sábado, 12 de janeiro de 2019

Na viagem, relaxe com segurança (DV-33)

É real a preocupação com nossa segurança fora do país, não é nada para alardear, mas há cuidados e atenções a serem tomados, é uma história em cada porto.
O próprio site da embaixada brasileira na Suíça trazia orientações para alguns cuidados, isso foi substituído por um comunicado do Itamaraty: "Crimes, com diferentes graus de violência, ocorrem em qualquer lugar do mundo. Durante viagens ao exterior, cidadãos brasileiros devem permanecer atentos e ter sempre cautela". 
Sempre culpam os refugiados, mas nossa intenção não é estabelecer culpas e sim debater.
Por outro lado, com ou sem esses cuidados, muita gente vai para muitos lugares e não acontece nada, não se assuste, viaje!
Mas é curioso quando um daqueles cavalariços, policiais que ficam fazendo a vigilância para as milhares de pessoas que se aglomeram na troca da guarda do Palácio de Buckingham, passa explicando que você não deve deixar a mochila nas costas e sim na parte frontal, evitando o furto com estiletes, etc. Estamos falando de um dos lugares mais protegidos do mundo, ao lado da rainha? Parece que não é bem assim.
O mesmo vale para o Vaticano e para o Louvre, visitas a museus, invariavelmente, são feitas por demanda, algo como você a começa e vai sendo empurrado até sair do local, 
principalmente se for na Capela Sistina - habemus papam, e na Mona Lisa, bolsos, bolsas e mochilas em alto risco.
Simulações de desmaios, crianças no colo, pedidos de informações e ajudas humanitárias, podem ser uma isca, quando termina o tumulto adeus às carteiras, passe reto e nunca tire o olho de sua mala. Dinheiro falso só ouvi falar na Grécia e na América Latina.
Não se tem muitos históricos de violência, mas já tivemos depoimentos de furtos com truculência nos arredores de Paris, nas ruas de Madri e na região do Coliseu, em Roma. 
De um guia em Moscou ouvimos, vocês estão em uma das cidades mais seguras do mundo, evitem o que se deve evitar em qualquer lugar, metrô altas horas da noite, lugares onde a bebida é a atração principal, resumo, as bocas.
O dinheiro é o grande objetivo, mas o passaporte é diamante puro, ele tem que ficar obrigatoriamente em local seguro, em cofre ou no corpo, até de policial que vai levar seu passaporte para “conferir” desconfie. Os cofres de hotel regra geral são seguros, quem não confia leva tudo em uma pochete abdominal, por baixo da roupa, os riscos aí reduzem muito. A cópia plastificada é muito aceita, menos nas alfândegas, é claro. Produtos eletrônicos ou valiosos não devem viajar na mala, nunca!
Esse é o tipo de artigo que eu nunca gostaria de escrever, mas imagino que todos os guias falarão sobre isso, não descuide dos itens pessoais, os carteiristas são hábeis, muito hábeis e, da mesma forma, criativos. 

Referência: 33.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 12/01/2019 - (DV-33)

sábado, 5 de janeiro de 2019

A costura do tempo (DV-32)

        Dizem que o francano genuíno é saudosista, espero que sim, a história perpetua fatos e sedimenta o futuro. Nessa esteira comecei refletir sobre fatos interessantes vistos ou vividos de 1950 para cá.

        Primeiro o crescimento do bairro Cidade Nova, o Aparecido, do Supermercado São Paulo, fala que viu a av. Presidente Vargas ser asfaltada em 1957, estava em dúvida, mas foi o Gosuen sim, mesma data que lembro de ter visto asfaltar a rua José Marques Garcia, período que começavam a se popularizar os aparelhos de televisão, da primeira só vi um brilho no teto pela janelinha de vidro de uma porta antiga. 
        Do período escolar tiramos, além do bom ensino público, o fato de ter, entre tantos professores maravilhosos do IETC, o de educação física, Pedroca, onde também estudavam os irmãos Garcia, que viriam formar o fabuloso time de basquete do Clube dos Bagres, o resto da história conhecemos. Dos ótimos docentes da área contábil da Pestalozzi, o destaque fica para Luis Puglia, e, na Economia, para Facury e Kaluf.
        Na juventude espírita tivemos o prazer de conviver com Thomaz Novelino, Antonieta Barini e Agnelo Morato, vendo a força de José Russo, Vicente Richinho e de meu pai Leonel, é claro.
        Na imprensa, de Reny Parzewski e Magno Dadonas, foi contundente acompanhar para a Folha o saturnismo, intoxicação por chumbo, não lavaram placas para fazer tachas que os montadores iriam colocar na boca, foi uma tragédia.
        No rádio tivemos o programa Horário Nobre, aos sábados à tarde, na Imperador do Augustinho e Penha, co-pilotado pelo Greguinho, com discos nacionais e importados pela Hedonê do querido Fábio Martins de Ribeirão. Lembro que uma freira em clausura queria de saber quem era o músico que acabava de tocar, era Paco de Lucia, espanhol flamenco que fez a trilha sonora do filme Carmen de Carlos Saura.
        Com o Clube da Esquina, nome de inspiração proposital, fizemos três Fearte, um mês de atividades culturais, nossa única receita foi o resultado de uns adesivos plásticos que vendemos à sombra do Hotel Francano, ali conheci Maurício Sandoval Ribeiro, que iríamos assessorar no futuro.

        Pelo teatro participamos de O Dia de Pierrot e Está Lá Fora o Inspetor, com Eurípedes Carvalho, Vanderlei Faleiros, Sidnei Rocha, José Paschoal e Reginaldo Emídio, navegando pela censura com Orlando Dompiéri. Por isso fui convidado pelo querido Marçal para ser Diretor Social da AEC, resgatamos a orquestra Laércio da Franca, estava encerrado suas atividades.

        Profissionalmente não dá para esquecer dos anos de docente no Coleginho e Alto Padrão, e da atividade nos Calçados Terra e Sândalo, enorme apoio dos Brigagão.
        Ter visto Pelé jogar, a queda do muro de Berlim, a soltura de Mandela e o fim da URSS, também marcaram. Pode ser pouco para os 69 anos que completamos hoje (5/1/2019), mas é assim mesmo, cada um escreve um pedacinho da história, nem que seja só da sua própria.


Referência: 32.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 05/01/2019 - (DV-32)

sábado, 29 de dezembro de 2018

O Olhar de Dona Maria - (DV-31)

Uma vez disse para minha mãe que o ano “que vem” ia ser muito complicado, daí tive que ouvir essa: “filho, tenho quase 70 anos e todos os anos ouço que o seguinte será muito difícil, os que vivi sempre foram um melhor do que os outro, então, sejamos otimistas, o ano que vem será melhor que este”. Dona Maria Nalini era assim, otimista, talvez dela tenha herdado também a calma, fundamental para praticamente todos os atos de minha vida.
Antevendo o que virá em 2019, coloco um pouco da visão do economista e um pouco do olhar de dona Maria, mas… não tirando do foco o imponderado, ótimo para trair previsões, fatos que afetam a economia e não se tem como prever, as tais fatalidades.
A primeira coisa que um ano precisa é de estabilidade, não pode ter nenhum movimento armado, digo, revoluções, guerras, como a Guerra das Malvinas, por exemplo, já mencionadas, quase no nosso quintal. A economia retrai, ninguém investe, atrasa o progresso por anos. Aparentemente não há esse risco, as Coreias estão reinaugurando a ferrovia que as liga, desativada por quase 50 anos. Parece que, tirando o muro, o Trump sossegou um pouco o facho e a Venezuela, que poderia ser um risco, só tem um presidente falastrão, com isso não assusta ninguém.
Depois, e talvez mais importante, vem a estabilidade política, no primeiro ano de um governo, sempre temos uma pulga atrás da orelha, mas o que se supõe é que ele faça o prometido na campanha, razão pela qual recebeu a maioria dos votos. O Brasil tem tudo para receber bons investimentos, mas precisa demonstrar que os merece, isso já começou ocorrer. 
A base política do próximo governo, no novo legislativo, migra do centro para a direita, imagina-se que, se não tiver uma ampla maioria, não deverá ter um oposição predadora. Só veremos isso lá para julho, quando o Congresso tiver sido testado, à primeira vista não deverá ser fator de desestímulo para a economia.
Um país de dimensões continentais, com pontos que carecem de investimentos profundos, não é fácil de se administrar, nossa infraestrutura - estradas, portos e aeroportos, precisam responder melhor, o turismo, excelente fonte de renda, carece da queda da violência, principalmente tendo o Rio de Janeiro como porta de entrada.
A previdência precisa ser tratada com carinho, inclusive por estados e municípios, a Grécia demonstrou o que acontece quando ela quebra, desaposentou muita gente e/ou reduziu drasticamente o valor dela de boa parte da população. Ou se faz uma reforma inteligente ou morreremos todos abraçados.
O serviço público tem que se modernizar e profissionalizar, as questões corporativas precisam ser bem administradas, lutar contra os antagonismos, por onde passei sempre encontrei servidores de muita qualidade, precisam ser melhor aproveitados.
Então, com esse olhar duplo, imaginamos que 2019 pode representar uma retomada, mas tem enfrentar esses gargalos.

Referência: 31.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 29/12/2018 - (DV-31)

O señor periodista e o papa João Paulo II - (DV-30)

        Acompanhar o basquete francano em um campeonato sul-americano, no Uruguai e na Argentina, foi um dos eventos mais importantes da minha amadora carreira de jornalismo. Foi em 1982,  fui como correspondente da Folha de S. Paulo e, de forma excepcional, da EPTV, que acabava de inaugurar sua torre na cidade e só tinha 3 anos de vida.

        Dois fatos marcantes na Argentina, sua realização ocorreu durante a guerra das Malvinas e Buenos Aires contou, no mesmo período, com a visita do papa João Paulo II, que foi tentar encerrar a guerra, conseguindo um fundamental cessar fogo.

        De Montevidéu, me lembro de que era uma cidade limpa, organizada e com um custo de vida superior ao nosso, a moeda estava estabilizada, além é claro, da movimentações de aeronaves de guerra no aeroporto, foi aberta uma exceção para que recebessem  aviões hospitais ingleses. Ah, tinha cassino e o Hélio ganhou! Rss.     

                     

        Por culpa da guerra, quase que os jogos só ocorrem no Uruguai, mas, depois de muito impasse, fomos para a capital portenha.

        No embalo de um alvoroço em Buenos Aires, em uma avenida, quem vimos? Um dos papas mais simpáticos e atuantes da história, Karol Wojtyla, em seu blindado papa móvel. Onze meses antes, em 1981, fora vítima de um atentado. 

        Na avenida Corrientes, por onde ele passou, em uma banca comprei um botton, pins patrióticos com o argentino azul e branco, uma autêntica e encapotada senhora argentina veio conversar comigo, pedi para falar devagar, ela me abraçou e disse chorando: hermano brasileño, tristeza compreensível.   

        Interessante saber naquela altura que Buenos Aires tinha uma avenida chamada Florida, e não Flórida, com seu calçadão onde veículos o atravessam… bem devagar, Franca estava consolidando os seus. As roupas de couro estavam baratas, com o adendo do “aceptamos cruceros”, a guerra havia desvalorizado a moeda local, o cruzeiro brasileiro valia mais. Depois voltamos várias vezes lá, cada época com sua história e momento econômico.

        Nos jogos soube que eu era um 'periodista', jornalista em espanhol, pois sempre tinha um funcionário administrativo chamando o tal señor periodista, eram os demais órgãos de imprensa brasileiros, ao telefone nos chamando, querendo saber os resultado dos jogos, celulares faziam falta, imagine isso hoje.

        Sem contar os vendedores ambulantes aos berros, seria o saudoso Jubileu e sua troupe!?! Não, não era amendoim, salgadim, torradim, eram papitas, batatas fritas, as industrializadas em saquinhos.

        Para a EPTV gravávamos por telefone, da mesma forma dos repórteres da Globo que cobriam a guerra, a minha imagem ficou gravada antecipadamente, montavam com um mapa do cone sul ao fundo. Fiquei por muito tempo explicando que cobri jogos do sul-americano de basquete e não a Guerra das Malvinas, foi muito curioso.  

  

        E os jogos? Foram os últimos do Hélio Rubens no exterior, no ano seguinte ele substituiria o Pedroca na direção do basquete, o time não foi campeão por pouco, diferente desse ano, um dos dois jogadores, convidados do Sírio, não acertou 3 dos 4 lances livres finais, que decidiriam o campeonato a favor de Franca.

    Duas coisas, o Hélio jogou muito, e nossa ida foi indicação do amigo Realindo Jr., que era do Estadão. Hoje ele colabora com seus artigos aqui no nosso blog, que é de Franca, com muitas saudades. 


Referência: 30.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 22/12/2018 - (DV-30)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O Pilar de Nossa Senhora (DV-29)

Homenageou-se a Imaculada Conceição no última dia 8, a criação da Catedral, que leva seu nome, se confunde com a fundação da Vila Franca do Imperador. O dia dessa festa, feriado em Franca, é anterior ao descobrimento do Brasil, 1476, criada pelo Papa Sisto IV, antecedendo um dogma que viria ser decretado séculos depois por iniciativa do Papa Pio IX, em 8 de dezembro de 1854.
O reforço do dogma veio em 1858, com as aparições de Nossa Senhora registradas em Lourdes pela jovem Bernadete Soubirous, onde Maria se apresentou como Imaculada Conceição. Considerando a idade da jovem e o lugar ermo em que moravam, seria impossível que ela tivesse a informação da Bula que declarou a Virgem Maria livre do pecado original.
Considerando alguns mitos não comprovados, as aparições de Lourdes foram declaradas "verdadeiras" pela Igreja Católica, mitos que também ocorrem com localização de objetos e restos mortais dos apóstolos da época de Cristo.
Nessas pesquisas chegamos à espanhola Zaragoza - pronuncia-se Saragoça, com sua espetacular catedral de Nossa Senhora do Pilar, considerada um dos doze tesouros da Espanha. E é aqui que estacionamos. 
Maria, após a crucificação, abençoou a peregrinação que Tiago Maior, faria à Espanha para cristianiza-la, a Virgem disse a ele que, no lugar onde mais pessoas fossem convertidas, seria o local para a construção de uma igreja, “em nome de meu filho”. Tendo isso ocorrido em Zaragosa, Maria aparece para Tiago em um pilar, cercada de anjos, e não só escolhe a cidade para receber a igreja, como também define o seu  formato.
“De repente, o coro de anjos levou Maria para sua casa em Jerusalém”, ela estava viva quando isso ocorreu! As mesmas fontes dão conta que ela ainda viveu “por mais onze anos”. Sabemos que Tiago é capturado e decapitado pelos romanos, tem seu corpo resgatado pelos cristãos e levado para Compostela, também na Espanha, local hoje de tantas peregrinações, Santiago.
Santo Antônio de Pádua, o casamenteiro, também se desdobra “misteriosamente” e vai de Lisboa para Pádua defender seu pai, acusado por algo que não cometeu, e mais, consegue o depoimento dessa inocência do próprio “morto".
O espiritismo também tem relatos desses desdobramentos, o mais próximo de nós é o de Eurípedes Barsanulfo, na vizinha Sacramento, guia físico e espiritual de Tomás Novelino e a sua Fundação Pestalozzi. O caso mais conhecido ocorre durante uma aula, em que ele adormece e se desdobra para ajudar em um complicado parto numa fazenda próxima. O marido, que foi à cidade buscar Eurípedes fisicamente para ajudar, por suas noções de medicina, é surpreendido pela informação, do próprio Eurípedes que já havia retornado, que o bebê já havia nascido, e bem. Quem conta essa historia em um vídeo é o menino que nasceu nessa oportunidade.
Sim… são milagres!

Referência: 29.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 15/12/2018 - (DV-29)


domingo, 9 de dezembro de 2018

Andando de lado (DV-28)

Um dos termos curiosos do economês - jargão usado pelos economistas para explicar que não aconteceu nada no dia no câmbio ou na bolsa de valores, não subiu, não desceu, enfim, ficou como ontem, é o “andando de lado”, a alusão é ao caranguejo mesmo. Só que o bichinho chega onde quer, tem o olhar periférico e andar para o lado garante a sua sobrevivência.
Os espiritualistas entendem que isso ocorre quando passamos pela vida e não evoluímos, não crescemos, andamos de lado, ou seja, na grande escola da existência não produzimos nenhuma surpresa positiva Os reencarnacionistas defendem que vamos começar tudo de novo do zero sem os benefício da evolução, credo. 
Tem lógica, se todas as religiões entendem que viemos de Deus e voltamos para Ele, nesse exame não temos que mostrar algo positivo? Se Deus nos criou e também ao Universo, o que devemos ser, um planeta sem brilho ou uma estrela reluzente? O livre arbítrio te dá direito de escolha, através de suas ações.
Outro termo curioso é “bolha", utilizado quando o mercado acelera seus investimentos, se isso passa da medida e a valorização fica superior à real, ops, acabamos de fazer uma bolha, de sabão.
Um exemplo clássico e recente de bolha, foi a aceleração dos preços dos imóveis nos Estados Unidos, a partir de 2006, o mundo inteiro acabou embarcando nessa, há centenas de livros, tem até um cult movie imperdível, A Grande Aposta. Uma outra bolha bem mais antiga foi o das tulipas holandesas, já contamos aqui.
O caso americano rendeu o termo clássico "marolinha", quando uma onda avassaladora derrubou os mercados financeiros no mundo todo. No fundo o então presidente Lula tinha razão, num primeiro momento não afetou muito, mas a manutenção da crise ao longo dos anos, enfraqueceu muito a nossa economia, não recuperamos até hoje. 
Quando você mirar a economia mundial, não tire o olho da China, ela é a nossa grande compradora de comodities, se a coisa ficar ruim nos EUA e na Europa é péssimo, mas se atingir também a China, levante as sobrancelhas.
Um outro termo, esse inglês, que também transita bem é o private equity, são fundos que administram o dinheiro que sobra no mundo e o investe intervindo em empresas promissoras, aquelas que, em tese, uma vez alavancadas, crescerão mais que o normal. Foi o caso do Magazine Luíza e da CVC, por exemplo, os investidores acertaram!

O economês tem também o Realizar Lucros, bem oportuno para fim de ano, lembrando que, quanto mais pessoas participam dos lucros, menos criminalidade temos, não adianta criar bolha egoísta, ela sempre estoura. Franca é uma cidade que tem a caridade no seu DNA, muita gente não precisaria ler isso, mas então o artigo serve para desejar um feliz dezembro, mês incrível dedicado às luzes e à confraternização.

Referência: 28.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 08/12/2018 - (DV-28)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

1279 almas (DV-27)

Sempre que vasculhamos a história fatos novos surgem, um deles é que Franca sempre comemorou dois aniversários, tanto que fez uma bela festa de centenário em 24 de abril de 1956. Mas, para mim, agora são três. Explicamos, em 28 de novembro, razão do último feriado, a cidade foi elevada à Vila e, em abril de 1856, à cidade. Eu me lembrava das comemorações de um centenário da cidade (1956), como me lembro do asfaltamento da rua José Marques Garcia em 1957, mas, em termos de comemoração, a transformação em cidade perdeu a importância. Também não ganhou força a fundação do núcleo em 1805. Se fôssemos olhar por esse prisma, Franca teria 213 e não 194 anos.
Revendo, no século XVI, a partir de 1720, com descoberta de ouro em Minas e Goiás, começa a migração para essas paragens, Franca, pela proximidade, era uma dos últimos pontos de pouso para os viajantes, já era conhecida como Arraial Bonito do Capim Mimoso e com muitas referências ao comércio de sal. Em 1791, no então lugarejo, “com moradores dispersos”, é criada uma Companhia de Ordenanças, uma extensão da freguesia de Caconde e Moji Mirim. No ir e vir, muitos acharam nossas paragens bonitas e boas para a agricultura, enfim o minério tão aludido, principalmente de ouro, acabou não se materializando. Com o forte crescimento - veja - é criada, em 29 de agosto de 1805, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca e do Rio Pardo, é o que diz o site de história da prefeitura.
A herança do sobrenome seria mesmo do governador da capitania Antônio José da Franca e Horta, ele vai se resumindo à Franca e o termo “da" Franca, amado por uns, odiado por outros, tem aí demonstrada a sua origem. A igreja matriz começa a ser construída em 1809, época em que os fazendeiros, que não saiam da roça, começam a fazer imóveis “para fins de semana”, no entorno do centro do povoado.
Aquele lugarejo no nordeste paulista se destaca, motivando Dom João VI a criar, em 1821, a Vila Franca del Rey, isso desagrada nossos vizinhos mineiros, da Vila São Carlos de Jacuí (com São Sebastião do Paraíso, Passos, extendendo-se até Ibirací), que queriam anexar as suas terras, encrenca que durou até 1824, em 28 de novembro, emancipando-se de Moji Mirim, é criada a Vila Franca do Imperador, é essa a data que comemoramos. 
Não couberam aqui personagens importantes, entre tantos, como o Capitão Anselmo e Monsenhor Rosa, mas eles terão os seus capítulos, mas veja que poética a defesa do porquê para elevação à Vila: "é útil e interessante a bem do Estado a pretensão dos suplicantes, pois êstes já constituem um núcleo de 1279 almas (…) e ainda mais porque o terreno é delicioso, com excelentes campos para todo gênero de animais e faisqueiras de ouro”(adaptei). Almas e não cidadãos.

Referência: 27.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 01/12/2018 - (DV-27)

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Faltam 6 anos (DV-26)

Franca está próxima de comemorar 194 anos, lembro bem do sesquicentenário, fiquei todo orgulhoso, enfim foi data muito importante. Agora aparece na luz natural do túnel o bicentenário da cidade, será interessante marcar bem o evento.
Toda vez que vejo comemorar datas importantes vem à memória o espanto que tive ao passar por um marco de uma cidade espanhola, Lugo. Não acreditando no que li, voltei à uma pequena rotatória e confirmei, era um obelisco com uma placa que comemorava o bimilenário da cidade, isso mesmo, dois mil anos de vida. A cidade fundada pelo império romano tem suas primeiras atividades em 25 a.C., mas pela placa que vi em 2008, a movimentação ali é certamente anterior à esta data. Ela tem origem celta e guarda muralhas romanas de 4 quilômetros, intactas. 
E por falar em obelisco, em coluna anterior descrevi o quanto o Relógio do Sol testemunhou curiosas e importantes coisas que aconteceram ao seu redor, no progresso da nossa Franca do Imperador, como, por exemplo, a construção da igreja Nossa Senhora da Conceição, que era quase uma casinha, para o atual templo que é igreja Matriz.
Pois é, no início da praça Barão tem outro monumento importante e mais bem posicionado, além de enxergar a praça principal ele também está de olho na base do T que formam as duas praças. É ali, na Barão, que os negócios e as fofocas se sedimentam regados por um café da região, ou alimentado por um filé à JK. Sem contar o picolé caseiro de coco queimado, imperdível.
Inaugurado em 1929, em uma campanha liderada por Sabino Loureiro, o obelisco, comemora 89 anos também no próximo dia 28 de novembro, é construído no lugar onde havia um pelourinho (?), vou pesquisar sobre isso, para comemorar os 105 anos da cidade. A placa de trás descreve a doação feita por Vicente Antunes de Almeida e sua mulher Maria Francisca Barbosa, em 3 de dezembro de 1805, “as terras do patrimônio da primitiva Igreja N. S. da Conceição da Freguezia da Franca do Sertão do Rio Pardo. Inaugurado êste marco em XXVIII - XI - MCMXXIX”. 
A placa principal se refere ao histórico acontecimento e credita, entre outras coisas, a “Antônio José da Franca e Horta - Capitão General Governador da Capitania e cujo nome se deu a esta terra;” me parece que Chiachiri, em seu livro, atribuiu o nome Franca a uma outra razão, que não ao nome do capitão. Uma versão é que na época dos Bandeirantes não havia cobrança da passagem por aqui, sendo uma passagem franca (grátis), sem pedágio. Deixo para os historiadores. 

Mas vamos nos concentrar, Franca é uma cidade que preserva sua história, então tem 6 anos para bem resgatá-la nos seus 200 anos, se não será uma Lugo bimilenária, pode ser uma Franca com um belo de um bicentenário. O que acha?

Referência: 26.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 24/11/2018 - (DV-26)

A distribuição de renda (DV-25)

Uma das medidas importantes do primeiro governo Lula foi não mexer radicalmente em uma economia que vinha dando certo, a do FHC. Mas conduzir a economia de um país não é fácil, além da política há fatores externos, climáticos e corporativistas, enfim se a orquestra não tiver afinada não tem nem concerto, nem conserto.
Duas coisas me chamaram a atenção, havia um tabu: o aumento do salário mínimo acima da inflação poderia quebrar a previdência e as empresas e o país. Daí nasce um plano arrojado: atrelar o reajuste do mínimo ao crescimento do PIB - Produto Interno Bruto. Ou seja, aumentou o faturamento do país, com relação ao ano anterior, reajusta-se o salário mínimo na mesma proporção, ousado! 
A outra iniciativa foi manter e ampliar programas sociais. Com essas duas medidas não só aumentou a circulação como deslocou um pouco da riqueza, a moeda, para classes até então fora do consumo.
Pois é, com uma larga margem da população consumindo mais, toda a cadeia industrial começou a vender mais, isso aumentou o emprego principalmente no sudeste brasileiro, onde se concentra o maior número de nossas indústrias.
Sabemos que depois vieram as crises externas, as marolinhas que viraram altas ondas, e que a ajuda social desmedida - sem lastro, provoca um alto déficit, mas o depois não é o foco do nosso assunto, estamos falando de circulação da moeda.
O que queremos ressaltar é a necessidade da distribuição de riquezas, pois é exatamente a classe popular que mais movimenta a economia. Veja, estávamos em Barreirinhas, porta de entrada para os Lençóis Maranhenses, quando lá chegamos parecia aquelas cidades abandonadas em filmes do oeste americano, com aquelas bolas de capim seco rolando ao sabor do vento.
No dia seguinte tinha uma multidão chegando de todo lado, era dia de distribuição do Bolsa Família, fila na porta da Caixa, comércio movimentado, daí vimos um cidadão comprar uma sandália de dedo e jogar a dele fora, emocionante e incrível… com o choque de realidade, falei - pronto, movimentou a fábrica lá no Sul!
Melhor ainda foram as Havaianas, que deslocou a sua fabricação para Campina Grande, PA, levou a riqueza em forma de emprego.
Antes que se julgue o artigo pelos seus personagens, leia-o de novo, com o destaque para o fato de que nem sempre a história se repete, é só ver o que aconteceu de 2011 para cá, principalmente com o déficit público. Mas, que investir na miséria reinante à época foi um fato econômico importante e histórico, ah se foi. 
Vale ressaltar, por fim, que o déficit de lá para cá derrubou o PIB, que derrubou o salário mínimo e interrompeu essa história, ah essa economia, sempre digo, se fosse fácil qualquer um faria.

Que sirva de inspiração, se investir na pobreza não fosse algo humano, social e cristão, é fundamental para a saúde de um país. 

Referência: 25.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 17/11/2018 - (DV-25)

domingo, 11 de novembro de 2018

A Lei Rouanet e as fakes (DV-24)

Voltando às fake news, tem uma recente que me chamou muito a atenção, a da Lei Rouanet, que incentiva projetos culturais no Brasil, a publicação pergunta: o que é melhor, o privilégio da aplicação de tal verba para artistas corruptos, ou a de Bolsonaro - suponho ainda candidato, que a distribuiu para hospitais e casas de saúde.
Pensei com meus botões, nossa, se ele realmente tivesse feito isso, o que é impossível, teria que devolver do bolso, esse incentivo é só para a cultura, não pode ser aplicado nem na educação, nem na saúde. Mas é claro que ele nunca fez, nem nunca fará isso, é uma fake desgarrada do período eleitoral, deve ter se perdido, coitada. Por outro lado sei que a população está com a faca nos dentes com esse incentivo, por isso vamos tentar esclarecer, sem politizar, é claro.
A lei 8.313/91, que leva o nome do diplomata Sérgio Paulo Rouanet, que à época era o Secretário de Cultura, criou o Fundo Nacional da Cultura (FNC) para fomento do setor, envolvendo cinema, teatro, música erudita, grandes exposições de artes, entre outros. 
Na prática o MinC analisa se o projeto cultural se enquadra na lei, com a aprovação o artista procura o investidor, podendo ser uma empresa, um banco, ou uma pessoa física, que terá sua marca carimbada no projeto e pode descontar uma parte do valor aplicado no imposto de renda devido. Com esse recurso o evento é realizado, o responsável tem que prestar conta da aplicação do valor recebido, a fiscalização é feita pela Receita Federal.
Mas as críticas não são totalmente infundadas, há notícias de fraudes de investidores e de mau uso por muitos artistas - que, na constatação, são obrigados a devolver o que receberam, o MPF já tem inquéritos abertos por isso. Por outro lado, diversos artistas publicaram que nunca receberam nada pela lei, também foram vítimas de tais mentiras.
O atual ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse à Veja que, em 27 anos de existência, a lei permitiu a execução de 53 mil projetos. “Sem ela, nenhum museu do país estaria aberto”, mas concorda que houve desmando - 25 mil projetos estão sem prestação de contas (uau), e garante que isso, na sua gestão, acabou! Acha que a lei precisa, sim, de revisão.
Sempre achei essa lei muito importante, como também muito mal fiscalizada, mas nem imagino a sua revogação, isso arrastaria para o fim orquestras de música erudita e muitos projetos culturais importantes, além dos próprios museus, como diz o Sérgio Sá. Seria algo como acabar com o auxílio doença, ou com o DPVAT, por que tem falsários se beneficiando. 

Os setores de pesquisa, cultura, meio ambiente e esportes, historicamente, sempre são os menos beneficiados pelos orçamentos, faltam realmente recursos, então o que for destinado para eles precisa ser bem utilizados, e, mais ainda, bem fiscalizados, mas não acabar.

Referência: 24.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 10/11/2018 - (DV-24)

sábado, 3 de novembro de 2018

O coração é onde mora a alma (DV-23)

          Sábado passado falamos sobre A Voz do Coração, na esteira de “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração”, dito por Cristo, hoje vamos concluir (?) o assunto.
          No sepultamento de João Paulo II, o papa  Bento XVI destacou a imortalidade da alma afirmando: "Hoje nós enterramos os seus restos na terra como uma semente da imortalidade. Os nossos corações estão cheios de tristeza, mas ao mesmo tempo de uma alegre esperança e de uma gratidão profunda”.
          Já Renato Russo, anteviu o envolvimento do coração com os riscos da depressão causados pela solidão: “Quando não estas aqui, sinto falta de mim mesmo[…] Meu coração é tão tosco e tão pobre, não sabe ainda os caminhos do mundo. Quando não estas aqui, tenho medo de mim mesmo”.
          Com a afirmação: “Lembre-se, é fácil esquecer para quem tem memória, difícil esquecer para quem tem coração…”, Gabriel Garcia Marques,  abre uma licença poética que dá ênfase ao fato de que pensamentos entram e saem da memória, mas as informações que o coração retém são mais difíceis de esquecer.
          Em um jogo rápido: "Uma boa cabeça e um bom coração são sempre uma combinação formidável” (Mandela), "É o coração que faz o caráter (Eça de Queirós), “Pena é não haver um manicômio para corações, que para cabeças há muitos (Florbela Espanca)”.
          Confúcio (550 ac) tinha o coração como espelho da alma, “examina bem os teus pensamentos, e se os vires puros, puro será também o seu coração”, afinal, “as palavras são a voz do coração”, essa unanimidade é antiga, se quer mesmo estar seguro nos seus movimentos, ouça o coração, dizem todos.
          E o ateu e mordaz Nietzsche (1870), aquele da frase “Deus está morto!”, o que pensou disso tudo? "Coração encadeado, espírito livre — Quando se amarra bem o próprio coração e se faz dele um prisioneiro, pode-se permitir ao próprio espírito muitas liberdades”. É… parece que até quem não tinha credo, acreditou na força do coração, quer soltar o espírito, prenda o coração! Quanto à morte de Deus, não é bem assim, é preciso aprofundar-se no que o alemão prussiano quis dizer.
          O que se tem de mais velho sobre religião são os sânscritos hindus Vedas de 2000 ac, mas essa data se perde já que, como no imperdível cult movie Fahrenheit 451, os sábios os recitavam para as crianças decorarem, antes de serem escritos. Dali se extrai: "O coração é onde mora a Alma do Espírito vivo, e nele se localiza a Pessoa Suprema Krishna”, reencarnacionista, completa,"a entidade viva esquece tudo o que aconteceu em sua vida anterior”, mas ela permanece nos corações, é ali que se guardam as informações, explicam.

          Para encerrar, nada como acreditar firmemente no filósofo e matemático francês Blaise Pascal (1650), “O coração tem razão que a própria razão desconhece”, precisa mais?

Referência: 23.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 03/11/2018 - (DV-23)

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A voz do coração (DV-22)

                                     “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração." Jesus Cristo (Mateus 6:19-21.)

          Sempre fui muito curioso do porquê o coração é tão mencionado na demonstração dos sentimentos, tinha que ter uma lógica. Esta semana um personagem de novela disse, descobriram que o coração tem neurônios e “sente”, corri para pesquisar. Confesso que estou com vergonha de não saber disso antes: o coração tem 40 mil neurônios e é uma extensão do cérebro! A par da minha falta de conhecimento, eu posso dizer com orgulho: - Eu já sabia! Ou desconfiava.
          Se fosse defini-lo no conceito atual poderíamos dizer que tem inteligência artificial, ou seja, aprende a funcionar com as atitudes do dono, mas então ele é inteligente, não pode ser artificial, sua programação não é feita por nós.
          Para os padrões de hoje essa pesquisa já é antiga, o cientista mais mencionado é o médico Rollin McCraty  do Instituto HeartMath, na Califórnia.
Apesar de atuar como um departamento do cérebro, em algumas atividades do corpo, o coração inverte, atua de forma independente e, pasme, envia informações autônomas importantes para algumas atividades cerebrais. Num resumo muito simples, em alguns momentos de nossas necessidades físicas e sentimentais, é o coração que assume o posto de piloto principal.
          “O que as pessoas não sabem é que o coração envia mais informações ao cérebro do que o cérebro envia ao coração”, decreta McCraty.
          Nesse estudo, o estresse e a solidão, seguido da temida depressão, influenciam a saúde do coração, até aí ok, sabíamos, mas também o coração em ritmo desordenado, em dessintonia com o cérebro, pode ele provocar esses sentimentos ou até mesmo a doença.
          De forma diferente, as emoções positivas provocam um melhor ritmo cardíaco e padrões de ondas cerebrais mais harmoniosos e coerentes.
          Agora estamos na famosa encruzilhada, quem realmente sente e pensa, é o corpo, que tem o cérebro e o coração, ou a consciência que seria um atributo da alma ou do espírito? Essas máquinas maravilhosas atuam juntas, sejam de matéria tangível ou fluídica, e têm um pai só, Deus, é a Ele que temos que agradecer quando temos um corpo todo sincronizado, seja pela alma ou pelo corpo, com seu cérebro e seu coração.
          Como ainda não dominamos onde podemos chegar com a inteligência artificial , ou com a capacidade do cérebro, que utilizamos tão pouco, também o coração é algo a se descobrir. Reflita um pouco quantas vezes você já mencionou o coração para resumir seus maiores sentimentos, nem foi o cérebro, menos ainda a consciência.

          Se já está provado que o coração atua no cérebro através do sistema nervoso, campos eletromagnéticos, pulsação e hormônios, fica confirmado o julgamento que às vezes fazemos - ele não ouviu seu próprio coração!

Referência: 22.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 27/10/2018 - (DV-22)

Os lados das guerras (DV-21)

Com tanta gente “falando sério”, tenho tangenciado legal para as amenidades, algo como saber a cor dos sapatos de Dorothy, de O Mágico de Oz (1939), por exemplo. Um par desses mimosos calçados, avaliado em quase 1 milhão de dólares, foi roubado em 2005, mas ainda existem quatro unidades deles. A protagonista Dorothy foi vivida por Judy Garland, mãe de Liza Minelli. 
Minha intenção era escrever sobre a “esquerda" e a “direita” no Brasil e no mundo, mas as vertentes são tantas, que desisti. A coisa é tão confusa, que fui diferenciar democratas e republicanos nos EUA, colocando os primeiros como mocinhos, e um amigo soltou essa: - Você sabia que o partido democrata americano incitou a secessão, se associou aos sulistas, ao racismo e ao reacionarismo? Hem? Sabemos que isso mudou, até pela consagração de Barack Obama como presidente, mas Lincon era do mesmo partido de Trump. É ou não é de desistir de analisar “lados"?
Então vamos ao jogo do você sabia que…
A corrida espacial começou com a experiência da bomba/foguete alemã V-2, o seu pai, o major Wernher von Braun, capturado e levado para os EUA, ajudou a fundar a NASA e viveu para ver o homem chegar à lua. Depois de assistir milhares de mortes por infecção na 1.a guerra, o inglês Alexander Fleming se atirou às pesquisas para descobrir a penicilina.
Durante a 2.a guerra, pela enorme dificuldade de transportar sangue, Charles Drew descobriu uma forma de separá-lo entre plasma (a parte líquida) e células vermelhas, isso acabou por salvar milhares de vidas, já que permitiu o seu transporte por longa distâncias. A radiodifusão se expandiu com um encalhe de rádios na 1.a guerra, a Westinghouse montou uma antena em um bairro e vendeu os aparelhos para os moradores da região, a ação fez tanto sucesso que motivou a venda em larga escala.
Os radares tiveram seu desenvolvimento nas guerras, a invenção tem muitos pais, mas o escocês Robert Watson-Watt é um dos mais reconhecidos, suas estações evitaram muitas mortes nos bombardeios alemães ao Reino Unido. Em um momento dessas pesquisa, por causa de um chocolate que se esquentou com essas ondas, sem machucar o seu portador, Albert Wallace Hull descobriu também o micro-ondas. Os fertilizantes sintéticos são inspirados nos explosivos de nitrogênio (TNT) que, no fim da 1.a guerra, não tinham mais serventia.
Ligar os fuscas, esses carrinhos queridos, ao Hitler é uma covardia, mas fazer o quê? Ele pediu um veículo pra durar, tinha a obrigação de carregar até 5 pessoas, entre adultos e crianças, ter preço acessível, motor refrigerado a ar, uma velocidade média de 100 km, foi nomeado Volkswagen (carro do povo) e teve  22 milhões de exemplares fabricados no Brasil.
Opa, quase ia esquecendo, a cor dos sapatos de Dorothy eram rubi.

Referência: 21.a coluna publicada no Verdade, jornal diário de Franca - SP - em 19/10/2018 - (DV-21)