sábado, 2 de maio de 2020

Os anéis daquele senhor

J.R.R. Tolkien nasceu na África (1892) mas era inglês genuíno, não britânico, como ele próprio afirmava. Estudioso das línguas que contornavam a Inglaterra aprofunda-se tanto que, além de estudar línguas ‘mortas’, como o Esperanto, que passa a admirar muito, faz dois alfabetos próprios, linguagem que está flagrante em O Hobbit e O Senhor dos Anéis. 
Tendo tornado-se órfão muito novo, fato que o leva ao catolicismo, a mente do jovem começa a conviver com contos de fadas e a reproduzir monstros (principalmente inspirado na mitologia nórdica, com dragões, etc.), que passa a ilustrar muito bem. 
Sua fé católica é ligada ao fato de que a família de sua mãe a abandona no momento em que ela deixa de ser anglicana, cortando o apoio financeiro, ela, diabética vem a falecer. Mas foi importante, ela encantava os filhos com contos em latim e grego, o som das palavras cada vez mais encantava o futuro escritor.
Neste momento surge o personagem que viria dar um importante controle emocional para o sucesso da criação de Tolkien, o padre Francis Morgan, considerado um pai (também espiritual) para o escritor. Também teve a sorte de ser bem alojado com o irmão Hilary em um orfanato, ali estaria o seu grande amor, Edith.
Seus amigos no tempo de colégio, e a sociedade que fundam, são fundamentais para o exercício da literatura que culminaria com Oxford, onde conhece o renomado professor/escritor Joseph Wright, um exímio mestre de filologia, o estudo da origem das línguas, por onde Tolkien trilharia até falecer (1973). Nesse momento, além de quase uma dezena de outras, a língua finlandesa entra em cena, ou se consolida na cena, é nela que estão a linguagem élfica que aparece fortemente em seus personagens. 
E os anéis daquele senhor? Pois é, aqui surge uma ligeira polêmica, teria o escritor se inspirado na obra de Wagner - Der Ring des Nibelungen (O anel de Nibelungo) - base de toda a inspiração do compositor. Quem bem a analisou diz que não.
Ambos se inspiram nas obras mitológicas nórdicas e germânicas que estão disseminadas em profusão - envolvendo dragões, elfos e tantos outros mistérios. Mas… um dos maiores conceitos da obra de Tolkien, o anel, que consiste em dar o domínio do universo para quem o possui e a influência corrupta que emana, tem Wagner como pioneiro.

PS:

1 - Nicholas Hoult (Tolkien), Lily Collins (Edith) e Colm Meaney (Padre Francis) estão bem no filme Tolkien (2019 - Reino Unido - Telecine/Now).

2 - Esperanto - "meu conselho a todos que dispõem de tempo ou inclinação a se ocuparem com o movimento por uma língua internacional, seria: "Apoiem lealmente o Esperanto”

3 - Tolkien foi amigo (não por toda vida) de C. S. Lewis de As Crônicas de Nárnia - relatam que a amizade azedou no fim da vida, mas tem até livro sobre isso, exultando a amizade e no fim que ela teve. Um ponto forte em comum era a aversão pela tecnologia ou os atalhos da ficção, difícil de explicar, mas algo como "Rejeitavam tudo o que era moderno, inclusive a ficção produzida pela maioria dos escritores da época. Esta, afirmavam, enfatizavam muito a originalidade e se esqueciam daqueles valores tão antigos, mas que ainda são fortes”, escreve Allenylson Ferreira.

4 - Havia dois mundos para Tolkien, o primário - o cotidiano, principalmente o cristão, católico; e o secundário - onde ele podia se jogar no imaginário, principalmente o mitológico, onde dava vida até para uma palavra, ou, de forma espetacular, para um idioma inteiro.

5 - Tanto ele como toda a crítica entendem que O Silmarillion é o melhor da obra de Tolkien, mas, não tendo a força da mídia, nunca repercutiu como O Hobbit e O Senhor dos Anéis.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Os pássaros no céu e o lírios no campo

    Toda vez que bate uma angústia sobre o futuro eu me lembro da passagem bíblica narrada por Mateus, onde Jesus nos orienta a olhar os pássaros no céu e  considerar como crescem os lírios do campo. Então vamos a elas.
Autor da foto não revelado, site de Mônica Mohr


    Jesus faz esse discurso durante o Sermão da Montanha e nos chama a atenção pelo materialismo, seja pela alimentação mal feita, ou quando deixamos que nossas vaidades se sobreponham às nossas necessidades: - "Não é mais a alma do que a comida, e o corpo mais do que o vestido?”
    Em um momento desse capítulo podemos interpretar, erroneamente, que não há o que preocupar, o “céu" sempre nos proverá, sabemos que não é bem assim, lembremos das parábolas, a semente para vir se tornar um bom fruto depende de sua qualidade e de um solo perfeito. Então temos que fazer a nossa parte.
    Mas a passagem tem algo sobre a fé que nos motiva sempre que estamos numa encruzilhada como esta, onde sofremos uma parada brusca e somos obrigados a nos voltar às reflexões: Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem fazem provimentos nos celeiros; e, contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Porventura não sois muito mais do que elas?
    Primeiro temos que acreditar em um dito popular “não cai uma só folha de uma árvore que não seja pela vontade de Deus", depois que não seremos abandonados nunca, cada um acabará por arrumar uma solução, mas dependerá de uma forte ação conjunta para que isso aconteça, com a menor dor possível. 
    E, por outro, a forte fé que Jesus, o grande orientador da Terra, colaborará para que isso aconteça, “nosso Pai sabe que tendes necessidades de todas elas".
    A mensagem se conclui de forma contundente: "E assim não andeis inquietos pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã a si mesmo trará seu cuidado; ao dia basta a sua própria aflição”.
    Veja que importante, temos que planejar e ter fé no amanhã, vendo que os pássaros no céu sempre terão com o que alimentar, da mesma forma o Sol voltará e lindas plantas tornarão a se abrir. O que não podemos deixar é que as aflições do amanhã contaminem as nossas decisões de hoje.
Enfim, saber que temos o que merecemos, que nunca estaremos sozinhos e, com fé, o dia de amanhã, com os seus cuidados, sempre conterá novas esperanças.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Home Office

A hora de trabalhar em casa.

Quem ainda não se aposentou não sabe bem como é trabalhar em casa para valer. Normalmente deixamos um canto para um notebook, mas agora haverá mais exigências.
Primeira dica, se se atrasava para o almoço, lembre-se que você vai estar no local dele, em casa é bom ter disciplina e cumprir os horários, todos te verão, o cachorrinho acostumado a comemorar a chegada no fim do dia, os filhos a terem companhia para afazeres e jogos, e, eventualmente, não vou resistir, colocar o lixo lá fora.
Para o trabalho, mesmo, não deve ser difícil montar uma estrutura residencial, muitos já conhecem a prática da videoconferência, ferramenta  de apoio poderosa. Pede uma conexão boa de Internet, mas isso a Netflix já exige, talvez  terá que rever o plano.
Via celular, mostramos o bebê que nasceu, o novo jardim, mas agora é para o trabalho e temos duas sugestões para as máquinas grandes.
O Skype da Microsoft, fácil de baixar, e o Hangouts Meet da Google, funciona nos navegadores comuns. 
O primeiro, apesar de ainda muito utilizado, perdeu o bonde da história, ele é que queria ser o WhatsApp, mas não teve a ousadia de fazer ligações telefônicas por aparelhos sem custo e de forma prática. Mas é ótimo para uma videoconferência.
O zap engoliu todo mundo, as empresas de telefonia se assustaram com a gratuidade das ligações, mas logo se calaram… porque? Óbvio, para o WhatsApp oferecer ligações gratuitas a pessoa precisa comprar a banda de Internet (conexão), e quem vende? As telefônicas! Elas passaram a faturar mais do que antes, quando detinham o monopólio das ligações.
Tem uma sistema de teleconferência do Google, não muito utilizado, mas bem funcional, é o Hangouts Meet. Bom para quem está acostumado com o gmail e com a sua ótima agenda, tudo em uma plataforma só. Então é bom criar este e-mail.
Marca a reunião virtual, ao agendar tem como convidar pessoas via e-mail, ao marcar o local - coloca ‘videoconferência’, o próprio sistema já produz o link para abrir as câmeras na hora, tudo gratuito e muito prático.

É a dica para os profissionais de serviços nos seus diagnósticos, para quem fará a declaração de imposto de renda para centenas de pessoas e para ver os netinhos! 

quinta-feira, 19 de março de 2020

Em tempo de.... panelas

Jesus faria coisa melhor com uma panela, alimentaria quem vai ficar desempregado.

Tempos cinzentos - meus vizinhos vieram para trabalhar em casa, resultado do nosso real inimigo... confesso que pensei que a civilização fosse entender o recado, que ainda não foi totalmente dado.
Ela - a população, está confusa com um monte de coisas, seja na moral, seja na tolerância... E vejam só, vieram para casa - em massa - para BATER panela? Aí é torcer para sobreviver e depois comemorar o resultado... quem ganhou o barulho mais alto? Eu sei que tive que aumentar a televisão, o filme que assistia era poético, queria ouvir as vozes dos atores.
Como começou uma gritaria, fui no canal de esportes para ver se era algum clássico rival, sempre que jogam Palmeiras e Corinthians marmanjos ficam se xingando pelas janelas, pelas sacadas. Afff não perderia esse tempo nem pelo meu querido Santos - para quem torço há 60 anos.
Mas enfezei, fui na cozinha para ver se tinha uma panela para pedir silêncio para os dois lados, e surpresa.. não achei! Que tempos são esses que nem panelas temos?
É tá difícil, nem em risco de extinção nossa raça não acha espaço para uma coisa tão simples, tolerância.

domingo, 15 de março de 2020

O imaginário popular (DV-92)

Longe de subestimar o pânico que está ocorrendo no mundo, fico observando como cada um dá o seu trato para uma notícia. Há uns dez dias uma mãe contou que, em diálogo com o filho, fez as observações necessárias para que ele evitasse contato com coleguinhas que tossissem ou espirrassem, ele sempre tinha um contraponto a fazer - mãe nós ficamos em fila, não tem jeito… mãe ele senta atrás de mim. E assim por diante.
Ela, sentido-se vencida, decreta - Só se eu  tirá-lo da escola! Levei um susto.
Respeitamos as preocupações, claro, mas ficamos também de olho no poder do imaginário popular. As fake news, as notícias falsas, ganham força porque somos impelidos a provar que a nossa notícia é bem mais grave que a do outro, isso não colabora com nada.
Antigamente se dizia, que conta um conto aumenta um ponto.
Uma vitória histórica da mentira aconteceu em 1938 nos EUA, uma notícia que alardeava a queda de um meteoro, que havia matado mais de 15 mil pessoas, depois que não era bem um meteoro e sim uma nave marciana que trouxe uma população bélica daquele planeta, que já desciam atirando. Era uma adaptação para o rádio do filme de Orson Welles, tão bem feita, que levou os americanos à comoção, mesmo depois de 82 anos é a mentira mais famosa mundo até hoje.
As fake news são um instrumento muito forte da política, e olha que isso já faz tempo, mesmo antes dos aplicativos já eram muito usadas. Tinham técnicas assustadoras, visitar e convencer os formadores de opinião de que algo muito terrível rondava determinado candidato, principalmente se estivesse bem cotado. Colocavam um exército de cabos eleitorais nos ônibus puxando conversa e levando essa preocupação. O mesmo com os motoristas de táxis - sim já foram influentes, e com as moças que cuidam da beleza das mulheres.
O pior é que muitas vezes deu certo, em 1945 esparramaram que o Brigadeiro Eduardo Gomes havia dito que “não precisava dos votos dos marmiteiros”, se referindo aos pobres, ele viu a enorme preferência que tinha cair e foi eleito presidente o General Eurico Dutra. 
Você não ia querer que eu contasse de algumas mentiras recentes, não é. Mas é bom ficar atento.

Referência: 92.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 14/03/2020 - (DV-92)

 

sábado, 7 de março de 2020

A mulher mais amada do planeta (DV-91)

        Se perguntarmos, no susto, qual foi o maior amor do planeta, os conservadores vão responder: Romeu e Julieta, os mais liberais dirão Jack Dawson e Rose DeWitt Bukater, quem? Ah, os personagens de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em Titanic.
        O trágico romance de Shakespeare, de 1590, só perde no morrer por amor, a vida não pertencia ao casal, foi dada por Deus para ser preservada, como a nossa. Tirando o  rigor é um conto arrebatador, um dos maiores símbolos da paixão.
As mulheres mais amadas do planeta, será?
        Tristão e Isolda é uma lenda celta (1160), ele, inglês, mata um dragão para conquistar os irlandeses e chegar em Isolda. Ele tinha mais que o não da família, como teve Romeu, ela era prometida para o rei Marcos de Cornualha (hem?). A estória ganhou força quando Tristão é retratado no século XII como um dos cavaleiros da távola redonda do Rei Arthur. 
        Mumtaz Mahal cede aos encantos de Shah Jahan, imperador Mongol e se torna o seu grande amor, só que ela morre no parto do 14.o filho, ele fica realmente muito desolado. Reza a lenda hindu, que ele constrói para ela o que chamam de maior prova de amor do mundo, o Taj Mahal, maravilha mundial, incrustada com pedras preciosas e cúpula costurada com fios de ouro. Muito amor.
        Os argentinos falarão de um amor maior, o de Perón por Evita, que morre de câncer aos 33 anos. Evita se torna um amor de todos os argentinos, cultuada em tangos e museus, amor coletivo, como a Princesa Diane.
        E o amor de Páris por Helena, falso ou verdadeiro? É mitologia, tão forte, que parece que é um conto histórico, como quase tudo da mitologia grega. Ela é raptada por Páris, seu marido não se dá por vencido, e dá início à enorme guerra de Tróia.
        A rainha Victória, perde prematuramente o seu príncipe Alberto, estabelece um luto real de mais de 40 anos, sempre de preto inaugura muitas obras para lembrar o marido, entre tantas o imponente museu Victoria & Albert e a fantástica casa de espetáculos Royal Albert Hall.
        Dedico essa crônica à Lila, quando o cardiologista lhe disse “seu marido te ama muito” temos que levar a sério, é ele que cuida do seu coração!

Referência: 91.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 07/03/2020 - (DV-91)




Sistemas, o direito de resposta (DV-90)

Semana passada fizemos um crônica humorada criticando os “sistemas" que vivem caindo, ou estão fora do ar quando mais precisamos, pegam vírus ou são invadidos por hackers, por falta de cuidados e gerenciamentos. Está no meu blog indicado abaixo da minha foto.
Era uma brincadeira, como é o ‘direito de resposta’, mas que ouvimos sempre: “não é possível, o sistema está lento”, ou fora do ar, ouvimos.
Mas isso não tira a eficácia e o surpreendente salto que foi dado no mundo por causa deles. O sistema de um prestador de serviços compreende - invariavelmente, de um banco de dados com tudo que é necessário armazenar, principalmente as nossas referências e as informações do serviço, e, quanto melhores os dados cadastrados, melhores os relatórios, quanto maior o sistema operacional, mais rapidez na resposta.
É importante saber que são duas coisas distintas - o sistema principal era conhecido antigamente como “cérebro eletrônico”, aff, é nele que todos os outros sistemas giram, escolhe-lo bem é fundamental, é nessa má escolha que está o cair, ficar lento ou ser contaminado.
Seja qual for o sistema que se escolha, ele vai ter que rodar em máquinas da Microsoft (Windows) ou da Apple (macOS). Mas, não esqueçamos de dois sistemas operacionais para celulares que avançaram de forma inimaginável nos últimos anos, o Android (Google/Samsung) e o IOS (Apple iPhone), este último está pronto para simular um chave para abrir seu carro. Não há limite.
Lembrei-me do IEPES - Instituto de Pesquisas, Estudos e Serviços que funcionou nos anos 1960/70. Reza a lenda que um celular de ponta hoje tem a capacidade reunida praticamente igual à dos computadores que ocupavam uma sala inteira da FACEAF, ficavam horas rodando serviços, uma folha de pagamento de uma empresa do tamanho da saudosa Samello demorava uma noite inteira e outro dia na conferência.
Dizem também que um smartphone desses já tem o processador com a capacidade dos computadores que levaram o homem à lua. Um exagero, com certeza, mas esses serviços que levavam dias, semanas para serem entregues, com risco de erros, hoje um celular pode fazer em segundos.

O começo foi romântico, importante e inovador, mas ficamos por aí, isso tudo hoje cabe na palma de sua mão.

Referência: 90.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 29/02/2020 - (DV-90)

domingo, 23 de fevereiro de 2020

O verdadeiro parasita (DV-89)

Tem algo que atua nas prestadoras de serviços do país que está ganhando força, pior que, pelo visto, está cada vez mais importante. Ele determina se o serviço anda ou não anda, ou seja, é ele que dá o ritmo para o que cada um deve ou não deve fazer.
Já houve casos que cheguei a duvidar do que ouvi, a culpa é dele está lento. Eu disse, como? Ele é lento e sou eu que tenho esperar? Não acredito. A mocinha desolada afirma, é… não temos o que fazer, ele é uma porcaria(?).
Já que não tinha mesmo o que fazer fui para o shopping, acalmar, tomar um capuccino e quem sabe curtir um filme, pensei no sul-coreano Parasita (Bong Joon-ho), que deu o que falar esses dias. Aliás, o ministro largou o termo com adjetivo para uma classe que, na sua grande maioria, luta para que os serviços sejam bem realizados para todos. Velha história de uma suposta minoria rotular uma categoria inteira, injusto!
Voltei na prestadora para ver se finalmente resolvia o meu problema, já era outra mocinha: - E aí, perguntei? Levei um susto… diz ela em tom solene, ele CAIU. E ninguém resolve? Não, só ele, quando cai dessa forma só no dia seguinte. Então foi grave, pergunto, ela diz que foi. Nessa altura não sabia se ficava com raiva por perder a viagem, ou se ficava com dó. Enfim centenas de pessoas foram afetadas pela queda dele. O que fazer?
Sinceridade, acho que o problema deve ser com a Previdência, deve estar fazendo operação padrão pela demora da aposentadoria - vai no local, fica no local, mas enrola com o serviço. A moça - Não meu senhor, acho que pegou um vírus, eu perguntei, virose? Me olha com desdém:  - não sei meu senhor, só me informaram que ele está com vírus, com qual eu não sei.
Tá bom, então eu quero falar com o diretor, agora fiquei bravo! - Não vai ser possível, para que isso ocorra nós também dependemos do SISTEMA. 
Então fica registrado, não deviam entregar todo o funcionamento para esse tal sistema, ele cai, fica lento, pega vírus e interrompe o serviço, pelo menos não escondem, tudo que dá errado que é culpa dele, do sistema.!


Referência: 89.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 22/02/2020 - (DV-89)

sábado, 15 de fevereiro de 2020

A menina que queria voar - (DV-88)

A menina Gisele vinha mergulhada em um monte de sonhos, mergulhada é força de expressão porque ela queria mesmo era voar. Aos 12 anos parava e pensava muito quando alguém perguntava - o que você vai ser quando crescer. Nas suas reflexões ela incluía algo que envolvia viajar… buscar outras plagas, conhecimentos, ainda que fosse muito nova.
E eis que um dia alguém aponta para uma carranca, jorrando água, e diz - se você beber dessa água nunca mais sai de Franca… Hein, como assim, que força tem essa água meu Deus. Pior que em seguida vem o decreto - e tem mais, se sair vai acabar voltando!
Parou para ler o que tinha na placa: "Esta é a água da careta, tão bela como nunca vi, quem beber desta fonte, nunca mais sairá daqui”. Vixe, é verdade, pensou.
Estava decidido, ela nunca ia beber daquela fonte, no imaginário infantil veio o temor de que, se bebesse todos os sonhos estavam interrompidos, estudar fora, ter a chance de morar em uma Capital, ainda que fossem sonhos acabou, bebeu, ficou!
Os mais antigos já sabem, eu falo da Água da Careta, um verdadeiro monumento que Franca teve na ponte da rua Voluntários da Franca, guardando as enormes proporções, tão querido como o Relógio do Sol, os versos são de José Ferreira de Linhares, premiado em um concurso realizado em 1956.
O que falar do pensamento da menina? Vamos fazer o inverso, publicamos fotos e referências históricas da Água da Careta. Sabe o que aconteceu? Dezenas de pessoas, com muita convicção, deram seus depoimentos contando que ficou em Franca porque bebeu dessa água, que foi embora mas voltou, outros não conseguiram voltar, mas não a esquecem e se sentem tristes da profecia não ter dado certo.
Se os adultos vivem essas ilusões, e bota romantismo nisso, porque não dar o direito a uma criança de pensar ao contrário? Que água pode ter o poder de me prender para sempre? Hoje ela se acha boba por ter pensado assim - “Eu não bebi dessa água e me arrependo!”, não concordo, sua história é muito mais impactante.

Esse depoimento é verídico, de Gisele Carvalho, está no meu Facebook e ela autorizou que eu contasse aqui. Incrível, muito incrível.






Referência: 88.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 15/02/2020 - (DV-88)

A música inglesa - (DV-87)

Se você, assim como eu, era um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones, está na crônica certa. Essa música é de 1968 gravada pelos Incríveis e Engenheiros do Hawaii. De qualquer forma os ingleses Elton John e Mick Jagger comandaram duas das maiores bandas já existentes na terra. 
The Beatles preencheu minha juventude, eu e o mundo todo os conhecemos depois de sua turnê pelos EUA, em 1964, quando se apresentaram na marquise do teatro Ed Sullivan. Por volta de 1966 assisti A Hard Day's Night: Os Reis do iê iê iê no cine Odeon, credo, todo mundo sentadinho, quieto, vontade de cantar junto, dançar, tinha 16 anos.
E por falar em marquise, não deixe de assistir Yesterday, de Danny Boyle (Quero ser um milionário), com Himesh Patel, que acorda em um mundo que ninguém conhecia nem os Beatles, nem a Coca-cola, imperdível.
Dois outros ingleses são protagonistas de filmes recentemente Freddie Mercury, com o seu Bohemian Rhapsody, e Elton John com o Rocketman, não assisti, mas vou. Se você ainda não viu o Bohemian prepare a caixa de emoção, se já sabe do que estou falando, espetáculo. Elton John tem uma música que sempre emociona Candle in the Wind, falo da adaptação feita para a princesa Diana, é de partir o coração. Mas dele gosto mais de Your Song. 
No rock inglês temos o Pink Floyd, The Who, Radiohead, Sex Pistols, Led Zeppelin e  o Queen, já mencionado. Mas não esqueçamos de David Bowie.
Muita gente vai ficar de fora, mas temos Adele, Ed Sheeran, Lilly Allen e a controversa Amy Winehouse, com sua salada ritmos, forte no R&B, no soul e no jazz, destaque para Back to Black e Rehab. 
Na playlist tem que ter Sting, Mark Knopfler, Phil Collins e Eric Clapton, principalmente este último com singles recordistas como a triste Tears In Heaven, que fez para o filho que perdeu em uma tragédia. 

Em tempo - Naquela época você não amava Beatles “e" Rolling Stones, tinha que escolher, só que não há registro de briga entre eles, coisa de empresários. Como disse Tom Wolfe (1965): Os Beatles querem segurar sua mão, mas os Stones querem botar fogo na sua cidade”.

Referência: 87.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 08/02/2020 - (DV-87)


sábado, 1 de fevereiro de 2020

A verdade nua e crua (DV-86)

A interlocução é um segredo importante no relacionamento, a forma de falar e de ouvir, a defesa da opinião pessoal e, principalmente, como o diálogo pode colaborar com o nosso cotidiano.
Em determinadas fases da vida, principalmente no início de um relacionamento, damos uma enxurrada de informações para que a outra pessoa se convença e entenda como você é. Fase importante, porque também começam os ajustes da convivência, a paixão inicial já está diminuindo e, pronto, somos só nós dois!
Parece que não, mas, entre os diversos fatores que podem frustrar um relacionamento está a forma que um se dirige ao outro, há a ilusão de que, ganhando uma discussão, o outro se conforma e te entende. Na verdade quem se frustra ou procura fazer algo pior, dizer coisas mais graves e agudas, ou, se não consegue, começa a diminuir o interesse na parceria.
Essa fase, apesar de aguda, é ainda tranquila, onde, através da discussão, o casal começa a definir do que gosta e do que não gosta na vida conjunta. Uma segunda, e essa tem que ser diuturnamente vigiada, é a da ofensa, uma escalada perigosa que, sabemos, nos casos mais graves provocam até a agressão física. Daí para o fracasso do relacionamento é um pulo, sem contar o risco de ocasionar consequências graves.
Uma recém formada em psicologia, na sua primeira palestra, disse uma coisa que nunca mais esqueci, nada supera o diálogo sadio, casais às vezes levam coisas para o túmulo e nunca dizem ao parceiro, na sexualidade, por exemplo - o que gosta e, principalmente, o que NÃO gosta, o que dá prazer para um pode ser extremamente frustrante para o outro. Isso vale para tudo.
Já um tia, quando recebeu nosso convite de casamento, disse algo também inesquecível - nunca fale uma coisa para o outro na qual você se arrependerá depois e nunca durma com um problema que pode ser solucionado hoje. 
É um bom exercício. 

Quer ver um exemplo de erro de comunicação? Chegando no shopping a esposa diz, acho que já vou comprar o vestido para a festa do mês que vem. O marido diz não e faz um contra argumento. O bico cai e nem com dez vestidos você superará a frustração do dia, é melhor voltar para casa. Rsss.

Referência: 86.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 01/02/2020 - (DV-86)

Tudo vale a pena? (DV-85)

Fernando Pessoa
        Meu pai foi poeta. Leonel Nalini cantou Franca em prosa e verso, conviveu com os demais poetas francanos, jornalistas e radialistas. Começou após a revolução de 1932, quando ganha a maioridade, próximo dos 20 anos, e nunca mais deixa de fazê-lo. Até 1984, ainda escrevia cartas para a Patrícia, sua eterna amiga. Nossa! 
        Além da cidade, gostava de exultar as pessoas, o amor, a dor, e a flor. Crítica? Não, adorava a frase dele quando respirava fundo e dizia - vai suspiro viajante, vai aos pés da minha amada.
Leoel Jr., Leonel Nalini, o autor do artigo
        Fui buscar para ele um verso do poeta português Fernando Pessoa: O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente. 
        A grande curiosidade da obra de Pessoa (1888-1935) foi ele subdividir as suas personalidades em escritores diferentes. Não carece analisar a sua obra como uma só, e nem devemos, o múltiplo estilo era proposital e assim deve ficar.
Lidou brilhantemente com isso, sua multi personalidade escondia-se na heteronímia, onde autores fictícios são criados para dar vazão a outros pensamentos, que não seriam do próprio autor.
        Efeitos assim, podem ocultar o Transtorno Dissociativo de Personalidade, é só assistir Psicose (Alfred Hitchcock ) ou Fragmentado, filme alucinante onde o personagem Kevin (James McAvoy) se dividindo em 23 personalidades com idades, gêneros e até doenças completamente diferentes.
        Não era o caso do poeta e não se tratava de transtorno e sim de uma maravilhosa opção autoral, veja como ele viu isso à época: - Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito? 
        Ícone de Pessoa a poesia Mar Português descreve os sofrimento do espírito navegador à época, os naufrágios para dobrar o cabo Bojador (Marrocos),  causando muitas perdas pessoais -  Ó mar salgado, quanto do teu sal, são lágrimas de Portugal!
    Para que fosses nosso, ó mar! Quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar. Valeu a pena? Tudo vale a pena, Se a alma não é pequena.
Fechamos com a convicção de que realmente, se alma se eleva, em todos os sentidos, tudo que ela fará terá valido.

Referência: 85.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 25/01/2020 - (DV-85)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Falabella, o esquisito - (DV-84)

A entrevista do Miguel Falabella ao Bial destrinchou o perfil desse surpreendente diretor/autor.

Niana Machado - Miguel Falabella
    Ele era muito míope quando criança e ninguém se dava conta, só descobriram quando, já com 7 anos, coloca os óculos de sua mãe e o mundo se abre diante dele, foi até ao cinema para rever um filme que gostava. Mas isso fez um outro efeito, a miopia permitia que ele lesse melhor de perto, com isso tornou-se um aficcionado em livros, isso pode ter mudado seu destino. Mas não foi só isso.    
    Marília Pera o impulsiona, já no teatro, assistido por ela, no dia seguinte recebe uma ligação - rapaz seus olhos falam, nunca mais se separaram. Amizade que ele narra aos prantos.
    Certamente Falabella - graças ao seu temperamento, objetividade e falta de paciência, é um chefe que eu não gostaria de ter. Aliás eu o conheci no aeroporto de Ribeirão Preto, sem trocadilho, todo falante, até que entramos no ônibus para ir para o avião (tinha ônibus à época!) e nos deixaram dentro dele, no sol escaldante bem típico da cidade, esperando abrir a porta do avião. Ele - claro - fez um escândalo aos berros com essa irresponsabilidade. Tinha toda razão.
Elenco de Toma Lá, Da Cá


    A parte dos esquisitos é a que conta a verdadeira história de Falabella, ele diz que fica muito triste com o desemprego entre seus colegas, com isso vai produzindo peças teatrais alucinadamente, para ocupá-los, e isso fica flagrante com suas obras.
    O Bial pergunta de forma divertida porque ele se envolve com tanta gente esquisita, ele diz que é porque se acha meio esquisito, que não tem foco, será? Que está sempre tocando dez coisas de uma vez, nada demais.
    Quanto a esse tipo de atores, quem realmente disse isso foi um porteiro do “cara crachá” da Globo - Eu sei quando é produção do Falabella pelo volume de gente esquisita. 
    Na última cena de Toma lá, dá cá, favelados invadem e saqueiam o apartamento da família. Uma atriz enche Falabella de porrada e não para mesmo com o "corta", terminando as gravações ele quis saber quem era aquela maluca, conhece Niana Machado, a Bá (Piranha…) que depois, mesmo sempre doente, não sairia mais de perto de dele (faleceu em fevereiro de 2021, aos 82 anos).

Coisas de gênio… esquisito! 

Referência: 84.a coluna publicada no Verdade, jornal de Franca - SP - em 18/01/2020 - (DV-84)