sábado, 1 de junho de 2019

A escolha do COAF (DV-52)

Um filme impactante foi A Escolha de Sofia (1982), a mãe judia Sofia Zawistowski, personagem de Maryl Streep, já magistral 37 anos atrás, tinha que escolher - nos dramas nazistas dos Campos de Concentração, com qual filho ficaria, o outro seria “transferido”. Ela já tinha um Oscar de coadjuvante mas emplaca o seu primeiro de melhor atriz. Ou escolhia um filho, ou perdia os dois, não é uma escolha para se desejar a ninguém.
Mudando de assunto, mas ficando no das escolhas, fui estudar o COAF, que quer dizer Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que sempre foi do Ministério da Fazenda, hoje Economia. Em seu site é explicado que sua principal função é o de fazer o controle dos setores econômicos, evitando a lavagem do dinheiro e o financiamento do terrorismo, com números impressionantes em 2018: 6.786 relatórios de inteligência financeiras, envolvendo 350 mil pessoas físicas, sendo que sua a base tem hoje estratosféricos 16,7 milhões de relatórios com essas informações.
O que temos é que, numa solicitação de transferência de órgãos em início de governo, ele poderia deixar o Ministério da Economia e ser transferido para o Ministério da Justiça, fato que não prosperou no legislativo.
Daí seguiu-se o que já nos acostumamos, todo mundo entende do assunto, há um enxurrada de fake news, imediatamente o tema é dividido entre a esquerda e a direita, se a solicitação for atendida tem um ganhador, e se não for tem um monte de perdedores.
Lembrei-me do filme porque o presidente só perderia se o órgão fosse extinto, saísse da esfera do executivo, mas nada disso ocorreu, ele vai, com o endosso do parlamento, continuar sob a batuta de Paulo Guedes, um dos pilares deste governo. Tudo correndo à luz de nossa Constituição.
E o presidente fez sua parte no momento da escolha, se tanto faz com qual filho vai ficar, os dois são bons, ele, diferente do filme, pode ficar com os dois, que bom que ele teve essa escolha.
De resto, o que vimos foi uma perda preciosa de tempo discutindo o assunto, que parece ainda ir longe, já que um partido político quer anular essa decisão (?), quando, na verdade, estamos mesmo esperando é uma alavancagem econômica para este país.

Referência: 52.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 1/6/2019 - (DV-52)

sábado, 25 de maio de 2019

Paparazzi eletrônico (DV-51)

Tinha até título a coluna de hoje - A Terra Tremeu, mas a notícia tremeu tanto que se esgotou, depois, pelo que se sabe, por aqui e quiçá no país, são só tremidinhas, não causa muito transtorno. Estamos acostumados, tempos atrás o mundo econômico estava derretendo e a posição oficial foi - “é apenas uma marolinha”.Acabamos de publicar que a Lua estava encolhendo, geleiras derretendo e abelhas ameaçadas, logo em seguida a terra treme em Franca. Ôche.. compramos o megafone?Então vamos tratar de outro assunto, lembrar dos fotógrafos paparazzi, certamente uma profissão que hoje não cresce muito, mas já foi um inferno na vida dos artistas. Os mais antigos ainda não gostam da exposição, mas só alguns, Stênio Garcia teve suas fotos muito íntimas com a esposa vazadas. Ok, ok, diz Nelson Rubens, o que estava fazendo um casal de 83 e 47 anos nus diante de uma câmera, diz ele que foi uma brincadeira e que não sabe como vazou. Em seguida a esposa publica uma foto nua no Instagram. Paparazzi pra quê?Vira e mexe fotos íntimas são vazadas e se pergunta - porque posou? Vai ter a resposta, é íntimo, problema meu, aí vem a dúvida, vazou mesmo?Mas a nova geração explodiu essa discussão, cada famoso está cuidando de, ele mesmo, distribuir os flagrantes e acabar com a mística da foto íntima.São fotos de ilhas com todo mundo à vontade, roupas transparentes e não se preocupe, atrás disso tudo ainda estão ganhando muito dinheiro, já que, em seguida, a turminha da mesma idade vai procurar as tais roupas, shorts, etc. Mas então porque perdemos a princesa Diana por causa dos paparazzi, destino? Pois é, quem visita Paris, ao passar no túnel da Praça de l’Alma, tem o desprazer de ouvir dos guias, foi nesta coluna que a Lady Di e seu namorado o milionário egípcio Dody al-Fayed, morreram. Também causou repulsa, à época (1997) o fato de que os mesmos fotógrafos que os perseguiam fizeram as fotos da princesa no terrível acidente. Uma tristeza, mas não temos mais o que lamentar, o que os fotógrafos fizeram e foram tão criticados, hoje já está quase banal pelo uso dos smartphones e das mídias sociais.

Referência: 51.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 25/5/2019 - (DV-51)


sábado, 18 de maio de 2019

Meia lua inteira (DV-50)

A NASA nos deu uma notícia intrigante: a Lua, nosso querido e romântico satélite, está se encolhendo por causa de seu resfriamento interior, que causa terremotos em sua superfície. Nem vou falar do aquecimento da Terra e as consequências das inundações que o Fantástico mostrou, mas que é triste ver também geleiras milenares derretendo mais do que deviam, é… 
Não é pra hoje, pode demorar, mas o mundo vai acabar, tudo acaba. Vamos avisar com um megafone nas ruas? rss.
Ao divulgar uma notícia dessa temos que ligar o “calma”, são só 50 metros ao longo das últimas centenas de milhões de anos, ou seja, para que nossa rechonchuda vizinha emagreça pra valer vai outro tempo desses, ou mais.
Então ficamos assim, se o mundo não acabar com o aquecimento global certamente acabará com o desaparecimento da Lua, com tantas intrigas e intolerâncias, se é que vamos chegarmos até lá.
A poesia está perdida sem a Lua, ela é parte de nós que se desgarrou na explosão da formação da Terra. 
Não vamos poder chamá-la na fase crescente de Meia Lua Inteira, música consagrada por Caetano Veloso (Estrangeiro), letra de Carlinhos Brown, compositor principiante e já virtuoso em 1989, deixando o ritmo contagiante e indo para a letra não entendemos nada, depois descobrimos que ela se reporta ao berimbau, à capoeira e seus problemas com a polícia, é muito poética e tem sua raiz na Tropicália.
E o Tonho da Lua? Sem ela como vamos falar para os meninos e para o adultos adolescentes, onde você está com a cabeça, na Lua?
Já Cecília Meirelles não seria uma mulher de fases - "Tenho fases como a Lua; fases de ser sozinha, fases de ser só sua”.
E a lua-de-mel? Com as abelhas em risco aumentam os problemas! Abrigamos o termo do inglês honeymoon e dos rituais irlandeses que envolvem uma bebida à base de mel. Mas o termo, como sempre, não tem origem certa, mencionam-se os hindus, os gregos e até a Babilônia, mas sempre tendo como representação a lua como mulher e o mel na inseminação masculina, como o efeito das abelhas nas plantas.

Uma coisa é certa, eu não vou ficar sem a Lua!

Referência: 50.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 18/5/2019 - (DV-50)


sábado, 11 de maio de 2019

Dona Maria, a simples! (DV-49)

Dia das mães, bom para lembrar da dona Maria Nalini, uma vida dedicada à família e a quem precisasse dela, ajudou até na alfabetização de jovens parentes e conhecidos. Por morar ao lado da Fundação Allan Kardec estava sempre envolvida com programas da entidade, como ensinar bordado, sacolas de crochê, entre muitas atividades.Era do tempo que se fazia um quitute e dividia com a vizinhança toda, puro prazer da boa convivência.Mantinha um horta impecável, as verduras produzidas, uma vez colocadas na vizinhança, gerava a receita de uma boa carne de panela. Você já replantou alface? Ciência pura, aprendi, mas nunca achei fácil. Otimista por natureza, sempre acreditava que as coisas iam ficar melhores.Mas também era muito brava, a vara de marmelo tinha lugar de privilégio, como fosse um troféu do último campeonato era ostentada em um dos cantos casa. Aff. Lembro de um enguiço feio dela com um galo caipira, entrava para pegar ovos ele atacava, mas atacava legal mesmo. Um dia ela chegou com um furo na perna, ele conseguiu esporá-la, no dia seguinte tivemos canja, pena que carne de galo é muito dura. Hehehe, mas vamos considerar que eram outros tempos.Quando precisou de ser internada por uns dias para um tratamento, fui visitá-la e… cadê a mamãe? Ela estava, segundo as enfermeiras, passando de quarto em quarto ajudando as pessoas internadas, não parava no dela. Sarou ‘sozinha’.Fazíamos o culto no lar, uma oração em família, coisa simples com 30 minutos - indico para tirar os magnetismos ruins do dia a dia e conquistarmos os bons fluídos universais que até iluminam nossos lares. Em um desses cultos estávamos eu e ela, papai e meus irmão estavam trabalhando, uma hora antes desligou o rádio, diminui um pouco a iluminação e passou a se concentrar. Um cheiro de rosas inundou a nossa casa, no momento da oração a água que estava para fluidificar, pura fé, ficou como fosse madrepérola, com se formassem ondas perceptíveis com a visão, ainda que paradas. Também, uma vez, ao me tocar a cabeça dei um salto, muita energia.Energia que é gerada por gente simples, espiritualizadas, com ambições limitadas às pequenas coisas, que nem precisam ser para elas, podem ser apenas para os filhos e basta.Gente que é conhecida com uma palavrinha tão singela, mãe! Que todas sejam abençoadas.

Referência: 49.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 11/5/2019 - (DV-49)

sábado, 4 de maio de 2019

A natureza, a amizade e os Beatles (DV-48)

        O refrão de uma das canções mais marcantes dos Beatles, With a little help from my friends, diz que, com amigos se vai mais longe.
        A migração das aves, voando em V elas formam um vácuo que produz uma economia de 40% de energia no batimento das asas, ou seja vão mais longe. Elas se orientam pelo sol de dia e pelas estrelas à noite e fazem um rodízio, a que lidera e as demais que voam à frente e recebem mais impacto do vento, quando se cansam, voltam para o fim da fila para descansar. O fato de que, quando uma fica doente e aterriza, outras descem para ajudar no voo futuro, me parece ser lenda, mas é bonita de se imaginar.
    A natureza está repleta de cooperações entre plantas e animais, um instinto que não cansamos de vislumbrar e elogiar. É só notar o que fazem as abelhas pela nossa sobrevivência. Einstein alardeou “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana”. 
        O Livro dos Espíritos observa "pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor”, e também que ainda não compreendemos a natureza de Deus por termos o espírito obscurecido pela matéria e porque nos falta um sentido. Ops… temos um sentido latente para se juntar aos outros, certamente está no voucher de nossa evolução, tanto no sentido material, como no espiritual.
        A solidariedade e a amizade são muito enaltecidas por todos que divulgam mensagens de auto-ajuda nas redes sociais, até as colocam como um dos fatores principais para se evitar a depressão, ou seja, todo tempo que investimos no relacionamento sadio, deixamos de fazer reflexões muitas vezes sobre nada.
        Mas está claro que temos muito a desenvolver, não só pela proteção da natureza, mas também pelo necessário investimento na caridade e pela tríade liberdade, igualdade e fraternidade.
        A coluna de hoje é dedicada aos amigos Carlim e Vera, que nos deram um relógio que reproduz na hora certa o canto de um pássaro. O par que é símbolo do “com amigos vamos mais longe”, agora é lembrado de hora em hora. Tanto eles, como nós, gostamos muito dos Beatles.

Referência: 48.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 4/5/2019 - (DV-48)

sábado, 27 de abril de 2019

Notre-Dame e o Gótico (DV-47)

A primeira vez que ouvi uma referência ao estilo gótico, foi que a paróquia Nossa Senhora das Graças tinha essa inspiração em sua arquitetura. Revendo, concluo que sim, se ela não tem em sua planta o estilo arquitetônico puro, tem naves, arcos quebrados e a altura, com a luminosidade inspirada em vitrais.
A expressão gótico começa aparecer em 410, como fosse um estilo dos godos, gente simples, algo como - uma arte popular se contrapondo à imperiosa românica, mas ainda muito rústica.
Esse movimento ganhou força próximo aos anos 1000, as cidades estavam se tornando mais cosmopolitas, as igrejas migraram do rural para o urbano, abandonaram a semelhança com castelos e fortes, que representavam o estilo românico.
Um clarão após a obscuridade da Idade Média, com algo mais moderno e iluminado. A luz representa o Divino, decreta o abade francês Suger (1081-1151), além dos com grandes vitrais, há a busca do céu, com a verticalidade, ele constrói a pioneira basílica de Saint-Denis.
Começam a ser construídas durante os anos 1200 as grandes catedrais no estilo gótico, de Colônia e Florença, mas que só ficariam prontas séculos depois. 
Mas o princípio já estava estabelecido, com mudanças sociais, filosóficas, artísticas, políticas e econômicas, exaltando o simbolismo e trazendo a capacidade da evolução matemática para os cálculos da engenharia arquitetônica. Estudiosos apontam que esses construtores também inspiraram a maçonaria.
Houve uma melhor distribuição dos pesos dos arcos para “fora”, com colunas altas, saindo do princípio único de paredes grossas e pilares, para uma divisão em três naves, fez com que o interior das igrejas ficassem mais leves, mais altos e mais iluminados nesse estilo.
A inacabada Catedral de Beauvais exagerou com seus 48 metros de altura, causou um colapso do transepto, aquela asa que dá o sentido de cruz para o templo. 
O gótico torna-se moda a partir de 1350, ganha estilos semelhantes, é o decorativismo, o gótico tardio e o flamejante, quem visita Portugal certamente vai conhecer o estilo manuelino (Dom Manuel I - 1500), é impulsionado no mundo pelo Renascimento italiano. A Sagrada Família (1882-x) em Barcelona, do arquiteto Gaudi, começou com o neogótico, mas deu uma guinada para a arte decô catalã.
A mística Notre-Dame (1163) é um esplendor do gótico, reúne o que há de mais importante do estilo em sua planta, ia descrevê-la, mas vou deixar que Victor Hugo o faça:

"E a catedral não era só companhia para ele, era o universo; mais ainda, era a própria Natureza. Nunca sonhava que houvesse outras sebes que os vitrais em perpétua flor; outra sombra que a da folhagem de pedra sempre brotando, carregada de pássaros nos bosques de capitais saxões; outras montanhas do que as colossais torres da igreja; ou outros oceanos do que Paris rugindo aos seus pés.”

Foi isso que queimou.

Referência: 47.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 27/04/2019 - (DV-47)

Observação - houve uma adaptação de tamanho no local da publicação e, por consequência a redução do artigo, acima está o original.







domingo, 14 de abril de 2019

Jornal de papel (DV-46)

Quando o Pinati me convidou para escrever para o Diário Verdade, rememoramos muitas coisas, uma delas foi quando “dormi” no jornal Diário da Franca, onde rodava um periódico calçadista, fiquei uns 3 dias cheirando tinta, que legal. As rotativas naquela época estavam cada vez maiores, tanto que a frase - Parem as máquinas!, foi até tema para filmes. Representava interromper a impressão, trocar a manchete e seguir em frente.
Hoje a digitalização e a virtualização estão preponderando, mas confesso, mesmo lendo manchetes de notícias pela Internet, minha orientação diária, o chamado logo cedo, tem que ser com jornal… de papel. Como isso é um assunto avassalador, como os efeitos da inteligência artificial, vou deixar isso para os próximos capítulos e para os mais novos, fico com o espírito de clube da saudade.
Na coluna no primeiro Verdade, em 15 de abril do ano passado, contei um pouco desse fascínio pelo jornalismo, pela análise e pela crônica, disse que foi uma herança do meu pai, e, como se trata de ato voluntário, representa uma tocha que ele ascendeu nos anos 1930 e estamos cá mantendo quase 90 anos depois.
Duas coisas nos inspiram hoje, em 7 de abril comemora-se o Dia do Jornalista e, no dia 15, um ano de vida do Verdade, que bom continuar aqui, todos os sábados.
É errônea a afirmação de que Sócrates foi contra a linguagem escrita - que avançava, e que preferia a linguagem oral, o que ele realmente previa é que as poesias e os poemas escritos à época perderiam a força sem a improvisação ao serem recitados. Aquele tom que se ganha ao ler em voz alta, quando pausamos, respiramos fundo, olhamos longamente para a platéia e interpretamos dando nossa opinião. Isso a escrita realmente prejudicou, só grandes escritores conseguem efeito semelhante. 
É a exaltação da dialética, por vezes ouvimos que alguém não gosta de aplicativos, gosta de olhar no olho do vendedor, só estando próximos conseguimos medir as reações, nesse caso uma palestra é melhor que um livro, um show é melhor que um disco.
O problema não é nem de jornal ou livro impressos ou de uma palestra, mas sim a brevidade da Internet, as notícias estão diminuindo, valem mais as manchetes do que o conteúdo, o que se recorta disso faz nascer as fake news. É o fast vencendo o slow, o resumo sendo mais importante que o conteúdo, enfim, é o que temos para o agora e para o futuro, vamos nos adaptar?
De qualquer forma sempre brinco, enquanto gostar dos Beatles sou um jovem, mesmo beirando o setentão, mas vamos sempre sentir saudade do cheiro de tinta de jornal, e o grande prazer de ver horas e horas de esforço impresso em um folha de papel.
Parabéns pelo ano de vida meus caros amigos do Verdade.

Referência: 46.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 13/04/2019 - (DV-46)

sábado, 6 de abril de 2019

Do outro lado do espelho (DV-45)

Termina, cercada de fortes emoções, mais uma novela “espiritualista" da Globo, a Espelho da Vida, tendência que já se acentuou há anos, sendo esta a nona envolvendo, se não vidas passadas, a presença de espíritos interferindo no nosso cotidiano.
Imaginei que a trama estaria envolta mais em regressões do que em reencarnações, mas foi o inverso, houve um só caso de regressão, no resto foi um clássico momento de uma vida tentando reparar a outra.
Estive muito tentado em comentar os fenômenos de seu desenrolar à luz do espiritismo, vontade que passou rapidinho, primeiro que - se fosse o caso, lógico - ouviria dos autores, é pura ficção. Por outro lado revisei a questão de competência mesmo, procurar, localizar e comentar o Livro dos Espíritos em fatos de uma obra ficcional . Desisti legal.
Até fiz uma analogia, seria como pegar uma obra do nível de Star Wars, ou mesmo de Game of Thrones, e analisar o que seria ilógico nas suas estórias, a primeira série, como todas as outras do gênero, tem o tempo e o universo à sua disposição e extraterrenos convivendo pacificamente, às vezes. Já na GOT, que infelizmente acaba esse ano, tem dois dragões, eles são filhos da bonita e misteriosa personagem Daenerys Targaryen. Sim, filhos!
Em Espelho da Vida dois personagens viveram o passado e o presente, um em destaque, André Luiz (Emiliano Queiroz), certamente uma homenagem ao espírito que ditou a obra Nosso Lar, que virou até filme, é filho do casal principal Julia Castelo (Vitória Strada) e Danilo (Rafael Cardoso). O mistério que o envolvia, de aparecer e desaparecer, certamente foi um tempero a mais para uma obra de ficção, longa. Esteve ótimo, como toda a novela.
Já as personagens Julia Castelo e Cris tinham entre si um espelho e um teletransporte, quase uma licença da série Outlander, que também já comentamos, onde a personagem visita o passado num ritual nos misteriosos círculos de pedras escoceses e nem transita pela reencarnação.
A série é ótima, essas pedras têm 4 mil anos de existências, com histórias e muitas estórias, algumas realmente de viagem no tempo. Essa me chamou a atenção, um turista pegou um pedrinha dessas e levou para casa, passado um tempo o Escritório de Turismo de Inverness recebeu uma caixa com a pedra e uma carta anônima em que ele contava que a pedra havia amaldiçoado a sua vida e a sua família, em uma série de acontecimentos terríveis que teriam acontecido. Ele não tinha coragem de voltar a Clava Cairn para devolvê-la, e dizia, “Eu sei que vocês provavelmente estão rindo de mim, mas enquanto riem, vocês podem por favor colocar a pedra de volta no lugar?”. 
Para ler o artigo na íntegra busque Vida na Escócia, da Anelise, o nosso artigo A Globo e os Espíritos está no nosso blog.

Referência: 45.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 06/04/2019 - (DV-45)


segunda-feira, 1 de abril de 2019

Gol de Placa (DV-44)

O gol da semana certamente não é nem do Gustagol, nem do Gabigol, é de Franca que há décadas reivindica voos diretos a partir de seu aeroporto. 
Como passado é minha praia, já vou lembrando o embate que o saudoso prefeito Maurício Sandoval Ribeiro teve com o aeroclube francano, que não queria desocupar o velho aeroporto para que fosse viabilizado o Distrito Industrial. Muitas reuniões, muitas mesmo, nada de acordo. Foi preciso a intervenção da Aeronáutica brasileira para que, por fim, os diretores aceitassem um imóvel no centro da cidade, uma casa onde funcionava o SANDU,  e o direito de uso do novo aeroporto, o atual. A encrenca no fato de a entidade ter um imóvel no aeroporto velho, contra um direito de uso, no novo, o imóvel no centro da cidade resolveu o problema.
A previsão da GOL é que os voos se iniciem no segundo semestre, está em um acordo do governo paulista com as aéreas, no qual há uma redução no ICMS da querosene com a contrapartida na ampliação da grade dos pontos não atendidos com trechos diretos, principalmente para a capital. Além de Franca, que os releases oficiais apontam como “importante polo industrial calçadista”, atenderá também Barretos, tanto pela Festa do Peão, como pelo Hospital do Amor, uma referência nacional no tratamento do câncer.
Certa feita voei com um diretor da Passaredo, ele me explicava que o caro na aviação é o pouso e a decolagem, gasta muito combustível e pesa fortemente na planilha de custos, de onde vem o lucro ou prejuízo. Contou que o fato daquela companhia ter comprado jatos da EMBRAER para os voos regionais foi um erro, esses pequenos aviões gastam como gente grande e se não tiver uma frequência de, no mínimo, 40 pessoas no fluxo - entrando e saindo da aeronave, é contabilizado um prejuízo. Desfizeram do leasing dessas aeronaves, voltaram para os turboélice e amargam com tais prejuízos até hoje. Devemos torcer muito para que a Passaredo se torne uma grande empresa, ela garante voos importantíssimos para Guarulhos (internacionais) e Brasília, onde tudo acontece.
O secretário estadual de Turismo, Vinicius Lummertz deixa um recado, "Agora, precisamos trabalhar juntos para criar o hábito do transporte aéreo nas comunidades desses municípios, bem como em seus entornos”. O  que realmente segurará o voo direto de Franca para São Paulo será o número de passageiros, se isso for um número vermelho numa planilha certamente acontecerá como com outras tantas linhas que desaparecem do nada.

O custo, terá papel determinante, sendo um voo regional  o preço da passagem também precisa ser convidativo. Outra coisa a se analisar serão os trajetos para voos internacionais, se o francano preferirá ir a Ribeirão Preto para pegar voo direto para Guarulhos, ou se, indo para Congonhas, terá um rápido translado para lá, quase impossível pelo trânsito e distância.

Referência: 44.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 30/03/2019 - (DV-44)

sábado, 30 de março de 2019

A fanfarra do Pestalozzi (DV-43)

Para falar da fanfarra do Pestalozzi precisamos elogiar uma outra, a do Champagnat, também é preciso avisar que nosso artigo de hoje é proibido para menores, já que estamos falando de 1967, mais ou menos. Ter convivido com o dr. Novelino foi muito prazeroso, tanto por seu enorme coração de amigo e filantropo, como por sua inteligência.


Sempre teve uma preocupação com os jovens e com o futuro de cada um. A dona Aparecida, sua esposa, foi um dos baluartes nesse processo todo, séria, muito séria, mas não menos comprometida com essa causa. 
O nome Pestalozzi é uma homenagem ao educador suíço que mantinha um instituto em Verdun, por onde Allan Kardec passou e recebeu boa parte de sua ótima educação. O modelo que inspirou o Colégio Allan Kardec, em Sacramento-MG, era o de formar pessoas e não só “alunos”, professores do Brasil todo vinham à cidade mineira para conhecer o método liderado por Eurípedes Barsanulfo.
Não tenho os detalhes, mas o dr. Thomas Novelino vem de Sacramento e funda em Franca o colégio  Pestalozzi, sendo impossível replicar totalmente o modelo suíço, o médico faz outras coisas maravilhosas, como recuperar jovens em forma de internato, dar profissão para eles com uma fábrica de calçados infantis, Mário Nalini Jr. era o seu gerente. A indústria vira uma potência, mas, infelizmente, tem o mesmo destino das maiores fábricas de calçados da cidade. 
Na área da educação, que sei que é modelo até hoje, peço licença para destacar uma área, a de contabilidade, profissão em especial, já que uma enorme gama de ótimos contadores e profissionais  afins saíram de suas salas de aula, com um detalhe, boa parte dos professores era formada de voluntários, não cobravam por isso. A minha alavancagem profissional saiu do curso de contabilidade da escola. 
E a fanfarra? Não sei exatamente o que motivava dr. Novelino a gostar de uma banda, nesse caso de uma fanfarra. Mas sei que tive a oportunidade de participar desse processo, também meu cunhado Edmar Storti, que tocava de maneira elegante uma corneta fá.
Dos personagens, minha esposa Palmira lembra que o nosso instrutor sempre foi o Topete, que também tocou no Laércio da Franca , lembro dos colegas de repique, os inseparáveis Faustinho, seu irmão Miel e o João Moisés. Sinto não me lembrar e nem ter espaço para todos os outros que acabaram por dar uma grande alegria ao querido médico. 
Em 1967 Novelino contrata um instrutor militar, como reforço, duplica os dias de ensaio, e, com um esforço acima do normal, aliando a técnica à disciplina, nós - por uma única vez, vencemos o concurso de fanfarras e bandas da cidade. Davi vence Golias.
Que saudades do dr. Novelino, da minha turma de contabilidade e da fanfarra do Pestalozzi, com meus enormes respeitos à campeoníssima fanfarra do Champagnat. 

Em tempo - se você tiver alguma foto da fanfarra do Pestalozzi e puder nos enviar, agradeceríamos muito: nalinisecretario@gmail.com 
  
Referência: 43.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 23/03/2019 - (DV-43)

sábado, 16 de março de 2019

Apocalypse Now (DV-42)

Esse filme, Apocalypse Now, foi a primeira coisa que me veio à cabeça com mais uma tragédia que colecionamos nos últimos tempos, estão se emendando tanto, que, se as reportagens se dedicassem a fundo em cada uma delas, certamente não teriam tempo para todas. Daí uma vai se sobrepondo às outras, retirando umas de pauta à medida que vão repercutindo menos.
Mas não deixa de ser tragédia, e, invariavelmente, estamos com famílias sofrendo muito, de forma muito dolorosa, esse caso de Suzano, pior, nem é muito novidade, mas não importa, cada vez que acontece é muito chocante, desta vez não estamos na rota da natureza, em deslizamentos, enchentes ou tsunamis, nem há erro de engenharia de uma boate sem portas ou para criar um mar de lama, são jovens, brasileiros, também filhos de famílias provavelmente “normais”, fazendo uma ocorrência que nunca há de ser digerida, não há explicação para isso.
Fazem um paralelo com as questões do bullying, infelizmente muito comuns nos EUA, mas pesquisas também alertam sobre as influências de jogos virtuais violentos. Uma das primeiras preocupações foi com os desafios macabros que rondam as redes sociais, onde os jovens são incitados a se mutilarem levando alguns ao suicídio, diversos casos reais.
Estudiosos dizem que, nesses casos, o melhor é um amplo diálogo, ouvíamos antigamente que devemos aproximar e não empurrar os filhos para a rua, não há a menor segurança com o que vão encontrar como parceiros. E agora? O inimigo é convidado a entrar nos lares, de forma virtual.
Ainda que seja complicado, a regra é a mesma, não desistir nunca da educação deles, os professores andam muito assustados, têm a tese que o primário, o básico, é aprendido em casa.
O filme que refiro, Apocalypse Now, é um cult movie, ou épico como dizem, tem três versões enormes, e foi dirigido por Copolla, tinha entre grandes artistas, como Robert Duvall e Martin Sheen, e Marlon Brando em uma de suas últimas aparições. Talvez tenha me lembrado dele, neste momento, pelos conflitos que a violência causa nas personalidades,  com o requinte de crueldade do ataque a uma escola com os sons de metralhadoras e mísseis atirados,  misturados com a música Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner. Assistam depois me contem.
O crítico Roger Ebert analisa que o filme não é só sobre a famigerada guerra dos EUA com o Vietnã, mas como às vezes se chega ao "lado mais escuro da alma, com verdades que nunca gostaríamos de descobrir”. 
Em Suzano, os dois causadores dessa inominável tragédia não serão julgados na Terra, já a população - aqui ou onde sempre acontece, busca explicações do "onde será que erramos" e do "porque isso não pode ser evitado". 

Estar nesse roteiro tira o Brasil, de novo, da comodidade do aqui nunca acontece. 
Que pena, que medo.

Referência: 42.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 16/03/2019 - (DV-42)

sábado, 9 de março de 2019

Deus e as mulheres (DV-41)

Muito bem, ainda estamos em comemoração do Dia das Mulheres, não para reclamar, mas para ratificar, todas as comemorações que as envolvem tem mais importância do que para os homens. Tínhamos um site de envio de cartões comemorativos, o Dia das Mães ganhava dos pais numa proporção de 6 por 1, se eram mil cartões em agosto, maio chegava a uns 6 mil, mais ou menos. Isso vale para as secretarias também. Ou seja, o dia dos secretários com certeza nem existe e, todas as vezes que vamos falar em Dia dos Homens caímos num vácuo, cada um fala uma data.
Para me contestar - você já viu alguma publicidade na tevê, comercial ou institucional dizendo: - No dia dos homens presenteie-o com um terno de marca? Para as mulheres são centenas de opções. Vou abrir um parênteses, são homens que não merecem ou as mulheres que merecem mais? Rss. Enfim, homem não gosta de presente!
Mas, como o artigo não é para polemizar e sim para comemorar tudo começa na criação, veja que no mundo animal, os bichinhos ficam ao longo de milhares de anos aprendendo a piar mais bonito, rugir melhor, dançar de forma piramidal, fazer ninhos maravilhosos de amor, para agradar as fêmeas, com pouquíssimas exceções elas escolhem seus pares.
E olha que às vezes isso termina numa pancadaria danada, os machos quebram seus chifres, se mordem e se arranham todo, quando não sucumbem na luta, isso considerando que normalmente ainda tem, no grupo, mais fêmeas do que machos. O desenho é o da natureza.
O problema para falar das mulheres, nessas comemorações, é que, de forma justa, passamos a endeusa-las sem a análise do dia a dia, lembrar do sem número de mulheres com jornadas triplas, afeitas a relacionamentos com pares muito complicados, quando não herda tudo isso, mais os filhos,  e ainda fica sozinha. Aí aparece um outro ser maravilhoso, não menos mulher, a avó. Ela acaba por criar duas levas de filhos, também com jornada tripla (?), para garantir a estabilidade da família.
Então quero sim falar de flores para as mulheres, mas, mais que isso, reconhecer que não raro são elas a base de toda a família. Com a sociedade atual em transformação, que chamam de moderna, muitas coisas têm mudado, a forma de união, os gêneros, mas nada mudará a responsabilidade da nossa continuidade e qualidade como seres humanos, e isto está delegado a elas, mães e avós, porque não?
Cabe a nós, os homens, num relacionamento de igualdade, entender que Deus, apesar de tantas análises bíblicas, concebeu no par um ser com mais importância, dando a elas sentidos que são mais aguçados, muito mais potencializados, os do cuidado, da proteção, do amor pelos seus e pela humanidade, sentidos que, bem cuidados, podem ser a grande pista para a boa evolução do ser humano.

Referência: 41.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 09/03/2019 - (DV-41)

sábado, 2 de março de 2019

Carnaval, não é não? DV-40

Seguindo a linha da oportunidade, sem perder o compasso da folia, falamos hoje do Carnaval, festa que feita com inteligência pode ser prazerosa, é como o futebol, no fundo no fundo todo mundo gosta. O período é mesmo um feriadão, utilizado como tal… feriadão! Pode até dar uma passadinha pela tevê, uma olhada nos desfiles, mas fica só por aí.
O evento voltou a se popularizar de forma sadia há tempos, com os gritos de carnaval nas praças, antigamente já teve desfiles nas ruas das cidades, em carros abertos, com blocos disputando a simpatia, com confete e serpentina, quiçá lança-perfume. Hoje, com o enorme volume de famílias com crianças nas praças, vê-se que é um momento muito saudável, a nota ruim fica por conta dos celulares que trocam de mãos e a falta de banheiros para tanta gente.
O lança-perfume ficou para trás, não sei bem de onde surgiu a ideia de jogar éter nas pessoas, o cheirinho saiu das roupas e foi parar nos lenços, com óbitos registrados. Mas também lançavam espumas e outros ingredientes, nada recomendáveis, os produtos não sobreviveram a nenhum exame químico, daí passaram a jogar água, com humor de hoje o certo mesmo é não jogar nada em ninguém, para quem gosta é só dançar mesmo.
E o namoro no Carnaval “não, é não”? Uai, e quando não já foi sim? A Festa do Peão em Barretos já viveu isso, o não lá foi retirado de todos os dicionários, poucas moças sobreviviam aos ataques. Tirando o exagero a polícia da cidade acabou com o “não é sim”.
Vejo por postagens que, a partir de 1920, Franca levava os desfiles de blocos e carros muito a "sério", mais recente convivemos com disputa dos grupos, entre outros, do UAI e Ponto Final, uma festa de rivalidade na AEC. Os dois grupos se eternizaram, mas outros sempre primaram pela criatividade e muita elegância.
A praça Barão já teve um teatro, o Santa Clara, onde foi a loja de ferragens da Casa Barbosa, 
local de  “bailes carnavalescos memoráveis”, isso até o ano de 1920. Mais de 100 anos… chegavam de carruagens? Rsss.
Vejo que o veículo top desses desfiles era o barata da Ford, em uma delas, em 1928, os “galãs” Arlindo Haddad, Gino Balerini, Wadi Pedro, Fuad Abdala e Juca Ramos, estavam vestidos de “simpáticos toureiros, arranjaram muitas namoradas e conquistaram os aplausos da população”, alardeava uma notícia da imprensa francana em 1976.
Em 1941, na enorme propriedade da família Presotto, rua General Carneiro esquina com Monsenhor Rosa, tinha um clube chamado Amor à Mocidade, segundo a imprensa da época “o mais democrático de todos”, ali foi coroado o primeiro rei momo francano, Mário Tedesco com sua rainha Nair Capretti, presentes na coroação Baldijão Seixas e Orlando Dompieri. 


Referência: 40.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 02/03/2019 - (DV-40)