segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O Dilúvio (DV-39)

Deus criou o universo e as leis da natureza (Gênesis 1:1)

Sábado passado me reportei aos vitais 4 Elementos, que incluem, claro, a Água, também transitei meu estudo pela Bíblia onde li sobre as grandes tragédias, mas deixei-as de lado, tanto pelo encaixe, como pelo espaço. Naquele momento entre inúmeros fenômenos deparei-me com dois que envolvem a natureza, o Dilúvio dos dias de Noé e a Seca em Israel.
No caso específico do Dilúvio, Jeová (Deus) já havia avisado Noé “há décadas” que ele ocorreria, por isso deu tempo para construir uma enorme arca, nunca encontrada, nenhuma evidência científica para o fato.
Por outro lado, de forma prática para os tempos atuais, prestei atenção à uma fala de um professor sobre essas “revoltas" da natureza, ele diz que - independente do que venha ocorrer por consequência do aquecimento global, a história e as estatísticas explicam que esses processos de longos períodos de calor, inverno, seca e chuva, ainda que demorem décadas para se repetirem, são completamente normais.
O problema então está na nossa ocupação da Terra, incêndios naturais podem até ser benéficos para o solo, mas causam vítimas, onde há neve não é diferente, mas já se acostumaram com o seu ciclo.
No caso de Franca é que a cidade está na rota de uma passagem fantástica de água. Fenômeno semelhante ao de Bauru, onde a Av. Nações Unidas se torna um bolsão quando tem muita chuva. Pensam em canalizá-la, fazendo um rio artificial subterrâneo, para depois bombear para o rio natural. Custo? Nem imagino.
Ribeirão levou anos estudando suas enchentes e concluiu que o maior problema estava no encontro de dois córregos, quando chovia muito a força da água de um lado impedia que a outra passasse, promovia a primeira enchente, logo esse problema ocorria no outro canal também. Em dias de muita chuva, considerando que o alto volume já vinha de suas cabeceiras, ocorriam enchentes de até um metro e meio. Custo da obra executava? Equivalente a um orçamento anual da cidade, precisou ter financiamento federal, pelo PAC 1.
Em Franca os problemas parecem ser distintos, vendo as fotos e assistindo aos vídeos, e longe, muito longe de ser engenheiro, na av. Hélio Palermo seriam o volume e a velocidade com que a água chega. O canal já teve sua vazão aumentada, mas para fenômenos desse nível está claro que não é o suficiente, o que impressiona é como não causa vítimas humanas. É muito assustador.
Já pela av. Alonso y Alonso, onde, claro também tem correnteza, parece que problema é de vazão mesmo, a água chega em alguns pontos e se esparrama, mas já são apontadas erosões importantes no percurso.

O resumo é que estamos no caminho da natureza e de seus fenômenos, não é dilúvio bíblico e as soluções certamente não são fáceis e muito, muito caras.  

Referência: 39.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 23/02/2019 - (DV-39)

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Os quatro elementos (DV-38)

A pergunta é recorrente - quando vamos parar de chorar? 
Têm acontecido tantos fatos tristes que as redes sociais até encontraram uma relação das tragédias com os Quatro Elementos: o rejeito de Brumadinho à terra, as enchentes do Rio à água, o acidente do Boechat ao ar e o incêndio no Ninho do Urubu ao fogo. Essa teoria é atribuída aos filósofos gregos pré-Socráticos, mas a discussão é mais velha na China e na Índia, transitando pelo renascentismo é base para estudos filosóficos até hoje. 
O contraponto desse vínculo simplista é que esses elementos, pela visão natural, não representam a morte e sim a razão de estarmos vivos, tire qualquer um deles do nosso cotidiano e, aí sim, estaremos bem mortos.
E por falar em morte, lembrei-me de Steve Jobs e seu discurso histórico como paraninfo em uma formatura na Universidade de Stanford. É claro que, como espírita, a primeira coisa que vem à mente é a imortalidade da alma, isso pode amenizar, mas não afasta a dor da perda, é só ver a comoção que vive o brasileiro hoje.
Quando vamos parar de chorar?
A lembrança do fundador da Apple e sua reflexão sobre a vida e a morte, veio por ter sido ele um empresário bem sucedido que já sabia que não sobreviveria à uma doença. “Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que conheço de evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há motivo para não seguir o seu coração.”
Nesse discurso premonitório ele sugere aos formandos para “viver cada dia como se fosse o último, porque um desses dias, vocês certamente estarão certos.”
Saber que os dias estão sempre contados foi muito importante para as suas grandes escolhas, disse o empresário, "todo o orgulho, todo o medo de constrangimento ou fracasso – essas coisas simplesmente desaparecem em face da morte, deixando apenas aquilo que é realmente importante”.
Ao afirmar que ninguém deseja morrer, novamente me lembrei do caso do Chico Xavier com a turbulência do avião, “(…) até as pessoas que querem ir para o Céu não querem morrer para chegar lá, e apesar disso, a morte é o destino que todos partilhamos. Ninguém jamais escapou”, falou Steve Jobs.
Está certo que a sua fala não se encaixa para às crianças que não tiveram a menor chance de raciocinar sobre a vida. Ele se dirigia à uma plateia de estudantes quase adultos com chance de fazer escolhas, ele assegura que a juventude é passageira e aconselha sobre o tempo: "(…) não o desperdicem vivendo a vida de outra pessoa. Não sejam encurralados por dogma, que é viver com os resultados do raciocínio de outra pessoa. Não deixem que o barulho das opiniões alheias abafe a sua voz interior, seu coração e sua intuição (…)”

Referência: 38.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 16/02/2019 - (DV-38)



sábado, 9 de fevereiro de 2019

A Bancada da Bala (DV-37)

Não sei bem o que fazer com o decreto que flexibiliza a aquisição de armas, certamente nunca vou usá-las, mas preocupa quando isso ocorre nas discussões bobas, principalmente as familiares e as de trânsito, há muitos precedentes.
Na história mundial tem poucos litígios resolvidos em paz, os muito antigos não foram na bala porque a pólvora ainda não tinha sido descoberta. O Brasil teve seus embates e Franca também.
Consta da história francana uma rebelião chamada Anselmada, referência ao seu líder, o capitão Anselmo, dezenas de outras iguais ocorreram no Brasil Império no vácuo de poder entre a abdicação de Dom Pedro I (1831) até a maioridade de Dom Pedro II (1840). 
O Brasil dividido em províncias não tinha uma uniformidade federativa, cada presidente de província nomeado fazia a sua política. Em São Paulo (1835) o brigadeiro Tobias Aguiar, edita lei que lhe permite nomear os fardados prefeitos das vilas. 
Para Franca, sem muito apoio, é nomeado, o sargento-mor José Joaquim de Santa Anna, seguem-se conturbadas eleições municipais, Anselmo que era vereador não se reelege e dois grupos acabam se estabelecendo, dos comerciantes, mais urbanos, e dos ruralistas.
O grupo no poder nomeia seus pares nos cargos importantes, na coletoria e no judiciário, inclusive o importante juiz de paz. Nessas turras até uma janela da casa da cunhada de Anselmo é fechada a pregos, desavença que quase acaba na bala, uma gota d'água. 
Ao nascer do Sol do primeiro dia de 1838, Anselmo, com 30 seguidores armados até os dentes, invade a pequenina Vila Franca, faz ameaças aos líderes, promete arrastar um amarrado ao cavalo, não era bem um feliz ano novo. Após muitas negociações ele recua, mas, nos meses seguintes, não só vê o tratado desfeito, como passa a ser acusado criminalmente, período de muita tensão. 
Diante de um mandado de prisão o capitão volta invadir a vila em setembro, agora com 74 homens, o fiscal da Câmara Clementino, ao intervir, é baleado, mesmo fim do cão de guarda do então juiz de paz Manoel Rodrigues Pombo. Depois de negociações tensas com vitórias para Anselmo ele se retira.
O presidente da Câmara, ao retornar, desfaz os acordos e organiza uma forte mas frustrada resistência, o conflito se intensifica resultando em mais mortes. O juiz Pombo, desafeto desde o barraco da janela vai às terras dos revoltosos (6/11) tentar um acordo, nunca mais voltou, deixou família com muitos filhos. Anselmo, autorizado, volta à Vila (9/11) com muito mais gente, há ainda alguma resistência com mortes, vereadores fogem  e Anselmo coloca seus aliados no poder.
Em 14 de março de 1839 a Vila Franca se transforma em Comarca, mas com o judiciário em Batatais, para tentar acalmar a coisa, o Capitão Anselmo e os demais líderes da revolta são ali julgados (15/11). Todos são absolvidos.




Referência: 37.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 09/02/2019 - (DV-37)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Na trilha do rejeito (DV-36)

Cresci ouvindo algumas coisas de bastante ufanismo, o Brasil tem a maior quantidade de água no mundo, maravilha, depois descobriram que não dá para colocar o rio Amazonas na nossa caixa d’água, e que o líquido processado é localizado, caro e escasso. Uma outra expressão  defendia que o país é abençoado não tem tsunami, terremotos, etc.
Esses sismos, seguidos de altas ondas, são frequentes no Pacífico, mas a história tem outros registros importantes, quem visita Lisboa certamente ouvirá dos guias o que ocorreu depois de um terremoto em 1755, seguido de incêndios e de um tsunami, mais de dez mil mortos. O fenômeno praticamente divide sua história, de antes e de depois desse abalo, consagrando o Marquês de Pombal - por tê-la reconstruído, como uma das grandes personalidades daquele país.
Nossos vizinhos chilenos perderam quase 6 mil pessoas no sismo de Valdivia, terremoto seguido de tsunami, mas nada se compara ao que aconteceu em 2004 no Oceano Índico, sudeste asiático, após um terremoto tsunamis em cadeia mataram 220 mil pessoas em 14 países.
A questão de morrer muitas ou poucas pessoas subestima a individualidade de uma mãe ao perder um filho, ou de qualquer um perder a chance da presença de um ente querido, todas as religiões procuram explicar isso, mas também defendem que Deus nos dá a vida para ser vivida por mais tempo e da melhor forma possível.
Acho que já mencionei aqui a defesa da vida que Chico Xavier fez à Emmanuel, seu espírito protetor e inspirador, ele conta isso com raro humor e muito exagero no Pinga Fogo, tem fácil no Youtube, um vento de calda que aeronave estava foi acometida, isso foi 1959 deslocando de Uberaba - Araxá - BH. Ele se declara com muito medo, envolvido pela gritaria no avião, também passa a gritar. Emmanuel chama sua atenção, questiona sobre sua fé, Chico diz que nessa hora o medo estava prevalecendo e continua a gritar, o espírito diz então para ele - Então morra com educação! Imperdível.
Então, e o nosso ufanismo de maravilhas motivadas na infância? Ok, não temos ações de malucos e terroristas atirando em escolas, terremotos e tsunamis. Mas e as drogas, violência e o feminicídio? Doenças endêmicas - febre amarela, dengue e suas parentes piores, malária, até a gripe anda matando. 
Nosso trânsito é desmedidamente mortal, isso vale mais para quem está nele do que para quem o organiza.

Resta-nos imaginar que Deus, grande construtor desse imenso Universo, que também é nosso criador e Pai, está sempre nos protegendo e amparando. Mas a inspiração dessas linhas veio da enorme tristeza que a tragédia de Brumadinho nos causou e ao mundo todo, não me cabe crucificar ninguém, também não dá para imaginar que alguém faça um refeitório na passagem da lava de um vulcão, ou de rejeito de minério, sabendo que isso vai ocorrer. Mas, como é voz geral, tsunami é causado pela força da natureza.

Referência: 36.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 02/02/2019 - (DV-36)

sábado, 26 de janeiro de 2019

Medo de avião (DV-35)

Um dos primeiros voos que fiz foi de Franca para Brasília,  durante o primeiro governo do amigo Maurício Sandoval Ribeiro (1977-1982), fui representá-lo em uma reunião de dirigentes calçadistas em Brasília. Lembro-me pouco da viagem, mas uma coisa não esqueci, a calma de Helil Palermo, presidente da ACIF (1977-1980). Estávamos ao fundo de num avião Cessna de… uns 12 lugares, aeronave cedida pelo Comandante Rolim, dono da Transportes Aéreo Marília, a TAM, muito amigo da Patrícia, personagem marcante, uma hora conto.
Avião pequeno voa baixo, mais suscetível à leve turbulência, o subir e descer com a pressão atmosférica, se nossa barriga esfria quando há uma descida repentina, ainda que pequena, é natural que possamos sentir isso voando em pequenos aviões. Perguntei ao Helil se não sentia medo -  ele disse, não, é normal, e me acalmou.
Em outra oportunidade, duas experiências bem menos estressantes: voar em 1975 em um Douglas DC-3, versão melhorada daquele utilizado no filme Casablanca, a parte dianteira, quando estacionado, fica bem mais alta, voa tranquilo, com estivéssemos num filme preto e branco, e em um ultraleve numa praia de Maceió, decola e pousa na água, o ar refrigerado é a chuvinha que a hélice produz e o vento de cara limpa, delícia. 
Mas a ansiedade de voar não passava, uma vez ao lado de uma senhora com um semblante sereno, navegando no enredo de um livro, eu esperando o próximo chocalho, mãos transpirando, cometi uma impropriedade, tirei-a da sua outra viagem e perguntei - Como a senhora pode ficar tão calma assim? Ela disse, virando-se levemente para mim - Ah, não se preocupe é o medo do desconhecido, aos poucos, quando você for dominando isso, vai ver que se acostuma, tinha razão, acabei me acostumando. Com o tempo passei voar nas cabines, com os pilotos, quando isso ainda era possível, foi proibido depois do episódio das Torres Gêmeas, ali dá mais segurança, você vê as nuvens pesadas antes, rss.
Mas a aventura mais significativa mesmo foi numa nevasca em Ushuaia, na Patagônia argentina, de lá na Antártida é um pulinho, os técnicos limpavam a pista, nem chegavam no meio e o início já estava branquinho, assistíamos tudo do primeiro andar envidraçado. Daí tomaram uma decisão radical, vai ser só meia pista, e foi, limparam-na bem, avião estava posicionado, mais ou menos como aqueles que queimavam cartuchos, era o último, hehehe. Os motores, turbinas, tudo a mil por hora, ronco do avião ensurdecedor, quando soltam o bichinho sentimos o solavanco, velocidade máxima na largada, e…  decolagem bem no meio, que espetáculo. Primeira vez que vejo bater palmas na decolagem, já tinha visto em aterrisagens, é história para contar o resto da vida.

Mas não dá para não lembrar de uma frase dita por Jô Soares: "existem os que tem medo de avião e os mentirosos".

Referência: 35.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 26/01/2019 - (DV-35)

domingo, 20 de janeiro de 2019

Os pontos dos cartões de crédito - (DV-34)

Quanto valem os pontos ganhos em reciprocidade pelo uso de cartão de crédito? Se não tiver tempo de ler a coluna toda já adianto, pouco mais de um centavo. Obedecem regras de mercado e o poder de negociação com o seu banco, inclusive com o custo anual desse cartão.
A atribuição desses pontos é fácil de calcular, para cada R$ 2,00 gastos na fatura, pagam um ponto, é a atual política das gigantes Visa, Credicard e Elo.
Com os pontos na mão, o que fazer com eles? Pesquisa, muita pesquisa. As companhias aéreas valorizam mais que o mercado na aquisição de produtos.
Vamos primeiro deixar claro a fórmula, se gastamos R$ 1.000,00 por mês com o cartão, conseguimos 500 pontos, que somam 6.000 em um ano, se isso chegar a R$ 10.000,00 mês, serão 60 mil pontos no ano. Já pagaram 1x1, para cada um real gasto um ponto, mas isso é passado.
Para consumir os pontos há 2 grandes meios, os das passagens aéreas e o das aquisições de produtos no mercado. Para voar há uma retribuição maior, mas as exigências são grandes, é óbvio que a preferência é pelo dinheiro. 
Como calcular isso? No caso das passagens, é só ver quanto custa o trajeto em reais e quantos pontos exigem para a troca, um voo Ribeirão - Congonhas estava em promoção essa semana por R$ 157,39, representando 4.500 pontos, ou seja, dividindo o primeiro pelo segundo, a TAM pagava R$ 0,035 por cada ponto, é um valor bom. Nessa faixa compensa.
A compra de produtos no programa é feita através de administradoras, as mais conhecidas são a Multiplus e a Livelo, aí tem de tudo, com a mesma regra, divide o valor do bem no mercado pela quantidade de pontos exigidos, difícil pagarem mais que um centavo e meio por ponto. Exemplo para a volta às aulas, uma mochila Xeryus Minions com roda custa por volta de R$ 165 ou 8.240 pontos, aqui pagam 2 centavos (165/8240), até está bom.
Faça isso com tudo, sejam passagens ou produtos, divida o valor em real pela quantidade de pontos, se encontrar 1 centavo está péssimo, se aproximar de 4 centavos, maravilha, aqui tem vantagem.
Tem algo para colocar nessa conta, o custo anual do cartão, se for de R$ 500 reais, só após um gasto superior a R$ 34 mil por ano começa a compensar, se não seus 17.000 pontos pagarão apenas o custo do cartão, isso calculado pelos 3 centavos pagos pelas companhias aéreas,  se você utiliza mais na aquisição de produtos esse cálculo fica pior ainda. 
Então valem as máximas, não tem nada de graça, aperte seu banco para te devolver mais pontos na sua fatura, sem custo ou com custo mínimo pelo cartão, e pesquise MUITO na hora de gastá-los. Mesmo não sendo um exercício fácil, compensa!

Referência: 34.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 19/01/2019 - (DV-34)

sábado, 12 de janeiro de 2019

Na viagem, relaxe com segurança (DV-33)

É real a preocupação com nossa segurança fora do país, não é nada para alardear, mas há cuidados e atenções a serem tomados, é uma história em cada porto.
O próprio site da embaixada brasileira na Suíça trazia orientações para alguns cuidados, isso foi substituído por um comunicado do Itamaraty: "Crimes, com diferentes graus de violência, ocorrem em qualquer lugar do mundo. Durante viagens ao exterior, cidadãos brasileiros devem permanecer atentos e ter sempre cautela". 
Sempre culpam os refugiados, mas nossa intenção não é estabelecer culpas e sim debater.
Por outro lado, com ou sem esses cuidados, muita gente vai para muitos lugares e não acontece nada, não se assuste, viaje!
Mas é curioso quando um daqueles cavalariços, policiais que ficam fazendo a vigilância para as milhares de pessoas que se aglomeram na troca da guarda do Palácio de Buckingham, passa explicando que você não deve deixar a mochila nas costas e sim na parte frontal, evitando o furto com estiletes, etc. Estamos falando de um dos lugares mais protegidos do mundo, ao lado da rainha? Parece que não é bem assim.
O mesmo vale para o Vaticano e para o Louvre, visitas a museus, invariavelmente, são feitas por demanda, algo como você a começa e vai sendo empurrado até sair do local, 
principalmente se for na Capela Sistina - habemus papam, e na Mona Lisa, bolsos, bolsas e mochilas em alto risco.
Simulações de desmaios, crianças no colo, pedidos de informações e ajudas humanitárias, podem ser uma isca, quando termina o tumulto adeus às carteiras, passe reto e nunca tire o olho de sua mala. Dinheiro falso só ouvi falar na Grécia e na América Latina.
Não se tem muitos históricos de violência, mas já tivemos depoimentos de furtos com truculência nos arredores de Paris, nas ruas de Madri e na região do Coliseu, em Roma. 
De um guia em Moscou ouvimos, vocês estão em uma das cidades mais seguras do mundo, evitem o que se deve evitar em qualquer lugar, metrô altas horas da noite, lugares onde a bebida é a atração principal, resumo, as bocas.
O dinheiro é o grande objetivo, mas o passaporte é diamante puro, ele tem que ficar obrigatoriamente em local seguro, em cofre ou no corpo, até de policial que vai levar seu passaporte para “conferir” desconfie. Os cofres de hotel regra geral são seguros, quem não confia leva tudo em uma pochete abdominal, por baixo da roupa, os riscos aí reduzem muito. A cópia plastificada é muito aceita, menos nas alfândegas, é claro. Produtos eletrônicos ou valiosos não devem viajar na mala, nunca!
Esse é o tipo de artigo que eu nunca gostaria de escrever, mas imagino que todos os guias falarão sobre isso, não descuide dos itens pessoais, os carteiristas são hábeis, muito hábeis e, da mesma forma, criativos. 

Referência: 33.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 12/01/2019 - (DV-33)

sábado, 5 de janeiro de 2019

A costura do tempo (DV-32)

        Dizem que o francano genuíno é saudosista, espero que sim, a história perpetua fatos e sedimenta o futuro. Nessa esteira comecei refletir sobre fatos interessantes vistos ou vividos de 1950 para cá.

        Primeiro o crescimento do bairro Cidade Nova, o Aparecido, do Supermercado São Paulo, fala que viu a av. Presidente Vargas ser asfaltada em 1957, estava em dúvida, mas foi o Gosuen sim, mesma data que lembro de ter visto asfaltar a rua José Marques Garcia, período que começavam a se popularizar os aparelhos de televisão, da primeira só vi um brilho no teto pela janelinha de vidro de uma porta antiga. 
        Do período escolar tiramos, além do bom ensino público, o fato de ter, entre tantos professores maravilhosos do IETC, o de educação física, Pedroca, onde também estudavam os irmãos Garcia, que viriam formar o fabuloso time de basquete do Clube dos Bagres, o resto da história conhecemos. Dos ótimos docentes da área contábil da Pestalozzi, o destaque fica para Luis Puglia, e, na Economia, para Facury e Kaluf.
        Na juventude espírita tivemos o prazer de conviver com Thomaz Novelino, Antonieta Barini e Agnelo Morato, vendo a força de José Russo, Vicente Richinho e de meu pai Leonel, é claro.
        Na imprensa, de Reny Parzewski e Magno Dadonas, foi contundente acompanhar para a Folha o saturnismo, intoxicação por chumbo, não lavaram placas para fazer tachas que os montadores iriam colocar na boca, foi uma tragédia.
        No rádio tivemos o programa Horário Nobre, aos sábados à tarde, na Imperador do Augustinho e Penha, co-pilotado pelo Greguinho, com discos nacionais e importados pela Hedonê do querido Fábio Martins de Ribeirão. Lembro que uma freira em clausura queria de saber quem era o músico que acabava de tocar, era Paco de Lucia, espanhol flamenco que fez a trilha sonora do filme Carmen de Carlos Saura.
        Com o Clube da Esquina, nome de inspiração proposital, fizemos três Fearte, um mês de atividades culturais, nossa única receita foi o resultado de uns adesivos plásticos que vendemos à sombra do Hotel Francano, ali conheci Maurício Sandoval Ribeiro, que iríamos assessorar no futuro.

        Pelo teatro participamos de O Dia de Pierrot e Está Lá Fora o Inspetor, com Eurípedes Carvalho, Vanderlei Faleiros, Sidnei Rocha, José Paschoal e Reginaldo Emídio, navegando pela censura com Orlando Dompiéri. Por isso fui convidado pelo querido Marçal para ser Diretor Social da AEC, resgatamos a orquestra Laércio da Franca, estava encerrado suas atividades.

        Profissionalmente não dá para esquecer dos anos de docente no Coleginho e Alto Padrão, e da atividade nos Calçados Terra e Sândalo, enorme apoio dos Brigagão.
        Ter visto Pelé jogar, a queda do muro de Berlim, a soltura de Mandela e o fim da URSS, também marcaram. Pode ser pouco para os 69 anos que completamos hoje (5/1/2019), mas é assim mesmo, cada um escreve um pedacinho da história, nem que seja só da sua própria.


Referência: 32.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 05/01/2019 - (DV-32)

sábado, 29 de dezembro de 2018

O Olhar de Dona Maria - (DV-31)

Uma vez disse para minha mãe que o ano “que vem” ia ser muito complicado, daí tive que ouvir essa: “filho, tenho quase 70 anos e todos os anos ouço que o seguinte será muito difícil, os que vivi sempre foram um melhor do que os outro, então, sejamos otimistas, o ano que vem será melhor que este”. Dona Maria Nalini era assim, otimista, talvez dela tenha herdado também a calma, fundamental para praticamente todos os atos de minha vida.
Antevendo o que virá em 2019, coloco um pouco da visão do economista e um pouco do olhar de dona Maria, mas… não tirando do foco o imponderado, ótimo para trair previsões, fatos que afetam a economia e não se tem como prever, as tais fatalidades.
A primeira coisa que um ano precisa é de estabilidade, não pode ter nenhum movimento armado, digo, revoluções, guerras, como a Guerra das Malvinas, por exemplo, já mencionadas, quase no nosso quintal. A economia retrai, ninguém investe, atrasa o progresso por anos. Aparentemente não há esse risco, as Coreias estão reinaugurando a ferrovia que as liga, desativada por quase 50 anos. Parece que, tirando o muro, o Trump sossegou um pouco o facho e a Venezuela, que poderia ser um risco, só tem um presidente falastrão, com isso não assusta ninguém.
Depois, e talvez mais importante, vem a estabilidade política, no primeiro ano de um governo, sempre temos uma pulga atrás da orelha, mas o que se supõe é que ele faça o prometido na campanha, razão pela qual recebeu a maioria dos votos. O Brasil tem tudo para receber bons investimentos, mas precisa demonstrar que os merece, isso já começou ocorrer. 
A base política do próximo governo, no novo legislativo, migra do centro para a direita, imagina-se que, se não tiver uma ampla maioria, não deverá ter um oposição predadora. Só veremos isso lá para julho, quando o Congresso tiver sido testado, à primeira vista não deverá ser fator de desestímulo para a economia.
Um país de dimensões continentais, com pontos que carecem de investimentos profundos, não é fácil de se administrar, nossa infraestrutura - estradas, portos e aeroportos, precisam responder melhor, o turismo, excelente fonte de renda, carece da queda da violência, principalmente tendo o Rio de Janeiro como porta de entrada.
A previdência precisa ser tratada com carinho, inclusive por estados e municípios, a Grécia demonstrou o que acontece quando ela quebra, desaposentou muita gente e/ou reduziu drasticamente o valor dela de boa parte da população. Ou se faz uma reforma inteligente ou morreremos todos abraçados.
O serviço público tem que se modernizar e profissionalizar, as questões corporativas precisam ser bem administradas, lutar contra os antagonismos, por onde passei sempre encontrei servidores de muita qualidade, precisam ser melhor aproveitados.
Então, com esse olhar duplo, imaginamos que 2019 pode representar uma retomada, mas tem enfrentar esses gargalos.

Referência: 31.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 29/12/2018 - (DV-31)

O señor periodista e o papa João Paulo II - (DV-30)

        Acompanhar o basquete francano em um campeonato sul-americano, no Uruguai e na Argentina, foi um dos eventos mais importantes da minha amadora carreira de jornalismo. Foi em 1982,  fui como correspondente da Folha de S. Paulo e, de forma excepcional, da EPTV, que acabava de inaugurar sua torre na cidade e só tinha 3 anos de vida.

        Dois fatos marcantes na Argentina, sua realização ocorreu durante a guerra das Malvinas e Buenos Aires contou, no mesmo período, com a visita do papa João Paulo II, que foi tentar encerrar a guerra, conseguindo um fundamental cessar fogo.

        De Montevidéu, me lembro de que era uma cidade limpa, organizada e com um custo de vida superior ao nosso, a moeda estava estabilizada, além é claro, da movimentações de aeronaves de guerra no aeroporto, foi aberta uma exceção para que recebessem  aviões hospitais ingleses. Ah, tinha cassino e o Hélio ganhou! Rss.     

                     

        Por culpa da guerra, quase que os jogos só ocorrem no Uruguai, mas, depois de muito impasse, fomos para a capital portenha.

        No embalo de um alvoroço em Buenos Aires, em uma avenida, quem vimos? Um dos papas mais simpáticos e atuantes da história, Karol Wojtyla, em seu blindado papa móvel. Onze meses antes, em 1981, fora vítima de um atentado. 

        Na avenida Corrientes, por onde ele passou, em uma banca comprei um botton, pins patrióticos com o argentino azul e branco, uma autêntica e encapotada senhora argentina veio conversar comigo, pedi para falar devagar, ela me abraçou e disse chorando: hermano brasileño, tristeza compreensível.   

        Interessante saber naquela altura que Buenos Aires tinha uma avenida chamada Florida, e não Flórida, com seu calçadão onde veículos o atravessam… bem devagar, Franca estava consolidando os seus. As roupas de couro estavam baratas, com o adendo do “aceptamos cruceros”, a guerra havia desvalorizado a moeda local, o cruzeiro brasileiro valia mais. Depois voltamos várias vezes lá, cada época com sua história e momento econômico.

        Nos jogos soube que eu era um 'periodista', jornalista em espanhol, pois sempre tinha um funcionário administrativo chamando o tal señor periodista, eram os demais órgãos de imprensa brasileiros, ao telefone nos chamando, querendo saber os resultado dos jogos, celulares faziam falta, imagine isso hoje.

        Sem contar os vendedores ambulantes aos berros, seria o saudoso Jubileu e sua troupe!?! Não, não era amendoim, salgadim, torradim, eram papitas, batatas fritas, as industrializadas em saquinhos.

        Para a EPTV gravávamos por telefone, da mesma forma dos repórteres da Globo que cobriam a guerra, a minha imagem ficou gravada antecipadamente, montavam com um mapa do cone sul ao fundo. Fiquei por muito tempo explicando que cobri jogos do sul-americano de basquete e não a Guerra das Malvinas, foi muito curioso.  

  

        E os jogos? Foram os últimos do Hélio Rubens no exterior, no ano seguinte ele substituiria o Pedroca na direção do basquete, o time não foi campeão por pouco, diferente desse ano, um dos dois jogadores, convidados do Sírio, não acertou 3 dos 4 lances livres finais, que decidiriam o campeonato a favor de Franca.

    Duas coisas, o Hélio jogou muito, e nossa ida foi indicação do amigo Realindo Jr., que era do Estadão. Hoje ele colabora com seus artigos aqui no nosso blog, que é de Franca, com muitas saudades. 


Referência: 30.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 22/12/2018 - (DV-30)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O Pilar de Nossa Senhora (DV-29)

Homenageou-se a Imaculada Conceição no última dia 8, a criação da Catedral, que leva seu nome, se confunde com a fundação da Vila Franca do Imperador. O dia dessa festa, feriado em Franca, é anterior ao descobrimento do Brasil, 1476, criada pelo Papa Sisto IV, antecedendo um dogma que viria ser decretado séculos depois por iniciativa do Papa Pio IX, em 8 de dezembro de 1854.
O reforço do dogma veio em 1858, com as aparições de Nossa Senhora registradas em Lourdes pela jovem Bernadete Soubirous, onde Maria se apresentou como Imaculada Conceição. Considerando a idade da jovem e o lugar ermo em que moravam, seria impossível que ela tivesse a informação da Bula que declarou a Virgem Maria livre do pecado original.
Considerando alguns mitos não comprovados, as aparições de Lourdes foram declaradas "verdadeiras" pela Igreja Católica, mitos que também ocorrem com localização de objetos e restos mortais dos apóstolos da época de Cristo.
Nessas pesquisas chegamos à espanhola Zaragoza - pronuncia-se Saragoça, com sua espetacular catedral de Nossa Senhora do Pilar, considerada um dos doze tesouros da Espanha. E é aqui que estacionamos. 
Maria, após a crucificação, abençoou a peregrinação que Tiago Maior, faria à Espanha para cristianiza-la, a Virgem disse a ele que, no lugar onde mais pessoas fossem convertidas, seria o local para a construção de uma igreja, “em nome de meu filho”. Tendo isso ocorrido em Zaragosa, Maria aparece para Tiago em um pilar, cercada de anjos, e não só escolhe a cidade para receber a igreja, como também define o seu  formato.
“De repente, o coro de anjos levou Maria para sua casa em Jerusalém”, ela estava viva quando isso ocorreu! As mesmas fontes dão conta que ela ainda viveu “por mais onze anos”. Sabemos que Tiago é capturado e decapitado pelos romanos, tem seu corpo resgatado pelos cristãos e levado para Compostela, também na Espanha, local hoje de tantas peregrinações, Santiago.
Santo Antônio de Pádua, o casamenteiro, também se desdobra “misteriosamente” e vai de Lisboa para Pádua defender seu pai, acusado por algo que não cometeu, e mais, consegue o depoimento dessa inocência do próprio “morto".
O espiritismo também tem relatos desses desdobramentos, o mais próximo de nós é o de Eurípedes Barsanulfo, na vizinha Sacramento, guia físico e espiritual de Tomás Novelino e a sua Fundação Pestalozzi. O caso mais conhecido ocorre durante uma aula, em que ele adormece e se desdobra para ajudar em um complicado parto numa fazenda próxima. O marido, que foi à cidade buscar Eurípedes fisicamente para ajudar, por suas noções de medicina, é surpreendido pela informação, do próprio Eurípedes que já havia retornado, que o bebê já havia nascido, e bem. Quem conta essa historia em um vídeo é o menino que nasceu nessa oportunidade.
Sim… são milagres!

Referência: 29.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 15/12/2018 - (DV-29)


domingo, 9 de dezembro de 2018

Andando de lado (DV-28)

Um dos termos curiosos do economês - jargão usado pelos economistas para explicar que não aconteceu nada no dia no câmbio ou na bolsa de valores, não subiu, não desceu, enfim, ficou como ontem, é o “andando de lado”, a alusão é ao caranguejo mesmo. Só que o bichinho chega onde quer, tem o olhar periférico e andar para o lado garante a sua sobrevivência.
Os espiritualistas entendem que isso ocorre quando passamos pela vida e não evoluímos, não crescemos, andamos de lado, ou seja, na grande escola da existência não produzimos nenhuma surpresa positiva Os reencarnacionistas defendem que vamos começar tudo de novo do zero sem os benefício da evolução, credo. 
Tem lógica, se todas as religiões entendem que viemos de Deus e voltamos para Ele, nesse exame não temos que mostrar algo positivo? Se Deus nos criou e também ao Universo, o que devemos ser, um planeta sem brilho ou uma estrela reluzente? O livre arbítrio te dá direito de escolha, através de suas ações.
Outro termo curioso é “bolha", utilizado quando o mercado acelera seus investimentos, se isso passa da medida e a valorização fica superior à real, ops, acabamos de fazer uma bolha, de sabão.
Um exemplo clássico e recente de bolha, foi a aceleração dos preços dos imóveis nos Estados Unidos, a partir de 2006, o mundo inteiro acabou embarcando nessa, há centenas de livros, tem até um cult movie imperdível, A Grande Aposta. Uma outra bolha bem mais antiga foi o das tulipas holandesas, já contamos aqui.
O caso americano rendeu o termo clássico "marolinha", quando uma onda avassaladora derrubou os mercados financeiros no mundo todo. No fundo o então presidente Lula tinha razão, num primeiro momento não afetou muito, mas a manutenção da crise ao longo dos anos, enfraqueceu muito a nossa economia, não recuperamos até hoje. 
Quando você mirar a economia mundial, não tire o olho da China, ela é a nossa grande compradora de comodities, se a coisa ficar ruim nos EUA e na Europa é péssimo, mas se atingir também a China, levante as sobrancelhas.
Um outro termo, esse inglês, que também transita bem é o private equity, são fundos que administram o dinheiro que sobra no mundo e o investe intervindo em empresas promissoras, aquelas que, em tese, uma vez alavancadas, crescerão mais que o normal. Foi o caso do Magazine Luíza e da CVC, por exemplo, os investidores acertaram!

O economês tem também o Realizar Lucros, bem oportuno para fim de ano, lembrando que, quanto mais pessoas participam dos lucros, menos criminalidade temos, não adianta criar bolha egoísta, ela sempre estoura. Franca é uma cidade que tem a caridade no seu DNA, muita gente não precisaria ler isso, mas então o artigo serve para desejar um feliz dezembro, mês incrível dedicado às luzes e à confraternização.

Referência: 28.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 08/12/2018 - (DV-28)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

1279 almas (DV-27)

Sempre que vasculhamos a história fatos novos surgem, um deles é que Franca sempre comemorou dois aniversários, tanto que fez uma bela festa de centenário em 24 de abril de 1956. Mas, para mim, agora são três. Explicamos, em 28 de novembro, razão do último feriado, a cidade foi elevada à Vila e, em abril de 1856, à cidade. Eu me lembrava das comemorações de um centenário da cidade (1956), como me lembro do asfaltamento da rua José Marques Garcia em 1957, mas, em termos de comemoração, a transformação em cidade perdeu a importância. Também não ganhou força a fundação do núcleo em 1805. Se fôssemos olhar por esse prisma, Franca teria 213 e não 194 anos.
Revendo, no século XVI, a partir de 1720, com descoberta de ouro em Minas e Goiás, começa a migração para essas paragens, Franca, pela proximidade, era uma dos últimos pontos de pouso para os viajantes, já era conhecida como Arraial Bonito do Capim Mimoso e com muitas referências ao comércio de sal. Em 1791, no então lugarejo, “com moradores dispersos”, é criada uma Companhia de Ordenanças, uma extensão da freguesia de Caconde e Moji Mirim. No ir e vir, muitos acharam nossas paragens bonitas e boas para a agricultura, enfim o minério tão aludido, principalmente de ouro, acabou não se materializando. Com o forte crescimento - veja - é criada, em 29 de agosto de 1805, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca e do Rio Pardo, é o que diz o site de história da prefeitura.
A herança do sobrenome seria mesmo do governador da capitania Antônio José da Franca e Horta, ele vai se resumindo à Franca e o termo “da" Franca, amado por uns, odiado por outros, tem aí demonstrada a sua origem. A igreja matriz começa a ser construída em 1809, época em que os fazendeiros, que não saiam da roça, começam a fazer imóveis “para fins de semana”, no entorno do centro do povoado.
Aquele lugarejo no nordeste paulista se destaca, motivando Dom João VI a criar, em 1821, a Vila Franca del Rey, isso desagrada nossos vizinhos mineiros, da Vila São Carlos de Jacuí (com São Sebastião do Paraíso, Passos, extendendo-se até Ibirací), que queriam anexar as suas terras, encrenca que durou até 1824, em 28 de novembro, emancipando-se de Moji Mirim, é criada a Vila Franca do Imperador, é essa a data que comemoramos. 
Não couberam aqui personagens importantes, entre tantos, como o Capitão Anselmo e Monsenhor Rosa, mas eles terão os seus capítulos, mas veja que poética a defesa do porquê para elevação à Vila: "é útil e interessante a bem do Estado a pretensão dos suplicantes, pois êstes já constituem um núcleo de 1279 almas (…) e ainda mais porque o terreno é delicioso, com excelentes campos para todo gênero de animais e faisqueiras de ouro”(adaptei). Almas e não cidadãos.

Referência: 27.a coluna publicada no Diário Verdade, jornal de Franca - SP - em 01/12/2018 - (DV-27)