sábado, 19 de março de 2022

Oscar Kellner Neto, a inspiração na Serra da Canastra

Ele fez o caminho inverso, foi de Franca para Minas Gerais. Preferiu as cavalgadas entre as 137 cachoeiras de Delfinópolis e a Serra da Canastra, que certamente lhe dão inspiração.


        Aqui um pouco sobre a vida e as atividades do escritor, autor de poemas, contos e poesias. Mudou-se de Franca ainda jovem, mas certamente seus amigos e admiradores gostarão de lembrar seu nome.

Oscar Kellner Neto

        Oscar Kellner Neto é natural de Franca, nasceu em 1.949, casado, pai de dois filhos, avô de três netos. Vive em Delfinópolis/ MG, entre serras, cachoeiras e lagos, desde 1975. Arte-Educador, Professor de Gramática e Redação, Técnico em Contabilidade e Ad- vogado atuante, Kellner também se dedica à pintura e à escultura, áreas artísticas em que sempre logrou êxito. Nas horas vagas, cuida de terras, gado, peixe e gente. Gosta de sumir pelos vãos da Serra da Canastra, onde cavalga, conversa, joga truco, sonda falares, respira cores e transpira poesia.

        O Autor, míope, curioso e astigmático, começou a escrever em 1963. Seus primeiros versos foram para a musa eterna, hoje sua esposa, Maria Alcina. Sempre colaborando em suplementos literários de vários jornais com seus textos poéticos, foi premiado na 1.a Semana de Arte Moderna de Franca, em 1966, com o poema Beatniks. Em 1967, seu poema Do Mágico e seu aprendiz, recebeu o 1.o lugar em outro concurso francano. Publicou seu primeiro livro de poesias em 1968: CANTO DE BUSCA, em edição mimeografada e com lançamento nacional. Em abril de 1969 datilografou, compôs e lançou seu segundo livro, MURAL, com poesias concretistas, em pequena tiragem, por sua editora “Dedos do Autor”.

        Seu poema-processo RELÓGICAS, elaborado a partir de carimbos confeccionados com peças de relógio, em parceria com Antônio de Pádua Primon recebeu o 1.o Prêmio no Concurso Nacional Souzandrade, em Divinópolis(MG), em junho de 1969.

        Nesse ano, o de seu casamento, o Autor recebeu da imprensa francana o título de Intelectual do Ano. Desde então, vinha organizando seu livro-objeto, de poemas-processo, FLASH, editado em 2010 pela Editora Clube de Autores.

        A partir de 1970, Kellner passou a coletar seus contos e a divulgar seus textos em prosa, colaborando em jornais, suplementos e páginas literárias de toda parte e participando de algumas antologias nacionais e de fora.

        Em 1975 lançou cópias de seu texto concretista FOSSAPOGEU - (epistolas aos coivarenses - textos do hospício) - de circulação restrita. Em 1977 divulgou seu primeiro romance: O CRIME PERFEITO DE SEZOGLA SUEM, em pequena edição oferecida à crítica do círculo de amigos-leitores fiéis. Participou, em 1979, com o conto O Espetáculo, da antologia A PRESENÇA DO CONTO, organizada pela Editora do Escritor, de São Paulo.

        Seu primeiro livro de contos O OUTRO LADO DE COIVARAS : O MUNDO foi publicado pela Editora Pirata, de Recife, em 1984. A revista Globo Rural publicou seu conto Pazsarinha, sob o título “O touro Charuto” em sua edição do mês de setembro de 1994. Em 2009, em comemoração ao seu 60o aniversário, Kellner relança a obra MURAL em conjunto com FOSSAPOGEU, na obra poética MURAL & FOS- SAPOGEU, pela Editora Clube de Autores, de São Paulo.

        Ainda em 2009, pela mesma editora, lança o livro de contos O JUIZ E OUTROS CONTOS, o romance O REINO DE COIVARAS e a novela TOCAIAS E DUELOS. Também em 2009, pela mesma editora paulista, lança a obra COIVARAS (cantos), onde reuniu os trabalhos O JUIZ E OUTROS CONTOS – contos -, ROSALDA GENTIL - romance – e TOCAIAS E DUELOS – novela. 

        Neste mesmo ano, pela Editora Clube de Autores, relançou o livro O CRIME PERFEITO DE SEZOGLA SUEM, e, pela Editora Clube de Autores, lançou o volume de versos O LIVRO DA VISITAÇÃO. No final de 2009, em regozijo pelo jubileu de diamante de seu nascimento, Kellner lança pela Editora Casa do Novo Autor, de São Paulo (SP) o livro FAZENDA INTERIOR. Lançou O QUILOMBO DE PALMIRA (mini contos) no findar de 2010 pela Editora Clube de Autores, de São Paulo.

        Veio a lume pela mesma Editora, também em 2010, seu livro-objeto, de poemas-processo, FLASH. Em seguida, lançou seu livro de trovas PEQUENO CANTO DA TERRA, ilustrado por Odilon José Rosa. No final de 2010, Kellner lança pela Editora Clube de Autores, de São Paulo(SP) o livro FAZENDA INTERIOR, agora em segunda edição.

        Em março de 2010 Kellner lança pela Editora Clube de Autores, o livro-conto OS AMARRADORES DE PATAS. Em dezembro lança seu volume de mini-contos, O QUILOMBO DE PALMIRA pela Editora Clube de Autores.

        Em julho de 2011 Kellner lança pela Editora Clube deAutores, a segunda edição, agora ilustrada, do livro-conto OS AMARRADORES DE PATAS. No segundo semestre de 2013 Kellner lança pela Edi- tora Clube de Autores, o livro KALEIDOSCÓPIO, colorido, reunindo poemas-processo, na técnica de gravuras digitais, em formato e papel especial. Dada a receptividade da obra, logo em seguida lança KALEIDOSCÓPIO 2, pela mesma Editora, no mesmo padrão.

        Em novembro de 2013, Kellner lança pela Editora Clube de Autores, o livro de poemas RE- CANTOS DA VIDA, reunindo alguns poemas de seu primeiro livro mimeografado, CANTO DE BUSCA, alguns textos poéticos do livro O QUILOMBO DE PALMIRA e poemas escritos durante toda a sua vida.

        Ainda em novembro de 2013, lança pela Editora Clube de Autores, os livros SIGNUS e BOREAL, coloridos, ambos reunindo gravuras digitais, em primorosas edições em formato quadrado e papel especial.

        Está relançando pela Editora Clube de Autores os contos que marcaram sua estreia na literatura nacional: “O OUTRO LADO DE COIVARAS: O MUNDO”, agora em segunda edição revista e ampliada, incluindo fortuna crítica. Ainda em Dezembro de 2013, lança pela Editora Clube de Autores, o livro FACTUM, colo- rido, reunindo gravuras digitais, em primorosa edição em formato quadrado e papel especial.

        Publicou nas letras jurídicas, a monografia A CAUSA CURIANA, no campo do Direito Romano.

        Permanecem inéditos, O PROCESSO CAUTELAR E A COISA JULGADA, monografia na área do Direito Cautelar e, na área do Direito Penal, desenvolveu trabalho em parceria com Juliano Quireza Pereira e Lúcio Augusto Malagoli tratando do PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.

        Kellner também se dedica às artes plásticas e à fotografia. Proclama a volta à Natureza. Prepara um reino de pedra, água e sol: Coivaras.

        Seu trabalho, sua vida, sempre com marcas expressivas, representam orgulho para sua cidade natal, seus amigos e admiradores. Mas na verdade Franca deve a Oscar Kellner Neto o reconhecimento público e quem sabe uma homenagem especial no calendário cultural. Sempre haverá tempo.

Crônica Publicada em 19 de março de 2022 

segunda-feira, 7 de março de 2022

Ah! Essas mulheres...

  Convidado pelo Verdade para escrever um artigo sobre as mulheres no seu Dia Internacional  fico pensando, o que que um economista está fazendo aqui? Talvez seja mesmo uma referência ao meu pai, caríssimo Leonel Nalini (Nelo) que, ele sim tinha esse dom, nas suas mais de 200 poesias tinha como epicentro o amor e a mulher.

Depois acho que deveria ser proibido homem falar de mulher, é meio que ‘julgamento’, movimento analítico que não devia lhe caber, ora, se elas são tão melhores em tudo, como não cansamos de reconhecer, como quem está em um patamar inferior pode se postar de senhor dessa razão.

E tem mais, se nós homens conseguimos ver com tanta clareza as virtudes nas mulheres, que certamente nos faltam, porque não temos o mesmo comportamento? É mais ou menos o que fazemos na religião, quando nos aventuramos a escrever ou pregar sobre ela, mostramos inúmeras coisas que nos levam à paz interior, ao paraíso e à Deus, então porque não seguimos esses exemplos,  principalmente os cristãos?


Agora vamos falar sério, você já viu alguma publicidade dizendo: - No Dia dos Homens presenteie-o com um terno de marca? Tínhamos um site de envio de cartões comemorativos - o Dia das Mães ganhava dos pais numa proporção de 6 por 1, se eram mil cartões em agosto, maio chegava a uns seis mil. Isso vale para as secretarias também, ou seja, o dia dos secretários com certeza nem existe e, todas as vezes que vamos falar em Dia dos Homens caímos num vácuo, cada um fala uma data.


Tudo começa na criação, veja que no mundo animal os bichinhos ficam ao longo dos milhares de anos aprendendo a piar mais bonito, rugir melhor, dançar de forma piramidal, fazer ninhos maravilhosos de amor, para agradar as fêmeas, com pouquíssimas exceções são elas que escolhem seus pares. E olha que às vezes isso termina numa pancadaria danada, os machos quebram chifres, se mordem e se arranham todo, quando não se sucumbem na luta, isso considerando que normalmente ainda tem, no grupo, mais fêmeas do que machos. O desenho é o da natureza.


O problema para falar das mulheres, nessas comemorações, é que, de forma justa, passamos a endeusa-las sem uma análise de seu dia-a-dia, lembrando que um sem número delas têm múltiplas jornadas, afeitas a relacionamentos com pares muito complicados, sem contar que ainda acabam sozinhas, com os filhos. Aí aparece um outro ser maravilhoso, não menos mulher, a avó, é ela que acaba por criar outra leva de filhos, para garantir a estabilidade da família.


Em tempo, qual seria a reação hoje de uma jovem de 16 anos se seu namorado abrisse a porta do carro para ela? A mesma da sua bisavó! Gentileza e boa convivência não tem nada a ver com a fragilidade do sexo e sim com a educação de cada um, se não cabe violência em nada, porque haveria de caber para com as mulheres. Ainda carregamos o estereótipo da era das cavernas, o homem sai para caçar a mulher ficava cuidando das crianças. A deputada Isa Penna não está nada feliz com o que sofreu e menos ainda com a punição imposta.


Ok ok Nalini, então cite algumas mulheres que, para você, merecem referência. Passo! Nessa altura conheci tantas que não vou me arriscar, ou arrisco?

1. Esposa Lila, 2 Patrícia 3. Luiza Helena 4. irmã Aída, 5. Maria, minha mãe, 6. Dona Leonor, 7. Minha sogra Hilda, 7 e 8 - Minhas queridas: Melina, filha, e Maria Eduarda, neta, ambas juntas do Senhor.


Em Franca lembrei-me de três, Luiza Helena, certamente uma das mulheres mais conhecidas no país hoje, sua liderança demonstrou que de caipira ela não tinha nada, a Patrícia, pois a cidade carinhosamente girou em torno dela dezenas de anos, e a Dona Leonor, extensivo as inúmeras outras que fizeram da benemerência uma devoção. Como quero reunir mais nomes, vai aqui o meu e-mail sergionalini@me.com.


Veja que curioso, o peronismo move a Argentina há décadas, e quem tem uma ópera? Evita! Cite uma das maiores expressões da monarquia de todos os tempos, Elizabeth II, mas tem o contraponto da princesa Diane. E a estória de Helena, é falsa ou verdadeira? Pois é, tem tanta mitologia reunida que até parece ser verdade. Ou você acha que realmente aconteceu a Guerra de Tróia, ninguém sabe. De qualquer forma são os gregos se curvando à uma mulher.



Agora, vamos falar em empoderamento feminino? Sabe quem me vem à mente? Joana D’Arc, aos 19 anos se adapta visualmente aos soldados da época, cortando curto os cabelos e vestindo a mesma farda deles, comanda com sucesso as tropas francesas contra as inglesas na Guerra dos 100 anos. Se fosse homem poderia ter sido apenas executada, mas, como foi uma mulher muito ousada, termina a vida na fogueira. Até falaram em heresia, já que não há dúvida que ela se comunicava bem com o além, ouviu vozes que a remeteram à guerra, mas foi morta mesmo por inveja da sua liderança comandando homens.


A maior referência é mesmo é Maria, mãe de Jesus, gosto de olhar para ela e ver uma mãe comum, mesmo sabendo que não. A sua preocupação quando Jesus some em Jerusalem, com uma boa bronca quando é encontrado, sua preocupação confessa à prima Isabel, com precocidade de seus filhos e o seu duro desempenho quando Jesus chega à maturidade com tudo que já sabemos. Foi literalmente um pilar no cristianismo.


Se essa minha crônica não é uma homenagem às mulheres, por já ter dito que não sou credenciado para isso, agradeço ao Diário Verdade, por ter me escolhido para fazer essa tentativa e poder  confessar, sem falso romantismo,  que o equilíbrio da criação está na mulher,  é ela que dá a graça, seja porque é quem cria e educa ou quando vai à luta, que é sempre mais de uma, e ainda consegue ter o charme e a beleza, tão natural!


Dedico esse artigo a três saudosas mulheres que passaram pela minha vida, minha mãe, Dona Maria, tão querida e admirada por quem a conheceu, minha filha Melina e minha neta Duda, essas duas tão precocemente retornando às suas atividades espirituais.


Deixo também um beijo à minha irmã Aida, ainda toda serelepe, e à minha sogra, Dona Hilda, que teve tanta paciência comigo, e, terminando esse artigo, vou lá dar um beijo na Lila, que esse ano completará 50 anos do meu lado. Foi ela que deu a ideia de terminar não com um poema maravilhoso, mas com essa uma música pé no chão, do Erasmo Carlos, Mulher!

Dizem que a mulher é o sexo frágil

Mas que mentira absurda!

Eu que faço parte da rotina de uma delas

Sei que a força está com elas

Vejam como é forte a que eu conheço

Sua sapiência não tem preço

Satisfaz meu ego se fingindo submissa

Mas no fundo me enfeitiça

Quando eu chego em casa à noitinha

Quero uma mulher só minha

Mas pra quem deu luz não tem mais jeito

Porque um filho quer seu peito

O outro já reclama a sua mão

E o outro quer o amor que ela tiver

Quatro homens dependentes e carentes

Da força da mulher

Mulher, mulher

Do barro de que você foi gerada

Me veio inspiração

Pra decantar você nessa canção

Na escola em que você foi ensinada

Jamais tirei um dez

Sou forte mas não chego aos seus pés

Mulher, mulher

Mulher, mulher


sábado, 26 de fevereiro de 2022

O Carnaval em Franca no século passado

        

        No compasso da folia, falamos hoje do Carnaval, festa que, feita com inteligência, pode ser prazerosa, é como o futebol, no fundo no fundo todo mundo gosta, só não pode ter briga, ofensa e rivalidades desmedidas. O período é mesmo um feriadão, utilizado como tal… feriadão! Pode até dar uma passadinha pela tevê, uma olhada nos desfiles, mas fica só por aí. A covid conseguiu cancela-lo, ou transferi-lo, e olha que, para parar uma festa dessa no Brasil tem que ser grave.

        O evento voltou a se popularizar de forma sadia há tempos, com os gritos de carnaval nas praças, antigamente já teve desfiles nas ruas das cidades, em carros abertos, com blocos disputando a simpatia, com confete e serpentina, quiçá lança-perfume. 
        Hoje, com o enorme volume de famílias com crianças nas praças, vê-se que é um momento muito saudável, a nota ruim fica por conta dos celulares que trocam de mãos e a falta de banheiros para tanta gente.
        A lança-perfume ficou para trás, não sei bem de onde surgiu a ideia de jogar éter nas pessoas, o cheirinho saiu das roupas e foi parar nos lenços, com óbitos registrados. Mas também lançavam espumas e outros ingredientes, nada recomendáveis, os produtos não sobreviveram a nenhum exame químico, daí passaram a jogar água, com humor de hoje o certo mesmo é não jogar nada em ninguém, para quem gosta é só dançar mesmo.
        Vejo por postagens que, a partir de 1920, Franca levava os desfiles de blocos e carros muito a "sério", mais recente convivemos com disputa dos grupos, entre outros, do UAI e Ponto Final, uma festa de rivalidade na AEC. Os dois grupos se eternizaram, mas outros sempre primaram pela criatividade e muita elegância.
        A praça Barão já teve um teatro, o Santa Clara, onde foi a loja de ferragens da Casa Barbosa, local de  “bailes carnavalescos memoráveis”, isso até o ano de 1920. Mais de 100 anos… chegavam de carruagens? Rsss.
        Veja que o veículo top desses desfiles era o barata da Ford, em uma delas, em 1928, os “galãs” Arlindo Haddad, Gino Balerini, Wadi Pedro, Fuad Abdala e Juca Ramos, estavam vestidos de “simpáticos toureiros, arranjaram muitas namoradas e conquistaram os aplausos da população”, alardeava uma notícia da imprensa francana em 1976.
        Em 1941, na enorme propriedade da família Presotto, rua General Carneiro esquina com Monsenhor Rosa, tinha um clube chamado Amor à Mocidade, segundo a imprensa da época “o mais democrático de todos”, ali foi coroado o primeiro rei momo francano, Mário Tedesco com sua rainha Nair Capretti, presentes na coroação Baldijão Seixas e Orlando Dompieri. 
        Do acervo da Patrícia, postadas no Facebook por Dijalvo Braga Filho, duas fotos abaixo do Grupo UAI (pesquisei muito e não consegui do rival Grupo Ponto Final). As demais foram cedidas pela família do saudoso Conrado.








quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Agostinho Galgani e a Imperador, 50 anos!

RÁDIO E TV IMPERADOR Há 50 anos o empresário Agostinho Galgani Silva montou a Rádio Imperador e depois a tv com o mesmo nome

 

        Era o início de uma transformação nos meios de comunicação de Franca. Agostinho Galgani (foto) contratou os melhores repórteres e locutores da época. Sucesso total, da emissora que semana passada comemorou meio século de atividades.
        Mas interessante mesmo foi a história da TV Franca sempre teve algumas pessoas muito inteligentes e empreendedoras.  Era o caso de Demétrio Soares, Adalgiso, Matheus e Paulinho, técnicos em Eletrônica. 
        Como se fora uma aposta, cada um dizia que conseguiria montar um transmissor e câmera de tv. Dito e feito. Logo o equipamento estava pronto para testes. Este jornalista e o locutor Paulo Jorge fomos convidados para a primeira transmissão de tv. 
        Era 7 de setembro. Foi transmitido o desfile das Escolas, com tomadas a partir do primeiro andar do edifício Franca do Imperador, mostrando desde a antiga Matriz, hoje Catedral, de um lado e a AEC do outro. Sucesso, foi a primeira transmissão. 
        Mas não era possível parar por aí se tudo dera tão certo. Convidados dr. Willian Salomão e o radialista Valdes Rodrigues, foram programadas entrevistas diariamente, a partir das 20 hs. Um mês depois a surpresa, uma equipe do Exército e Polícia Federal, uniformes verde oliva, chegava a Franca. 
        Este jornalista foi chamado a prestar depoimento sobre "a tv clandestina de Franca". Suspensas as transmissões, com a possibilidade de ir a Brasília, pois 
havia um canal de tv autorizado para Franca. Ao saber disso, Agostinho Galgani imediatamente se dirigiu à capital federal, conseguiu autorização e montou a TV Imperador de Franca.
 
        Passados pouco mais de 2 anos outra surpresa. Galgani recebeu a ilustre visita e Silvio Santos e Paulo Machado de Carvalho, da TV Record, interessados na tv local. Galgani concordou com a proposta. E mudou de atividade, comprou fazendas no Mato Grosso e Tocantins, onde trabalha até hoje, mantendo em Franca somente a rádio Imperador.  
Crônica Publicada em 4 de dezembro de 2021 

Gerado Pelotão e seu compadre

A Franca, capital dos calçados, dos diamantes, do basquete, terra do melhor da café do mundo, tinha também pessoas simples e especiais
 

        Franca, Atenas da Mogiana, como era chamada pelo Governador na década de 60, tempo dos anos dourados, tinha poetas, músicos, industriais idealistas, muita gente conceituada e admirada. E pessoas simples, como Geraldo, que era chamado Pelotão pelos moleques na praça Barão. Até nisso a Franca era uma cidade diferente.             Uma cidade mineira dentro de São Paulo, como se dizia, ao lembrar dos filhos de Minas Gerais que para aqui vieram. 
        Pois Geraldo também deixou lembranças. Na verdade, ele ficava bravo, com duas pedras nas mãos, pronto para o atrito com os meninos da praça. Mas tinha momentos diferentes. 
        Por exemplo, quando chegava a Franca o inspetor da rádio PRB-5, José Reynaldo Nascimento Falleiros, o Garcia Neto (pseudônimo adotado em homenagem ao avô), seu "compadre". Pessoa especial, que sabia entender Geraldo. Nunca o chamava pelo nome, muito menos pelo apelido. Era sempre aquela voz imponente chamando "Compadre". 
        E Geraldo deixava de lado as pedras, esquecia os meninos, vinha em direção a Garcia com um meio sorriso, feliz, pois sabia que chegara o amigo, pessoa que lhe dava atenção. Os dois seguiam diante dos olhos admirados das pessoas, seguiam para tomar um cafezinho, ou o pingado leite com pão e manteiga, no Café Globo, no Francafé ou Pão Gostoso. Depois o jantar, geralmente no Pajé, onde estava sempre solícito Fause Abud, que os recebia.

        A vida era assim, simples, na cidade que acolhia a todos que chegavam para trabalhar geralmente nas indústrias de calçados ou nas lavouras de café. Eram aproximadamente 120.000 habitantes, não existia parque Vicente Leporacce nem jardim Aeroporto de hoje. 

        Essa gente simples fez da Franca uma cidade admirada e de grande conceito, com a marca de gente do trabalho. Havia também outras personalidades que circulavam pelas praças do centro, como Maria Capotinha, Luzia, Sissiá e Toinzinho Pulim, também deficientes. 

        Geralmente todas pessoas gostavam deles, ofereciam um café, um lanche, ou um paletó, pois fazia muito frio, um ambiente amistoso e acolhedor. O compositor e cantor Romualdo Carloni, um dia escreveu uma composição dedicada a Geraldo, "Eu sou da Franca, Sim Senhor, sou daqui e não vou negar, a praça principal é a Barão, o dia começa na contramão, estou falando do Geraldo, o Pelotão". Hoje tudo mudou, a cidade tem mais de 360.000 habitantes, continua sendo reconhecida. Mas o ritmo da vida atual provocou grandes alterações, aquelas pessoas simples pertencem ao passado já distante, de lembranças.  

Crônica Publicada em 11 de dezembro de 2021 

Grupo Novo fez de Mauricio um prefeito

GRUPO NOVO, A HISTÓRIA Só poderia dar certo, com idealistas e inteligentes personalidades, como Mauricio S. Ribeiro, Ary Balieiro, Roberto Engler e mais 37 companheiros. Mas foi surpreendente.


 
        Corria o ano de 1.976. Jovens se reuniram para tentar formar um grupo que disputasse as eleições para Prefeito e Vereadores. A tese era renovar a política francana. Era preciso mudar. Várias reuniões e não se chegava a um consenso: quem seria o candidato a Prefeito ? A chapa de Vereadores era mais fácil compor. Nos últimos dias, antes do prazo final , tempo correndo, o prof. Wanderley Mancini disse que buscaria seu cunhado. Mas quem era ele ? 
        O bancário do Banespa, Mauricio Sandoval Ribeiro. Chamado, surpreso, ele disse que somente aceitaria se não houvesse outro nome. Dito e feito. Mas fez uma ressalva, vamos plantar uma semente para o futuro. Chiachiri Filho foi escolhido como vice. Outros nomes fortes só aceitaram concorrer como Vereador e foram eleitos, Ary Pedro Balieiro e Roberto Carvalho Engler Pinto, por exemplo. 
        Vieram as eleições. Nomes fortes concorriam, como dr. Onofre de Paula Trajano e o médico Aníbal Vilella Moreira. Foram seis candidatos. Na primeira pesquisa o resultado foi bombástico: Aníbal em primeiro lugar, Mauricio em último. Alguns do Grupo Novo, como passou a ser chamada a chapa dos rapazes, chegaram a sugerir, não temos chances, vamos desistir de concorrer... Mas esse argumento nunca prevaleceu. Seguia a campanha, novas pesquisas, 
        Mauricio sempre em último lugar, dr. Aníbal Vilela Moreira em primeiro.
Clemente, um experiente senhor, aposentado, gostava muito de política. E de apostas. Naquele tempo não era proibido. Pois ele provocava e repetia para quem quisesse ouvir, na praça Barão : Dr. Aníbal não vence a eleição e dr. Onofre ficará em quarto lugar, dava a sentença, peremptória. Isso era impossível, segundo alguns, que aceitaram a aposta. E Clemente ganhou várias, consta até que comprou uma casa no centro com o saldo que conseguiu. 
        Resultado final: Mauricio em primeiro, eleito, dr. Aníbal em segundo e dr. Onofre em quarto lugar, como previa Clemente.
Veio a posse em 1.o de janeiro de 1.977 e novas surpresas. Um dos integrantes do         Grupo Novo chegou a sugerir a renúncia total dos eleitos. A resposta foi imediata, você renuncia, nós não. Esse provável assessor nunca foi nomeado. E o Grupo Novo estava marcado talvez pelo destino a cumprir papel relevante na política. Anos seguintes os vereadores do Grupo Novo dr. Ary Balieiro e Roberto Engler foram eleitos. 
        Ary para a Prefeitura, depois reeleito para o segundo mandato, engenheiro e arquiteto por formação, sempre bem sucedido.  Engler foi eleito deputado, hoje já no oitavo mandato seguido, um recordista. Políticos do bem, como se define hoje, Mauricio é sempre lembrado pela honestidade e honradez, não levou uma caneta bic para casa. Passados agora 46 anos daquele feito, fica a pergunta: uma renovação como aquela de 1.976 algum dia se repetirá? 
Com a palavra os idealistas, políticos e jovens da Franca de hoje. 

Crônica Publicada em 8 de janeiro de 2022 

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Wilson Sábio de Mello e a importância de Delfin Neto

A primeira exportação da Samello foi motivada pelo ministro Delfim Neto. A indústria da cidade chegou a empregar 29.000 trabalhadores e formou centenas, senão milhares, de profissionais

       Nos primeiros anos da década de 70 um Ministro e um Industrial mostravam ao Brasil o que é iniciativa e capacidade de trabalho. Antônio Delfin Neto dirigia o Ministério da Economia. Convidou o diretor da Samello, de Franca, Wilson Sábio de Mello, para uma viagem aos Estados Unidos. Naquele país o Ministro disse a um dos maiores lojistas americanos: Meu Amigo industrial brasileiro sabe fabricar isto aqui. Wilson levava em mãos quatro pares de sapatos fabricados em sua indústria, em Franca. Foi o primeiro contato e logo o primeiro negócio. Mais de 30 anos depois Wilson Samello declarou em reportagem especial a este repórter, publicada no jornal Estadão. "Foram muitos e muitos negócios. Nunca mais deixamos de ter contato".

        Na foto ao lado de um dos mais importantes homens de marketing do calçado no Brasil, Getúlio Alberto de Oliveira, o industrial Wilson Sábio de Melo, lembrou passagens interessantes. "Foi um tempo de amizade,  consideração, de parceria e bons negócios. Quando o lojista americano tinha um problema de vendas, me telefonava e dizia "mande pelo menos 10 mil pares de calçados e eu lhe pago na primeira oportunidade". Para Wilson Samello era uma via de mão dupla, quando ocorria uma crise econômica ano no Brasil, ele ligava para o americano dizendo "vou lhe mandar alguns milhares de pares de calçados e você me paga na primeira ocasião". 
        Outros tempos para a indústria de calçados e para o País. Hoje tudo é diferente. Mas o capitão da  indústria de Franca será sempre lembrado como um homem de visão, cuja capacidade de trabalho envolvia talvez as melhores equipes de gerentes e funcionários, na Samello. 
    O sr. Hugo Bettarello, diretor da Agabê, certa vez disse que os maiores e mais experientes industriais das fábricas de calçados de Franca passaram pela Samello, e lá aprenderam muito, desde os tempos de Miguel Sábio e Mello, pai do sr. Wilson. Época de ouro,  quando Franca era chamada e reconhecida como a capital do calçado no Brasil. A indústria da cidade chegou a empregar 29.000 trabalhadores e formou centenas, senão milhares, de profissionais. Muitos montaram fábricas de pequeno e médio porte, fabricando para o mercado interno enquanto as maiores exportavam a produção. Hoje grande parte é terceirizado e a realidade totalmente diferente.

Crônica Publicada em 24 de julho de 2021

sábado, 5 de fevereiro de 2022

João Penha, o professor!

Escrever sobre quem foi o professor João Alves Pereira Penha é um desafio, mas antes uma grande emoção. 


 

        Um gigante na pele de menino, assim o definiu a Doutora Maria Flávia, uma das 9 Marias da vida do professor João Penha, a esposa e 8 filhas com o nome de Maria. Ele era muito religioso, Mariano, deu o nome às Filhas também por conta do nome da esposa Maria Aparecida Figueiredo Pereira, titular da Unesp de Franca.             Suas paixões na vida foram o Direito e a Língua Portuguesa. Mas antes de relatar estes nobres detalhes, é preciso dizer algo a respeito das 8 Marias, todas graduadas. Maria Virginia de Figueiredo Pereira do Couto Rosa, Procuradora Institucional das Faculdades Campos Elíseos: Maria Beatriz de Figueiredo Pereira Alves Taveira, Sócia proprietária da Wizard ; Maria Helena de Figueiredo Pereira Prado. musicista e proprietária do Quintal do Poeta ; Maria Cristina de Figueiredo Pereira Rodrigues Alves, Funcionária da CEF ; Maria Ângela de Figueiredo Pereira, comerciante aposentada ; Maria Amália de Figueiredo Pereira Alvarenga, Advogada e Docente da Unesp de Franca ; Maria Paula de Figueiredo Pereira Nascimento, Odontóloga e proprietária da Clínica Função e Arte e dra. Maria Flávia de Figueiredo Pereira, Docente do programa de Pós-Graduação em Linguística da Unifran, todas elas na foto ao lado da Mãe.

Pois o Professor João Penha veio de Minas Gerais e escolheu a Franca como sua cidade. Foi sempre uma referência nas Faculdades, orientou doutorados, escreveu tese a partir de 1.970, mostrou e deixou marcas no português antigo, desde Camões, fatos que até hoje são novidades. A Língua Portuguesa, o português popular, ele era da zona rural, em Minas, nunca esqueceu as raízes, publicou livros e isso o tornou conhecido e conceituado, até na América e Europa
era, enfim, um homem movido pelo grande amor à Língua Portuguesa. Surpreendia em todas ocasiões. Suas falas até hoje são lembradas, era um homem de vanguarda. Político, homem de direita, tinha amigos e colegas na esquerda, mas sempre os respeitou e, um deles, o professor Luiz Cruz, foi alguém que considerou com grande respeito. Hoje o dia amanheceu cinza, conversavam Cruz e João Penha, eram diferentes na política. As filhas fizeram o curso na Escola do professor Luiz Cruz . 
Assim era João Alves Pereira Penha, na recordação das filhas e dos Amigos, homem simples, de uma delicadeza rara, que manteve vida toda o olhar de menino, sentava-se para dialogar ou tomar um café com o jardineiro, com o leiteiro ou o Professor da USP. Era um apaixonado pelas pessoas. Suas palavras jamais serão esquecidas, seu semblante era a própria simplicidade e humildade. Este simples destaque no Verdade é uma forma de reconhecimento a sua pessoa, sua obra, pois foi ele uma referência no setor Educacional da cidade. Este o objetivo, realçar e lembrar paras os amigos e indicar aos mais jovens os exemplos dignos de personalidades da Franca. 

Crônica Publicada em 27 de novembro de 2021

Foto extra

Professores do CEDE
Foto original de Regnério Terra, colonizada por Marcelo Fradin



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Laércio de Franca, da orquestra, um dos maiores Embaixadores de Franca!



A história de Laércio de Franca é muito singela. Antes, é extraordinária, e merece ser aqui lembrada . Sua Orquestra foi classificada como uma das maiores do Estado de São Paulo, reconhecida e admirada por músicos e pelos fãs por onde passava. E digo Embaixador porque o nome da cidade que ele adotou era levado por onde passava. Bailes de formatura, comemorações e eventos importantes, Laércio Piovesan era sempre requisitado. 

E o nome Laércio de Franca o acompanhava, em todas ocasiões. Ele faleceu há quase 4 anos, depois de receber do SESC uma homenagem no teatro municipal. 

Franca sempre foi lembrada como a terra do Relógio do sol, da antiga Mogiana, dos calçados e do basquete, mas a expressão  maior sempre foi Laércio de Franca. 

Por ser ele uma figura individual, que venceu incontáveis barreiras até formar sua Orquestra.Marco Antônio Russi foi talvez o maior pesquisador sobre a figura ímpar de Laércio. Em seus relatos, Russi lembra que já em 1.939, ao lado do pai Manoel Piovesan, com apenas 7 anos, Laércio tocava na Banda de Caconde.

Pouco depois já estava no Rio de Janeiro, na rádio Nacional, até que veio para Franca, onde logo foi integrar a Orquestra dos músicos Adalberto Lucas, Raul de Barros e Godofredo e Barros, o maestro Godinho. 

Voltou para o Rio de Janeiro, tinha sonhos, tocou na orquestra do Maestro Chiquinho e pouco após na orquestra de Ary Barroso. Era uma realização pessoal. 

Até que resolveu voltar em definitivo para Franca, a convite do maestro Emilio Sichierolli. Tudo isso até fins de 1.958, quando nasceu a orquestra Laércio de Franca. 
A AEC era o palco perfeito para as brilhantes e concorridas apresentações. Em Franca e por todo o interior e em outros Estados, foram mais de 2.500 bailes, com aproximadamente 200 músicos participando da Orquestra ao longo do tempo. Em 1.962 surgiu a oportunidade de gravar um Long Play, o LP da época.

A última apresentação de Laércio de Franca aconteceu no ano de 1.980, na cidade de Guaxupé, MG. Laércio, sua imagem, suas belas músicas podem ser vista e ouvidas em algum registro, como Moonlight Serenade, no youtube há 7 anos.

Teclado e Trompete eram suas especialidades. Dezenas de colaboradores participaram de muitas iniciativas ao lado de Laércio, como Luiz Justino, baterista que além de ter vivido a experiência de tocar em alguns carnavais, lembra que teve a oportunidade de levar ao maestro vários músicos que tiveram presença marcante a cada tempo. A lembrança do nome de Laércio de Franca pelo jornal Verdade de hoje, é um reconhecimento a tão brilhante personalidade.

Crônica Publicada em 30 de outubro de 2021


domingo, 23 de janeiro de 2022

JOSÉ MARQUES GARCIA, um sonho, há 99 anos

José Marques Garcia, fundador do Allan Kardec,  
do Centro Espírita Esperança e Fé e do jornal A Nova Era

 

Uma grande preocupação com os doentes mentais, que perambulavam pela cidade e quase sempre eram maltratados ou ignorados pela população. Foi este motivo que levou José Marques Garcia a acalentar um sonho que viria a ser realidade em 19 de novembro, 99 anos atrás. Naquele dia nascia o asilo, posteriormente Casa de Saúde e atualmente Hospital Allan Kardec, que tantos serviços prestou e continua prestando nestas décadas, a Franca e toda região. 

Hoje imagina-se como seria a cidade de 360 mil habitantes e a região 750 mil, sem o atendimento do Hospital Allan Kardec. 
Homens simples e valorosos daquele tempo colaboravam com José Marques. Entre eles, Francisco Latorraca, Diocésio de Paula, José Matias, Joaquim Bernardes, Thomaz Novelino, Diomar Branco e José Russo. 

E a espiritualidade indicou os rumos a serem seguidos, segundo relatos preciosos de Antonieta Barini e Agnelo Morato. Uma bela madrugada José Marques teve uma revelação em sonho. Um foco de luz indicava a direção norte da cidade de Franca. O local era a chácara do sr. José Claro. Aquela estrela ou bola de luz representava a caridade. José Marques Garcia, tentando interpretar o sonho, foi até o local indicado. Pouco depois surgiu o dono do sítio, que disse logo ao idealista José Marques: eu sei o que o Senhor veio fazer aqui, vou doar-lhe uma área para que possa construir sua obra de caridade.

As primeiras casinhas de taipa foram então construídas. Os primeiros doentes mentais foram acolhidos e atendidos no abrigo. José Marques Garcia teve uma vida de desprendimento, era a simplicidade em pessoa, a amizade e a justiça o acompanharam sempre. Ele nasceu em Ipuã, distrito de Barretos, aos 12 de maio de 1.862. E faleceu em 21 de junho de 1.942, aos 80 anos.

Sua vida foi marcada pelo trabalho e a lida com gado em Morro Agudo, Guaira, Viradouro e Batatais, antes de chegar a Franca. Aqui em Franca, na época conhecida como a cidade do sal, que era levado para Minas e Goiás, José Marques fixou residência e realizou seus sonhos. Fundou o Centro Espírita Esperança e Fé, o jornal A Nova Era, casou-se com Maria Marques Garcia, com quem teve um filho, que faleceu muito jovem. 

Franca prestou-lhe uma homenagem, dando seu nome à rua onde foi construído o asilo, hoje Hospital de primeira classe. Na rua José Marques Garcia também ficam o Educandário Pestalozzi, o Teatro Judas Iscariotes e o Lar de dona Leonor. E neste domingo um evento será promovido pela Diretoria, para lembrar o aniversário de 99 anos do Hospital. Ás 9 hs da manhã o evento terá música e arte, no Bosque do Beija Flor, localizado no recinto da instituição. Nesta coluna lembramos o nome de um valoroso cidadão, que prestou à comunidade os melhores serviços e participou da construção da cidade. 

Crônica Publicada em 20 de novembro de 2021



Paula Lima, o político mais bem sucedido de Franca

DR. VICENTE DE PAULA LIMA Deputado por 3 legislaturas, 
Presidente da Assembleia Legislativa, 
Secretário de Estado da Educação, Ministro do Tribunal de Contas

 

Dr. Vicente de Paula Lima certamente foi o político mais bem sucedido, na história de Franca. Dificilmente será superado. Com toda simplicidade, mas sobretudo muita inteligência, ele projetou Franca e por isso será sempre lembrado.

Foi nos tempos que as autoridades diziam "sobe-se a Franca". Uma referência à liderança desta cidade, certamente com base na atuação brilhante de políticos. Com dr. Vicente a Franca alcançou grande projeção.  Foram muitos anos dedicados à vida pública. Homem honrado, nasceu em julho de 1.910, filho de Luís de Lima e de d. Emília Pinheiro Lima, fez o primário em Franca, ginasial e colegial em Jaboticabal , no Colégio São Luís, dirigido pelo professor Anhaia Melo. Em 1.932 foi diplomado em Direito, pela Faculdade do largo São Francisco, montou banca de Advogados em Franca e em seguida foi nomeado Inspetor Federal pelo Presidente Getúlio Vargas, para a tradicional escola IEETC, de Franca. Nessa ocasião conheceu Alba Pucci, filha de Ricardo Pucci, com quem se casou e conviveu durante 57 anos. Ali também começou sua brilhante carreira de homem público. 

Incentivado por Amigos, concorreu e foi eleito Deputado Estadual em 1.946. Foram três mandatos e eleição para Presidente da Assembleia Legislativa do Estado e São Paulo, em 1.954, ano do quarto centenário.  Nessa ocasião, uma grande solenidade aconteceu em Franca, no salão Azul do Hotel Francano. Conforme mostra a foto, autoridades de São Paulo vieram a esta cidade para homenagear o Deputado francano eleito para o honroso cargo.
Em seguida dr. Vicente de Paula Lima foi nomeado Secretário de Estado da Educação, pelo então Governador Jânio Quadros. Posteriormente foi Ministro do Tribunal de Contas, por dois mandatos, após designado pelo Governador Roberto de Abreu Sodré, foi presidente da CESP e vice Presidente da Sabesp, tendo colaboração decisiva para que essa estatal firmasse convênio com o Município de Franca.
Faleceu em novembro de 1.995, deixando para a cidade e a região uma ampla folha de serviços públicos e tendo o reconhecimento de toda a população. Seu filho, Heitor de Lima, foi eleito vereador na legislatura de 1.968. Vicente de Paula Lima é reconhecidamente um dos mais brilhantes políticos da cidade em todos os tempos. E Franca lhe deve uma homenagem. Não há na cidade que completa 200 anos, uma rua sequer, uma avenida ou praça, que tenha seu nome. Nem mesmo uma Escola para lembrar, ele que foi inclusive Secretário de Estado da Educação, aprovou muitas delas para Franca. Mas sempre é tempo...


Crônica Publicada em 22 de janeiro de 2022