a natureza, o Dilúvio dos dias de Noé e a Seca em Israel.
No caso específico do Dilúvio, Jeová (Deus) já havia avisado Noé “há décadas” que ele ocorreria, por isso deu tempo para construir uma enorme arca, nunca encontrada, nenhuma evidência científica para o fato.
Por outro lado, de forma prática para os tempos atuais, prestei atenção à uma fala de um professor sobre essas “revoltas" da natureza, ele diz que - independente do que venha ocorrer por consequência do aquecimento global, a história e as estatísticas explicam que esses processos de longos períodos de calor, inverno, seca e chuva, ainda que demorem décadas para se repetirem, são completamente normais.
O problema então está na nossa ocupação da Terra, incêndios naturais podem até ser benéficos para o solo, mas causam vítimas, onde há neve não é diferente, mas já se acostumaram com o seu ciclo.
No caso de Franca é que a cidade está na rota de uma passagem fantástica de água. Fenômeno semelhante ao de Bauru, onde a Av. Nações Unidas se torna um bolsão quando tem muita chuva. Pensam em canalizá-la, fazendo um rio artificial subterrâneo, para depois bombear para o rio natural. Custo? Nem imagino.
Ribeirão levou anos estudando suas enchentes e concluiu que o maior problema estava no encontro de dois córregos, quando chovia muito a força da água de um lado impedia que a outra passasse, promovia a primeira enchente, logo esse problema ocorria no outro canal também. Em dias de muita chuva, considerando que o alto volume já vinha de suas cabeceiras, ocorriam enchentes de até um metro e meio. Custo da obra executava? Equivalente a um orçamento anual da cidade, precisou ter financiamento federal, pelo PAC 1.
Em Franca os problemas parecem ser distintos, vendo as fotos e assistindo aos vídeos, e longe, muito longe de ser engenheiro, na av. Hélio Palermo seriam o volume e a velocidade com que a água chega. O canal já teve sua vazão aumentada, mas para fenômenos desse nível está claro que não é o suficiente, o que impressiona é como não causa vítimas humanas. É muito assustador.
Já pela av. Alonso y Alonso, onde, claro também tem correnteza, parece que problema é de vazão mesmo, a água chega em alguns pontos e se esparrama, mas já são apontadas erosões importantes no percurso.

O resumo é que estamos no caminho da natureza e de seus fenômenos, não é dilúvio bíblico e as soluções certamente não são fáceis e muito, muito caras.  

Referência: 39.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 23/02/2019 - (DV-39)

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Os quatro elementos (DV-38)

A pergunta é recorrente - quando vamos parar de chorar? 
Têm acontecido tantos fatos tristes que as redes sociais até encontraram uma relação das tragédias com os Quatro Elementos: o rejeito de Brumadinho à terra, as enchentes do Rio à água, o acidente do Boechat ao ar e o incêndio no Ninho do Urubu ao fogo. Essa teoria é atribuída aos filósofos gregos pré-Socráticos, mas a discussão é mais velha na China e na Índia, transitando pelo renascentismo é base para estudos filosóficos até hoje. 
O contraponto desse vínculo simplista é que esses elementos, pela visão natural, não representam a morte e sim a razão de estarmos vivos, tire qualquer um deles do nosso cotidiano e, aí sim, estaremos bem mortos.
E por falar em morte, lembrei-me de Steve Jobs e seu discurso histórico como paraninfo em uma formatura na Universidade de Stanford. É claro que, como espírita, a primeira coisa que vem à mente é a imortalidade da alma, isso pode amenizar, mas não afasta a dor da perda, é só ver a comoção que vive o brasileiro hoje.
Quando vamos parar de chorar?
A lembrança do fundador da Apple e sua reflexão sobre a vida e a morte, veio por ter sido ele um empresário bem sucedido que já sabia que não sobreviveria à uma doença. “Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que conheço de evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há motivo para não seguir o seu coração.”
Nesse discurso premonitório ele sugere aos formandos para “viver cada dia como se fosse o último, porque um desses dias, vocês certamente estarão certos.”
Saber que os dias estão sempre contados foi muito importante para as suas grandes escolhas, disse o empresário, "todo o orgulho, todo o medo de constrangimento ou fracasso – essas coisas simplesmente desaparecem em face da morte, deixando apenas aquilo que é realmente importante”.
Ao afirmar que ninguém deseja morrer, novamente me lembrei do caso do Chico Xavier com a turbulência do avião, “(…) até as pessoas que querem ir para o Céu não querem morrer para chegar lá, e apesar disso, a morte é o destino que todos partilhamos. Ninguém jamais escapou”, falou Steve Jobs.
Está certo que a sua fala não se encaixa para às crianças que não tiveram a menor chance de raciocinar sobre a vida. Ele se dirigia à uma plateia de estudantes quase adultos com chance de fazer escolhas, ele assegura que a juventude é passageira e aconselha sobre o tempo: "(…) não o desperdicem vivendo a vida de outra pessoa. Não sejam encurralados por dogma, que é viver com os resultados do raciocínio de outra pessoa. Não deixem que o barulho das opiniões alheias abafe a sua voz interior, seu coração e sua intuição (…)”

Referência: 38.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 16/02/2019 - (DV-38)



sábado, 9 de fevereiro de 2019

A Bancada da Bala (DV-37)

Não sei bem o que fazer com o decreto que flexibiliza a aquisição de armas, certamente nunca vou usá-las, mas preocupa quando isso ocorre nas discussões bobas, principalmente as familiares e as de trânsito, há muitos precedentes.
Na história mundial tem poucos litígios resolvidos em paz, os muito antigos não foram na bala porque a pólvora ainda não tinha sido descoberta. O Brasil teve seus embates e Franca também.
Consta da história francana uma rebelião chamada Anselmada, referência ao seu líder, o capitão Anselmo, dezenas de outras iguais ocorreram no Brasil Império no vácuo de poder entre a abdicação de Dom Pedro I (1831) até a maioridade de Dom Pedro II (1840). 
O Brasil dividido em províncias não tinha uma uniformidade federativa, cada presidente de província nomeado fazia a sua política. Em São Paulo (1835) o brigadeiro Tobias Aguiar, edita lei que lhe permite nomear os fardados prefeitos das vilas. 
Para Franca, sem muito apoio, é nomeado, o sargento-mor José Joaquim de Santa Anna, seguem-se conturbadas eleições municipais, Anselmo que era vereador não se reelege e dois grupos acabam se estabelecendo, dos comerciantes, mais urbanos, e dos ruralistas.
O grupo no poder nomeia seus pares nos cargos importantes, na coletoria e no judiciário, inclusive o importante juiz de paz. Nessas turras até uma janela da casa da cunhada de Anselmo é fechada a pregos, desavença que quase acaba na bala, uma gota d'água. 
Ao nascer do Sol do primeiro dia de 1838, Anselmo, com 30 seguidores armados até os dentes, invade a pequenina Vila Franca, faz ameaças aos líderes, promete arrastar um amarrado ao cavalo, não era bem um feliz ano novo. Após muitas negociações ele recua, mas, nos meses seguintes, não só vê o tratado desfeito, como passa a ser acusado criminalmente, período de muita tensão. 
Diante de um mandado de prisão o capitão volta invadir a vila em setembro, agora com 74 homens, o fiscal da Câmara Clementino, ao intervir, é baleado, mesmo fim do cão de guarda do então juiz de paz Manoel Rodrigues Pombo. Depois de negociações tensas com vitórias para Anselmo ele se retira.
O presidente da Câmara, ao retornar, desfaz os acordos e organiza uma forte mas frustrada resistência, o conflito se intensifica resultando em mais mortes. O juiz Pombo, desafeto desde o barraco da janela vai às terras dos revoltosos (6/11) tentar um acordo, nunca mais voltou, deixou família com muitos filhos. Anselmo, autorizado, volta à Vila (9/11) com muito mais gente, há ainda alguma resistência com mortes, vereadores fogem  e Anselmo coloca seus aliados no poder.
Em 14 de março de 1839 a Vila Franca se transforma em Comarca, mas com o judiciário em Batatais, para tentar acalmar a coisa, o Capitão Anselmo e os demais líderes da revolta são ali julgados (15/11). Todos são absolvidos.




Referência: 37.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 09/02/2019 - (DV-37)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Na trilha do rejeito (DV-36)

Cresci ouvindo algumas coisas de bastante ufanismo, o Brasil tem a maior quantidade de água no mundo, maravilha, depois descobriram que não dá para colocar o rio Amazonas na nossa caixa d’água, e que o líquido processado é localizado, caro e escasso. Uma outra expressão  defendia que o país é abençoado não tem tsunami, terremotos, etc.
Esses sismos, seguidos de altas ondas, são frequentes no Pacífico, mas a história tem outros registros importantes, quem visita Lisboa certamente ouvirá dos guias o que ocorreu depois de um terremoto em 1755, seguido de incêndios e de um tsunami, mais de dez mil mortos. O fenômeno praticamente divide sua história, de antes e de depois desse abalo, consagrando o Marquês de Pombal - por tê-la reconstruído, como uma das grandes personalidades daquele país.
Nossos vizinhos chilenos perderam quase 6 mil pessoas no sismo de Valdivia, terremoto seguido de tsunami, mas nada se compara ao que aconteceu em 2004 no Oceano Índico, sudeste asiático, após um terremoto tsunamis em cadeia mataram 220 mil pessoas em 14 países.
A questão de morrer muitas ou poucas pessoas subestima a individualidade de uma mãe ao perder um filho, ou de qualquer um perder a chance da presença de um ente querido, todas as religiões procuram explicar isso, mas também defendem que Deus nos dá a vida para ser vivida por mais tempo e da melhor forma possível.
Acho que já mencionei aqui a defesa da vida que Chico Xavier fez à Emmanuel, seu espírito protetor e inspirador, ele conta isso com raro humor e muito exagero no Pinga Fogo, tem fácil no Youtube, um vento de calda que aeronave estava foi acometida, isso foi 1959 deslocando de Uberaba - Araxá - BH. Ele se declara com muito medo, envolvido pela gritaria no avião, também passa a gritar. Emmanuel chama sua atenção, questiona sobre sua fé, Chico diz que nessa hora o medo estava prevalecendo e continua a gritar, o espírito diz então para ele - Então morra com educação! Imperdível.
Então, e o nosso ufanismo de maravilhas motivadas na infância? Ok, não temos ações de malucos e terroristas atirando em escolas, terremotos e tsunamis. Mas e as drogas, violência e o feminicídio? Doenças endêmicas - febre amarela, dengue e suas parentes piores, malária, até a gripe anda matando. 
Nosso trânsito é desmedidamente mortal, isso vale mais para quem está nele do que para quem o organiza.

Resta-nos imaginar que Deus, grande construtor desse imenso Universo, que também é nosso criador e Pai, está sempre nos protegendo e amparando. Mas a inspiração dessas linhas veio da enorme tristeza que a tragédia de Brumadinho nos causou e ao mundo todo, não me cabe crucificar ninguém, também não dá para imaginar que alguém faça um refeitório na passagem da lava de um vulcão, ou de rejeito de minério, sabendo que isso vai ocorrer. Mas, como é voz geral, tsunami é causado pela força da natureza.

Referência: 36.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 02/02/2019 - (DV-36)

sábado, 26 de janeiro de 2019

Medo de avião (DV-35)

Um dos primeiros voos que fiz foi de Franca para Brasília,  durante o primeiro governo do amigo Maurício Sandoval Ribeiro (1977-1982), fui representá-lo em uma reunião de dirigentes calçadistas em Brasília. Lembro-me pouco da viagem, mas uma coisa não esqueci, a calma de Helil Palermo, presidente da ACIF (1977-1980). Estávamos ao fundo de num avião Cessna de… uns 12 lugares, aeronave cedida pelo Comandante Rolim, dono da Transportes Aéreo Marília, a TAM, muito amigo da Patrícia, personagem marcante, uma hora conto.
Avião pequeno voa baixo, mais suscetível à leve turbulência, o subir e descer com a pressão atmosférica, se nossa barriga esfria quando há uma descida repentina, ainda que pequena, é natural que possamos sentir isso voando em pequenos aviões. Perguntei ao Helil se não sentia medo -  ele disse, não, é normal, e me acalmou.
Em outra oportunidade, duas experiências bem menos estressantes: voar em 1975 em um Douglas DC-3, versão melhorada daquele utilizado no filme Casablanca, a parte dianteira, quando estacionado, fica bem mais alta, voa tranquilo, com estivéssemos num filme preto e branco, e em um ultraleve numa praia de Maceió, decola e pousa na água, o ar refrigerado é a chuvinha que a hélice produz e o vento de cara limpa, delícia. 
Mas a ansiedade de voar não passava, uma vez ao lado de uma senhora com um semblante sereno, navegando no enredo de um livro, eu esperando o próximo chocalho, mãos transpirando, cometi uma impropriedade, tirei-a da sua outra viagem e perguntei - Como a senhora pode ficar tão calma assim? Ela disse, virando-se levemente para mim - Ah, não se preocupe é o medo do desconhecido, aos poucos, quando você for dominando isso, vai ver que se acostuma, tinha razão, acabei me acostumando. Com o tempo passei voar nas cabines, com os pilotos, quando isso ainda era possível, foi proibido depois do episódio das Torres Gêmeas, ali dá mais segurança, você vê as nuvens pesadas antes, rss.
Mas a aventura mais significativa mesmo foi numa nevasca em Ushuaia, na Patagônia argentina, de lá na Antártida é um pulinho, os técnicos limpavam a pista, nem chegavam no meio e o início já estava branquinho, assistíamos tudo do primeiro andar envidraçado. Daí tomaram uma decisão radical, vai ser só meia pista, e foi, limparam-na bem, avião estava posicionado, mais ou menos como aqueles que queimavam cartuchos, era o último, hehehe. Os motores, turbinas, tudo a mil por hora, ronco do avião ensurdecedor, quando soltam o bichinho sentimos o solavanco, velocidade máxima na largada, e…  decolagem bem no meio, que espetáculo. Primeira vez que vejo bater palmas na decolagem, já tinha visto em aterrisagens, é história para contar o resto da vida.

Mas não dá para não lembrar de uma frase dita por Jô Soares: "existem os que tem medo de avião e os mentirosos".

Referência: 35.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 26/01/2019 - (DV-35)

domingo, 20 de janeiro de 2019

Os pontos dos cartões de crédito - (DV-34)

Quanto valem os pontos ganhos em reciprocidade pelo uso de cartão de crédito? Se não tiver tempo de ler a coluna toda já adianto, pouco mais de um centavo. Obedecem regras de mercado e o poder de negociação com o seu banco, inclusive com o custo anual desse cartão.
A atribuição desses pontos é fácil de calcular, para cada R$ 2,00 gastos na fatura, pagam um ponto, é a atual política das gigantes Visa, Credicard e Elo.
Com os pontos na mão, o que fazer com eles? Pesquisa, muita pesquisa. As companhias aéreas valorizam mais que o mercado na aquisição de produtos.
Vamos primeiro deixar claro a fórmula, se gastamos R$ 1.000,00 por mês com o cartão, conseguimos 500 pontos, que somam 6.000 em um ano, se isso chegar a R$ 10.000,00 mês, serão 60 mil pontos no ano. Já pagaram 1x1, para cada um real gasto um ponto, mas isso é passado.
Para consumir os pontos há 2 grandes meios, os das passagens aéreas e o das aquisições de produtos no mercado. Para voar há uma retribuição maior, mas as exigências são grandes, é óbvio que a preferência é pelo dinheiro. 
Como calcular isso? No caso das passagens, é só ver quanto custa o trajeto em reais e quantos pontos exigem para a troca, um voo Ribeirão - Congonhas estava em promoção essa semana por R$ 157,39, representando 4.500 pontos, ou seja, dividindo o primeiro pelo segundo, a TAM pagava R$ 0,035 por cada ponto, é um valor bom. Nessa faixa compensa.
A compra de produtos no programa é feita através de administradoras, as mais conhecidas são a Multiplus e a Livelo, aí tem de tudo, com a mesma regra, divide o valor do bem no mercado pela quantidade de pontos exigidos, difícil pagarem mais que um centavo e meio por ponto. Exemplo para a volta às aulas, uma mochila Xeryus Minions com roda custa por volta de R$ 165 ou 8.240 pontos, aqui pagam 2 centavos (165/8240), até está bom.
Faça isso com tudo, sejam passagens ou produtos, divida o valor em real pela quantidade de pontos, se encontrar 1 centavo está péssimo, se aproximar de 4 centavos, maravilha, aqui tem vantagem.
Tem algo para colocar nessa conta, o custo anual do cartão, se for de R$ 500 reais, só após um gasto superior a R$ 34 mil por ano começa a compensar, se não seus 17.000 pontos pagarão apenas o custo do cartão, isso calculado pelos 3 centavos pagos pelas companhias aéreas,  se você utiliza mais na aquisição de produtos esse cálculo fica pior ainda. 
Então valem as máximas, não tem nada de graça, aperte seu banco para te devolver mais pontos na sua fatura, sem custo ou com custo mínimo pelo cartão, e pesquise MUITO na hora de gastá-los. Mesmo não sendo um exercício fácil, compensa!

Referência: 34.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 19/01/2019 - (DV-34)

sábado, 12 de janeiro de 2019

Na viagem, relaxe com segurança (DV-33)

É real a preocupação com nossa segurança fora do país, não é nada para alardear, mas há cuidados e atenções a serem tomados, é uma história em cada porto.
O próprio site da embaixada brasileira na Suíça trazia orientações para alguns cuidados, isso foi substituído por um comunicado do Itamaraty: "Crimes, com diferentes graus de violência, ocorrem em qualquer lugar do mundo. Durante viagens ao exterior, cidadãos brasileiros devem permanecer atentos e ter sempre cautela". 
Sempre culpam os refugiados, mas nossa intenção não é estabelecer culpas e sim debater.
Por outro lado, com ou sem esses cuidados, muita gente vai para muitos lugares e não acontece nada, não se assuste, viaje!
Mas é curioso quando um daqueles cavalariços, policiais que ficam fazendo a vigilância para as milhares de pessoas que se aglomeram na troca da guarda do Palácio de Buckingham, passa explicando que você não deve deixar a mochila nas costas e sim na parte frontal, evitando o furto com estiletes, etc. Estamos falando de um dos lugares mais protegidos do mundo, ao lado da rainha? Parece que não é bem assim.
O mesmo vale para o Vaticano e para o Louvre, visitas a museus, invariavelmente, são feitas por demanda, algo como você a começa e vai sendo empurrado até sair do local, 
principalmente se for na Capela Sistina - habemus papam, e na Mona Lisa, bolsos, bolsas e mochilas em alto risco.
Simulações de desmaios, crianças no colo, pedidos de informações e ajudas humanitárias, podem ser uma isca, quando termina o tumulto adeus às carteiras, passe reto e nunca tire o olho de sua mala. Dinheiro falso só ouvi falar na Grécia e na América Latina.
Não se tem muitos históricos de violência, mas já tivemos depoimentos de furtos com truculência nos arredores de Paris, nas ruas de Madri e na região do Coliseu, em Roma. 
De um guia em Moscou ouvimos, vocês estão em uma das cidades mais seguras do mundo, evitem o que se deve evitar em qualquer lugar, metrô altas horas da noite, lugares onde a bebida é a atração principal, resumo, as bocas.
O dinheiro é o grande objetivo, mas o passaporte é diamante puro, ele tem que ficar obrigatoriamente em local seguro, em cofre ou no corpo, até de policial que vai levar seu passaporte para “conferir” desconfie. Os cofres de hotel regra geral são seguros, quem não confia leva tudo em uma pochete abdominal, por baixo da roupa, os riscos aí reduzem muito. A cópia plastificada é muito aceita, menos nas alfândegas, é claro. Produtos eletrônicos ou valiosos não devem viajar na mala, nunca!
Esse é o tipo de artigo que eu nunca gostaria de escrever, mas imagino que todos os guias falarão sobre isso, não descuide dos itens pessoais, os carteiristas são hábeis, muito hábeis e, da mesma forma, criativos. 

Referência: 33.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 12/01/2019 - (DV-33)

sábado, 5 de janeiro de 2019

A costura do tempo (DV-32)

        Dizem que o francano genuíno é saudosista, espero que sim, a história perpetua fatos e sedimenta o futuro. Nessa esteira comecei refletir sobre fatos interessantes vistos ou vividos de 1950 para cá.

        Primeiro o crescimento do bairro Cidade Nova, o Aparecido, do Supermercado São Paulo, fala que viu a av. Presidente Vargas ser asfaltada em 1957, estava em dúvida, mas foi o Gosuen sim, mesma data que lembro de ter visto asfaltar a rua José Marques Garcia, período que começavam a se popularizar os aparelhos de televisão, da primeira só vi um brilho no teto pela janelinha de vidro de uma porta antiga. 
        Do período escolar tiramos, além do bom ensino público, o fato de ter, entre tantos professores maravilhosos do IETC, o de educação física, Pedroca, onde também estudavam os irmãos Garcia, que viriam formar o fabuloso time de basquete do Clube dos Bagres, o resto da história conhecemos. Dos ótimos docentes da área contábil da Pestalozzi, o destaque fica para Luis Puglia, e, na Economia, para Facury e Kaluf.
        Na juventude espírita tivemos o prazer de conviver com Thomaz Novelino, Antonieta Barini e Agnelo Morato, vendo a força de José Russo, Vicente Richinho e de meu pai Leonel, é claro.
        Na imprensa, de Reny Parzewski e Magno Dadonas, foi contundente acompanhar para a Folha o saturnismo, intoxicação por chumbo, não lavaram placas para fazer tachas que os montadores iriam colocar na boca, foi uma tragédia.
        No rádio tivemos o programa Horário Nobre, aos sábados à tarde, na Imperador do Augustinho e Penha, co-pilotado pelo Greguinho, com discos nacionais e importados pela Hedonê do querido Fábio Martins de Ribeirão. Lembro que uma freira em clausura queria de saber quem era o músico que acabava de tocar, era Paco de Lucia, espanhol flamenco que fez a trilha sonora do filme Carmen de Carlos Saura.
        Com o Clube da Esquina, nome de inspiração proposital, fizemos três Fearte, um mês de atividades culturais, nossa única receita foi o resultado de uns adesivos plásticos que vendemos à sombra do Hotel Francano, ali conheci Maurício Sandoval Ribeiro, que iríamos assessorar no futuro.

        Pelo teatro participamos de O Dia de Pierrot e Está Lá Fora o Inspetor, com Eurípedes Carvalho, Vanderlei Faleiros, Sidnei Rocha, José Paschoal e Reginaldo Emídio, navegando pela censura com Orlando Dompiéri. Por isso fui convidado pelo querido Marçal para ser Diretor Social da AEC, resgatamos a orquestra Laércio da Franca, estava encerrado suas atividades.

        Profissionalmente não dá para esquecer dos anos de docente no Coleginho e Alto Padrão, e da atividade nos Calçados Terra e Sândalo, enorme apoio dos Brigagão.
        Ter visto Pelé jogar, a queda do muro de Berlim, a soltura de Mandela e o fim da URSS, também marcaram. Pode ser pouco para os 69 anos que completamos hoje (5/1/2019), mas é assim mesmo, cada um escreve um pedacinho da história, nem que seja só da sua própria.


Referência: 32.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 05/01/2019 - (DV-32)