segunda-feira, 12 de agosto de 2019

As vozes de Jona D'Arc (DV-60)

Vira e mexe volta o assunto sobre bruxas. Nas obras de ficção, regra geral, sempre são mulheres fora de seu tempo ou com informações extraordinárias que não interessam em nada o status quo da época. É óbvio que estamos abordando uma época medieval, ficando fácil analisar 600, 700 anos depois. Nesses casos tem que se respeitar o espírito, a cultura e a evolução da época. Duelo com morte, por exemplo, já foi permitido e admitido como algo legal.
Mas estamos falando de fogueira e, entre tantos casos que terminaram nela, temos o do sacerdote tcheco Jon Huss (1415) que, mesmo não sendo considerado bruxo, queria uma igreja mais moderna e não admitia que se arrecadasse dinheiro em nome da religião, ele acabou inspirando o Protestantismo.
Já Joana D’Arc devia ser um símbolo do empoderamento feminino, ela, aos 19 anos, se adapta visualmente aos soldados da época, cortando curto os cabelos e vestindo a mesma farda deles, comanda com sucesso as tropas francesas contra as inglesas na Guerra dos 100 anos (1337-1453), causa inveja a comandantes, capturada e julgada termina a vida na fogueira (1431).
A captura dela foi por franceses que apoiavam os ingleses, mas também tem um pouco de - o que está fazendo em uma guerra de homens (?) uma moça de 19 anos e que ainda ouve vozes, não só ouve, como também vê quem as fala? Passou a ser um grande perigo, principalmente por ter conseguido comandar homens e vencer batalhas. Daí para a heresia foi um passo ao lado.
Joana D’Arc começou a ouvir vozes com 13 anos, ela dizia que  vinham da igreja dentro de clarões, não as entendendo muito no começo, mas depois declara que seriam do arcanjo São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia. 
É… as vozes tentavam fazer uma intervenção em uma guerra sem fim, sugerem que ela não se afaste da igreja e que se apresente para comandar soldados e libertar de um cerco a cidade de Orleans. O que acaba acontecendo.

Esta história de ouvir vozes e mensagens de um plano diferente do nosso não é uma exclusividade de Joana D’Arc, mas hoje a história foi dela. Magnífica e predestinada, tem sim que ser um símbolo.

Referência: 60.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 27/7/2019 - (DV-60)

sábado, 3 de agosto de 2019

A dura vida de um ET (DV-59)

Uma coisa que chama muito a atenção na evolução da raça humana é o seu belicismo, ou seja, todas as grandes transformações políticas do mundo foi banhada de - muito - sangue. Vai ficar de fora nessa análise a influência do bem e do mal no sentido bíblico-religioso.
Fui pesquisar as guerras que causaram mais vítimas, desisti, são tantos milhões que até assusta, deixa para lá. Mas vi que os grandes conflitos registrados datam de 10.000 a.C para cá, não morriam milhões porque não havia tantos habitantes mas há uma equivalência.
Fica a pergunta no ar, se fomos criados por um Deus tão bondoso, porque nos tornamos tão violentos? Sinto que isso está diminuindo um pouco no coletivo, as grandes potências pararam de resolver todos os conflitos políticos na bala. Tomara, será?
Nessa linha de pensamento fiz um retrospecto de quantas guerras já fizemos com outras raças, de outros mundos, pois é, oficialmente ainda não conhecemos nenhum extraterrestre e já travamos guerras incríveis, aliás, a melhor franquia nessa área, é a Star Wars, que já tem a guerra no nome, Guerra nas Estrelas. Quando realmente entrarmos em “guerra" com outros mundos nem será novidade, a ficção já explorou quase tudo.
Daí parei para pensar, regra geral somos todos filhos de Deus, se o Universo foi criado por Ele, todas as criaturas que porventura o habitam também o são. Então, se uma outra raça conseguir chegar até nós, certamente é mais evoluída, navegar esses zilhões de quilômetros para vir guerrear?
Nas ficções tivemos muitos invasores maus, mas também tivemos alguns simpáticos, outros bem intencionados e também os descuidados.
O ET que o diga, falo do filme de ET.: O Extraterrestre, produzido e dirigido pelo espetacular Steven Spielberg (1982), foi a maior bilheteria do cinema por anos, tomou o título sabe de quem? Star Wars, perdendo-o para outra produção dele, Jurassic Park, em 1993.
Tá certo, mesmo não sendo bélicos a turminha do ET veio xeretar nossa botânica, e foi dura a experiência para ele ao ser esquecido, tirando a amizade que fez com o menino Elliott e com aquela carinha de sapo as autoridades queriam mesmo era dissecá-lo. 

Enfim é isso, não conhecemos ainda nossos vizinhos, mas a guerra já está declarada.


Referência: 59.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 20/7/2019 - (DV-59)

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Autismo não é doença! (DV-58)

Sempre fui muito curioso com a capacidade de alguns autistas de potencializarem algumas qualidades cognitivas, como em registros de memórias, cálculos e a música, por exemplo, mas ficar só nisso é subestimar a luta de algumas famílias com os problemas comportamentais severos em alguns casos. 
O nome correto é Transtorno do Espectro Autista (TEA) e as habilidade extraordinárias que aponto também tem explicação, em parte, é a Síndrome de Savant, que ocorre em 10% nos casos leves.
Um dos personagens ficcionais mais famosos do savantismo foi de King Peek, no filme Rain Man (1988), interpretado magistralmente por Dustin Hoffman, ele tinha suas incapacidades, mas era capaz de decorar livros inteiros, listas telefônicas, entre outras enormes façanhas. 
Por outro lado, basta encontrar um blog sobre o TEA e vai verificar nos depoimentos das mães que não é fácil encontrar médicos que dominam o assunto, elogiam muito as entidades que as apoiam, mas a realidade é a mesma de outros problemas semelhantes, para ter um tratamento diferenciado dependem da rede particular e isso custa, muito, o mesmo vale no ensino, poucas escolas, poucos professores.
Um grande desserviço foi feito por um jornalista ao apontar que Messi teria TEA, combinado com uma outra síndrome, a de Asperger, que também ocorre em casos leves de autismo. Tanto o médico particular, como a família do jogador desmentiram veementemente.
Gosto muito de um vídeo, que reproduz parte de um best-seller do cientista Norman Doidge, por algo que não é novo, mas precisa ser mais estudado e mais estimulado, a neuroplasticidade do cérebro. Algo como fazer exercícios e estímulos para que sejam ativados neurônios “sãos" pra que venham em socorro das partes lesionadas. Isso é excelente e fundamental para pessoas acometidas com derrame, lesão por acidente, má formação, paralisia cerebral e… autismo. O vídeo chama-se Reconstrução do Cérebro, tem histórias de sucessos nesses tratamentos inimagináveis. 
Está nesse vídeo Pascual-Leone, que dedica boa parte de seu estudo para o autismo, um caso dele de sucesso que ganhou o mundo foi o de John Elder Robison (Asperger) que, com estímulos no cérebro, aos 40 anos, começou a entender porque as pessoas sorriam ou choravam. Ele diz em vídeo, “eu comecei a ver as pessoas por dentro”.


Referência: 58.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 6/7/2019 - (DV-58)

O nosso Russo (DV-57)

Renato Russo viveu 36 anos, fundou o Legião Urbana, foi um dos melhores letristas do rock brasileiro. Nada a comparar com Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e João Bosco, geração anterior à dele mas que também não escreviam para o rock, e nem com o clássico Tom Jobim, que permitam admitir fora de concurso. 
Chico Buarque venceu uma pesquisa informal entre as cantoras brasileiras, ele foi escolhido como o compositor que melhor entendeu a alma feminina. As entrevistadas disseram que cantavam suas músicas como elas as tivessem escrito.
Dos quatro o Gil é o que tem o maior swing, compôs músicas dançantes sem nunca perder o brilho e a qualidade das letras. Entre esses, eu diria que o mais complexo é João Bosco, faz um jogo de palavras com uma rapidez que, quando vamos ouvir a sua música, fica quase impossível de se acompanhar. Caetano mistura tudo isso, hehehe, é brilhante também.
Mas e o nosso Russo? Sua obra reflete um pouco de seu perfil solitário, aquele que, mesmo estando perto de muita gente, parece que está sozinho.
Na sua música mais ouvida a Mais Uma Vez, ele chega reclamar: "Tem gente que está do mesmo lado que você. Mas deveria estar do lado de lá”, aumenta o tom dizendo que são pessoas que não sabem amar, vivem nos enganando, gente que machuca os outros, e completa - "Se você quiser alguém em quem confiar. Confie em si mesmo”.
O desistir das pessoas em volta não é só um gosto pela solidão, mas também uma chamada de atenção para a depressão. É bom considerarmos que não estou fazendo análise psicológica, imagina, nem sempre a obra literária, principalmente em letras de música, apontam para o que autor pensa. Quem faz uma trilha sonora, ou musical que envolvam peças com letras, escrevem para o tema que está à sua frente, não para o que ele pensa.
Mas, no caso do nosso Russo, quem assistiu ao filme póstumo, ou acompanhou sua carreira, sabe de seu lado solitário quase depressivo, estado que, creio, todos temos que vigiar, o de que é melhor estar sozinho, fomos criados para viver coletivamente, mesmo com suas dificuldades.

De qualquer forma, fiquemos com sua obra, intensa e contestadora, foi um grande músico. 

Referência: 57.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 29/6/2019 - (DV-57)

domingo, 30 de junho de 2019

O mundo visto por baixo (DV-56)

Nos modelos de viagens que fazemos cada um se encanta com algo diferente, os guias nos levam aos lugares que são ícones, depois o exercício de encontrar o que nos encanta é bem particular. A série “O Mundo Visto por Cima” é bem detalhista, é aconselhável assisti-la sobre o local que for visitar, se não acaba ouvindo: - Você não foi em tal local? Ah, então você não foi lá. Que raiva! Hehehe.
Costumam separar o turista do viajante, não me pergunte a diferença, difícil de explicar e entender, mas seria algo como o viajante vai para os locais sem o frenesi do turismo, conhece tudo com calma, sem arroubos.
Quem faz viagens gastronômicas é um pouco assim, visita as vinícolas, cervejarias famosas, quiçá as fábricas de whisky e os bons restaurantes com a culinária local, é lógico. Nessa linha tem quem aluga motos ou carros e faz um percurso sem a responsabilidade de conhecer tudo. Já para quem tem rodinhas nos pés tudo está bom.
Se o local é totalmente desconhecido, língua muito diferente, como o Leste Europeu, onde o inglês não é tão utilizado, a visita guiada creio ser instransponível, enfrentar sozinho é muito aventura. Nada que a mímica não resolva, bateu asas é frango, rsss, os aplicativos tradutores dos celulares ajudam bastante, mas se perde tempo e o foco.
Viajem em ônibus com grupos e guias é um repositório de paciência, mas, para os não aventureiros creio ser a melhor opção. Com a ressalva de que, se for pela quarta vez em Paris, vai passar e conhecer os mesmo locais, realmente aí não dá. Por outro lado se um dia formos conhecer a China ou o Japão o mico já está definido, visita totalmente guiada!
Já tratamos aqui dos riscos, mas regra geral é, se você não é jovem, acostumado a viajar sozinho, ir em show de rock, é bom tomar alguns cuidados com os pertences, caso do passaporte, que precisa ficar em cofre e você com cópia, dinheiro no bolso só o gasto do dia e carteira atrás nem pensar, mochila e bolsas na sua frente, esse tipo de furto é muito comum. E não subestime os carteiristas europeus, eles são muito melhores que você imagina.


Referência: 56.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 29/6/2019 - (DV-56)

Sócrates, o filósofo (DV-55)

Ao longo dos séculos sempre se destacam seres humanos com importantes mensagens e exemplos para a nossa evolução. Jesus Cristo, por exemplo, não só divide o calendário, como certamente trouxe a maior filosofia para que nós viéssemos a nos entender, sem violência, exaltando o amor, o perdão e a caridade, como grandes iniciativas para nossa melhor espiritualização.
Os essênios são apontados como precursores da ideia cristã, mas Sócrates e Platão também adiantaram muito da filosofia que tenta sublimar o pensamento humano.
O grego Sócrates (470 a.C.) preocupou-se muito com a essência da alma humana, adotou o diálogo e não a escrita para externar seus pensamentos e foi Platão que os acabou transcrevendo. 
Como Cristo, Sócrates tinha uma visão diferenciada em favor do cidadão, o que não agradava em nada a política reinante dos aristocratas. Começa a atrair os jovens e a se popularizar, acaba preso por tentar “corromper a juventude”, e é condenado a tomar cicuta, um suicídio às avessas. Não há elite que goste de ver seu status ameaçado.
Cristo, ao se unir aos fracos e oprimidos, também viria incomodar, sua posição favorável aos samaritanos era flagrantemente contra o poder dominante à época, predominantemente das tribos que habitavam o sul de Israel.
É só prestar atenção na Parábola do Bom Samaritano, um anônimo que só era uma pessoa boa, mas tinha origem, era um… samaritano. Isso em detrimento de religiosos importantes que passaram ao largo ignorando outro anônimo que foi roubado e espancado. Essa posição também tem destaque no Sermão dos “Ais”, em que Cristo aponta - “Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Pois que sois semelhantes a aos sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundice” (Mateus, 23:27)
Os pensamentos de Sócrates são difundidos até hoje, deram muita importância à verdade e ao auto conhecimento como grandes segredos da sabedoria.
Suas frases são muito conhecidas, mas destaco apenas três: - "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus” e "Todo o meu saber consiste em saber que nada sei”. 
O filósofo acreditava na imortalidade da alma e era muito espiritualizado: "Não penses mal dos que procedem mal; pense somente que estão equivocados".


Referência: 55.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 15/6/2019 - (DV-55)

Sistemas políticos e monarquias (DV-54)

A monarquia certamente não é um modelo interessante para ser adotado, principalmente quando se vislumbra um país novo, que quer ser moderno, e também considerando as exigências atuais do povo brasileiro, que basicamente visa o corte de privilégios. Nessa onda, a França pulou essa parte de corte de privilégios e foi logo para o corte de um monte de cabeças.
Digo da sangrenta queda do último rei, Luiz XVI, e da difícil instauração da democracia francesa, que daqui um mês completará 227 anos.
Antes de analisar monarquias, vamos ao porquê da escolha do assunto.
Ao longo de muitos anos vejo as reclamações no Brasil serem dirigidas às pessoas e não contra o sistema de governo, creio que esse é o ponto, temos milhares de organizações, algumas bem formadas, que buscam a transparência e muitas outras formas de fiscalização às administrações públicas. Creio que elas poderiam mudar o foco.
Veja, nas últimas eleições, convenhamos, houve uma forte renovação de políticos, principalmente a do presidente da república, mas a primeira declaração contundente que ele fez foi “o que eu estou fazendo aqui”?
Depois, em entrevista à revista Veja confessou: - “Já cheguei muitas vezes chorando em casa”. Depoimento que não é muito diferente de outros presidentes, principalmente de Fernando Henrique Cardoso, que já colocou seus sucessos e decepções em livros. Resumo, nossos dirigentes levam um susto quando recebem uma máquina do tamanho do Brasil para dirigir.
O legislativo também foi fortemente renovado, então o que está errado, são as pessoas ou é o modelo?
Foi nesse momento que me lembrei de monarquias antigas que dão certo até hoje, caso do Japão, Noruega, Dinamarca e Suécia, por exemplo. Não excluo a inglesa, que também vai muito bem, obrigado, mas está com um parlamento que chafurda em um já fracassado Brexit.
Mas os outros quatro países transitam por todas as estatísticas de mais desenvolvidos, tanto por qualidade de vida e de ótimos modelos de educação e ensino, como valorizando muito mais o ser humano do que o consumo.

Nem imagino o Brasil tendo rei ou rainha, mas reitero, chegou a hora de se estudar um novo sistema de governo para a nação, me parece que o atual venceu e ainda não foi retirado da prateleira.

Referência: 52.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 15/6/2019 - (DV-53)

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Raiva ou ódio? (DV-53)

A frase “a raiva é um veneno que bebemos esperando que os outros morram", poderia ser atribuída aos chineses, mas também poderia ser hindu,  pelo seu enorme transcendentalismo, reflexões assim cabem na filosofia de ambos os povos. 
Mas curiosamente é atribuída a William Shakespeare, pode ser, o dramaturgo escreveu muitas peças sobre intrigas, tendo como ícone Romeu e Julieta, e, junto a incontáveis diálogos produzidos, tem o existencial "ser ou não ser, eis a questão”, em Macbeth. 
Essas frases vão sendo apossadas, adaptadas e reescritas para que caiba no pensamento de quem as utiliza. Um campeoníssimo em citações é Chico Xavier, tudo que tiver escrito de bonito é dele, daí os espíritas lembram que não é bem assim. Há de se concordar que o médium teve uma vida exemplar, 92 anos de humildade impar, com tiradas pessoais fantásticas, mas o que ele psicografou e está publicado em mensagens e livros foi um espírito que o inspirou, como é o caso de Emmanuel, que o acompanhou a vida toda. Simbiose maravilhosa.
Eu sempre utilizei a frase de Shakespeare mencionando o "ódio" como veneno e não a “raiva”, esta última demonstra algo mais passageiro, mas o ódio não, ele é profundo.
Nessa linha, anos atrás, assisti um diálogo entre dois amigos, um não perdoava a algumas pessoas por o terem traído profissionalmente. O apaziguador disse: “querido amigo, reconheço que essas pessoas te fizeram sofrer, imagino que não as perdoará, mas o ódio que você alimenta não alterará o futuro deles”. 
E argumenta, o que define o futuro de cada um são seus próprios atos, "esse ódio que você nutre, já se auto-explica, está deixando é você doente. Sem contar o traço que faz à tua alma".
Disse ainda, "não há como se transportar ao passado e o modificar, melhor seria mesmo que os perdoasse, hoje você já tem uma nova vida, eles também, muitos anos se passaram”, e completou - nada escapa aos olhos de Deus.

Depois de algum tempo encontrei o aconselhado e ele me disse, sem que eu perguntasse: - "Lembra daquela conversa? Já até oro por eles". Não tem lição cristã melhor.
E aí? O que fica melhor na frase - ódio ou raiva?

Referência: 53.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 8/6/2019 - (DV-53)

sábado, 1 de junho de 2019

A escolha do COAF (DV-52)

Um filme impactante foi A Escolha de Sofia (1982), a mãe judia Sofia Zawistowski, personagem de Maryl Streep, já magistral 37 anos atrás, tinha que escolher - nos dramas nazistas dos Campos de Concentração, com qual filho ficaria, o outro seria “transferido”. Ela já tinha um Oscar de coadjuvante mas emplaca o seu primeiro de melhor atriz. Ou escolhia um filho, ou perdia os dois, não é uma escolha para se desejar a ninguém.
Mudando de assunto, mas ficando no das escolhas, fui estudar o COAF, que quer dizer Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que sempre foi do Ministério da Fazenda, hoje Economia. Em seu site é explicado que sua principal função é o de fazer o controle dos setores econômicos, evitando a lavagem do dinheiro e o financiamento do terrorismo, com números impressionantes em 2018: 6.786 relatórios de inteligência financeiras, envolvendo 350 mil pessoas físicas, sendo que sua a base tem hoje estratosféricos 16,7 milhões de relatórios com essas informações.
O que temos é que, numa solicitação de transferência de órgãos em início de governo, ele poderia deixar o Ministério da Economia e ser transferido para o Ministério da Justiça, fato que não prosperou no legislativo.
Daí seguiu-se o que já nos acostumamos, todo mundo entende do assunto, há um enxurrada de fake news, imediatamente o tema é dividido entre a esquerda e a direita, se a solicitação for atendida tem um ganhador, e se não for tem um monte de perdedores.
Lembrei-me do filme porque o presidente só perderia se o órgão fosse extinto, saísse da esfera do executivo, mas nada disso ocorreu, ele vai, com o endosso do parlamento, continuar sob a batuta de Paulo Guedes, um dos pilares deste governo. Tudo correndo à luz de nossa Constituição.
E o presidente fez sua parte no momento da escolha, se tanto faz com qual filho vai ficar, os dois são bons, ele, diferente do filme, pode ficar com os dois, que bom que ele teve essa escolha.
De resto, o que vimos foi uma perda preciosa de tempo discutindo o assunto, que parece ainda ir longe, já que um partido político quer anular essa decisão (?), quando, na verdade, estamos mesmo esperando é uma alavancagem econômica para este país.

Referência: 52.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 1/6/2019 - (DV-52)

sábado, 25 de maio de 2019

Paparazzi eletrônico (DV-51)

Tinha até título a coluna de hoje - A Terra Tremeu, mas a notícia tremeu tanto que se esgotou, depois, pelo que se sabe, por aqui e quiçá no país, são só tremidinhas, não causa muito transtorno. Estamos acostumados, tempos atrás o mundo econômico estava derretendo e a posição oficial foi - “é apenas uma marolinha”.Acabamos de publicar que a Lua estava encolhendo, geleiras derretendo e abelhas ameaçadas, logo em seguida a terra treme em Franca. Ôche.. compramos o megafone?Então vamos tratar de outro assunto, lembrar dos fotógrafos paparazzi, certamente uma profissão que hoje não cresce muito, mas já foi um inferno na vida dos artistas. Os mais antigos ainda não gostam da exposição, mas só alguns, Stênio Garcia teve suas fotos muito íntimas com a esposa vazadas. Ok, ok, diz Nelson Rubens, o que estava fazendo um casal de 83 e 47 anos nus diante de uma câmera, diz ele que foi uma brincadeira e que não sabe como vazou. Em seguida a esposa publica uma foto nua no Instagram. Paparazzi pra quê?Vira e mexe fotos íntimas são vazadas e se pergunta - porque posou? Vai ter a resposta, é íntimo, problema meu, aí vem a dúvida, vazou mesmo?Mas a nova geração explodiu essa discussão, cada famoso está cuidando de, ele mesmo, distribuir os flagrantes e acabar com a mística da foto íntima.São fotos de ilhas com todo mundo à vontade, roupas transparentes e não se preocupe, atrás disso tudo ainda estão ganhando muito dinheiro, já que, em seguida, a turminha da mesma idade vai procurar as tais roupas, shorts, etc. Mas então porque perdemos a princesa Diana por causa dos paparazzi, destino? Pois é, quem visita Paris, ao passar no túnel da Praça de l’Alma, tem o desprazer de ouvir dos guias, foi nesta coluna que a Lady Di e seu namorado o milionário egípcio Dody al-Fayed, morreram. Também causou repulsa, à época (1997) o fato de que os mesmos fotógrafos que os perseguiam fizeram as fotos da princesa no terrível acidente. Uma tristeza, mas não temos mais o que lamentar, o que os fotógrafos fizeram e foram tão criticados, hoje já está quase banal pelo uso dos smartphones e das mídias sociais.

Referência: 51.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 25/5/2019 - (DV-51)


sábado, 18 de maio de 2019

Meia lua inteira (DV-50)

A NASA nos deu uma notícia intrigante: a Lua, nosso querido e romântico satélite, está se encolhendo por causa de seu resfriamento interior, que causa terremotos em sua superfície. Nem vou falar do aquecimento da Terra e as consequências das inundações que o Fantástico mostrou, mas que é triste ver também geleiras milenares derretendo mais do que deviam, é… 
Não é pra hoje, pode demorar, mas o mundo vai acabar, tudo acaba. Vamos avisar com um megafone nas ruas? rss.
Ao divulgar uma notícia dessa temos que ligar o “calma”, são só 50 metros ao longo das últimas centenas de milhões de anos, ou seja, para que nossa rechonchuda vizinha emagreça pra valer vai outro tempo desses, ou mais.
Então ficamos assim, se o mundo não acabar com o aquecimento global certamente acabará com o desaparecimento da Lua, com tantas intrigas e intolerâncias, se é que vamos chegarmos até lá.
A poesia está perdida sem a Lua, ela é parte de nós que se desgarrou na explosão da formação da Terra. 
Não vamos poder chamá-la na fase crescente de Meia Lua Inteira, música consagrada por Caetano Veloso (Estrangeiro), letra de Carlinhos Brown, compositor principiante e já virtuoso em 1989, deixando o ritmo contagiante e indo para a letra não entendemos nada, depois descobrimos que ela se reporta ao berimbau, à capoeira e seus problemas com a polícia, é muito poética e tem sua raiz na Tropicália.
E o Tonho da Lua? Sem ela como vamos falar para os meninos e para o adultos adolescentes, onde você está com a cabeça, na Lua?
Já Cecília Meirelles não seria uma mulher de fases - "Tenho fases como a Lua; fases de ser sozinha, fases de ser só sua”.
E a lua-de-mel? Com as abelhas em risco aumentam os problemas! Abrigamos o termo do inglês honeymoon e dos rituais irlandeses que envolvem uma bebida à base de mel. Mas o termo, como sempre, não tem origem certa, mencionam-se os hindus, os gregos e até a Babilônia, mas sempre tendo como representação a lua como mulher e o mel na inseminação masculina, como o efeito das abelhas nas plantas.

Uma coisa é certa, eu não vou ficar sem a Lua!

Referência: 50.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 18/5/2019 - (DV-50)


sábado, 11 de maio de 2019

Dona Maria, a simples! (DV-49)

Dia das mães, bom para lembrar da dona Maria Nalini, uma vida dedicada à família e a quem precisasse dela, ajudou até na alfabetização de jovens parentes e conhecidos. Por morar ao lado da Fundação Allan Kardec estava sempre envolvida com programas da entidade, como ensinar bordado, sacolas de crochê, entre muitas atividades.Era do tempo que se fazia um quitute e dividia com a vizinhança toda, puro prazer da boa convivência.Mantinha um horta impecável, as verduras produzidas, uma vez colocadas na vizinhança, gerava a receita de uma boa carne de panela. Você já replantou alface? Ciência pura, aprendi, mas nunca achei fácil. Otimista por natureza, sempre acreditava que as coisas iam ficar melhores.Mas também era muito brava, a vara de marmelo tinha lugar de privilégio, como fosse um troféu do último campeonato era ostentada em um dos cantos casa. Aff. Lembro de um enguiço feio dela com um galo caipira, entrava para pegar ovos ele atacava, mas atacava legal mesmo. Um dia ela chegou com um furo na perna, ele conseguiu esporá-la, no dia seguinte tivemos canja, pena que carne de galo é muito dura. Hehehe, mas vamos considerar que eram outros tempos.Quando precisou de ser internada por uns dias para um tratamento, fui visitá-la e… cadê a mamãe? Ela estava, segundo as enfermeiras, passando de quarto em quarto ajudando as pessoas internadas, não parava no dela. Sarou ‘sozinha’.Fazíamos o culto no lar, uma oração em família, coisa simples com 30 minutos - indico para tirar os magnetismos ruins do dia a dia e conquistarmos os bons fluídos universais que até iluminam nossos lares. Em um desses cultos estávamos eu e ela, papai e meus irmão estavam trabalhando, uma hora antes desligou o rádio, diminui um pouco a iluminação e passou a se concentrar. Um cheiro de rosas inundou a nossa casa, no momento da oração a água que estava para fluidificar, pura fé, ficou como fosse madrepérola, com se formassem ondas perceptíveis com a visão, ainda que paradas. Também, uma vez, ao me tocar a cabeça dei um salto, muita energia.Energia que é gerada por gente simples, espiritualizadas, com ambições limitadas às pequenas coisas, que nem precisam ser para elas, podem ser apenas para os filhos e basta.Gente que é conhecida com uma palavrinha tão singela, mãe! Que todas sejam abençoadas.

Referência: 49.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 11/5/2019 - (DV-49)

sábado, 4 de maio de 2019

A natureza, a amizade e os Beatles (DV-48)

        O refrão de uma das canções mais marcantes dos Beatles, With a little help from my friends, diz que, com amigos se vai mais longe.
        A migração das aves, voando em V elas formam um vácuo que produz uma economia de 40% de energia no batimento das asas, ou seja vão mais longe. Elas se orientam pelo sol de dia e pelas estrelas à noite e fazem um rodízio, a que lidera e as demais que voam à frente e recebem mais impacto do vento, quando se cansam, voltam para o fim da fila para descansar. O fato de que, quando uma fica doente e aterriza, outras descem para ajudar no voo futuro, me parece ser lenda, mas é bonita de se imaginar.
    A natureza está repleta de cooperações entre plantas e animais, um instinto que não cansamos de vislumbrar e elogiar. É só notar o que fazem as abelhas pela nossa sobrevivência. Einstein alardeou “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana”. 
        O Livro dos Espíritos observa "pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor”, e também que ainda não compreendemos a natureza de Deus por termos o espírito obscurecido pela matéria e porque nos falta um sentido. Ops… temos um sentido latente para se juntar aos outros, certamente está no voucher de nossa evolução, tanto no sentido material, como no espiritual.
        A solidariedade e a amizade são muito enaltecidas por todos que divulgam mensagens de auto-ajuda nas redes sociais, até as colocam como um dos fatores principais para se evitar a depressão, ou seja, todo tempo que investimos no relacionamento sadio, deixamos de fazer reflexões muitas vezes sobre nada.
        Mas está claro que temos muito a desenvolver, não só pela proteção da natureza, mas também pelo necessário investimento na caridade e pela tríade liberdade, igualdade e fraternidade.
        A coluna de hoje é dedicada aos amigos Carlim e Vera, que nos deram um relógio que reproduz na hora certa o canto de um pássaro. O par que é símbolo do “com amigos vamos mais longe”, agora é lembrado de hora em hora. Tanto eles, como nós, gostamos muito dos Beatles.

Referência: 48.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 4/5/2019 - (DV-48)